Quem somos

Minha foto
JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Parque Estadual de Ibitipoca - inauguração de nova estrutura

Por Michele Pacheco

Hoje, saímos cedo de Juiz de Fora rumo a Lima Duarte, pela BR 267.
De lá, seguimos para Conceição do Ibitipoca, onde deixamos o carro da TV e entramos numa van que nos levou ao Parque Estadual do Ibitipoca.
Ele fica na Serra da Matiqueira, entre os municípios de Lima Duarte e Santa Rita do Ibitipoca, é formado por reservas de Mata Atlântica e Cerrado e foi criado há 35 anos.
A paisagem é deslumbrante. Do alto dá para ver o vale entre as montanhas de Minas.

O Parque passou por reformas, com investimento de dois milhões de reais do Promata, Projeto de Proteção da Mata Atlântica de Minas Gerais.
Foi criado um centro de apoio a pesquisas e as construções que já existiam, como alojamentos e área administrativa, foram modernizadas.
Chegamos mais cedo para que o Robson pudesse registrar as imagens antes das autoridades se reunirem.
Nossa primeira parada foi a Prainha.
Ele se deliciou fazendo imagens de todos os ângulos.

A Prainha é o ponto mais próximo do restaurante. Tem uma área grande de areia branca e convidativa, às margens de uma lagoa natural formada depois de uma queda d´água.
Na alta temporada, o local fica cheio de turistas.
Os pais relaxam ao sol, enquanto as crianças se divertem na água.
O sossego do Parque ajuda a repor as energias perdidas na correria de todo dia.
Em especial nas grandes cidades.
Por isso, grande parte dos freqüentadores do Parque é de cidades grandes de Minas e de outros estados.

A água escura que é vista nas cachoeiras e nas lagoas é limpa. A coloração diferente se deve ao acúmulo de material orgânico. A engenheira florestal Clarice da Silva explicou que o solo arenoso tem microorganismos que demoram para decompor a matéria orgânica. As pedras das cachoeiras ficam escuras e a água tem cor de ferrugem. À primeira vista, pode assustar, mas os ambientalistas afirmam que a água é pura e pode ser consumida. O problema é que ela tem o PH mais ácido e pode provocar dor de barriga, em quem for mais sensível, ou fome, já que acelera a digestão.

O Robson usou e abusou da paisagem próximo às cachoeiras.
Entre as reformas feitas, está a construção de pontes de madeira sobre as quedas d´água.
Assim, acaba o problema de algumas pessoas quererem ir ao outro lado do parque e terem que passar dentro da água ou pelas pedras escorregadias.
Rústicas, as pontes deram um charme a mais às cachoeiras e são um ótimo cenário para fotos.
Os turistas vão adorar!

Seguimos por uma trilha até o alto de um paredão de pedra.
Mais uma surpresa agradável!
Nos trechos mais íngremes que levam aos mirantes foram instaladas escadas de madeira.
Acabou aquela história de ter que escalar as pedras afiadas para chegar aos locais privilegiados, onde a vista tira o fôlego.
Com a subida mais fácil, sobra tempo para admirar a paisagem.

O Parque Estadual do Ibitipoca tem 90% da área dele sobre um paredão de quartzito, uma pedra que se desfaz com facilidade ao ser pisoteada.
Por isso, o número de visitantes é limitado a 300 pessoas por dia, não podendo ultrapassar 800 visitantes nos fins de semana e feriados.
As trilhas na pedra exigem atenção na hora de caminhar. Elas são uma mistura de areia e pedra que pode ser perigosa se a gente não estiver de olho onde pisa. Mas, com cuidado vale a pena a caminhada. As trilhas levam a várias atrações turísticas. O visitante pode passear em meio à Mata Atlântica ou entre a vegetação do cerrado.

Para aumentar a segurança dos visitantes, durante a reforma foi instalado um corrimão em cada trilha.
O objetivo é facilitar o acesso de pessoas mais idosas, gestantes e crianças.
A idéia é boa. Muita gente exagera no tempo de caminhada e fica com as pernas bambas.
Na hora da subida, ter o apoio do corrimão ajuda e muito!
Eu que o diga. Andei a manhã toda com o Robson e um funcionário do parque.
Enquanto a gente recuperava o fôlego, o Robson aproveitava para registrar mais alguma imagem linda.

