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Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Treinamento da Sony - XD CAM e a lua

Por Robson Rocha

Nessa semana, tive a oportunidade de participar do Treinamento Técnico Sony: XDCAM HD/EX. Que foi muito bom.
Foram três dias em que aprendi muito sobre câmeras e decks da Sony.
Técnicos e engenheiros das emissoras de TV de Belo Horizonte participaram.
Do jornalismo era só eu.

O treinamento foi aplicado pelo engenheiro Enio Arruda, profissional da Sony.
Ele é de Recife e é uma figura.
Conseguiu ser divertido e didático ao mesmo tempo.
O cara é tão bom pra explicar que até eu, cinegrafista, consegui entender como fazer até a manutenção do equipamento.

Foi apresentada a parte operacional, técnica e os softwares dos equipamentos, mas o que me interessava eram as câmeras.
A PMW-EX1 Camcorder, uma câmera que trabalha com cartões, tem uma qualidade de imagens muito boa, mas não é robusta o suficiente para trabalhar com jornalismo.
Além disso, o menu de operação não é fácil de operar durante uma gravação.

Ele mostrou as várias possibilidades de transferência de arquivos para diferentes máquinas e também ouviu as dúvidas dos engenheiros e mostrou as soluções.
Também explicou o funcionamento da PDW-F335 e da PDW-F355 Camcorders da linha XDCAM.
Ele demonstrou os parâmetros ópticos do equipamento.
Qual o tipo de laser e discos usados.
Como são lidos e gravados os discos single layer e dual layer.

Nas câmeras ele só não explicou a parte de lentes, mas do CCD ou do CMOS até a saída do sinal da câmera, ele explicou tudo e com uma linguagem tranqüila para ser entendida.
O Thiago, que é técnico da TV Alterosa aqui em Juiz de Fora, ficou impressionado com o curso.

Além de tudo, foi legal encontrar profissionais que foram para outras emissoras e há muito tempo não via.
Foi o caso do Godson que está trabalhando na Record em Belo Horizonte.
No final, a galera se reuniu para tirar uma foto.

Fora isso, ainda tivemos tempo para discutir se o homem foi mesmo à lua.
O William, engenheiro da TV Globo, além de saber muito de câmera, quase nos matou de tanto rir com seus casos e causos sobre o homem ter ido à lua.
Ele garante que diante das imagens e fotos isso seria impossível.
Mas, a discussão não chegou a um consenso.

A única coisa complicada era ir da Savassi, onde acontecia o evento, até o hotel em que eu e o Thiago estávamos hospedados, na rua Espírito Santo.
Não pela distância, mas pelo tempo que a gente gastava.
O Trânsito em Belo Horizonte entre seis e sete horas está um caos.
O jeito era ter paciência e não estressar.

Por fim, quando estava no hotel, depois de um bom banho, era hora de ler o material do curso que é muito bom.
São quase 5 giga de informações sobre os equipamentos.
Depois de três dias, voltamos e agora tenho muita coisa para estudar sobre os equipamentos que realmente impressionam pela qualidade e agilidade da captação até a edição das imagens.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Semana de Comunicação no CES

Por Michele Pacheco

Fui convidada pelo Ricardo Bedendo, um profissional que admiro muito, para dar uma oficina-palestra de Jornalismo Policial no CES, Centro de Ensino Superior.
Amei o convite.
Como já disse em outros textos, adoro o contato com estudantes de comunicação.
Eles sempre têm uma curiosidade natural sobre a profissão e os desafios dela.

Hoje foi o primeiro dia. O Robson preparou um DVD com matérias policiais que tínhamos guardado no nosso arquivo pessoal.
O tipo de reportagem que tem um significado especial por algum motivo e que nos marcou.
Pois elas serviram direitinho ao meu propósito.
Mostrei os vídeos e fui explicando os bastidores de cada matéria, de cada informação exclusiva, de cada levantamento feito junto às fontes.

