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JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

domingo, 13 de abril de 2008

Operação Pasárgada - Prefeito de Juiz de Fora continua preso

Do www.uai.com.br

Em razão da prisão em flagrante por porte ilegal de arma, o prefeito de Juiz de Fora, Carlos Alberto Bejani (PTB), não foi liberado no sábado à noite da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Bejani foi o único dos 17 prefeitos presos temporariamente na Operação Pasárgada da Polícia Federal que não foi solto. O advogado Marcelo Leonardo, que representa o prefeito, disse que na segunda-feira irá entrar com um pedido de liberdade provisória em favor de seu cliente no Tribunal de Justiça do Estado.
Na última quarta-feira, quando foi deflagrada a Operação Pasárgada, agentes federais apreenderam cinco armas - incluindo uma pistola 9 mm de uso exclusivo das forças de segurança - e R$ 1,12 milhão em espécie nas buscas realizadas na residência e em um sítio do prefeito de Juiz de Fora.
Por conta disso, além de investigado pela PF, Bejani também responde por porte ilegal de armas.
Na noite de sexta-feira, a Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília, determinou a liberação dos prefeitos e demais suspeitos presos por suposto envolvimento com um esquema de liberação irregular de verbas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
A decisão do TRF1 atendeu a um recurso do juiz federal Weliton Militão, que estava preso no Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar, em Brasília, e foi estendida aos demais suspeitos.
Os desembargadores do TRF 1 consideraram que o corregedor-geral Jirair Aram Meguerian não tinha poder para decidir sozinho sobre os pedidos de prisão dos investigados, "uma vez que sua atuação é meramente administrativa, não alcançando medidas judiciais restritivas de direitos".
Segundo a PF, do total de 52 pedidos de prisão expedidos pelo juiz-corregedor, 50 foram cumpridos.
Um gerente da Caixa Econômica Federal foi preso preventivamente.
O prazo de cinco dias das prisões temporárias venceria neste domingo.

sábado, 12 de abril de 2008

Cinco prefeitos presos na Operação Pasárgada são soltos em Minas Gerais

Do G1, com informações de Globo Minas, Globo News e Jornal Nacional

Cinco prefeitos de cidades mineiras e um contador que estavam presos em Montes Claros (MG) foram soltos na tarde deste sábado (12), depois que o Tribunal Regional Federal (TRF), em Brasília, determinou a soltura de todos os envolvidos na Operação Pasárgada, da Polícia Federal, que prendeu 50 pessoas na última quarta (9), incluindo 17 prefeitos de Minas e da Bahia.

Os cinco prefeitos de cidades mineiras que deixaram a cadeia pública de Montes Claros por volta das 16h30 são: Carlos Luis de Novaes (PDT), de Almenara; José Henrique Gomes Xavier (PR), de Minas Novas; José Eduardo Peixoto (PSDB), de Salto da Divisa; Walter Tanure Filho (DEM), de Medina; e Claudemir Carpe (PTdoB), de Rubim. Um contador também deixou o presídio e o juiz Wellington Militão foi solto em Brasília.

Ainda presos
Dos 50 presos acusados de desvio de dinheiro do Fundo de Participação dos Municípios, 36 estavam na penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG). Nove deles permanecem no presídio de segurança máxima e, segundo advogados reunidos desde a manhã deste sábado (12), devem deixar o presídio um a um, em carros particulares, em uma operação sem horário previsto.

A decisão que determinou a soltura dos suspeitos foi anunciada nesta sexta (11). Segundo o subsecretário de administração penitenicária Genilson Zeferino, a demora na libertação teria sido causada pela falta de alvarás individuais.

A corte do tribunal se reuniu na sexta-feira (11) e decidiu que o corregedor que determinou a prisão de um juiz federal não teria competência para isso. Segundo a assessoria de comunicação do TRF, a atuação do corregedor é "meramente administrativa, não alcançando medidas judiciais restritivas de direitos". A determinação foi estendida a todos os detidos.

Saiba mais
» PF confirma prisão de 17º prefeito
» Advogados de prefeitos presos dizem desconhecer oficialmente acusações
» PF desmonta esquema de fraude em fundo de municípios

A investigação da PF, iniciada há oito meses, indica o envolvimento de magistrados, prefeitos, advogados, procuradores municipais, assessores e lobistas. A partir de decisões judiciais, a verba federal era repassada a municípios em débito com o INSS.
Investigações
Cerca de 500 policiais federais participaram das ações na Bahia, em Minas e no Distrito Federal, e apreenderam R$ 1,3 milhão, US$ 20 mil, dois aviões, 36 automóveis e duas motos. Dos 52 mandados de prisão expedidos, dois não haviam sido cumpridos até sexta-feira (11).
Segundo a PF, as investigações apontam que os prefeitos contratavam, sem licitação, um escritório de advocacia, que oferecia vantagens a juízes e servidores da Justiça para obter decisões favoráveis e, depois, dividia seus honorários com os prefeitos que o contratava. O esquema seria responsável pelo desvio de R$ 200 milhões dos cofres públicos.