No caminho de volta, notamos um pessoal todo de preto no alto do paredão onde fica o restaurante. De longe não dava para identificar quem era.
Fomos chegando mais perto e ouvimos a gozação.
"Eles estão com a língua de fora! Esses dois não agüentam nada. Que preparo físico, hein?!"
Foram apenas algumas provocações. Só quando recuperamos o fôlego é que notamos que eram nossos amigos do GATE, Grupo de Ações Táticas Especiais, da Polícia Militar de Juiz de Fora.
Eles foram reforçar a segurança para a chegada do governador. Paramos, rimos um pouco, tiramos esta foto e seguimos nosso caminho.

Acho que só quando parou de gravar, o Robson se deu conta do quanto tinha andado e do cansaço que estava sentido.
Também pudera, com uma câmera de 11kg no ombro e uma bolsa cheia de baterias...
Voltamos ao prédio da administração do parque, onde estava o restante da imprensa. Aproveitamos para colocar a conversa em dia com o pessoal da Rede Minas.
Imprensa reunida, disputando espaço na escada do prédio, na sombra... Estava bom demais!

Achamos que tinha acabado o sufoco e que era só esperar o governador chegar para registrar a inauguração e voltar para casa. Doce ilusão!
O Aécio Neves estava empolgado.
Chegou, inaugurou o Parque, falou com a imprensa e...foi percorrer uma trilha!
A mesma da qual tínhamos voltado pouco tempo antes.

Ele fez um discurso lembrando a importância de unir forças para melhorar o estado.
Falou que não basta o governo estadual investir em meio ambiente, é preciso que cada um colabore.
Ele elogiou a parceria com proprietários rurais da região e comemorou os investimentos estrangeiros no desenvolvimento de Minas Gerais.

Chegamos a acreditar que ele mudaria de idéia quanto a percorrer a trilha debaixo de um sol de meio-dia. Que nada! Lá fomos nós de novo, trilha a baixo e trilha a cima. Só que em vez do caminho livre, tivemos que abrir espaço entre um batalhão de autoridades, seguranças, imprensa e funcionários do parque. Tudo isso naqueles caminhos estreitos! Foi um sufoco, mas a gente deu conta mais uma vez.
O pobrezinho do Robson estava vermelho pelo esforço físico e chamou a atenção do governador. Solidário, ele interrompeu o passeio e teve o apoio do pessoal da imprensa que já estava de língua de fora.

Depois que o governador foi embora de helicóptero, o Robson falou que ia comer alguma coisa.
Mas, eu pedi que a gente descesse logo, antes que houvesse congestionamento de vans no caminho.
Demos sorte.
Depois que as primeiras saíram carregadas de autoridades, nós só tivemos que esperar mais duas para descer.

Fui conversando com o Fernando
Priamo, da Tribuna de Minas.
Ele me mostrou as fotos lindas que tirou.
Pena que para jornal, apenas uma ou no máximo duas são aproveitadas.
Ele caprichou tanto!

De volta a Conceição do Ibitipoca, nos despedimos do pessoal e pegamos o carro da TV para voltar a Juiz de Fora.
Claro que não escapamos do congestionamento de veículos.
Mesmo impacientes para chegar logo em casa, ainda nos animamos a observar as curiosidades rurais. o pessoal levando leite em carroças, os moradores da zona rural na porta de casa vendo o movimento anormal para uma segunda-feira...
A imagem que mais nos divertiu foi a deste homem montado num cavalo e levando um bezerro no colo, enquanto guiava três vacas de volta ao curral.

O Robson matou as saudades do tempo em que cobríamos o Ibitipoca Off Road e tínhamos que nos aventurar pelas trilhas da região.
Adrenalina, poeira e belas imagens! Bons tempos aqueles.
Mas, dessa vez ficamos foi só com a poeira. Muuuuita poeira! A Parati branca da TV chegou em Juiz de Fora variando entre o amarelo e o vermelho, cores da terra de Ibitipoca. Apesar do cansaço, foi um dia legal.

domingo, 8 de junho de 2008

Carro pega fogo no Bom Pastor

Por Robson Rocha

Domingão de folga, estávamos em casa quando cheguei na sacada e vi uma fumaça estranha no trevo do bairro Bom Pastor. Chamei a Michele, que também achou esquisito. Parecia incêndio em algum prédio, mas não conseguíamos ver onde era o fogo.

A Paula, minha filha, mais que depressa afirmou:
-Vamos lá, pai. Pra gente ver o que é!
Como a curiosidade era grande e a distância pequena, resolvi ir.
Mais uma vez, a Paula interveio e disse para pegar as câmeras fotográfica e de vídeo para registrar tudo.