No início, achei que ninguém estava prestando muita atenção.
Afinal, ficar numa segunda-feira cedo numa sala escura vendo vídeos é suficiente para dar um sono daqueles.
Mas, aos poucos fui notando o interesse dos estudantes a cada história.
Eles estavam meio tímidos, parecendo sem jeito de expressar a própria opinião.

Depois de um intervalo, pedi que cada um apontasse a reportagem que mais tinha gostado ou que gostaria de ter feito ou que não gostou.
E fiquei surpresa com o resultado.
As colocações e explicações foram inteligentes e mostraram que todos tinham absorvido a mensagem passada.
Cada um se interessou mais por uma ou outra cobertura policial.
E as razões apresentadas para a escolha foram coerentes.

Notei também uma preocupação grande com conceitos básicos do jornalismo e as dúvidas típicas de estudantes de comunicação. Foi ética a cobertura do caso Eloá? É certo a imprensa colocar um seqüestrador ao vivo por telefone? Isso não piorou a situação? Como vocês fazem ao chegar no local de uma ocorrência? Como são recebidos pela polícia em casos complicados? Vocês já sofreram ameaças?
As perguntas mostraram que o grupo está sendo bem orientado pelos professores do CES.
São futuros profissionais que começaram cedo a colocar em discussão os valores e os erros da profissão.

Ninguém tem uma lei que determine o que é certo ou errado no jornalismo. Mas, o bom-senso é imprescindível!
Fiquei tão impressionada com o grau de profundidade dos questionamentos, que fui fazer uma pesquisa sobre as dúvidas dos estudantes. Acho que vai ser legal levar mais detalhes para discutirmos nesta terça-feira, último dia da oficina-palestra.
Achei um texto muito bom no Portal Imprensa, justamente sobre o caso do uso da entrevista por telefone no programa da Sônia Abrão. O autor do artigo discorda do que foi feito e alega que isso deu uma sensação maior de poder ao seqüestrador.

O Robson hoje comentou que, apesar da polêmica, não podemos esquecer o mérito do profissional que conseguiu localizar o número do telefone e fazer o contato.
Ele exerceu o papel de jornalista.
A discussão com os alunos foi empolgante a esse respeito e chegamos à conclusão de que nenhum de nós está realmente seguro para afirmar que foi certo ou errado.
Estou ansiosa para aprender mais com os estudantes amanhã. Esse é um intercâmbio de idéias e impressões que sempre traz benefícios.

Só posso agradecer ao Ricardo Bedendo e aos estudantes que sugeriram meu nome para a Semana de Comunicação do CES.
Na sexta-feira, vai ser a vez do Robson se divertir, dando um mini-curso de Noções Básicas de Câmera.
Tenho certeza de que todos vão gostar do que ele preparou.
Pena que vou estar trabalhando no horário e não vou poder tietar meu marido e mestre profissional.
O trabalho que ele teve montando o curso foi enorme.
Claro que em três horas só vai poder apresentar a versão super-reduzida. Mas, já vai ser um aprendizado e tanto.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Operação natalina do 4ºBBM

Por Assessoria de Comunicação Social - 4º BBM

Tendo em vista a proximidade do Natal e o grande risco de incêndio e pânico face à superlotação dos depósitos das lojas e do grande movimento de público no centro comercial de Juiz de Fora, o Corpo de Bombeiros Militar realizará, no período de 10 de novembro a 05 de dezembro de 2008, a Operação Natalina.

Desenvolvida anualmente pelo 4º BBM, essa iniciativa visa aproximar ainda mais o Corpo de Bombeiros da comunidade, disponibilizando orientações preventivas com o objetivo de diminuir os riscos e proporcionar maior segurança da população que freqüenta o centro comercial de Juiz de Fora nesta época de final.
Uma equipe composta por dez Bombeiros Militares realizará vistorias em 1000 estabelecimentos comerciais, onde serão levantados os riscos existentes como parte elétrica das edificações, saídas de emergência e a operacionalização dos sistemas de prevenção contra incêndios. É importante ressaltar que essas vistorias têm caráter educativo e orientador, principalmente quanto ao uso do extintor de incêndios.

