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JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Festival da loucura

Por Robson Rocha

Cheguei do Festival da Loucura em Barbacena, louco para postar um texto sobre o evento. Baixei as fotos e apaguei do cartão fotográfico. Loucura, eu sei! Pois aí, logo depois, meu computador queimou a fonte. É coisa de doido!
Fiquei enlouquecido, porque não gosto de postar texto sem fotos. Peguei o notebook e tentei escrever alguma coisa. Mas, meu nervoso era tanto, que estava à beira de um ataque de nervos.
Tentei dar um eletro-choque no meu PC, mas foi em vão. Pra fazer uma lobotomia nele e transferir alguma coisa para o notebook era impossível.
O jeito foi me acalmar e hoje o levei em uma clínica eletrônica, onde recuperaram meu computador, sem nenhuma violência. Ele voltou pra casa bonitinho.

E como as fotos estão recuperadas, posso contar que fomos a Barbacena para cobrir um festival que é muito bacana: o da loucura.
Começamos gravando uma mesa redonda com o tema:
“Nunca houve um homem como Heleno 1920-1959”.
Heleno de Freitas foi um grande jogador do Botafogo de 1945 a 1948 e 1950. O centroavante atuou pelo Vasco (1949), Boca Juniors, da Argentina(1951), América do Rio (1951), Atlético Barranquilla (1951 e 52) e Santos (1953).
E ficou internado de 1954 até 08 de novembro de 1959, quando morreu aos 39 anos em Barbacena, de sífilis cerebral.

Foi uma divertida aula com Luiz Mendes, jornalista esportivo da rádio Globo, e, principalmente, com o médico José Teobaldo Tolendai, que cuidou de Heleno.
Eles conseguiram dar uma aula, sobre um assunto sério, mas de forma descontraída.
Contando várias histórias desse mineiro que nasceu em São João Nepomuceno.

Dali, fomos almoçar e depois visitamos a tenda ou, o circo.
Onde de cara, a gente encontrava um Dom Quixote enorme todo feito de sucatas, lembrando o maior louco da literatura mundial. Muito bacana!
Depois, a gente passava por uma exposição de quadros pintados por pacientes psiquiátricos.
Havia também muitas fotos dos pacientes em um grande mural, onde a gente não cansa de olhar e tentar entender a felicidade deles. Era uma exposição mostrando a emoção de quem voltou para casa com a desospitalização.

Logo à frente, me deparei com muitas fotos antigas de Barbacena. Como adoro fotos antigas, não resisti e vi uma por uma. E uma coisa me deixou feliz, eles estavam vendendo um cd com as fotos. Lógico que depois voltei e comprei!
Mas, enquanto gravava as fotos, ouvi uma gritaria. Era um grupo fantasiado de loucos levando a Michele para uma tenda onde fizeram alguns testes de loucura com ela. Era o grupo Blade, de Belo Horizonte, que ficava o tempo todo fazendo maluquices. Todo mundo que passava por lá era obrigado a usar um chip de louco.

Com as loucuras, o grupo conseguia prender a atenção dos turistas, que
participavam das brincadeiras, mas em momento algum deixava de registrar as coisas estranhas que eles faziam. Na verdade, eles nos mostravam que todos nós somos um pouco loucos.
E a loucura ali é tão levada à sério, que eles me tomaram a câmera e me fizeram vestir um paletó de mil novecentos e preto e branco. Mas não bastava só vestir. Tive que fazer todas as gravações usando o paletó que tinha cheiro de guarda-roupas. Fazer o quê?

Saímos e fomos para o Museu da Loucura, um lugar em que você viaja no tempo e pode conhecer o tamanho da maldade humana.
Fotos de depósitos de pessoas, que loucas ou não, sofriam as maiores torturas que um ser vivo pode suportar.

O Jornal Estado de Minas, que denúciou em 28 de agosto de 1979
“A vida que se esconde nos depósitos de lixo humano”.
As imagens são fortes e as fotos não precisam de texto, elas por si só dizem tudo.

Depois, visitamos e gravamos nas casas onde vivem hoje os internos.
O legal é que não tínhamos marcado nada e pudemos circular sem restrições.
O único pedido foi não identificar os pacientes.