Nos armamos e descemos, foram vinte andares de elevador e uns quinhentos metros de caminhada acelerada.
Quando chegamos ao local, além do cheiro forte, nos deparamos logo com o caminhão dos bombeiros e mais à frente, um carro totalmente queimado. Os bombeiros tinham acabado de apagar o fogo e, mesmo assim, continuavam a jogar água para evitar que o incêndio recomeçasse.

A Paula teve um pouco de dificuldades no início, pois à noite é mais complicado para fotografar, ainda mais, com a nossa “xeretinha”. Expliquei a ela como fazer e daí pra frente eu só via a luz do flash.
Ainda bem que no cartão cabem mais de mil fotos!

De repente, alguém me cutucou.
Era o Maurício Mazzei, cinegrafista da prefeitura, debochando e dizendo que a câmera de vídeo que eu estava usando faz a gente desaprender a ser cinegrafista.

Não demorou muito e os bombeiros vieram isolando a área.
A Paula não reparou e levou uma pisada do bombeiro.
Ela reclamou muito, mas expliquei a ela que eles estavam tomando medidas de segurança e que a vida de quem faz imagens é assim, sempre sendo pisado, empurrado, etc.

A galera dos bombeiros brincou, perguntando se eu não tinha ambiente em casa e por que eu estava com uma câmera tão pequenininha.
Disse que a Michele tinha me obrigado a registrar o caso, enquanto ela terminava o jantar.
Correndo o risco de ficar sem o rango, eu fui, né!

Enquanto isso, depois de muito trabalho, eles conseguiram abrir o capo do carro e terminar o combate ao incêndio.
Segundo quem estava no local, o fogo começou devido a um curto circuito no painel do carro. As pessoas desceram rapidamente e ninguém ficou ferido.
Não tendo mais o que fazer de imagens, voltamos para casa e fomos aproveitar o restinho do domingo.

As imagens eu vou ceder para a TV e devem ser exibidas no Jornal da Alterosa Edição Regional.
E, as fotos da Paula, postei algumas aqui.
As outras ela vai usar em trabalhos do colégio.
O problema é que ela está gostando da brincadeira e disse que agora só vai sair com a máquina fotográfica na bolsa.

XV de Novembro e Nagoya na final!

Do site da Liga de Futebol de Juiz de Fora

Rio Novo e Juiz de Fora estão na final da mais importante competição do futebol regional.
O XV de Novembro FC ganhou do Operário FC, de Muriaé, atual campeão regional por 3 a 1, em casa e com a presença de mais de 1000 torcedores e vai decidir o título da Copa Alterosa de Futebol Regional contra o Nagoya AC, de Juiz de Fora que empatou por 2 a 2 com Juventude FC, de Mercês, no Estádio Procópio Teixeira, campo do Sport, em Juiz de Fora, neste domingo.

Os times classificados se reúnem nesta terça-feira na sede da Liga de Futebol para definir os detalhes das partidas finais.
O primeiro jogo será em Juiz de Fora e o segundo em Rio Novo.
O XV de Novembro tem melhor campanha em toda competição.

O regulamento deste ano tem uma novidade.
Poderá haver um terceiro jogo, caso haja empate nas partidas de ida e volta da final ou se um time vencer uma e perder a outra.
O saldo de gols não será considerado nos jogos.

O Operário FC, de Muriaé, disputava o bicampeonato regional, pois, foi o campeão no ano passado ao derrotar o XV de Novembro, de Rio Novo.

Avião derruba produtor da Globo News

Do blog TELEVISE
www.televise.blogspot.com

A TV Globo demitiu no dia 3 de junho o jornalista responsável pela divulgação, no canal pago Globo News, da falsa notícia de que um avião da empresa Pantanal Linhas Aéreas havia se chocado contra um prédio na zona sul de São Paulo.

Segundo informações da Folha de São Paulo, o jornalista demitido ocupava o cargo de produtor, mas era um "faz-tudo". Apurava, escrevia e editava reportagens.
O profissional também atuava como um editor-chefe informal de São Paulo do Jornal das Dez, da Globo News.
O jornalista teria recebido a "informação" da rádio-escuta e a passou para a redação do Rio de Janeiro, sede do canal, que a colocou no ar.
A falsa informação teria sido passada pela Defesa Civil.

Entenda o caso:
No dia 20 de maio, a Globo News divulgou a informação de que um avião da Pantanal Linhas Aéreas havia atingido um prédio em Moema. TVs, rádios e sites de notícia do Brasil e do exterior reproduziram a notícia sem checar.O erro foi corrigido cinco minutos depois, após a constatação de que era apenas um incêndio em uma loja de colchões.