Posição das prefeituras
Entre os prefeitos presos estão Carlos Alberto Bejani (PTB), de Juiz de Fora (MG); Demetrius Arantes Pereira (PSC), de Divinópolis (MG); Júlio Cesar de Almeida Barros (PT), de Conselheiro Lafaiete (MG); José Eustáquio Ribeiro Pinto (DEM), de Cachoeira da Prata (MG); Geraldo Nascimento (PT), de Timóteo (MG); Ademar José da Silva (PSDB), de Vespasiano (MG); José Henrique Gomes Xavier (PR), de Minas Novas (MG); Edson Said Rezende (DEM), de Ervália (MG); Walter Tanure Filho (DEM), de Medina (MG); Claudemir Carpe (PTdoB), de Rubim (MG); José Eduardo Peixoto (PSDB), de Salto da Divisa (MG); Ualter Luis Santiago (DEM), que está afastado do cargo desde 28 de março, de Divisa Alegre (MG); Jeremias Venâncio (PTB), de Tapira (MG); Carlos Luis de Novaes (PDT), de Almenara (MG); Paulo Ernesto Pessanha da Silva (DEM), de Itabela (BA); e Gilberto Balbino (PR), de Sobradinho (BA).

Na sexta-feira, advogados de parte dos presos pela Polícia Federal disseram que ainda não haviam tido acesso ao inquérito no qual são oficialmente feitas as acusações contra seus clientes. Segundo alguns dos defensores ouvidos pelo G1, só a partir de sexta eles poderiam examinar os documentos do processo.

Segundo o secretário de Governo e Imprensa de Conselheiro Lafaiete, Diarlhes Pider, o prefeito está "tranqüilo". Ele afirmou que a PF deteve Júlio Cesar de Almeida Barros com a finalidade de impedir que ele interfira nas investigações. O secretário informou ainda que a PF questiona a contratação de uma consultoria para reaver recursos do INSS, mas a operação teria sido feita com autorização de uma juíza federal. "Não temos nenhum interesse em esconder nada. Achamos importante a PF cumprir esse papel. Se dos presos, encontrarem um culpado, já é positivo", disse o secretário. Em Cachoeira da Prata, a secretária do gabinete afirmou que todos que poderiam falar sobre o caso estavam em Belo Horizonte, onde o prefeito está detido. Em Vespasiano, o sub-procurador geral da prefeitura, Paulo Passos, disse que a prefeitura se limitou a realizar uma concorrência onde "uma das empresas acusadas de irregularidades tomou parte". Ele também negou qualquer envolvimento do prefeito com juízes federais. A chefe de gabinete da Prefeitura de Ervália, Suely Aparecida de Assis, disse que o prefeito foi levado pela PF para esclarecimentos. Em nota, informou: "(...)após a Polícia Federal ter examinado minuciosamente a documentação do período de janeiro de 2005 a dezembro de 2007, foi emitido um relatório onde constava ‘não foi encontrado provas no local’." A nota diz que o documento foi assinado pela chefe de gabinete e mais duas testemunhas, José Adair Ferreira, vulgo “Juca Bucho”, e Adilson Fernandes, ambos taxistas. A prefeitura destacou que a documentação exigida dos anos de 2003 e 2004 não foi encontrada nos arquivos. O vereador Mércio Fernando Nepomuceno confirmou que o prefeito José Henrique Gomes Xavier (PR), de Minas Novas, foi preso pela PF e levado para Montes Claros. Em comunicado, a assessoria de imprensa da prefeitura afirmou que o prefeito "é inocente e não se enquadra nas acusações" da operação policial. Irmão do prefeito de Rubim e secretário de Compras na cidade, Alfredo Carpe disse ser "difícil" dar esclarecimentos, uma vez que nem seu próprio irmão foi informado do motivo da detenção. "No momento que ele estava aqui, que a PF estava aqui também, eu estava com ele. Eles não apreenderam documentos, só fizeram perguntas. Fica difícil dar esclarecimento porque não sabemos direito o que aconteceu." A mulher do prefeito Claudemir Carpe (PTdoB) disse que o advogado dele não dará declarações à imprensa. A vice-prefeita de Salto da Divisa, Wilma Barbosa Pimenta, afirmou não ter informações sobre a prisão do prefeito. "Fiquei preocupada com a saúde dele, que tem problemas cardíacos. Ele foi sozinho, não tinha ninguém da família dele aqui. (...) Se José Eduardo comente erros, é por excesso de bondade. Ele é super caridoso." A vereadora Núbia Miranda (PTB) confirmou a prisão do prefeito de Almenara. Na prefeitura, o expediente foi suspenso e uma recepcionista afirmou que só seria normalizado na manhã de quinta-feira (10). A assessoria do gabinete da Prefeitura de Divisa Alegre informou que o prefeito em exercício, José Luis Bahia (PDT), não se pronunciará sobre o caso porque ainda está se inteirando sobre as informações da Prefeitura. Ele assumiu o cargo em 28 de março, segundo a assessoria, após uma determinação judicial para que o prefeito fosse afastado por fraude em licitação. A Prefeitura de Itabela informou que não havia ninguém para comentar a prisão do prefeito Paulo Ernesto Peçanha da Silva, pois a prefeitura ainda não sabia o que tinha ocorrido. Segundo a prefeitura, secretários do governo se reuniram para discutir o assunto. A Câmara Municipal e a delegacia de polícia de Sobradinho confirmaram a prisão do prefeito Gilberto Balbino (PR), mas a reportagem do G1 não conseguiu contato com a prefeitura da cidade. O telefone estava desligado. Uma funcionária da prefeitura de Tapira que não se identificou confirmou que o prefeito Jeremias Venâncio (PTB) também foi detido pela Polícia Federal. Segundo ela, ninguém na prefeitura estava disponível para falar sobre o assunto.