Fiquei feliz, pois a transparência mostra que lá ninguém tem nada a esconder. Nos admiramos com a limpeza e principalmente a qualidade de vida que os pacientes têm ali.
A Francisca é a funcionária que nos acompanhou na visita.
Muitos dos internos conversaram com a gente, eles têm carências, entre elas a de conversar com as pessoas.
E muitos ainda são remanescentes dos períodos de tortura. Alguns até hoje ainda não se acostumaram com a nova realidade. Andando por lá, em determinados momentos dá vontade de chorar.

Depois que escrevemos um texto sobre o museu da loucura, o Alexandre nos mandou um e-mail sobre a história de seu avô, que foi internado lá. Tentamos entrar em contato com o Alexandre, mas os e-mails retornaram.

Estamos juntando várias histórias sobre a loucura e talvez em breve postaremos algumas.

domingo, 6 de abril de 2008

Campeonato mineiro - A história se repete

Por Robson Rocha

Hoje, nossa primeira matéria foi uma apreensão de drogas feita pela Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes de Juiz de Fora.
Uma estudante, de 19 anos, veio de Vitória para buscar cerca de vinte quilos de maconha e levar o material para o Espírito Santo.
O pessoal disse que estamos sumidos, isso pois antigamente a gente não perdia um factual na delegacia.
Além da droga que estava escondida em duas bolsas de lona, eles apreenderam um celular. A droga foi entregue no bairro Marumbi, em Juiz de Fora.

Dali, fomos para o Estádio Municipal de Juiz de Fora, o Mário Helênio.
Chegamos e não havia vaga para o carro da TV. Eram muitos carros de transmissão e de reportagem. No campo, os profissionais se espalhavam por toda parte. Além disso, todas as cabines estavam ocupadas. O pessoal da TVE – Rede Minas de Juiz de Fora, que sempre usa a cabine da TV Alterosa, teve que ficar em um palanque construído ao lado das cabines.

Nós tivemos que dividir nossa cabine com a galera da Sport TV.
O triste é quando dividimos a cabine com uns manés. Mas, os camaradas da Sport TV eram gente boa demais.
Três câmeras e mais a Michele tinham que usar a janela. Ainda bem que a janela é bem grande e todo mundo se ajeitou.

O jogo começou e de um lado ficou o Edu, que trouxe a esposa para conhecer a cidade.
Que por sinal, em dia com tanta chuva, não deve ter dado para conhecer muita coisa. Mas ele ainda queria levar a patroa para experimentar uma comidinha mineira depois do jogo.

No meio eu e a Michele que durante todo o jogo não pôde se mexer muito, pois senão esbarraria em algum dos tripés. E tinha que fazer as anotações em meio a fitas, baterias e copinhos de água mineral.
Em campo, a chuva caia, mas estava tudo azul, até o juiz parecia azulado. Nada que o torcedor do Galo de JF não esperasse.

Já ia me esquecendo, no outro canto da cabine estava o Marcelo, que também fez malabarismo para operar a câmera. Isso, porque ele estava com o ombro e o braço esquerdos enfaixados. Enquanto isso, em campo acontecia uma performance digna dos melhores artistas de circo. Um jogador do Cruzeiro fez pose e se estabacou no chão sem ser tocado. Uma cena digna dos melhores palhaços circenses que tomam tombos sem ninguém os tocar. E o pior: o juiz azulado amarelou o camisa sete do Tupi, Lucas.

Mas, a torcida do Tupi não amarelou e fez bonito! Apoiou o time todo o tempo, independente do time estar ganhando ou não.
Enquanto isso, parte da torcida do Cruzeiro parece que não entendeu que, em Juiz de Fora, o estádio de futebol é um local que a gente vai com a família para apreciar o jogo e, lógico, torcer. Isso, porque eles não tinham com quem brigar e mostraram que isso não importa, pois brigam entre eles mesmos. Que exemplo!

Mas, o jogo continuava e, diante da postura do juiz, nossos amigos cariocas não resistiram e perguntaram se o juiz era cruzeirense. Aí, ouvi uma pessoa dizendo pra eles: “Você não sabia que o campeonato mineiro é feito para os times da capital? E vocês da imprensa só falam deles. O América que está na segunda divisão do mineiro tem mais espaço que todos os times do interior juntos!”
Falar o quê?