Comentário:
A reprodução pura e simples de informações de outros veículos é que deve ser repensada. Quem reproduz deve, pelo menos, checar. Apurar é tarefa fundamental e primordial do jornalista. Simplesmente reproduzir não é jornalismo. Uma outra questão importante a ser amplamente discutida é o acúmulo de funções dos jornalistas. Contratado para exercer uma função, acaba exercendo todas. A FENAJ e os sindicatos dos jornalista e radialistas deveriam prestar mais atenção nessa questão.
Com a convergência das mídias, tem jornalista escrevendo para o jornal impresso, escrevendo para o site, gravando reportagem em vídeo para o site e recebendo apenas um salário, ou melhor, recebendo o piso salarial (que é uma vergonha).
Fiquem de olho!!!

sábado, 7 de junho de 2008

Preservação do patrimônio em Tiradentes

Da Gazeta de São João Del Rei
www.gazetadesaojoaodelrei.com.br

Durante o mês de junho, todas as sextas-feiras, sábados e domingos, moradores e turistas ficarão proibidos de estacionar e circular com seus veículos nas principais ruas do centro histórico de Tiradentes. Somente idosos, grávidas e doentes terão permissão para dirigir nas vias centenárias da cidade.
As novas regras começaram a ser adotadas no último final de semana.
Se a mudança for aprovada, a alteração vai se tornar lei municipal.

O teste foi planejado pela Câmara de Vereadores de Tiradentes, presidida pelo vereador Luiz Antônio Chaves de Resende, autor do Projeto de Lei 005/007, que propõe restrições à circulação de veículos.
O trânsito ficará fechado nas seguintes ruas:
Direita, Padre Toledo, da Câmara, Jogo de Bola, da Cadeia, Resende Costa e nos Largos da Forras, do Ó e do Sol. Placas e correntes reforçarão a proibição.
“O projeto visa proteger os casarios antigos de Tiradentes, alguns deles com 300 anos. Essas casas não têm estrutura para agüentar o trânsito que acontece hoje. Com a restrição de veículos, acreditamos que esses casarões sofrerão menos danos sendo mais preservados”, explicou.

A estratégia que foi adotada para restringir o trânsito, ainda conforme o vereador, foi baseada em experiências existentes em cidades históricas como Ouro Preto, Mariana e Paraty, visitadas por comissão especialmente criada na Câmara para este fim. Segundo o vereador, no centro histórico, foram distribuídos cinco pontos de estacionamento, onde turistas e moradores deverão deixar seus veículos.
“As pessoas deverão circular a pé. Só vão usar os automóveis em situações especiais. Estamos contando com o apoio da PM que está distribuindo os panfletos explicativos à população e aos turistas”, disse. Outra novidade é que moradores e visitantes poderão avaliar semanalmente se aprovam ou não a iniciativa, indicando os problemas e as vantagens trazidas pela restrição.
“Na semana passada, 87% dos entrevistados, entre eles turistas, moradores e comerciantes aprovaram a iniciativa. Vamos avaliar este processo semanalmente. Se a maioria aprovar, colocamos o projeto em votação e o transformamos em lei municipal. Acredito que a iniciativa seja boa, mas só vai se tornar lei se refletir o pensamento da população”, afirmou.

Divididos

Nas ruas, no entanto, a população aprova a idéia, mas quer que a restrição seja menor.
A comerciante Elvira Lopes, por exemplo, disse ter perdido vendas por causa da proibição da circulação de carros.
“Algumas peças são pesadas. As pessoas não querem carregá-las pela rua e não têm paciência de esperar que eu possa conseguir um carro para transportar a mercadoria. Essa restrição tem que ser menor”, opinou.

Outro que quer a modificação das regras é o artista plástico Celestino Souza. De acordo com ele, quem se casou no último final de semana teve que ir para a igreja a pé. “Vi uma noiva tendo que andar com aquele vestido enorme, de salto alto. Acho que deveriam liberar o uso de carros para os noivos”, afirmou. Já o charreteiro Fábio Leandro Elias aprovou a restrição de veículos. “Os turistas gostaram muito. O trânsito fluiu melhor. Eles tiveram mais espaço para fazer fotos.
A paisagem ficou mais limpa”, disse.