Chuva e transtornos em Juiz de Fora

Por Robson Rocha

No final da tarde desse sábado o tempo fechou e a chuva veio com fortes rajadas de vento. Em alguns momentos choveu granizo. Houve muitos raios e trovões e foram inúmeras descargas elétricas.
Isso tudo durou cerca de vinte minutos, mas foi assustador e suficiente para causar transtornos em Juiz de Fora.

Na zona leste da cidade, alguns bairros tiveram ruas alagadas e o trânsito interrompido.
Com a correnteza, muito lixo, galhos e troncos foram arrastados.
Com isso, os moradores que não tinham como passar , esperavam que a água baixasse, se protegendo debaixo de marquises.

Na rua Itália, no bairro Linhares, o leito do córrego não comportou o volume de água e inundou a rua.
Para piorar, toda a água de outras ruas do bairro vão para a rua Itália e carros e ônibus também não passavam.
O motorista do gol foi pego de surpresa pela água e para que o carro não fosse arrastado pela correnteza, subiu o veículo na calçada.

Todo lixo jogado pelos moradores em ruas e córregos foi direto para o rio Paraibuna.
É constrangedor, mas olhando a sujeira no leito do rio, dá pra imaginar o nível de educação de boa parte da população de Juiz de Fora.
Como diria Boris Casói:
“É uma vergonha!”

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Vice assume prefeitura de Juiz de Fora depois da prisão do prefeito

Por Michele Pacheco

O vice-prefeito de Juiz de Fora assumiu hoje a prefeitura. José Eduardo Araújo dos Santos tem 62 anos, é casado e pai de três filhos. Ele fez o comunicado à imprensa ao lado da mulher Regina Célia Barbosa dos Santos. Depois de uma declaração de amor à companheira de 32 anos, José Eduardo prometeu transparência enquanto estiver à frente do executivo e avisou que a esposa não vai assumir nenhum cargo na prefeitura, mas estava lá apenas para dar apoio. O prefeito em exercício é filiado ao PR, Partido da República, é formado em Direito, Contabilidade, Administração e Relações Públicas. Ele é também um radialista conhecido em Juiz de Fora e foi diretor dos Centros Regionais da cidade, de 2002 a 2003, tendo participado da administração anterior, do prefeito Tarcísio Delgado, do PMDB.

Durante a coletiva de hoje, os jornalistas estavam cheios de perguntas sobre a situação política atual de Juiz de Fora. José Eduardo Arújo fez questão de lembrar o tempo todo que não vai fazer mudanças no secretariado nem na administração do município, já que não é prefeito, apenas o vice em exercício de prefeito. Ele contou que não assumiu a vaga assim que Alberto Bejani foi preso na Operação Pasárgada, porque esperava ser comunicado sobre os rumos a seguir, de acordo com a Lei Orgânica do Município. Mas, diante de críticas da oposição de que estaria fugindo da responsabilidade, ele enviou uma carta à Câmara Municipal informando que assumia o cargo pelo princípio da vacância, ou seja, para que a prefeitura não ficasse sem um líder para resolver emergências durante a ausência do prefeito.

José Eduardo aproveitou a imprensa para tranqüilizar os servidores públicos municipais. Com a prisão do prefeito, todos ficaram assustados, com medo de ficar sem pagamento. A informação oficial é de que os compromissos do município vão ser mantidos e os salários vão ser pagos em dia. O Procurador Geral do município, Leon Gílson Soares, explicou que, legalmente, não há impedimentos para que Alberto Bejani deixe a penitenciária e reassuma o cargo. Ele disse que não sabe que decisões o prefeito vai tomar quanto ao futuro dele no mandato e que a prefeitura não foi citada em momento algum da investigação e, por isso, não deve sofrer sanções.

