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JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

domingo, 18 de maio de 2008

Copa Alterosa - Quartas-de-final

Por Robson Rocha

Pela primeira vez, a Michele e eu fomos escalados para cobrir um jogo da Copa Alterosa de Futebol Regional. A missão: registrar o jogo entre Ribeiro Junqueira (Leopoldina) e XV de Novembro (Rio Novo), em Leopoldina.
Chegando lá, a primeira surpresa. Casa cheia. Arquibancada e alambrados tomados pelos torcedores do Ribeiro Junqueira e uma pequena torcida do XV de Novembro.
Os torcedores aproveitaram a bela manhã de domingo para levar a família ao campo e torcer.

A partida das quartas de final movimentou realmente a cidade de Leopoldina.
Vou ter que me corrigir. Movimentou a região. Isso, devido a outra coisa bacana.
O apoio das emissoras de rádio da Zona da Mata e do Campo das Vertentes.
Nesse jogo em Leopoldina, duas emissoras estavam transmitindo, a rádio 104 FM e a rádio Jornal de Leopoldina.
As duas emissoras estavam com equipes completas no estádio.
As cabines foram pequenas para os locutores e comentaristas, mas em campo os repórteres trabalharam tranqüilos.

Aproveitamos para fazer algumas entrevistas antes do jogo.Inclusive com um candidato à artilharia da copa, o Serginho.
Ele marcou 5 gols na primeira fase da competição e ficou empatado com o Anderson Veio, do XV de Novembro, e o Luis Mário, do Recreio (Recreio).
Antes de chegar à cabine, o Jairo Fernandes, da rádio Jornal já pegou a Michele pra uma entrevista e perguntou o que ela achava do torneio e do jogo.

Jogo que começou quente.
Fiquei surpreso de novo, dessa vez com a qualidade do jogo.
Uma partida muito boa e gostosa de gravar.
Muitos desses jogadores têm futuro no futebol.
Na cabine, a gente estava bem próximo da torcida, tão próximo que tinha torcedores do meu lado na cabine.

Resolvi sair um pouco para a arquibancada, para fazer imagens da torcida. Desci e valeu a pena. Isso, porque Keita abriu o marcador para o Ribeiro Junqueira. A jogada começou com o Felipe, que driblou com habilidade vários adversários e fez um cruzamento preciso para o Keita.
Gravei o gol e foi só virar a câmera e registrar a festa na arquibancada. E que festa!
Subi e, logo depois, Rildo empatou para o XV de Novembro.
A torcida de Leopoldina ficou em silêncio e a pequena, pequena mesmo, torcida de Rio Novo comemorou.
Daí pra frente, o jogo mudou e o time de Leopoldina sentiu o gol.
A equipe de Rio Novo se soltou nos contra-ataques e aproveitou as jogadas em velocidade.
Final de primeiro tempo e 1 a 1.

Começa o segundo tempo e o time de Rio Novo dá as cartas.
O locutor da rádio Jornal, na cabine ao lado da nossa, se desesperou com o excesso de erros do Ribeiro Junqueira, que ainda desperdiçava as poucas chances que tinha.
O técnico de Leopoldina fez várias alterações, mas o time não reagia.

Já no lado do XV, tudo dava certo e até as substituições. Anderson “Véio” estava no banco e o técnico resolveu colocá-lo em campo, afinal ele era vice-artilheiro da copa Alterosa, com cinco gols.
ERA vice-artilheiro, pois entrou em campo e logo depois, aos 38 minutos do segundo tempo, desempatou o jogo e assumiu a artilharia ao lado de Helal, do Operário de Muriaé, e de Adão e Victor, do Recreio, com 6 gols.

Tristeza da torcida do Ribeiro Junqueira, que via que a situação estava crítica e ouvia no radinho que o tempo estava acabando.
O time bem que tentava, mas o nervosismo já tinha tomado conta da equipe.
O torcedor estava triste, mas sabe que o time está se preparando para disputar a segundona do Campeonato Mineiro. E, que o time não fez feio na Copa Alterosa e no próximo domingo tem a chance de reverter o resultado, em Rio Novo.
Já o XV de Novembro de Rio Novo, voltou pra casa mais próximo das semi-finais.