Texto: www.gazetadesaojoaodelrei.com.br

quinta-feira, 5 de junho de 2008

O jornalismo, além dos leads e dos releases

Do Portal Imprensa
portalimprensa.uol.com.br
Publicado em: 03/06/2008

Por Wilson da Costa Bueno

Wilson da Costa Bueno é jornalista, professor da UMESP e da USP, diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa.
Editor de quatro sites temáticos e de quatro revistas digitais de comunicação.

wilson@comtexto.com.br

O jornalismo brasileiro anda cada vez mais burocrático e menos investigativo e, por isso mesmo, repetitivo, monótono, com cara de "pau mandado". As nossas inúmeras imprensas brasileiras (nunca existiu uma só, homogênea, nesse "Brasilzão" tão diverso), apesar de sistemas de produção distintos e visões muito díspares de seu papel na sociedade, têm se caracterizado por um atributo comum: a ausência de perspectiva crítica.

Certamente, a realidade (a mão visível do mercado) contribui para moldar o atual perfil dos nossos veículos jornalísticos que, nos últimos anos, têm se empenhado mais em buscar a sua sustentabilidade do que em garantir a sua independência editorial. Por isso, abundam os "publieditoriais" e "os projetos de mercado" (denominações que visam mascarar formas modernas de "jabaculê") e relações nem sempre éticas entre redações e anunciantes.

O jornalismo brasileiro anda sofrendo da "síndrome da sala de estar", ou seja, vive "cheio de dedos" com empresas, entidades e governos, procurando, a todo custo, não ferir suscetibilidades, como se a imprensa devesse estar sempre "a serviço de". Esta síndrome é percebida nas entrevistas que mais parecem bate-papo cordial entre amigos, nas coletivas onde bebidinhas e brindes desarmam as consciências e atenuam as perguntas, ou nas matérias frias derivadas de pautas adocicadas que chegam aos montões aos e-mails das editorias e dos jornalistas em particular.

Não podemos assistir passivamente ao esvaziamento da verdadeira função da imprensa, gradativamente refém dos leads e dos releases, concebida unicamente como uma atividade técnica, "profissional", desprovida de compromissos efetivos com a coletividade. Na verdade, é assim que o jornalismo é pensado e praticado na maioria dos cursos de formação, onde se privilegiam os aspectos operacionais e se sufocam os esforços de reflexão e de pesquisa.

O jornalismo brasileiro está se acostumando com os ambientes refrigerados, com o discurso neutro, "objetivo" , com o tapinha nas costas das fontes, com a ausência de tensão ou controvérsia, aproximando-se perigosamente da relação subserviente que vigora entre a maioria das assessorias de imprensa e seus clientes ou patrões.

O jornalismo brasileiro anda preguiçoso demais e vive a reboque de relatórios oficiais, das falas das autoridades e dos executivos, sem iniciativa para tentar novos caminhos, descobrir novas fontes, ousar novas abordagens. O jornalismo brasileiro anda com cara de "house-organ" empresarial, completamente insípido, insosso e inodoro.

Neste cenário, o sensacionalismo da mídia (louquinha para encontrar uma tragédia pessoal que a livre de investigar o que é realmente relevante) e seus espasmos de denuncismo (que perpetram episódios como o da Escola Base) apenas confirmam a tese de que o jornalismo brasileiro anda sem norte, sem escrúpulo e sem tesão. Anda cacarejando demais sem botar ovo algum.

É necessário, urgentemente, alterar este panorama, porque a sociedade continua acreditando que a imprensa pode contribuir para ampliar o debate, desmascarando pessoas e organizações que agem por debaixo dos lençóis, combatendo privilégios e monopólios e, sobretudo, estabelecendo parcerias em prol da autêntica cidadania.

O jornalismo deve ser visto, antes de tudo, como militância cívica (não confundir com partidária!). Não pode cristalizar-se como uma atividade que se segue ao recebimento de um diploma e de um número de registro no MTb e que se exerce em 5 ou 7 horas diárias de trabalho. Burocrática e desinteressadamente.

O jornalista tem que assumir definitivamente a responsabilidade que pesa sobre os seus ombros (detém o privilégio do exercício profissional concedido pela legislação brasileira) e precisa exercer a sua função (e missão) com coragem e competência. Se não estiver disposto a "suar a camisa" e colocar os neurônios para funcionar, que vá procurar outra praia.

Na comemoração dos 200 anos da imprensa brasileira, urge exigir que os sucessores de Hipólito da Costa deixem de lado a reverência servil aos novos monarcas (governantes e empresários) e assumam o papel que a sociedade lhes reservou.

A imprensa brasileira precisa definitivamente sair desta letargia, sacudir sua preguiça mental, recuperar sua capacidade de investigação, tirar a bunda da cadeira. Se ela se dispuser a esse esforço, chegará facilmente à conclusão (ufa, até que enfim!) de que existe vida além dos leads e dos releases.