O Corpo de Bombeiros distribuirá mais de 10.000 panfletos com orientações preventivas.
A Operação Natalina terá início na segunda-feira, dia 10 de novembro, às 09:00 horas na esquina da Rua Halfeld com Av. Rio Branco e contará com a presença do Foguinho, mascote do CBMMG.
Maiores informações através do telefone: 3228-9625

QUARTO BATALHÃO DE BOMBEIROS MILITAR
Av. Brasil 3405, Centro, Juiz de Fora – MG – 36.060.010
Telefone: 3228-9600 / 3228-9625


Em caso de acidente




BOMBEIRO: O AMIGO CERTO NAS HORAS INCERTAS

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Tupi e Vila Nova

Por Ricardo Wagner

Sábado, tem transmissão do Tupi x Villa Nova, pela Rádio Globo AM 910 KHz

e pelo Portal Acessa.com http://www.acessa.com/

Narração do Ivan Costa

Comentários de Ricardo Wagner

Reportagens de Marco Aurélio e Márcio Santos

No Plantão, Chico Cícero.

A partir das 15h.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Operação Metralha - 15 presos em Minas Gerais

Por Michele Pacheco

Hoje madrugamos!
Às 5h30 já estávamos na TV para cobrir uma operação conjunta das polícias Federal e Militar.
Fontes nos contaram dessa investigação há 4 meses.
Ficamos quietinhos, esperando o pessoal acabar o levantamento e finalmente vimos o sucesso do trabalho feito.

Às 4h, 240 policiais militares e federais se reuniram num depósito da Polícia Federal e ouviram explicações sobre a Operação Metralha.
O nome é uma alusão às histórias em quadrinhos da Disney, onde três irmãos criminosos infernizam a vida de todo mundo.
Nesse caso, os irmãos Metralha agiam no tráfico de drogas e na lavagem de dinheiro em Juiz de Fora e região.

Divididos em equipes, os policiais agiram em 24 alvos ao mesmo tempo.
No bairro São Benedito, zona leste da cidade, duas casas foram vistoriadas na Travessa São Lourenço.
Quando passamos por lá, bem cedo, o pessoal não tinha encontrado nada.
Mais tarde, as buscas revelaram que o local funcionava como ponto de venda de droga e laboratório para misturar cocaína.
No terraço, os policiais encontram um posto de observação.
De lá, os traficantes vigiavam toda a parte baixa do bairro e os acessos.
Quando notavam movimento policial, eles escondiam os entorpecentes e fugiam.

Nesta mansão no bairro Aeroporto, zona oeste de Juiz de Fora, foi preso um homem suspeito de liderar a quadrilha ao lado dos irmãos.
Ele é conhecido pelo apelido de Naninho e é apontado como um dos traficantes mais fortes da região.

Os vizinhos ficaram assustados com a movimentação policial.
Ninguém quis gravar entrevista, mas algumas pessoas contaram que a casa foi construída em poucos meses, o que chamou atenção.
O suspeito de tráfico morava no local há um ano.

O irmão dele, conhecido como Ge, foi preso no apartamento onde morava num prédio do bairro Alto dos Passos, outra área nobre de Juiz de Fora.
Os vizinhos também ficaram assustados.
Enquanto esperávamos a saída dos policiais com o preso, notamos que toda hora alguém abria uma janela, olhava para os carros das policiais militar e federal e para o nosso e perguntava o que estava acontecendo.

Uma mulher de pijama apareceu assustada, perguntando se era assalto no prédio.

A saída do suspeito foi acompanhada por alguns moradores desconfiados.
Segundo a polícia, Ge atuava no tráfico e na lavagem de dinheiro.
Ele era visto sempre com carros caríssimos e importados.
Chegou a atuar no ramo automobilístico, tendo uma agência de veículos, segundo as investigações.
Junto com ele os policiais apreenderam muitos documentos que podem ligar a família ao crime.