Mas, independente do resultado, a torcida merece os parabéns. Durante toda a partida, o comportamento dos torcedores foi nota 10. Casa cheia e nenhuma confusão.
Até o árbitro da partida elogiou o comportamento das torcidas e dos times.
Acho que o Anderson Senra(LFJF), que é nosso amigo há muito tempo, falou isso porque ele apitou bem a partida e graças a isso não ouviu nenhum “daqueles elogios”.

Só pra encerrar, os times visitantes se deram bem nesse final de semana e voltam pra casa com uma chance maior de ir para as semi-finais.
Veja abaixo os resultados:

Em Leopoldina EC RIBEIRO JUNQUEIRA 1 x 2 XV de NOVEMBRO
Em Juiz de Fora NAGOYA FC 0 x 4 RECREIO EC
Em Barbacena OLYMPIC CLUB 1 x 2 OPERÁRIO FC
Em Mercês JUVENTUDE BEIRA RIO 0 x 2 SOCIAL FC

Todos os visitantes venceram e jogam pelo empate em casa. Mas, a Copa ainda não está acabada para os times que perderam. Eles terão de vencer duas vezes para chegar à semifinal: ganhar no tempo normal por qualquer placar e nos pênaltis.
Não existe desempate por saldo de gols e sim por pontos.
Segundo a Liga de Futebol de Juiz de Fora, a fórmula foi sugerida e aprovada pela maioria absoluta dos times participantes, durante o congresso técnico.

Agora é esperar o próximo final de semana.
Aqui, no Notícias Fora do Ar, daremos informações durante toda a semana na coluna ao lado, logo abaixo do link da Copa Alterosa de Futebol Regional.

Violência em Muriaé

Por Silvan Alves
www.silvanalves.blogspot.com

A Polícia Militar compareceu no bairro Santa Terezinha no início da madrugada desse domingo (00h25), onde registrou uma tentativa de homicídio contra L.S.S, um menor de 13 anos.
No Hospital São Paulo em contato com parentes, a PM foi informada que o menor foi atingido na rua Ubá com Juiz de Fora e os pais acreditam que ele foi vítima de bala perdida.
A Polícia Militar foi informada também pelo médico plantonista, que o menor foi ferido nas costas, na coluna servical e que corre o risco de ficar paraplégico.
Em patrulhamento pelo bairro Santa Terezinha os militares tiveram dificuldades para obter mais informações. Mas ficaram sabendo através de moradores de outra rua que foram cinco tiros disparados e alguém falava que o menor havia sido atingindo.

Na tarde da última sexta-feira, Paulo Ricardo Alves de Souza, 18 anos, morador do bairro São Cristóvão, foi morto com cinco tiros em Muriaé.
De acordo com o registro da Polícia Militar, o crime aconteceu por volta das 13h40, quando a vítima estava na casa do cunhado, na rua Aymorés no bairro São Cristovão.
O cunhado é o principal acusado e está sendo procurado pela polícia em toda a cidade.
Este foi o 7º assassinato do ano em Muriaé.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Teatro Mágico - turnê pelo Brasil

Por Michele Pacheco

Conhecemos hoje um pessoal que esbanja simpatia e criatividade.
São os integrantes do grupo Teatro Mágico, de São Paulo.
Eles fizeram uma apresentação no campus da Universidade Federal de Juiz de Fora.
O espetáculo "Entrada para raros" foi eleito em 2007 o melhor show do ano, por um concurso feito pela Folha de São Paulo.
Os artistas já apareceram nas principais redes de televisão do Brasil.

Eles misturam sons, indo do violino à percussão, e estilos, unindo elementos desde o circo até o teatro. A idéia de formar o grupo partiu do Fernando Anitelli. Em 2003, ele gravou o primeiro álbum "O Teatro Mágico: entrada para raros". No trabalho, o compositor faz uma mistura ousada de sons. Com base nessas músicas, Aniteli começou a idealizar as apresentações ao vivo, sonhando com um "sarau amplificado". Aos poucos, a idéia foi ganhando adeptos e o grupo começou a se formar. "O Teatro Mágico começou a ser composto em 2003 e ainda não está fechado. " explica o idealizador e acrescenta "Eu freqüentava muitos saraus e isso serviu de inspiração para o meu trabalho"

Com criatividade, o grupo mistura elementos eruditos e populares, prendendo a atenção do público. Vestidos com trajes coloridos e maquiados com cores fortes e brilhos, os atores-cantores-palhaços mostram uma versatilidade incrível. Eles improvisam no meio do espetáculo, levando o público a imaginar que faz parte do show. O tempo passa voando e fica a vontade de ouvir e ver mais. Parabéns pelo trabalho!