O primeiro tempo terminou e o Tupi na frente. Mas como diz o ditado: “Alegria de pobre...”
No inicio do segundo tempo o Lucas fez uma falta e o Sr. Juiz o mandou para o chuveiro mais cedo. Aí, estava tudo ajeitado para o Atlético e Cruzeiro não se encontrarem antes da final. Com um jogador a menos, o Tupi bem que tentou, mas não conseguiu segurar o time de BH que fez 2 gols e terminou essa fase em primeiro lugar.

O torcedor carijó saiu de campo chateado com o resultado, mas não com o time do Tupi, que fez o que podia. Como me disse um técnico de uma rádio: “O décimo segundo jogador do Tupi foi a torcida, mas o décimo segundo jogador do Cruzeiro tinha mais poder!”
Fora isso, ouvi de vários torcedores frases muito parecidas de que o Tupi deveria tentar disputar o campeonato carioca, pois o campeonato mineiro nunca vão deixá-lo ganhar.
Parei pra pensar e isso é uma realidade.
Tirando o Ipatinga que era uma filial do Cruzeiro, quando deixaram um time do interior ser campeão mineiro?
Pelo visto, a história se repete!

sábado, 5 de abril de 2008

Leilão de 200 carros em Muriaé

Por Silvan Alves
TVAtividade

A Delegacia Regional de Polícia Civil de Muriaé estará leiloando no próximo dia 23, numa quarta-feira, 213 veículos (automóveis, motos e caminhões) apreendidos por falta de licenciamento, débitos de multas, chassi remarcado, e veículos acidentados irregulares.
Os veículos estão depositados em pátios de delegacias da regional, como Carangola e Divino.
Só em Muriaé estão aproximadamente 60 automóveis e 80 motos.
De acordo com a organização do leilão público de veículos, o proprietário que ainda queira recuperar seu veículo, o prazo vai até às vésperas do leilão.
A Delegacia de Trânsito de Muriaé informou ainda que cerca de 80% dos veículos foram apreendidos por estarem com a documentação obrigatória irregular, e os demais 20%, se dividem em veículos de chassis remarcados e acidentados em situação irregular. O leilão inclui dezenas de bicicletas produtos de furtos na cidade que não foram procuradas ou identificadas pelos seus donos, além de peças como motores.
A visita a esses veículos está liberada a partir do dia 14.
www.silvanalves.blogspot.com

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Acidente em Minas Gerais mata nora do Ministro da Saúde

Por Michele Pacheco

Fomos a Barbacena cobrir o Festival da Loucura. Já saímos de Juiz de Fora debaixo de chuva e com nevoeiro intenso na estrada. Fomos devagar, pois sabemos que o trecho é perigoso. E não deu outra! Vimos vários acidentes pelo caminho.
Como tínhamos horário apertado em Barbacena, não dava para parar e registrar todos. Tentamos salvar algumas fotos de dentro do carro. Esta carreta parece ter derrapado na pista, descido de ré e ficado nesta posição estranha, formando um L entre a carreta e a cabine.

Poucos metros à frente, um caminhão estava parado na pista contrária. Ele estava carregado de sucata e alguns fardos tinham se desprendido, caindo no asfalto. Como passamos rápido, não dava para saber se o motivo da queda do material tinha sido um acidente ou uma derrapagem do veículo com a pista molhada. Este caso aconteceu num ponto perigoso da BR 040, na Serra da Mantiqueira. O trecho foi reformado há pouco tempo e, desde então, os acidentes são freqüentes. Muitos motoristas aproveitam as boas condições da pista e abusam da velocidade.

Chegando em Barbacena, notamos que esta carreta estava com a lona deformada. De um lado, dava para ver bem a carga pressionando a lateral.
Achamos um absurdo que o motorista seguisse viagem daquele jeito. Como não sou lá essas coisas como fotógrafa, não consegui registrar o lado certo da carreta, mas o que fotografei também estava começando a se deformar. Pensamos em avisar à Polícia Rodoviária Federal, mas o caminhoneiro encostou o veículo num local seguro e foi ajeitar o carregamento.

Fizemos a nossa reportagem em Barbacena e voltamos para Juiz de Fora. No caminho, chuva constante! Perto de Correia de Almeida, encontramos uma van tombada no asfalto e muita gente em volta. Dois ônibus estavam parados um pouco à frente e alguns militares cercavam o veículo. Conversando com o motorista, debaixo do aguaceiro, ele nos contou que chovia muito e havia óleo na pista. Ele derrapou numa curva, bateu na mureta central da rodovia e tombou, indo parar no canto contrário. Havia 10 passageiros na van. Todos são funcionários de uma empresa que trabalha com exportação no Porto de Sepetiba e estavam indo de Ouro Branco para o Rio de Janeiro. Os militares eram da Aeronáutica e pararam para ajudar e dar carona aos passageiros. Por sorte ninguém ficou ferido.