Quanto ao prefeito Alberto Bejani, ele continua preso na Penitenciária Nélson Hungria, em Contagem.
Ao contrário do que vinha sendo divulgado, nenhum dos presos na Operação Pasárgada está usando o uniforme dos detentos. A prisão temporária dos suspeitos termina no domingo à noite. Até agora, a Polícia Federal não divulgou se vai pedir prisão provisória de algum deles. Bejani prestou depoimento hoje à tarde.
O advogado dele não quis entrar em detalhes sobre o que foi dito, já que o caso corre em segredo de justiça. Bejani tem muitas opções. Nenhuma delas confortável. Se ele renunciar ao cargo, pode ter que responder a processo na justiça comum, perdendo o Foro Privilegiado. Se não renunciar, pode passar pelo processo de impeachment, que já está sendo orquestrado por vereadores do PMDB, e ter o futuro político ainda mais prejudicado.

Muitas informações são divulgadas, mas nem todas são confirmadas pelas autoridades.
Quanto à pistola 9mm encontrada pela Polícia Federal na casa do prefeito de Juiz de Fora, uma fonte ligada à PF nos disse que a arma não está registrada no nome do Bejani e sim de um ex-policial civil. Os responsáveis pela fiscalização e pelo registro de armas são a Polícia Federal e o Exército. Perguntei a essa fonte quem poderia ter falhado, já que uma pistola 9mm, de uso exclusivo das Forças Armadas e da Polícia Federal, consta no registro como sendo uma pistola 380, de uso comum. A resposta foi que a arma é antiga, do tempo em que o registro era feito pela polícia civil e que o caso está sendo investigado.

Quanto ao dinheiro encontrado na casa do Bejani, 1 milhão 120 mil reais, a versão dada seria de que foi conseguido com a venda de uma rádio que pertencia ao prefeito de Juiz de Fora.
Agora, é esperar pelo desenrolar da história.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Prefeito de Ervália já era investigado pelo Ministério Público

Yahoo Notícias - 10 de abril de 2008
As prefeituras mineiras negaram envolvimento com o esquema de liberação irregular de verbas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para prefeituras com débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que foi alvo, ontem, de uma operação da Polícia Federal que resultou na prisão de 51 pessoas em Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal, dentre as quais 16 prefeitos. O secretário da Fazenda de Divinópolis, José Sinésio Júnior, declarou que a cidade e o prefeito, Demetrius Pereira (PTB), não têm ligação com fraudes envolvendo o Fundo de Participação dos Municípios.

Secretário de Governo e Imprensa de Conselheiro Lafaiete, Diarlhes Pider, disse que o prefeito Julio Cesar de Almeida Barros (PT) não tem o que temer. "Para nós, essa história é uma surpresa. Estávamos comemorando a vitória na Justiça contra o INSS", disse ele. O procurador-chefe da Prefeitura de Vespasiano, Paulo Passos, disse que há um equívoco na prisão do prefeito Ademar José da Silva (PSDB). "Vencemos uma ação na Justiça para recuperar parte dos recursos do FPM e a vara que nos deu a vitória estava sob investigação da PF."

A chefe de gabinete da Prefeitura de Ervália, Suely Aparecida de Assis, também reagiu: "Eu e mais duas pessoas da cidade, os taxistas José Adair Ferreira e Adílson Fernandes, assinamos um relatório da PF dizendo que não foram encontradas provas de fraude na prefeitura e na casa do prefeito Edson Said Rezende (DEM)". O chefe de gabinete da Prefeitura de Rubim, Nílson Souza, afirmou que não tinha informações concretas sobre as razões da prisão do prefeito Claudemir Carpe (PT do B). Vânia Teixeira, secretária do prefeito de Cachoeira da Prata, José Eustáquio Ribeiro (DEM), também alegou falta de informações.

Em nota, a Prefeitura de Timóteo afirmou que não houve desvio no município. Também por nota, a Prefeitura de Juiz de Fora informou que os serviços municipais estão mantidos e aguardará o final das investigações para se pronunciar. Em Almenara, o expediente havia sido suspenso e não foram localizados representantes das Prefeituras de Minas Novas, Salto da Divisa, Medina e Tapira.

Na Bahia, as assessorias de imprensa dos municípios de Sobradinho e Itabela, onde foram presos os prefeitos Antonio Gilberto de Souza (PR) e Paulo Ernesto Pessanha da Silva (DEM), informaram que não havia quem comentasse as acusações.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Mas não é a primeira vez que o prefeito de Ervália, na Zona da Mata, Édson Said Rezende (DEM), é alvo de investigações.
Segundo matéria do jornal O Tempo, de 05-02-2008,
ele já teria sido denúnciado pelo Ministério Público ao Tribunal de Justiça.
Com cinco denúncias, ele ocuparia o segundo lugar entre os 144 prefeitos mineiros investigados e denúnciados ao TJ.

Polícia Civil apreende cocaína e crack em Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Estávamos cobrindo a passagem do Projeto Expresso da Cidadania, da Assembléia Legislativa. A idéia é muito legal, eles querem despertar nos jovens o interesse pela vida política no país. Segundo dados da assessoria de imprensa, os adolescentes votaram pela primeira vez na eleição de 1989 e estrearam com 3,5 milhões de eleitores com menos de 18 anos. Em Minas Gerais, foram 420.060. Mas, o interesse pelas urnas foi diminuindo. Em 2007, a contagem populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou 474.140 pessoas com idades entre 16 e 17 anos em Minas. Desse total, apenas 203.958 eleitores estavam cadastrados no Tribunal Superior Eleitoral em janeiro de 2008.