Dia Nacional de Luta Antimanicomial

Por Michele Pacheco

Hoje é uma data especial no Brasil. O Dia Nacional de Luta Antimanicomial aborda um tema polêmico. Muitas pessoas são contrárias à desospitalização de pacientes psiquiátricos, alegando que eles sobrecarregam os familiares e não têm o mesmo tratamento em casa.
De outro lado, existem aqueles que defendem os direitos humanos e lutam pela qualidade de vida de quem tem problemas mentais. Estivemos no mês passado em Barbacena, durante o Festival da Loucura, e fomos até o Hospital Psiquiátrico da Fhemig, que funciona nos fundos do Museu da Loucura.

Lá, estão muitas histórias de sobreviventes. Pessoas inocentes, sem noção do que fizeram para merecer toda a crueldade com que foram tratados no passado, nos porões da loucura.
As fotos do museu são uma mostra pequena dos horrores que aconteciam nos galpões do Hospital Colônia.
Hoje, a situação é outra. Os internos que sobreviveram vivem em casas com toda infraestrutura e apoio de uma equipe multi-disciplinar com psiquiátras, assistentes sociais, fisioterapeutas, enfermeiros e muitos outros profissionais.

Para comemorar o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, o Centro de Referência em Saúde Mental da Secretaria de Saúde, Saneamento e Desenvolvimento Ambiental de Juiz de Fora promoveu uma exposição em frente ao Cine Teatro Central, no coração da cidade. Nas barracas, foram expostos quadros, esculturas roupas e outros produtos feitos pelos freqüentadores dos CAPs, Centros de Atenção Psicossocial, e pelo Centro de Convivência Recriar. Esses projetos têm o objetivo da inclusão social. Lá, as pessoas com problemas psicológicos ou psiquiátricos encontram espaço para música, artesanato, aulas de informática e muitas outras atividades.

O resultado foi conferido pela população nos estandes montados no centro de Juiz de Fora. Além da exposição, o público conferiu apresentações musicais. Nós acompanhamos o grupo musical Recriarte. Ele tem 20 integrantes e um repertório de música popular brasileira. Todo mundo que acompanha o trabalho se surpreende com a disposição do pessoal para aprender.
A Vera Arantes Valle de Moura estava na primeira fila, vendo satisfeita a filha Paula cantar e tocar instrumentos musicais.

A Vera nos contou que o trabalho de inclusão social é muito importante e se reflete até no comportamento dos participantes e na convivência deles em sociedade e em família.
Como ela, outros pais mostravam orgulho do esforço dos filhos no palco.
A música animou outros integrantes do projeto que, apesar de não terem subido ao palco, deram um show à parte.
Eles se uniram aos voluntários com os quais trabalham e entraram na dança. Um exemplo de que todos eles são capazes de se divertir sem problemas, desde que tenham o apoio necessário.

Enquanto registrávamos a apresentação, encontramos duas estudantes da Faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal de Juiz de Fora. É muito bom o contato com quem está começando na profissão. As dúvidas, as incertezas, o modo de encarar o jornalismo são detalhes que eu e o Robson sempre observamos nos nossos encontros com estudantes de comunicação. As meninas se esforçaram para fazer o melhor e, apesar de alguns contra-tempos, se saíram muito bem.

Vendo o Antônio Olavo Cerezo, do jornal Tribuna de Minas, empoleirado num canteiro da rua Halfeld para fazer uma foto, eu me lembrei daquele ditado que diz que "de médico e louco, todo mundo tem um pouco".
A gente faz tantas loucuras para garantir os melhores ângulos, a informação completa, que nem pára para imaginar o que os outros vão pensar.
A imagem diz tudo: apesar da idade, o Cerezo ainda é tão doido pela profissão, que nem se importa de pagar uns micos de vez em quando!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Carangola

Por Robson Rocha

Chegamos em Carangola, quinta-feira à tarde para despachar as fitas com os materiais de Espera Feliz; que foram ar no Jornal da Alterosa de sexta-feira (9).
A única forma de mandar o material para Juiz de Fora é via ônibus.
Por isso, a primeira parada em Carangola foi na estação rodoviária. Enquanto a Michele acabava de escrever o texto da matéria sobre café orgânico de Espera Feliz, fiquei observando o prédio do terminal rodoviário.