O acidente mais grave que vimos foi no viaduto do bairro Santo Antônio, em Santos Dumont. Duas pessoas morreram.
Custamos para chegar ao local, pois a rodovia estava com congestionamentos nos dois sentidos. Um Siena prata com placa do Rio de Janeiro estava todo destruído.
A motorista, Ana Cláudia Madeira Lopes, de 25 anos, morreu no local. Ela era nora do Ministro da Saúde, José Gomes Temporão. A administradora de empresas seguia no sentido Rio-Belo Horizonte.

Segundo socorristas que estavam no viaduto, testemunhas contaram que Ana Cláudia perdeu o controle do veículo ao entrar no viaduto, invadiu a contra-mão e bateu de frente numa carreta. O carro dela rodou e parou na mureta de proteção, todo destruído.

Também chovia na hora desse acidente. Um problema que temos notado há algum tempo é o acúmulo de água nas pontes e viadutos da BR 040. Se um motorista que não conhece o trecho entrar um pouco mais rápido vai ter dificuldades para controlar o veículo. Mesmo sem excesso de velocidade é perigoso, já que os veículos derrapam e podem aquaplanar.

Ainda segundo testemunhas, o motorista da carreta de transporte de GNV tentou desviar do carro e acabou caindo do viaduto em cima da linha férrea que cruza o bairro Santo Antônio. A altura é de cerca de 30 metros, o equivalente a um prédio de 10 andares. Os moradores se assustaram ao ver a carreta-tanque e ficaram com medo de uma explosão. Mas, o veículo estava sem carga. Erli Gomes Pinto, de 49 anos, morreu no local.
A carreta caiu com a cabine voltada para baixo e ele ficou preso nas ferragens.

Esses não foram os únicos acidentes do dia na BR 040 e a Polícia Rodoviária Federal acredita que outros mais vão acontecer, já que não pára de chover na Zona da Mata. Quem for passar por aqui deve ficar atento às condições da rodovia. Em vários trechos entre Santos Dumont e Juiz de Fora a sinalização da pista está quase toda apagada, o que dificulta a visibilidade. A situação dos policiais é de sobrecarga. No acidente do viaduto, apenas uma policial controlava todo o tráfego intenso, já que os colegas estavam ocupados em outros acidentes.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Bebê encontrado morto em Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Hoje foi um dia daqueles! Parecia que não acabaria nunca. Começamos cobrindo a visita do Ministro das Comunicações, Hélio Costa. Ele esteve em Leopoldina assinando termos de doação para criar os tecnocentros comunitários na Zona da Mata Mineira. O projeto visa dar a todos acesso de qualidade à informática. O ministro tomou um café no aeroporto de Juiz de Fora e teve uma conversa informal com o prefeito da cidade, Alberto Bejani. Depois, seguiu viagem para Belo Horizonte. Em entrevista, Hélio Costa comentou as possibilidades de aliança política entre PT e PSDB em Minas Gerais. Ele voltou a afirmar que é a favor de alianças entre a base aliada. Se não for possível acordo entre todos os partidos aliados, aí sim deve-se discutir outras propostas.

Depois do aeroporto, seguimos para o bairro Santa Cecília, na região central da cidade.
A denúncia era de que um bebê tinha sido encontrado morto em casa com sinais de estrangulamento. No local, já não tinha mais qualquer movimento de policiais e conselho tutelar. Alguns moradores nos receberam com cara feia, apontando para o nosso carro e reclamando entre eles. Uma senhora nos disse onde ficava a casa da criança. Pedi ao Robson que não saísse do carro e me deixasse falar com a família antes de descer o equipamento, para evitar problemas. O avô do bebê estava no portão. Depois que eu pedi desculpas por incomodar a família num momento tão difícil, ele se tornou receptivo e autorizou a nossa entrada na casa. A mãe do bebê é uma estudante de 17 anos e parecia alheia a tudo o que estava acontecendo. Ela disse que deu de mamar ao filho Caíque, de 3 meses, e lembra que ele dormiu ao lado dela na cama, como sempre fazia. Depois disso, só lembra de ter acordado e visto a criança com espuma saindo por uma narina e sangue pela outra. Gritou por socorro, mas quando o SAMU chegou, o Caíque já estava morto. A avó do bebê é uma zeladora de 41 anos. Ela acredita que a filha possa ter ficado desacordada em função dos dois calmantes de tarja preta que tomou na noite anterior, por ordem médica (ela tem epilepsia). O corpo do menino foi levado para o IML de Juiz de Fora para necropsia e o laudo sai em 30 dias. Caíque viveu tão pouco, que a mãe sequer teve tempo de revelar as fotos que tirou no batizado dele, há duas semanas. Em respeito à família, vamos deixar esta parte do trecho sem fotos dos familiares nem do barraco onde eles vivem.