Durante a passagem do projeto itinerante por Juiz de Fora, as atividades se concentraram no ginásio do CTU, Colégio Técnico Universitário, da Universidade Federal de Juiz de Fora. Os estudantes ouviram palestras sobre política e democracia, se cadastraram para tirar o título de eleitor e participaram de oficinas de vídeo e fotografia. Eles também exerceram a cidadania e treinaram o direito de voto participando de duas enquetes: uma sobre a redução da maioridade penal e outra sobre a cota para negros nas universidades. Murais com informações foram instalados para munir os alunos de dados antes de optar nas urnas.

Estávamos cobrindo o evento, quando uma fonte da polícia civil nos ligou dizendo que uma apreensão de droga tinha sido feita. Terminamos a matéria do Expresso da Cidadania e corremos para a delegacia. O local estava movimentado e não conseguimos uma vaga sequer para estacionar por perto e fazer as imagens. Para não prejudicar o jornal, já que a matéria do Expresso era para hoje, tivemos que desistir e seguir para a TV. É aí que entra a importância de se cultivar fontes. Não tivemos as imagens, mas nosso amigo passou todos os dados e ainda enviou foto da apreensão.

O trabalho foi feito pela equipe da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes, com apoio da Inspetoria Adjunta.
O pessoal investigava denúncias de tráfico de drogas na Vila Olavo Costa, zona sul de Juiz de Fora, e chegou a dois suspeitos. Eles foram detidos com 1 kg de cocaína, 700g de crack e uma pistola 765. É a segunda apreensão da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes em menos de uma semana.
Parabéns ao pessoal e obrigada pela colaboração com o Jornal da Alterosa e com o nosso blog.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Polícia Federal prende prefeito de Juiz de Fora na Operação Passárgada

Por Michele Pacheco

Dia difícil! Fizemos duas pautas cedo e fomos acionados pela produtora Regina Ramalho para ir ao bairro Aeroporto, pois o prefeito Alberto Bejani estava sendo preso pela Polícia Federal. Corremos para o local e já encontramos por lá nossos colegas do jornal e da Tv Panorama, do jornal Tribuna de Minas e da Rádio Solar. Tinha cara de mais um dia de espera. E não deu outra! Chegamos por volta de nove e meia da manhã e só saímos ao meio dia. Sem muitos dados oficiais, cada um tratou de acionar suas fontes em busca de notícias.
A Polícia Federal enviou aos órgãos de imprensa o release sobre a Operação Passárgada.

Em Juiz de Fora, além da casa do prefeito Alberto Bejani, houve buscas na prefeitura, onde dois andares (gabinete e departamento de licitações) foram isolados pelos policiais. Ao todo, 500 policiais federais cumpriram 100 mandados de busca e apreensão e 50 de prisão em Minas Gerais, na Bahia e no Distrito Federal. Prefeitos, juízes, procuradores, assessores, advogados e lobsitas foram investigados durante oito meses. Eles são suspeitos de usar um esquema de liberação irregular de verbas do Fundo de Participação dos Municípios. Segundo os policiais, os municípios em débito com o INSS contratavam sem licitação um escritório de advocacia que supostamente pertencia a um lobista. Ele oferecia vantagens a juízes e servidores da justiça em troca de pareceres favoráveis. O dinheiro conseguido no esquem era dividido com os prefeitos.

Com fome, calor e ansiosos por notícias, acompanhamos a chegada de mais repórteres, dessa vez dos jornais Estado de Minas e Hoje em Dia. A falta de imagens e a longa espera deixaram o Marcelo, da Tribuna de Minas, impaciente. Ele escalou uma árvore para ver se conseguia uma foto legal.
O esforço só serviu para passar o tempo e garantir alguns arranhões e muita sujeira na roupa.

Ao meio dia, o comboio com seis carros, um da Polícia Federal e os outros descaracterizados, saiu da casa e seguiu para a Delegacia da Polícia Federal. Nós fomos para a TV para as entradas ao vivo nos jornais de Belo Horizonte.

Por volta de duas da tarde, fomos para a delegacia render a equipe do Evandro Medeiros e do Marco Fagundes, que já estavam azuis de fome! Encontramos uma multidão do lado de fora. Entre gritos exaltados e xingamentos, eles se dividiam entre dar os parabéns à polícia e reclamar da demora na saída do prefeito. Achei curioso ver alguns partidários do Bejani no meio do bolo. Eles estavam quietos, acompanhando tudo e temendo fazer perguntas e ser linchados pela turma exaltada. Contaram que um homem apanhou simplesmente por dizer que o prefeito era inocente e iria provar isso.
Tinha um sujeito com uma caixa de fogos de artifício fazendo uma festa.