Ele, na realidade, é o prédio da antiga estação de passageiros da ferrovia que passava por Carangola.
A linha que ligava a estação de Recreio a Santa Luzia (Carangola) teve a sua concessão e construção a cargo da Companhia Alto Muriaé, estabelecida em 1880.

Em 2 de maio de 1883, a empresa foi incorporada pela Estrada de Ferro Leopoldina.
A estação de Santa Luzia foi inaugurada em 1887.
Mais tarde, a cidade e a estação ganharam o nome do rio que corta o município, o Carangola.
Em 23 de julho de 1975, a RFFSA fechou a linha entre Carangola e Manhuaçu.

Esta passou a ser ponta de linha, até 17 de novembro de 1977, quando o trecho até Porciúncula também foi suprimido, fechando de vez a estação.
Mais tarde, a estação de passageiros foi adaptada para ser o terminal rodoviário de Carangola.
E onde também funcionam outros órgãos, entre eles a sede da Polícia Rodoviária Estadual.

Mas, depois de deixarmos a fita lá, fomos para a prefeitura de Carangola, onde o prefeito Fernando Costa nos aguardava para uma entrevista.
Apesar de se tratar de dois temas delicados, ele e sua equipe foram muito simpáticos.
É muito legal, quando as pessoas entendem que não vamos a um local gravar para detonar alguém, mas sim para mostrar um problema e o que está sendo feito para corrigi-lo, ou possíveis soluções que possam ser tomadas.
Havia também lá alguns jornalistas da cidade.
O pessoal do Jornal Gazeta Regional até nos mandou algumas fotos.

Saímos da prefeitura e fomos a um dos locais onde existe, talvez, o maior problema de Carangola, o bairro Panorama.
Em 2005, grande parte do bairro foi afetada por uma movimentação do solo, que derrubou duas casas e fez com que a defesa civil condenasse outra dezena de moradias.

O local parece um bairro fantasma. São casas abandonadas, sem portas ou janelas.
Em muitos pontos, o mato tomou conta dos escombros das casas que desabaram e das ruas.
Primeiro, eu fui sozinho para gravar imagens e, andando pelas ruas e entrando dentro das casas, a sensação foi muito estranha. Não dá pra explicar muito bem, mas é uma sensação de que alguma força má está te observando.

Desci e fui aonde a Michele estava com um grupo de moradores, que iria gravar entrevista.
As histórias são tristes, mas uma me chamou a atenção.
A Luzia Valente, que morava em uma das casas que ainda está de pé.
Durante uma vida inteira, ela trabalhou como lavadeira e ajudou a construir uma casa, onde depois ajudou os filhos a construir na laje da casa.
Uma residência muito boa e que agora, com o marido doente, por mais que se esforce lavando roupa, não vai construir novamente.

Gravamos até seis e meia da tarde e fomos até o local onde a prefeitura cedeu terrenos às famílias prejudicas.
É no bairro Coroado.
Devido a vários problemas e à falta de infra-estrutura, os lotes ainda não foram entregues.
Já estava escuro e não gravamos lá.

Seguimos para o outro lado da cidade, para gravar com o promotor Marcos Arle, sobre outra matéria que estávamos fazendo.
Por volta de oito e meia da noite, fomos para o hotel descansar e jantar, afinal de contas, tínhamos levantado às cinco da madruga.
No dia seguinte cedinho, voltamos ao bairro Coroado.
Quando chegamos para gravar no loteamento, alguns funcionários trabalhavam, começando a fazer um calçamento em uma rua.
O material parece que foi colocado lá, no dia anterior.

Tomara que a obra não pare novamente.
De lá, fomos à praça Coronel Maximiano, no centro da cidade, gravar algumas entradas da Michele para o Jornal da Alterosa.
E, foi ali que terminamos a gravação do segundo problema.