Ao todo, 15 pessoas foram presas. Todas foram levadas para a Delegacia da Polícia Federal, onde prestaram depoimentos. O último a chegar foi o terceiro “Irmão Metralha”, conhecido pelo apelido de Zói. Ele foi preso junto com a mulher. Um detalhe com relação a essa família de líderes de tráfico de drogas é que todos eram vistos sempre nos bairros onde comandavam a venda de drogas. E eram queridos por muitos moradores, já que conseguiam benefícios para a comunidade. Até parquinho para as crianças eles construíram.

Os homens presos foram encaminhados ao Ceresp, Centro de Remanejamento e Segurança Pública, e as mulheres à Penitenciária Arioswaldo Campos Pires. Os policiais apreenderam material para refinar cocaína, drogas, uma metralhadora pronta para o uso e R$ 80 mil. Uma cobertura jornalística de um fato como esse é empolgante, mas tem algumas complicações. Por uma questão de segurança e de hierarquia, os policiais que vão às ruas fazer as prisões e apreensões não podem passar dados.
A imprensa tenta descobrir o que está acontecendo. Alguns se desesperam com o deadline estourando e nada de entrevista oficial.

Nesta foto, dá para se ter uma noção do que foi a nossa manhã.
Jornalistas grudados na tela da delegacia tentando ver o que chegava nos carros e quem eram os presos.
A cada veículo que entrava, e eram muitos, a gente se posicionava para ver melhor o que estava trazendo.
Numa hora dessas, por mais que você queira é difícil evitar fazer muitas imagens e fotos. Tudo pode ser importante. Todos podem ser líderes da quadrilha.

A coletiva foi às 11h30. Levando em conta que os telejornais vão ao ar por volta do meio-dia, dá para imaginar a nossa correria.
O Delegado da Polícia Federal, Cláudio Nogueira, e o comandante da 4ª Região de Polícia Militar, Coronel Gilmar Simões de Lima, conversaram com a imprensa e explicaram a importância da operação, que desbaratou uma das mais poderosas quadrilhas de tráfico e lavagem de dinheiro da Zona da Mata Mineira.

Eu e o Robson tivemos que gravar rapidamente para enviarmos as fitas para a tv, mas adoramos esse tipo de matéria.
É a oportunidade que temos para encontrar conhecidos do meio policial, ouvir as novas histórias e peripécias do pessoal, saber como vão os policiais que já saíram de Juiz de Fora...
Não paramos de falar um minuto sequer na porta da delegacia.
Toda hora aparecia alguém para bater papo. E assim, o tempo foi passando.

Depois da coletiva, ainda ficamos um bom tempo na delegacia, esperando a saída do comboio que levaria os presos ao Ceresp.
Já estávamos ficando meio moles: sol forte e barriga vazia são um problema!
Desistimos de esperar, pois os policiais conseguiram com alguns dos presos informações importantes que renderam um desdobramento da ação da manhã.
Vários veículos que seriam fruto de lavagem de dinheiro do tráfico foram apreendidos.

Os policiais federais e militares também agiram em duas cidades da Zona da Mata.
Em Bicas, o dono de uma concessionária de automóveis foi preso por suspeita de lavagem de dinheiro.
Ele já tem histórico policial, pois foi preso por tráfico de drogas.
Em Muriaé, a casa da mãe de alguns suspeitos foi vistoriada e ela foi presa.
Nos dois casos, os presos e o material apreendido foram encaminhados para a delegacia da Polícia Federal em Juiz de Fora.

Enquanto esperávamos, eu me lembrava de detalhes do trabalho de inteligência feito em parceria pelas polícias federal e militar. Por uma questão óbvia de segurança, não podemos citar o nome de alguns policiais que consideramos exemplos de dedicação no combate ao crime. Quando a gente vê nos noticiários operações como essa, presta atenção apenas aos dados e imagens.
Poucas pessoas sabem o quanto o trabalho é árduo, até o resultado final.