Abalados com a morte do menino, seguimos para a próxima pauta. No caminho, Robson fez imagens do temporal que deixou várias ruas alagadas nos bairros São Mateus e Bom Pastor. Quem estava na rua no centro da cidade foi pego de surpresa. Nem todos tinham guarda-chuva para se proteger. O trânsito ficou complicado em diversas regiões de Juiz de Fora.

Depois de registrar o aguaceiro, fomos a uma cidade vizinha.
Nosso objetivo era investigar uma denúncia recebida pelo repórter Ricardo Beghini, do Jornal Estado de Minas.
Como ele estava enrolado cobrindo o Tupi, coube à nossa equipe descobrir se o caso era verdade.

Matias Barbosa fica mais perto do que muitos bairros da cidade.

Na antiga estrada União Indústria, flagramos um ciclista imprudente circulando entre os carros nas curvas perigosas.
A chuva foi intensa para aquele lado também e a ponte na divisa dos municípios ficou cheia de água. Depois de conversar com muitas pessoas, descobrimos que a denúncia não era verdadeira e voltamos a Juiz de Fora.

Eu já estava digitando meus textos para gravar os offs, quando a nossa produtora, Regina Ramalho, avisou que uma mulher tinha sido encontrada morta em casa, amarrada e amordaçada. O crime aconteceu numa granja no bairro Niterói, zona Sudeste da cidade, mas o corpo tinha sido levado para um hospital particular. Lá, encontramos os policiais militares registrando a ocorrência. Não conseguimos contato com os familiares, que estavam abalados numa sala da administração. Os policias contaram que a dona de casa de 82 anos foi encontrada pela filha amarrada, amordaçada e com o rosto preso no travesseiro. Havia sinais de invasão na casa, mas ainda não se sabia se algum objeto tinha sido roubado, o que configuraria latrocínio, roubo seguido de assassinato.

Mais uma vez fomos para a TV descarregar o equipamento, digitar os textos e nos preparar para voltar para casa, onde deixei uma sopa bem suculenta pronta para o jantar. Mas, ainda não era dessa vez que a gente ia conseguir secar os ossos molhados depois de tanta chuva. Uma fonte me ligou passando que um duplo assassinato tinha acontecido na zona norte da cidade.

Fomos para o bairro Barbosa Lage e encontramos um número grande de curiosos.
Ninguém quis falar sobre o assunto, mas os policiais já tinham ouvido as testemunhas e nos passaram todos os detalhes.

Segundo o boletim de ocorrência da polícia militar, o vigilante André Cezário da Costa, 31 anos, encontrou a ex-mulher, Irna Daniele Petterman, também de 31 anos, na saída do trabalho dela. Os dois foram caminhando em direção ao bairro onde a Irna morava. No meio do trajeto, eles discutiram porque o André não se conformava com o fim do relacionamento. O segurança deu um tiro na cabeça da ex-mulher e depois se matou com um tiro na boca. O casal deixou uma filha de 6 anos. Ainda segundo os policiais, o revólver usado no crime e no suicídio era a arma de trabalho usada pelo André na empresa de vigilância onde ele trabalhava.

Em todos os casos de mortes que cobrimos hoje, a ajuda prestada pelos policiais militares foi imprescindível. Só podemos agradecer às equipes que estavam de plantão e sempre encontram um tempinho para atender aos chatos curiosos da imprensa. A gente chega sempre nos piores momentos e sedentos de informações. Eu e o Robson temos um relacionamento muito legal com os policiais. Nós respeitamos o trabalho deles e recebemos respeito de volta.