Mais espera! A todo momento alguém dizia que o Bejani estava saindo. E nada de sair.
O delegado Cláudio Nogueira, da Polícia Federal de Juiz de Fora, informou o que foi apreendido na busca na cidade. Foram 11 veículos, entre eles um caminhão, triciclos e carros de luxo.
Na casa do prefeito os policiais encontraram 1 milhão e 120 mil reais em dinheiro.
Foi preciso levar uma máquina de contagem de dinheiro para levantar a quantia certa.
A informação de que haveria mais 700 mil reais numa fazenda do suspeito não foi confirmada.
A Polícia Federal apreendeu também 4 armas, entre elas uma pistola 9mm, de uso exclusivo das forças de segurança nacional. Sem porte e registro dessa arma, Bejani vai ter que responder a processo.

Como sempre acontece em casos de espera, as equipes de reportagem ficam de um lado para o outro batendo papo e trocando informações.
Surge cada história!
De futebol a alianças políticas a gente fala de tudo.
O que não pode é ficar parado, senão dá um desânimo...

É claro que a turma fica de olho em tudo o que acontece.
É comum largar uma história pela metade, correr para se posicionar achando que vai acontecer algo importante e depois voltar ao papo.
Essa foto do Carlos Mendonça mostra bem o que é isso. Todo mundo lado a lado, de olho no fato.

São dele também as fotos que mostram os policiais preparando os carros do comboio para levar o prefeito Alberto Bejani para Belo Horizonte. Em volta, muitos jornalistas tentando um espacinho para fazer uma boa imagem ou tentar entrevista. Valeu pela contribuição, Carlos Mendonça!
Ao todo, segundo a polícia federal foram 14 prefeitos presos na Operação Passárgada. Juízes, procuradores e lobistas também foram presos. A investigação apontou que o esquema esvaziou os cofres públicos em cerca de 200 milhões de reais.

Dengue em Além Paraíba - o perigo mora ao lado

Por Michele Pacheco

Quem sai de Jamapará, distrito de Sapucaia- RJ, e entra em Além Paraíba nota uma placa onde está escrito "Área de Segurança - Divisa de Estados". Pena que a segurança não funcione para o Aedes Aegypti! Os dois municípios são separados apenas por uma ponte de uns 40 metros de comprimento.
O vai-vem de carros e pessoas é intenso o dia inteiro.

Tem gente de Jamapará comprando em Além Paraíba. Gente de Além Paraíba trabalhando em Jamapará. E por aí vai... Mas, a convivência pacífica está estremecida por um motivo de menos de um centímetro de comprimento e enorme poder de destruição:
o Aedes Aegypti!

A secretaria de Saúde de Além Paraíba afirma que fez o dever de casa e desde 2001 tem intensificado o combate ao mosquito transmissor da dengue. Segundo a equipe de combate à doença, a situação estava sob controle. Mas, desde 2006 o problema está crescendo, porque os vizinhos do estado do Rio não fizeram o mesmo. A Vigilância Epidemiológica de Sapucaia informou que o combate à dengue não está sendo feito em Jamapará porque o governo do Rio de Janeiro não enviou o material necessário. Com isso, o mosquito vive sossegado de um lado do Rio Paraíba do Sul e ainda ganha carona nos carros, caminhões e ônibus para "almoçar" fora no lado mineiro da ponte!

Há focos em todo o município de Além Paraíba e o tráfego intenso de caminhões leva para a cidade pessoas de todo o Brasil, vindas de lugares infectados. Elas podem trazer no organismo o vírus e contaminar os mosquitos do município, que transmitirão a dengue aos moradores. Como todo mundo sabe, essa é uma doença que depende do esforço de todos para ser erradicada. Enquanto houver locais para reprodução do aedes aegypti, é impossível falar em fim da dengue. Basta ver a epidemia que assola o Rio de Janeiro e já matou mais de 60 pessoas!

Segundo a secretaria de Saúde, Além Paraíba tem 665 notificações da doença, com 92 casos confirmados, o que coloca o município em quinto lugar em infestação no estado de Minas Gerais. O secretário Ailton Regazio disse que houve aumento de 50% no atendimento no Hospital São Salvador e no Posto de Pronto Atendimento da cidade. Encontramos vários pacientes tomando soro e sendo medicados. Todos tiveram sangue coletado para exame e tiveram o nome acrescentado à lista de "suspeitos de dengue".

A família do vigilante Francisco Lúcio Pernambuco, de 49 anos, tenta superar a dor da perda, enquanto espera uma resposta. Segundo o jornalista Flávio Senra escreveu no jornal "Além Parahyba", Francisco começou a passar mal no dia 18 de março apresentando dor de cabeça, vômito, febre alta e vermelhidão pelo corpo, sendo atendido e liberado no posto de Pronto Atendimento e no Hospital. Ele morreu no dia três de abril. Os médicos da secretaria de Saúde acreditam que a causa da morte tenha sido leptospirose, doença com sintomas semelhantes aos da dengue. Já a família, só vai ter certeza de que não é dengue hemorrágica quando o resultado do exame de sangue ficar pronto.