Fonte: Porta Imprensa - portalimprensa.uol.com.br

Ecologia - crianças conscientes

Por Michele Pacheco

Temos feito algumas reportagens sobre projetos que envolvem crianças na preservação ambiental.
Hoje, Dia Mundial do Meio Ambiente, foi inaugurada em Juiz de Fora a Biblioteca Municipal Ambiental, no Parque da Lajinha.
A área de lazer na região sudoeste da cidade é muito frequentada por pessoas em busca de tranqüilidade e contato com a natureza.

No local já existia um centro de educação ambiental.
Agora, ao lado dele vai funcionar a biblioteca com acervo de livros, computadores e área de pesquisa para os visitantes. Tudo de graça.
A inauguração do projeto pioneiro em Juiz de Fora contou com a participação de alunos de escolas municipais. Eles se divertiram no Parque e acompanharam a solenidade ao som da banda da Polícia Militar.

E não é só no Dia do Meio Ambiente que a natureza é lembrada por aqui.
A cada criança que nasce na cidade é plantada uma árvore.
O projeto "Essa árvore tem nome" é uma forma de arborizar o município e marcar os nascimentos.
A esperança é de que, no futuro, cada criança homenageada entenda a importância da ecologia.
Há trabalhos de preservação ambiental por toda Juiz de Fora.

No bairro Esplanada, o campo de futebol do Amabaí foi cercado e passou por uma reforma nos vestiários. O terreno pertence ao exército, mas o campinho é administrado por uma associação de ex-alunos de um colégio do bairro e usado pelos moradores.
O local estava abandonado, cheio de carrapatos e animais.
A comunidade reclamou e conseguiu melhorias.

Para comemorar a volta da área de lazer, crianças e adolescentes se mobilizaram e plantaram mudas conseguidas pela associação.
A idéia é despertar neles a sensação de responsabilidade e o desejo de preservar o local.
Cada um plantou uma muda de árvore nativa da região.
Conversando com as crianças, ficamos surpresos com as declarações. Quase todas querem acompanhar o crescimento das plantas, ir lá cuidar e mostrar para os filhos no futuro a árvore que plantou.
Achamos muito legal a idéia e o retorno conseguido.

Já em São João Nepomuceno, o projeto Agentes Mirins, desenvolvido pela Policlínica da Micro-região, mobiliza alunos de escolas municipais.
Os estudantes são treinados sobre o combate à dengue e o recolhimento de materiais recicláveis nos bairros.

O trabalho está dando certo. Crianças e adolescentes saem pelas ruas com uma carteirinha que os identifica como Agentes Mirins e vão de porta em porta conversando com os moradores e orientando sobre o combate à dengue e a destinação correta para o lixo.
Mais do que ajudar a cidade a prevenir a dengue, os estudantes decidiram participar mais ativamente da preservação ambiental e começaram a recolher material reciclável em casa e na vizinhança. A idéia partiu do Douglas da Costa, aluno do CAIC.

Ele conversou com a direção e foi autorizado a usar as garrafas pet recolhidas para montar uma horta na escola.
O material é usado para cercar os canteiros e fazer sementeiras. Em pouco tempo, a expectativa é de ter alimentos frescos na merenda, produzidos no próprio colégio. " A gente ajuda a escola com a horta e o meio ambiente, tirando dele as garrafas de plástico que prejudicam a natureza" explicou o tímido Douglas, de 15 anos.

As autoridades de todo o mundo costumam apontar a educação como o caminho mais seguro para um futuro promissor.
Se isso for verdade, então há esperanças para o planeta.
Começando cedo, a conscientização deve se tornar um hábito natural dentro de alguns anos.
O meio ambiente agradece!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

3º Fest Ler - Festival de Leituras de Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Adoro o Festival de Leituras de Juiz de Fora! Eu fui uma daquelas crianças de imaginação fértil. Adorava inventar brincadeiras. Meus pais me ensinaram desde cedo a paixão pela leitura.
Nada melhor do que um bom livro naquelas tardes frias de inverno, nas férias de julho, em que a gente não encontra ninguém animado o bastante para enfrentar o frio e brincar.
Uma leitura agradável acompanhada das delícias que minha mãe preparava na cozinha era bom demais!
Ainda hoje, não consigo dormir direto, tenho que ler alguma coisa ou fazer palavras-cruzadas para relaxar a mente da adrenalina da profissão.

Imagine a minha ansiedade para que chegue logo a época do Fest Ler! Adorei ter que cobrir o primeiro dia do evento, que chegou à terceira edição e deve ser visitado por 50 mil estudantes de escolas públicas e privadas, 5 mil professores e diversos visitantes da região.
Neste ano, tem algumas novidades.
O Fest Circo é um espaço destinado à diversão da garotada.
Tem palhaços e contadores de histórias durante o dia todo.