Parque Halfeld - 154 anos de história

Por Robson Rocha

Hoje, Juiz de Fora é uma cidade de mais de 600 mil habitantes e que mantém, de certa forma, características de cidadezinhas do interior.
Olhando a cidade do alto, bem do alto, dá pra ver que ela tem muitas áreas verdes, mas lá embaixo, bem no meio da cidade existe um lugar especial, que parece uma ilha no meio do concreto do centro da cidade.
É o Parque Halfeld.

O terreno foi adquirido pela Câmara Municipal em 1854 e era conhecido como Largo Municipal.
O Antigo Jardim Municipal era o local escolhido para instalação das diversões itinerantes que passavam pela cidade, já que Juiz de Fora não possuía nenhuma forma regular de entretenimento. Ele foi até palco de touradas.

Quando essas atrações aqui chegavam o local era capinado e limpo. No período de chuvas virava um lamaçal.
Sua primeira reforma data de 1879 quando foi ajardinado, seguindo modelos de jardins ingleses.
Em 1906, foi totalmente reformado. A obra foi financiada pelo coronel Francisco Mariano Halfeld, passando, em virtude disso, a chamar-se Parque Halfeld.

Dá pra imaginar uma cidade em 1908 com pouco mais de 25 mil habitantes e que essa pequena população desfrutava de um maravilhoso espaço de lazer.
O Parque Halfeld é um cartão postal de Juiz de Fora. O charme do Parque e dos jardins é de dar inveja. E, vendo fotos antigas, dá uma vontade danada de voltar no tempo e passear por ele. Assentar em um dos bancos e observar os bondes passando.
A elegância da década de 1940 se reflete no local de passeio dos juizforanos da época.

Nessa semana, a Michele e eu voltamos lá para gravar uma matéria e a realidade é bem diferente de 60 anos atrás.
Gravamos uma entrevista com uma dentista que mora em frente ao Parque Halfeld há 20 anos. Ela afirmou que a prostituição no local é grande e que à noite o programa costuma ser feito no próprio Parque.
Pedi à Michele que me aguardasse enquanto tentava pegar uns flagrantes, óbvio que não seria de pessoas transando.

Logo de cara a gente vê que existem muitos cães perambulando pela praça e foi justamente essa cadelinha muito simpática que me acompanhou durante a toda a gravação.
A Magrelinha era a única que parecia gostar da minha presença, pois as prostitutas saíram, literalmente, correndo quando viram a câmera.

Logo de cara, encontrei um grupo de andarilhos tomando cachaça e com eles um garoto que não parecia pobre, consumindo muito álcool. Quando viram a câmera as ameaças começaram. Alguns correram e se esconderam próximo ao banheiro, isso me adjetivando com os melhores palavrões que se lembravam. Enquanto isso o restante do grupo provocava: “qué filma, ô moço? Intão veim cá prô ce vê”.

Na parte que fica para o rua Santo Antônio, o jogo rola solto, muitas vezes valendo dinheiro e aí vagabundos se misturam aos idosos.
Ali mais uma vez fui ameaçado, o cara disse que se eu ficasse ali ele ia me dar uma porrada.
Fingi que não ouvi e continuei fazendo meu trabalho, ele ameaçou levantar eu coloquei a câmera no chão e fui para o lado dele com uma cara não muito boa.
Ele assentou de novo e ficou só me olhando com cara feia, peguei a câmera e voltei a fazer minhas imagens.

Voltei para o meio do Parque e a Magrelinha parou para tomar água, água que por sinal está imunda. As pessoas não têm o mínimo de educação, jogam lixo pra todo lado.
Também são vários os andarilhos que dormem pela praça, em geral, totalmente bêbados.
Isso tudo misturado às crianças que vão lá para brincar e correr atrás dos inúmeros pombos que reviram o lixo deixado por parte dos freqüentadores do lugar.

Enquanto gravava os pombos, um mendigo “trêbado” me fazia mais elogios. Coisas do tipo: “ Seu filho... vai filmar em outro lugar”, “deixa a gente aqui em paz e vai tomar conta da sua mãe, aquela p... que está dando pra todo mundo”. Nessa hora, sendo bem honesto, o sangue sobe e a vontade é de partir pra porrada, mas aí a Michele apareceu e me chamou para gravar a passagem, que tivemos que gravar fora da praça devido ao “bg” que nosso “amigo” produzia com seus gritos.