Enquanto tenta lidar com as notificações que crescem a cada dia, o secretário de Saúde conta que o município acionou o Ministério Público no ano passado pedindo ajuda para resolver o problema com a cidade vizinha. O primeiro ofício foi enviado em maio de 2007 e o segundo em dezembro. Ambos relatam casos de dengue em Além Paraíba, número de pacientes do Rio que foram atendidos na cidade e a falta de trabalho preventivo em Sapucaia. Enquanto fazíamos a reportagem para o Jornal da Alterosa, consegui ser recebida pela promotora de Defesa da Saúde. Ela não quis gravar entrevista, mas explicou que assim que foi acionada pelo município, entrou em contato com os promotores das duas cidades fluminenses que fazem divisa com Além Paraíba.

O Ministério público de Carmo respondeu e enviou relatório dos trabalhos feitos no local. Já o de Sapucaia, não teria enviado qualquer resposta. Com a nossa reportagem, a promotora disse que iria se informar sobre o andamento do caso e fazer novo contato com o promotor de Sapucaia.
Perguntei o que caberia fazer caso ela continuasse sem resposta.
A promotora disse que nesse caso, deve acionar judicialmente a prefeitura de Sapucaia.

terça-feira, 8 de abril de 2008

O maníaco da garrafa ataca novamente

Por Robson Rocha

Definitivamente estamos diante de um mistério! Desde que fizemos uma matéria sobre um objeto estranho em uma garrafa de refrigerante no Jornal da Alterosa e postamos um texto aqui no Notícias Fora do Ar (O MANÍACO DA GARRAFA), vários casos foram enviados para o nosso e-mail.
Como a galera do escritório de advocacia brincou no dia da gravação em Santos Dumont, estavamos diante do "caso do maníaco da garrafa".
Depois disso, recebemos alguns e-mails relatando o mesmo problema em várias cidades de Minas.


Agora o "maníaco da garrafa" estaria inovando no sabor, pois recebemos fotos de uma garrafa de refrigerante de uva recheada com algo estranho.
O interessante é que em todos os casos a empresa quer a garrafa de volta, quer dizer, a prova que o denunciante, ou cliente da empresa tem. Se com a prova em mãos o comprador já tem dificuldades, imagine sem a prova. A empresa oferece a troca do produto, mas os consumidores que compraram as "garrafas premiadas" temem que a simples reposição não leve o fabricante a tomar providências quanto ao controle de qualidade.
A fábrica alega que quer a garrafa de volta para avaliar se o rótulo está intacto ou se a garrafa foi aberta para colocar o objeto dentro.


Em todos os casos que chegaram até a gente, o lacre não tinha sido rompido.
Todos os refrigerantes com OFNI, Objeto Flutuante Não Identificado, são produzidos pelo mesmo grupo, que até agora não mostrou que está investigando o caso, e nem procurando o "maníaco da garrafa".
Eu vi de perto e o mínimo que posso dizer é que a coisa é nojenta. Só de imaginar tomar um gole do refrigerante “premiado”, dá vontade de vomitar!
Se esses fatos tivessem acontecido nos EUA, por exemplo, o consumidor ficaria rico com a indenização. Isso, fora que a empresa já teria tentado um acordo e não pegar a garrafa de volta. Mas estamos no Brasil, então... é aguardar os fatos.

E agora surgiu mais um caso que foi relatado no PonteNet, Portal de Ponte Nova (
http://winser.pontenet.com.br/pontenet/principal/noticia.asp?id=4648 ) e transcrevo na íntegra com a foto.

"Mistério - Corpo estranho dentro do refrigerante Coca-Cola"


"O publicitário André Luiz dos Santos se surpreendeu com algo que encontrou dentro de uma garrafa de Coca-Cola 1,25 retornável.
A princípio ele pensou tratar de uma forminha de docinho de aniversário,mas depois surgiram outras teorias:preservativo masculino(camisinha), rodela de limão e até mesmo pele humana.
André conta que o fato ocorreu durante comemoração de seu aniversário , dia 24/03.
Disse que comprou 4 garrafas de Coca-Cola no mercado Barranas, no Centro Histórico.
Antes de abrir um dos refrigerantes ele percebeu algo diferente dentro da garrafa.
A gerência do mercado Barranas disse que adquiriu as garrafas de Coca-Cola da Distribuidora Refrigerantes de Minas Gerais .
O lote do refrigerante é 11 110p120 208, produzido e engarrafado em Belo Horizonte.
Em contato com a Coca-Cola do Brasil, o atendente informou que irá trocar o produto e recolhe-lo para análise.
Para registrar o caso, André chamou a imprensa local e nacional. Ele disse que acionará na Justiça o Barranas, a Distribuidora de Refrigerantes Minas Gerais e a Coca-Cola do Brasil.
Disse que irá pedir que o lote do refrigerante seja retirado do mercado.”Sempre fui fanático por Coca-Cola ,até encontrar um corpo estranho dentro do refrigerante mais famoso”,disse.
Fonte: Jornal Listão"