Nós sabemos o quanto nossos amigos enfrentaram sol e chuva para investigar os passos dos “Irmãos Metralha”.
Quantas noites passaram longe da família, sem conforto.
Quanto stress enfrentaram cada vez que achavam que conseguiriam estourar os locais de venda de droga e prender todo mundo e os planos tinham que mudar por conta de atraso na entrega da droga.
Quanto perigo correram ao investigar uma quadrilha com tanto poder na região.

Mesmo que esses homens não apareçam nas reportagens, mesmo que continuem despercebidos no meio da multidão de policiais em ação, eles têm nosso respeito e nosso mais sincero agradecimento. Quem cobre polícia com freqüência vê que o tráfico de drogas está se tornando a fonte mais garantida de trabalho para muitas comunidades carentes.
Crianças, adolescentes e jovens crescem aprendendo que o dinheiro da droga vem rápido.
A morte também. Mas, isso nenhum traficante avisa antes de aliciar novos “soldados” do tráfico.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Protesto fecha BR 267 por sete horas em Minas

Por Michele Pacheco

Quem passava pela BR 267, na manhã dessa segunda-feira, teve uma surpresa desagradável no bairro Igrejinha, em Juiz de Fora.
Manifestantes fecharam por sete horas a rodovia que liga a Zona da Mata Mineira ao Sul de Minas e a São Paulo.
O protesto foi pela mudança de itinerário de 11 linhas de ônibus que atendem 8 bairros da zona norte da cidade.

Antes, os passageiros desciam em pontos na Avenida Getúlio Vargas, no centro da cidade.
Assim, a movimentação deles para ir ao médico ou ao comércio central era mais rápida.
O problema é que a sobrecarga de veículos na avenida estava prejudicando o andamento do tráfego.
O resultado encontrado pela prefeitura foi a redução gradual do número de coletivos nesta área.

O primeiro passo foi tirar 11 linhas que atendem 8 bairros da Zona Norte.
Revoltados, os moradores dos bairros Vale dos Lírios (linha 708), Igrejinha (linha 726), Humaitá (linhas 740 e 760), Valadares (linha 741), Rosário (linhas 742 e 745), Toledo (linha 743), Palmital (linha 744) e Penido (linha 752) resolveram protestar.
Também foi alterada a linha 746, Circular/ BR 267.

São linhas que atendem, em especial, habitantes de bairros mais afastados, quase zona rural.
O pessoal alega que já é difícil conseguir transporte, porque são poucos veículos.
Agora ainda mudam o itinerário.

Em meio aos manifestantes, encontramos líderes comunitários e moradores unidos por uma solução.
Algumas pessoas gravaram entrevista e explicaram as dificuldades.
Há muitos jovens que estudam à noite e o trajeto ficou mais complicado.
Sem falar nos pacientes do SUS que têm que andar mais para ir ao médico.
Moradores mais idosos também estariam sendo prejudicados pela medida que entrou em vigor no último sábado.

Gravamos entrevista com os manifestantes e acompanhamos o movimento.
É um tipo de situação difícil.
É claro que os moradores têm que lutar pelos direitos deles, caso considerem que estão sendo prejudicados.
Mas, como ficam os direitos dos motoristas e passageiros que ficaram barrados na estrada?
Temos que ouvir todos os lados.

Este homem de camisa branca estava muito revoltado.
Ele saiu cedo de São Lourenço, no Sul de Minas, para não se atrasar para um compromisso importante.
E acabou parado a manhã inteira, sem ter como voltar ou seguir em frente.
Na entrevista, ele perguntou por que a Polícia Rodoviária Federal estava parada, vendo todo mundo ser prejudicado, sem fazer nada para acabar com o protesto.