O desabamento do prédio da prefeitura de Carangola.
O fato aconteceu no dia 23 de abril de 2007, uma segunda-feira, por volta de dez e meia da noite, durante uma forte chuva.
Hoje, o prédio está sendo reconstruído.

A fachada vai ser idêntica àquela que desabou.
Já o interior do imóvel, vai ser adaptado a padrões mais modernos de engenharia.
No local, havia vários homens trabalhando.
O prédio ainda está só no esqueleto, apesar da previsão de inauguração em agosto ou setembro deste ano.

Mas, isso não acaba com a polêmica.
O promotor da cidade está entrando com um processo, pois segundo ele, o prefeito já sabia do risco de queda do imóvel e não fez nada.
Ele disse ainda que, depois do desabamento, antes que uma perícia fosse feita, a prefeitura conseguiu uma liminar e colocou as máquinas no local para retirar os escombros.

Segundo registros, não é a primeira vez que um imóvel desaba neste mesmo terreno.
Há 92 anos, exatamente em 24 de junho de 1916, uma chuva forte fez com que a primeira construção desse terreno desabasse.
Na época, o local era sede de um grupo escolar.
O desabamento também aconteceu à noite por volta das 22h.

No lugar, foi construído o prédio que até 2007, abrigava a prefeitura de Carangola.
Segundo dados do patrimônio histórico, ele passou por algumas reformas, sendo uma restauração em 1923 e uma reforma do teto em 1969.
Pelo menos em nenhum dos dois desabamentos houve vítimas.

Espero voltar a Carangola e mostrar coisas boas, pois pra quem não conhece, a região é linda. Economicamente a agropecuária tem uma importância fundamental, especialmente nas produções de leite, café e nas lavouras de milho e feijão, de onde vem a maior parte dos recursos de ICMS do município.

Falando em café, ele foi introduzido na região em 1848, por Manoel Francisco Pinheiro e José Gonçalves de Araújo.
Já que entramos na história, uma coisa interessante é que a região de Carangola era habitada pelos índios Coroados e Puris que haviam sido expulsos do litoral pelos colonizadores.
As perseguições obrigaram esses índios a deixarem o litoral e a se embrenharem nas matas do rio Paraíba, e, à medida que o povoamento avançava, eles subiram gradativamente pelos afluentes e sub-afluentes como os rios Pomba, Muriaé e Carangola.
Para sobreviverem em um meio ambiente desconhecido, adotaram novas formas de vida.
Os cabelos, por exemplo, que eram longos quando viviam no litoral, foram cortados devido à floresta densa, surgindo, daí, as denominações dadas pelos exploradores portugueses de “Arrepiados” e “Coroados”.

A origem do nome Carangola é um enigma. As versões que procuram explicá-la são:

· cara-de-angola, forma de pintura facial dos índios coroados; cará-do-angola, uma espécie de capim; estes nomes teriam surgido depois que o colonizador branco começou a povoar as margens do rio no século XIX.

· Existem também as versões de origem indígena para o nome: “Diabo Velho dos Matos”, “Capim Redondo” e “Rio que Arranha”. Mas, há alguma possibilidade do termo ser de origem africana. A região que hoje constitui fronteira entre a Costa do Marfim e as Repúblicas de Mali e Alto Volta, no século XVII, tinha a denominação de “Caracoles”.

· Entre os crentes do Candomblé, existe uma entidade denominada “Exu-Carangola”.

A Lei n° 2.500, de 12 de Novembro de 1878, elevou a Vila à categoria de cidade, mas, apenas em 7 de Janeiro de 1882, foi oficialmente instalado o município.

5º Encontro de Produtores de Leite da Zona da Mata


O 5º Encontro de Produtores de Leite da Zona da Mata, realizado nesta quinta-feira na Associação Atlética Banco do Brasil, reúne mais de 700 pessoas que são ligadas ao campo, além de empresários e representantes de empresas que comercializam produtos para a melhoria da qualidade do que é produzido na região.

O evento além de palestras ministradas por diversos especialistas em políticas do setor leiteiro, cana de açúcar na alimentação animal, manejo de bezerros e uso de herbicidas, também está comemorando os 15 anos da criação do SICCOB Credimur, 200 anos do Banco do Brasil e 60 anos da Emater/MG.