O Espaço Lúdico é uma versão mais completa da Galeria Encantada, feita no ano passado.
A idéia é transportar os visitantes ao mundo mágico da literatura infantil. Fadas, bruxas, Pinóquio e piratas são alguns dos personagens que mexem com a imaginação da criançada e estão representados no evento. Adultos e crianças se divertem na mesma medida. É impossível passar pelo corredor decorado sem lembrar das histórias que a gente ouvia antes de dormir, da magia dos livros infantis.

Uma tenda foi montada na Praça Antônio Carlos, no centro de Juiz de Fora, e serve de palco para todo tipo de apresentações artísticas.
Também há espaço para o público ter contato com escritores.
Fóruns dedicados a debates entre crianças e adolescentes sobre leitura são disputados e surpreendem pela profundidade das discussões.
É incrível ver crianças apresentando a interpretação que tiveram dos livros que leram, falando das dúvidas quanto aos enredos e avaliando o estilo dos autores.

Mas, a criança devoradora de livros que existe dentro de mim fica encantada mesmo é com os estandes de livros.
Só não parei em cada um deles para folhear os exemplares infantis, porque estava correndo para terminar a matéria e conseguir chegar na TV a tempo de exibi-la ontem.
Mas, hoje me fartei!
Uma marmanja se deliciando com as histórias infantis poderia ser meio constrangedor.
Por isso, convoquei minhas duas sobrinhas, Manuela, de 4 anos, e Eduarda, de 3, para me servirem de álibi. Mas, elas acabaram não podendo vir a Juiz de Fora para o evento.

A Paula, filha do Robson, me ajudou.
Fomos ao Fest Ler nessa tarde e reviramos cada estande à procura de livros infantis.
A Paula é uma adolescente que foge um pouco à regra.
Ela não é fútil, como muitas colegas de escola, não fala apenas de maquiagem e roupas, não discrimina as pessoas que são autênticas e não seguem modismos.
Sei que ela acaba sofrendo com esse jeito diferente de ser.
Mas, um dia ela vai entender que personalidade é algo inestimável e merece respeito.
Os influenciáveis são chatos.

Enquanto muitas colegas estão atasanando os pais para ganhar uma bota ou um vestido novo, a Paula ficou encantanda com a possibilidade de ir ao Festival de Leitura procurar livros interessantes.
Ver a "nossa" menina deslumbrada entre os estandes nos deu muita satisfação.
Ela sonha com um futuro de viagens, de conhecimento e de realização pessoal.
Nem que fosse me filha biológica me daria tanto orgulho!

A Paula acabou saindo do Fest Ler com livros e um lindo sorriso no rosto.
Vendo a alegria dela com os exemplares que ganhou, foi impossível não comparar com a reação das crianças e dos adolescentes que estavam lá.
Muitos dos alunos que visitam o evento são carentes.
É triste ver aqueles olhinhos brilhando diante de livros com capa colorida, desenhos incríveis e um mundo mágico pronto para ser descoberto. Mas, muitos só podem olhar, já que não têm dinheiro para comprar quase nada.

Os representantes das livrarias ainda colaboram, oferecendo livrinhos por cinqüenta centavos.
Pode não ser o que eles gostariam de ganhar, mas já é uma lembrança. Curtimos tanto o evento, que não vimos o tempo passar.
Quando saímos, já era noite!
Passamos mais de três horas nos deliciando nos estandes e nem reparamos que escureceu.

Um temporal caiu quando estávamos saindo da tenda.
Esperamos um pouco, mas a chuva só aumentava.
O jeito foi proteger os livros e correr na chuva.
Duro mesmo foi conseguir voltar para casa.
O trânsito estava todo complicado na área central.
As principais avenidas estavam com tráfego lento em função da chuva forte.
Mas, a tarde foi tão agradável que ninguém estava com espírito para estressar com a demora.

Tomara que muitos Fest Ler sejam realizados, popularizando o hábito da leitura e ajudando a construir um futuro em que livros não existam apenas na imaginação das crianças carentes, mas sejam algo que elas tenham em casa e que sirvam como alívio para as dificuldades da vida.
Um companheiro querido para todas as horas.
Em especial aquelas, das férias de julho, quando a gente não acha ninguém para brincar nos dias frios.