Depois de gravar, deixei a Michele no carro e voltei para tirar algumas fotos, mesmo que mais distantes. Quando retornei ao carro, me deparei com o maior problema de gravar no Parque Halfeld, “os malas”.
A Michele parece que tem um imã para atrair “malas”. Eu entrei no carro, liguei o motor e o cara não saía da janela. A Michele dizia que a gente tinha que ir e quando eu começava a andar com o carro ele quase debruçava na janela.
Custamos, mas saímos.

E agora esperamos que com o novo projeto de segurança 24 horas no Parque Halfeld, ele deixe de ser um submundo de Juiz de Fora e volte a ser local de diversão e cultura.
Uma vez que o Parque Halfeld, desde a sua criação, é um dos mais importantes símbolos de Juiz de Fora.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Tupi com reforço da torcida

Por Michele Pacheco

O Tupi se classificou com antecipação para a semifinal do Campeonato Mineiro. Teoricamente, o jogo contra o Cruzeiro no próximo domingo seria apenas para cumprir tabela. Mas, na prática tem muito em jogo. O galo carijó assume a liderança se vencer a partida. Com isso, enfrenta nas finais o quarto colocado do grupo. Se as previsões se confirmarem, o Atlético Mineiro deve conquistar a terceira colocação. O que significa que Atlético e Cruzeiro se enfrentariam, deixando apenas um time grande na final e garantindo a participação de uma equipe do interior na decisão.

Nem preciso dizer que o Tupi está trabalhando duro para conseguir essa vitória. Apesar da boa fase, os jogadores mostram seriedade nos treinos. Nada de excesso de otimismo. A equipe está treinando de manhã e de tarde durante toda essa semana. O técnico João Carlos está de olho no desempenho dos atletas para escolher os substitutos dos dois desfalques que terá domingo: o atacante Ademilson tomou o terceiro cartão amarelo contra o Villa Nova e o zagueiro Sílvio foi expulso no mesmo jogo.

Hoje, durante o primeiro coletivo da semana, os atletas dividiram as atenções dos jornalistas com autoridades de Juiz de Fora. O treino foi no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio e coincidiu com a visita de uma comissão da prefeitura para avaliar as medidas tomadas para adequar o estádio às exigências da Federação Mineira de Futebol e dos Bombeiros.
As arquibancadas ganharam corrimão em vários trechos e alambrados em pontos estratégicos.
Um hidrante foi instalado no gramado e a parte elétrica foi toda reformada.

A polêmica começou quando o prefeito de Juiz de Fora, Alberto Bejani, e o presidente do Tupi, Áureo Fortuna, foram informados de que, mesmo com as reformas, só estava autorizada a venda de 12 mil ingressos. Revoltado, o prefeito reclamou de um esquema político para prejudicar o time da cidade e insinuou que pessoas ligadas ao Cruzeiro estavam fazendo de tudo para levar as partidas da final para Belo Horizonte, afastando o galo carijó da torcida. Segundo funcionários da prefeitura, o estádio foi projetado com capacidade para 60 mil pessoas. Por motivos de segurança, a lotação foi baixada para 40 mil pessoas. A expectativa era de que a Federação e os Bombeiros liberassem o Mário Helênio para 35 mil torcedores nos últimos jogos da competição.

Depois de muitas ligações telefônicas, o grupo se mostrou mais otimista. Um reunião a portas fechadas foi o último lance da partida de hoje. O Tupi venceu o jogo! Com resultado apertado.
Em vez de 12 mil, vão ser postos à venda 19 mil ingressos. A prefeitura se comprometeu com o comandante do Corpo de Bombeiros de Juiz de Fora em atender a todas as exigências de segurança. Agora, cabe ao torcedor marcar presença e dar a força que o time merece para conquistar a vitória tão sonhada. O sucesso do galo carijó no Campeonato Mineiro 2008 tem rendido ao time um número cada vez maior de torcedores.

Como o Robson contou (texto Tupi 30 x Flamengo 1), a venda de camisas oficiais aumentou muito. Além da loja que vende o uniforme estar recebendo encomendas diárias, o assessor de imprensa do Tupi, Renato Costa, tem recebido um média de 10 e-mails por dia de todo o Brasil encomendando camisas e pedindo informações. Os interessados, podem fazer encomendas pelos telefones:

(32) 3218-1645, direto na loja, ou (32) 8841-9280, para falar com o Renato.