Na manhã de sexta feira (16), todos devem se reunir na fazenda São Cristovão, no município de Eugenópolis, onde acontecerá um dia de campo, para que os representantes possam mostrar na prática a utilização e manejo dos produtos, além de uma confraternização de todos que estão no Encontro.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Museu de Malacologia da UFJF - Destaque na América Latina

Por Michele Pacheco

Quem nunca ficou catando conchinhas na areia da praia?
Quem nunca vibrou por encontrar algum exemplar diferente?
Eu, com certeza, já fiz muito isso.
Quando era criança, cada vez que ia à praia voltava cheia de conchas. Passava um tempo e a "coleção" perdia a graça, até ser jogada fora por estar ocupando espaço.
Mas, ao contrário, algumas pessoas guardam os achados pelo resto da vida.

É o caso do médico da Marinha Brasileira, Maury Pinto de Oliveira.
Ele começou a colecionar conchas em 1950.
Por onde passava, recolhia ou comprava exemplares novos.
Dr. Maury se especializou em Zoologia, mais especificamente Malacologia, por meio de contatos com pesquisadores do país e do exterior.

Em 1966, ele já possuía 8 mil espécies e doou a coleção para o Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Juiz de Fora, onde era professor.
Em 2002, foi criado o Núcleo de Malacologia da UFJF, tendo Maury Pinto de Oliveira como curador vitalício.
Ele morreu dois anos depois, deixando uma herança valiosa.

Hoje, o Museu de Malacologia da UFJF é um dos mais completos da América Latina, com 45 mil espécies. Mas, ao contrário de muitos museus cheios de pompa, que deixam os visitantes pouco à vontade, este é um espaço diferente. Acompanhamos a visita de um grupo de alunos de uma escola particular de Juiz de Fora, com idades na faixa dos 13 anos.
Os adolescentes ficaram deslumbrados com o que viram. Em geral, a presença da imprensa numa situação dessas tira a atenção dos estudantes. Mas, o atrativo era tanto que nós fomos esquecidos em meio a tanta novidade.

De olhos atentos, os adolescentes acompanharam a explicação sobre a origem de uma concha gigante e descobriram que ela é usada na culinária. O Robson registrou de perto a reação deles. Os estudantes aprenderam as diferenças entre moluscos terrestres, de água doce e de água salgada. Nas salas do museu, as conchas estão expostas de forma clara, com informações de todo tipo. Em alguns setores, é feito um trabalho interativo. Os visitantes tocam as peças, notam diferenças no formato, na textura e nas cores. Os alunos disseram ter adorado a novidade. Alguns nunca tinham visto os peixes raros e as conchas diferentes que puderam tocar.

A Maria Alice, vice-coordenadora do Museu de Malacologia da UFJF, é uma profissional que ama o que faz e o local onde trabalha.
Isso fica claro pela forma como ela se empolga ao falar da coleção, como os olhos brilham ao explicar o trabalho que é feito, as pesquisas e o resultado das atividades.
Ela nos mostrou uma sala que não é aberta à visitação e contém as conchas mais raras e delicadas.
Aprendemos sobre os náutilus, conchas grandes com um labirinto por dentro que se enche de ar para manter os moluscos na superfície.

Vimos diferentes tipos de cipréias, conchas com o exterior liso em formato oval e que mudam de cor e desenho de um continente para outro.
Registramos os aliotes, conchas enormes com interior de madrepérola e que são raras de achar. Isso, sem falar nos cones delicados e coloridos que parecem obras de arte, mas são extremamente venenosos. De cuba, o museu tem conchas pequenas e muito coloridas que são de moluscos que vivem em árvores.

O Museu de Malacologia da UFJF recebe uma média de 80 visitantes por dia, em especial estudantes.
Ele está participando do Ano Ibero-americano de Museus, uma iniciativa do IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O objetivo é promover palestras, seminários, shows, exposições e visitas guiadas. O evento está sendo realizado neste mês em 23 países e busca trabalhar o tema "Museus como agentes de mudança social e desenvolvimento".