Dia Mundial do Meio Ambiente

Por Michele Pacheco

Acompanhamos hoje pela manhã uma blitz educativa na MG 353, na saída de Juiz de Fora para quem segue para Ubá.
Policiais Militares de Meio Ambiente, representantes do IBAMA e do IEF dstribuíram mudas de árvores frutíferas e ornamentais aos motoristas.

Junto, eles ganharam panfletos educativos sobre os cuidados com a natureza e alertas sobre queimadas.
O trabalho foi tranqüilo, com todos agindo juntos.
As blitzem educativas marcam a semana em que se comemora o Dia Nacional do Meio Ambiente. Foi ótimo fazer essa cobertura, pois encontramos com alguns policiais que não víamos há algum tempo.

Aproveitamos para colocar a conversa em dia e lembrar casos engraçados.
Alguns fizeram pose para o Robson, debochando que se um dia ele perder o emprego de repórter cinematográfico, pode tentar a sorte como fotógrafo!

O pessoal do IEF, Instituto Estadual de Florestas, aproveita a semana do meio ambiente para reforçar a campanha contra as queimadas.
O Eduardo Araújo de Rodrigues, analista ambiental do IEF, lembrou que em 2007 o órgão enfrentou desafios na região, com muitas áreas queimadas e focos difíceis de controlar em trechos de Mata Atlântica.
"Nós queremos antecipar a campanha, para que as pessoas se conscientizem e nos ajudem a evitar que as queimadas se repitam!" explicou o Eduardo.
Tomara que todos entendam o recado.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Acidente com carga perigosa na Br040

Por Robson Rocha

Hoje pela manhã, fomos para a Br 040, em Santos Dumont, onde um acidente grave tinha ocorrido e os bombeiros estavam indo para o local.
Segundo as primeiras informações, um caminhão carregado de gás de cozinha tinha tombado e não havia mais nenhum dado.
Chegamos ao local e a cena assustava, pois a gente ainda não sabia se havia algum vazamento.

Mas, os bombeiros já estavam vistoriando o veículo e, segundo o sargento Éden do Nascimento, não havia gás vazando e a estrutura cilíndrica da carreta não tinha nenhuma fissura.
Mesmo assim, os bombeiros continuaram monitorando a carreta e conferindo, a todo o momento, se não havia algum tipo de vazamento.
Bombeiros e policiais rodoviários federais reforçaram a sinalização na estrada.

O motorista da carreta, que não teve nenhum ferimento, já tinha feito uma sinalização com galhos na estrada. Mas, como sempre, alguns motoristas não respeitaram a sinalização e passaram por cima dos galhos, tirando-os do lugar.
Falando do motorista, ele seguiu à risca as normas de segurança no caso de acidentes com combustíveis.
Ele nos explicou que na hora do acidente, ele ouviu um estalo, a carreta se soltou e quando ele olhou para o lado, a carreta estava ultrapassando o cavalinho. Cavalinho é a parte em que fica a cabine do caminhão.

Quando o veiculo parou, segundo ele, agradeceu muito a Deus por não ter acontecido algo mais grave e que a primeira coisa em que pensou foi na mulher, grávida de seis meses.
A preocupação era com a carga, afinal, ele estava transportando uma carga de GLP, suficiente para encher 1300 botijões e o risco de explosão era grande.
Ele desceu do caminhão, verificou se havia algum vazamento, sinalizou a via, isolou o local e ligou para os bombeiros, policia rodoviária federal e para a empresa. Exatamente como foi feito no treinamento que acompanhamos do pessoal da Coopetrans, um tempo atrás.

A peça que se quebrou é o pino rei.
É ele que segura a carreta no cavalinho.
A sorte, também, foi que o acidente aconteceu na única parte duplicada daquele trecho e a carreta caiu em um buraco e não passou para a outra pista.
Se isso tivesse acontecido, provavelmente a carreta explodiria e ainda poderia ter atingido um outro veículo.

A cabine do caminhão foi retirada da estrada e a carreta ainda ficaria ali por mais umas quatro horas. Tempo para a chegada do equipamento para fazer o transbordo da carga para uma outra carreta. Segundo o Tenente Kleber Castro, dos Bombeiros, mesmo depois de retirado o gás, seriam tomadas medidas de segurança para evitar que o produto que restasse no tanque se inflamasse. Eles iriam usar um jato de água que simula uma chuva em gotas. Assim, a água ocuparia o espaço evitando que o oxigênio entrasse e causasse problemas.

Fomos embora e os bombeiros continuaram no local.
Isso, pois segundo eles, o momento mais perigoso seria o transbordo da carga, onde o risco de vazamento e algum atrito poderia causar um incêndio e que o resíduo que fica depois de retirado o GLP é altamente explosivo.