Conversamos com os policiais que estavam lá desde o início da manhã.
Eles explicaram que o protesto era pacífico e os manifestantes tinham o direito de protestar.
O uso da violência traria mais complicações do que soluções.
Por isso, três equipes da Polícia Rodoviária Federal acompanharam o movimento.
O Inspetor Lima Correa encabeçou as negociações com os moradores para tentar liberar as pistas.

Este homem de terno preto é o promotor de Andrelândia.
Ele seguia para o trabalho e ficou preso no engarrafamento.
Ao ver a rodovia parada, ele foi até os policiais e perguntou o que estava havendo.
Foi informado e tentou negociar com os manifestantes.
A proposta era liberar a pista de tempos em tempos e voltar a fechá-la.
Assim, o protesto seria mantido e os viajantes não seriam prejudicados.

Os moradores não concordaram e insistiram em manter a ocupação da rodovia.
Eles querem de volta o trajeto antigo, pois facilitava o acesso ao centro.
O movimento começou às 5h30min. e houve queima de pneus.
Por volta de 8h, cansados de esperar, alguns passageiros de ônibus cobraram providências.
Uma empresa autorizou a troca de veículos.

O pessoal juntou as malas e sacolas, passou pela multidão revoltada e esperava seguir viagem sem problemas. Mas, a baldeação foi impedida por moradores que entraram na frente dos veículos para que os motoristas não pudessem manobrar. Policiais Rodoviários Federais tentaram resolver o impasse, mas sentiram que seria perigoso os motoristas saírem e pediram que os passageiros deixassem os veículos. Duas enfermeiras de Juiz de Fora eram esperadas em Lima Duarte e estavam inconformadas. "Eles estão impedindo o nosso direito de ir e vir. Como vou explicar aos pacientes que estão nos esperando que não podemos chegar lá?" reclamou uma delas.

Até o carro do delegado da Polícia Civil de Lima Duarte, cidade vizinha a Juiz de Fora, foi impedido de passar. Depois de muita conversa e negociação, o delegado foi liberado.
O mesmo não aconteceu com um comboio do Exército.
Os militares seguiam para um treinamento e pediram a liberação da pista. Os manifestantes responderam com gritos e o clima ficou tenso. O motorista de um dos caminhões decidiu furar o bloqueio passando pela margem da rodovia. Um morador pulou na frente do veículo e houve tumulto. Apesar dos protestos, o comboio seguiu viagem.

Os manifestantes exigiram a presença de um representante da Agência de Gestão de Transporte e Trânsito, a Gettran.
Quando ele chegou, houve mais gritos e tumulto.
Ele precisou subir num carro para ser ouvido e explicou que estava lá para reunir uma comissão para ir negociar na Gettran.
O grupo decidiu que, mesmo assim, não encerraria o protesto.

Ficou definido que a estrada só seria liberada se a comissão voltasse com um documento assinado pelo Superintendente da Gettran anunciando o fim da mudança nos itinerários.
Só que a comissão voltou com resposta negativa.
Não houve negociação e o protesto continuou.
Foi pedida a presença de um representante do Ministério Público.

O promotor de Meio Ambiente e Urbanismo, Júlio César da Silva, conversou por telefone com o superintendente, Dulcídio Barros Moreira Sobrinho, e não conseguiu acordo.
Ele disse que também não conseguiu acordo com o prefeito.
Júlio César e o vereador reeleito, Isauro Calais, que também trabalha na Defensoria Pública, pediram a liberação da rodovia e disseram que o Ministério Público vai assumir as negociações.

Luiz Barbosa, líder comunitário do bairro Igrejinha, disse que os manifestantes aceitaram a proposta.
Os líderes de todos os bairros que tiveram linhas alteradas se reuniram primeiro com os moradores e só depois confirmaram a decisão de liberar a BR 267.
Mas, eles já avisaram que, se até a próxima quarta-feira não houver acordo, vão fechar de novo a rodovia que é uma das mais importantes de Minas Gerais e tem um movimento em média de 4 mil veículos por dia.