O Museu de Malacologia organizou para esse período a exposição "Moluscos Invasores".
Ela vai até o dia 30 de maio e apresenta moluscos diversos que foram trazidos para o Brasil e colocam em risco a fauna nacional. Entre eles está o caramujo conhecido popularmente como africano. O Museu de Malacologia fica no Instituto de Ciências Biológicas, no Campus da Universidade Federal de Juiz de Fora. Os interessados em conhecer o local podem agendar visitas pelo telefone (32) 2102-3221.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Copa Alterosa de Futebol Regional

Por Robson Rocha

Hoje fomos cobrir a reunião da Liga de Futebol de Juiz de Fora com os times que participam da Copa Alterosa de Futebol Regional e algumas coisas chamaram a atenção.
Uma delas, apesar dos times serem amadores, é o profissionalismo dos representantes das equipes.
Eles são unidos e falam a mesma língua.
A gente via claramente que querem que o torneio fique bom e que o futebol amador seja valorizado.

Quando a gente participa de uma reunião como essa, já espera que os árbitros sejam os alvos prediletos e que sobre até pra mãe dos mesmos.
Mas, o que aconteceu foi uma postura centrada, com algumas poucas reclamações e muitos elogios à atuação dos juízes e auxiliares.

Mérito também do pessoal da Liga e principalmente do Ricardo Wagner.
Conheço-o desde o tempo do ginásio, na Escola Normal, mas hoje, eu sou um fã desse cara.
Não é fácil assumir um campeonato como esse.
Além de muita gente fazendo de tudo pra dar errado, existem os riscos próprios de um evento grande.
E, qualquer coisa que não der certo, ele é quem vai segurar o pepino.
Apesar do físico de jogador de purrinha, com certeza, ele já escreveu o nome dele na história do esporte em Juiz de Fora.

Mas, voltando à Copa Alterosa de Futebol Regional.
O Social FC de São João del Rei, foi o Time de melhor campanha na primeira fase da Copa.
Ela começou no dia seis de abril com doze times da região, trezentos e sessenta atletas inscritos, que disputaram trinta e seis partidas, marcando cento e onze gols.
Não sei se por mérito dos atacantes ou colaboração dos goleiros.

Na foto ao lado, o Helal Ferreira, isso mesmo, Helal, do Operário FC de Muriaé, por enquanto é o artilheiro da Copa com seis gols. Porém, ele tem que abrir o olho, pois o “Véio”, do 15 de Novembro, Sérgio Luiz, do Ribeiro Junqueira, e o Luis Mário, do Recreio, estão coladinhos nele com 5 gols cada.
Eles colaboraram para a média alta de três gols por partida.

Porém, quatro equipes ficaram pelo caminho e as partidas das quartas-de-final da competição vão ter os seguintes jogos no dia 18 de maio:
Em Mercês:
Social FC (São João del Rei) x Juventude Beira Rio(Mercês)
Em Leopoldina
15 de Novembro(Rio Novo) x Ribeiro Junqueira(Leopoldina)
Em Barbacena
Operário FC(Muriaé) x Olympic(Barbacena)
Em Juiz de Fora (local a ser confirmado)
Recreio EC x Nagoya AC(Juiz de Fora)

Outra coisa bacana que foi lembrada na reunião, foi a cobertura que está sendo dada pelas emissoras de rádio da região, que estão transmitindo os jogos. E, também a Rede Atividade de Muriaé, que está ajudando e muito o esporte amador, mostrando os jogos do Operário em seus telejornais, e enviou o repórter Alberto Alves, da rádio Atividade, para acompanhar a reunião.
Também foi dito que a partir de agora, vai ser eleito o craque do jogo, que receberá um brinde, mas acho que vai ter que eleger também o baranga do jogo, afinal de contas, o perna-de-pau também tem vez.

Neste final de semana, Michele e eu devemos gravar algum dos jogos. Sinceramente, espero que seja o jogo em Mercês.
Mas, não é porque eu torça por algum dos times, e sim, porque o Sebastião Caputo, presidente do Juventude Beira-Rio, reclamou que não gravamos nenhum jogo em Mercês e afirmou que lá tem o melhor frango ao molho pardo da região.
Diante da reclamação, não vou comunicar à chefia na TV o fato, pois acho que eles vão pensar que estou de olho no rango e vão me mandar parar em outra cidade!
Informações sobre a Copa Alterosa de Futebol Regional no site da Liga de Futebol de Juiz de Fora.