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Festival da loucura

Por Robson Rocha

Cheguei do Festival da Loucura em Barbacena, louco para postar um texto sobre o evento. Baixei as fotos e apaguei do cartão fotográfico. Loucura, eu sei! Pois aí, logo depois, meu computador queimou a fonte. É coisa de doido!
Fiquei enlouquecido, porque não gosto de postar texto sem fotos. Peguei o notebook e tentei escrever alguma coisa. Mas, meu nervoso era tanto, que estava à beira de um ataque de nervos.
Tentei dar um eletro-choque no meu PC, mas foi em vão. Pra fazer uma lobotomia nele e transferir alguma coisa para o notebook era impossível.
O jeito foi me acalmar e hoje o levei em uma clínica eletrônica, onde recuperaram meu computador, sem nenhuma violência. Ele voltou pra casa bonitinho.

E como as fotos estão recuperadas, posso contar que fomos a Barbacena para cobrir um festival que é muito bacana: o da loucura.
Começamos gravando uma mesa redonda com o tema:
“Nunca houve um homem como Heleno 1920-1959”.
Heleno de Freitas foi um grande jogador do Botafogo de 1945 a 1948 e 1950. O centroavante atuou pelo Vasco (1949), Boca Juniors, da Argentina(1951), América do Rio (1951), Atlético Barranquilla (1951 e 52) e Santos (1953).
E ficou internado de 1954 até 08 de novembro de 1959, quando morreu aos 39 anos em Barbacena, de sífilis cerebral.

Foi uma divertida aula com Luiz Mendes, jornalista esportivo da rádio Globo, e, principalmente, com o médico José Teobaldo Tolendai, que cuidou de Heleno.
Eles conseguiram dar uma aula, sobre um assunto sério, mas de forma descontraída.
Contando várias histórias desse mineiro que nasceu em São João Nepomuceno.

Dali, fomos almoçar e depois visitamos a tenda ou, o circo.
Onde de cara, a gente encontrava um Dom Quixote enorme todo feito de sucatas, lembrando o maior louco da literatura mundial. Muito bacana!
Depois, a gente passava por uma exposição de quadros pintados por pacientes psiquiátricos.
Havia também muitas fotos dos pacientes em um grande mural, onde a gente não cansa de olhar e tentar entender a felicidade deles. Era uma exposição mostrando a emoção de quem voltou para casa com a desospitalização.

Logo à frente, me deparei com muitas fotos antigas de Barbacena. Como adoro fotos antigas, não resisti e vi uma por uma. E uma coisa me deixou feliz, eles estavam vendendo um cd com as fotos. Lógico que depois voltei e comprei!
Mas, enquanto gravava as fotos, ouvi uma gritaria. Era um grupo fantasiado de loucos levando a Michele para uma tenda onde fizeram alguns testes de loucura com ela. Era o grupo Blade, de Belo Horizonte, que ficava o tempo todo fazendo maluquices. Todo mundo que passava por lá era obrigado a usar um chip de louco.

Com as loucuras, o grupo conseguia prender a atenção dos turistas, que
participavam das brincadeiras, mas em momento algum deixava de registrar as coisas estranhas que eles faziam. Na verdade, eles nos mostravam que todos nós somos um pouco loucos.
E a loucura ali é tão levada à sério, que eles me tomaram a câmera e me fizeram vestir um paletó de mil novecentos e preto e branco. Mas não bastava só vestir. Tive que fazer todas as gravações usando o paletó que tinha cheiro de guarda-roupas. Fazer o quê?

Saímos e fomos para o Museu da Loucura, um lugar em que você viaja no tempo e pode conhecer o tamanho da maldade humana.
Fotos de depósitos de pessoas, que loucas ou não, sofriam as maiores torturas que um ser vivo pode suportar.

O Jornal Estado de Minas, que denúciou em 28 de agosto de 1979
“A vida que se esconde nos depósitos de lixo humano”.
As imagens são fortes e as fotos não precisam de texto, elas por si só dizem tudo.

Depois, visitamos e gravamos nas casas onde vivem hoje os internos.
O legal é que não tínhamos marcado nada e pudemos circular sem restrições.
O único pedido foi não identificar os pacientes.

Fiquei feliz, pois a transparência mostra que lá ninguém tem nada a esconder. Nos admiramos com a limpeza e principalmente a qualidade de vida que os pacientes têm ali.
A Francisca é a funcionária que nos acompanhou na visita.
Muitos dos internos conversaram com a gente, eles têm carências, entre elas a de conversar com as pessoas.
E muitos ainda são remanescentes dos períodos de tortura. Alguns até hoje ainda não se acostumaram com a nova realidade. Andando por lá, em determinados momentos dá vontade de chorar.

Depois que escrevemos um texto sobre o museu da loucura, o Alexandre nos mandou um e-mail sobre a história de seu avô, que foi internado lá. Tentamos entrar em contato com o Alexandre, mas os e-mails retornaram.

Estamos juntando várias histórias sobre a loucura e talvez em breve postaremos algumas.