Quem somos

Minha foto
JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

terça-feira, 21 de abril de 2009

Infância e Juventude na mira do crime

Por Michele Pacheco

Hoje, o Jornal da Alterosa Edição Regional exibiu a segunda reportagem da série “Infância e Juventude em perigo”.
Dessa vez, o tema foi o envolvimento de menores de 18 anos com a criminalidade.
Nos bolsões de pobreza, a fome e a miséria causam desespero nos jovens.
Muitos não resistem às promessas de aventuras e dinheiro fácil feitas por criminosos em busca de mão-de-obra para reforçar os alicerces da violência.

Quem não resiste, acaba em conflito com a lei.
É comum encontrar adolescentes apreendidos nas operações policiais de combate a drogas, armas e pirataria.
Eles são usados por maiores de idade que se aproveitam das leis brasileiras, que não permitem que uma pessoa com menos de 18 anos seja presa.
Crianças e adolescentes são apreendidos, levados para a delegacia, ouvidos e entregues aos pais ou responsáveis.
O advogado Luiz Alexandre Botelho alerta que o adulto que se aproveita de uma criança ou de um adolescente para a criminalidade responde na justiça pelo crime e por corrupção de adolescentes.

Aqueles que são reincidentes, e a justiça considera necessário um tratamento mais rigoroso, são retirados do convívio com a sociedade e enviados ao Centro Sócio-educativo.
É isso que vamos mostrar na terceira e última reportagem.
No CSE, eles recebem educação e participam de atividades durante todo o dia.

Ocupar o tempo é a principal medida para reeducar os internos antes de devolvê-los ao convívio social e familiar.
O centro parece um colégio interno com grades e cerca.
Apesar da aparência de prisão, o que ocorre do lado de dentro é um trabalho sério, que tem o reconhecimento dos próprios adolescentes.

A Vara da Infância e da Juventude teve um aumento de 72,5% no número de casos em um ano.
Entre 2007 e 2008, foram encaminhados pela Polícia Civil 531 casos.
De março de 2008 a março de 2009, o total subiu para 916.
A maioria dos adolescentes acaba se envolvendo em confusões por conta das drogas.
A juíza Maria Cecília Stephan conta que o vício leva o garoto a praticar várias infrações. 85% dos internos do centro foram encaminhados por esse motivo.

Em muitos casos, a justiça só toma conhecimento dos atos infracionais alguns anos depois que eles ocorreram.
“Quanto maior a demora, maiores as chances desse adolescente se envolver em outros problemas.

A avaliação passa a ser mais lenta, pois temos que acrescentar às peças administrativas enviadas pela Polícia Civil os outros atos infracionais praticados. Quanto mais rápido os casos forem apurados, maiores as chances de recuperar esse adolescente antes que sejam necessárias medidas mais rigorosas” explicou a juíza.

Eu e o Robson nos empolgamos com essa série.
Ela teve que ser feita às pressas e não deu para abordar mais profundamente algumas questões importantes.
Mas, foi interessante vasculhar o arquivo da TV em busca de bons casos para citar e lembrar.
Os textos foram feitos antes de ir às ruas captar as imagens.

Isso nos ajudou a poupar tempo e caprichar nas passagens e entrevistas.
Aliás, o Robson é um perfeccionista.
Tanto ao fazer as imagens, quanto ao editar o material.
Para não sobrecarregar a edição diária, aproveitamos o sábado à tarde para editar os três materiais.

Deixo aqui a minha homenagem sincera ao meu marido.
Ele não só se empenhou em criar vinhetas e artes diferentes para a série, como mostrou a dedicação e a competência de sempre ao transformar dezenas de fitas de arquivo e outras quatro de material recente em reportagens bem editadas.

Os estudantes de jornalismo têm o hábito de se interessar mais pela parte de vídeo e, muitas vezes, esquecem a importância de quem trabalha nos bastidores.
Nosso cotidiano é um eterno ciclo.
A pauta bem-feita tem mais chances de empolgar e informar a equipe de rua, que vai ter mais material para trabalhar o assunto.
O material bem-feito na rua vai facilitar a vida do editor, que vai ter imagens e entrevistas interessantes para compor a reportagem.
Mas, todo o processo cai por terra se a edição não for feita com capricho.

É comum encontrar em empresas de comunicação editores que parecem apenas cumprir tabela, sem motivação ou talento para o cargo.
Isso é fatal!
Não há equipe de externa que mantenha o bom-humor quando vê o trabalho que teve ser anulado com uma edição medíocre.
A responsabilidade do editor acaba sendo grande, pois ele tem o poder de brecar um material ruim antes de ir ao ar.
Cabe a ele, trocar idéias com o Editor Responsável, que fecha o jornal.
Num jornal com mais editores fica bem evidente o estilo de cada um.

Estou na TV Alterosa há 12 anos e me considero uma privilegiada.
Primeiro, no tempo de sucursal, eu tive todo o apoio de editores competentes e apaixonados pelo que faziam.
Quantas vezes eles me ligaram para sugerir mudanças no texto!
Isso faz uma diferença grande quando a gente está começando, inseguro quanto à melhor forma de contar os fatos.
Guardo com carinho todos os conselhos que recebi.

Mais tarde, quando montamos a emissora em Juiz de Fora, confesso que fiquei preocupada.
Mas, logo ficou claro o potencial da Renata Vargas, uma das melhores editoras que já conheci. Quando ela foi para Belo Horizonte, a insegurança voltou.
Mas, o Stanley Teixeira fez a substituição à altura.
A sensibilidade e a competência deles nos inspiravam a ousar na rua.
Foi muito legal rever os materiais antigos.
Passear pelo arquivo foi uma volta inesquecível pelo túnel do tempo.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Pedofilia – menino violentado e degolado em Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Esse é o tipo de notícia que ninguém quer dar ou ouvir.
O que leva uma pessoa a abusar de um menino de 9 anos e ter o sangue frio de cortar o pescoço dele depois do ato sexual?
Isso é mais do que uma perversão, é uma monstruosidade!
Marco Antônio Rangel Mendes foi visto pela última vez pelo pai na quinta-feira passada.

“Ele chegou da escola e disse que iria brincar com uns amigos na rua.
Quando ficou tarde e ele não apareceu, o pai começou a procurar.
A cada hora chegava uma informação diferente e nós perdemos muito tempo procurando nos lugares errados” lamentou o tio do menino.
Cleudes disse ainda que o sobrinho era um garoto tranqüilo e que não se metia em confusões.

A informação passada pelos colegas da vítima foi que eles brincaram num campo de futebol de terra que fica no alto do bairro São Geraldo, perto de um matagal.
Depois de algumas horas, o grupo decidiu ir embora, mas o Marco Antônio ficou para trás.
O irmão da vítima disse que uma das histórias contadas pelos amigos falava de um homem ter pedido ajuda ao menino para pegar um cavalo no pasto.

O corpo do garoto foi achado pelos colegas no sábado.
Eles estavam passando por uma trilha perto do campo de futebol e notaram o corpo de lado, encolhido, com as pernas cruzadas e muito sangue sob a cabeça.
Ao lado, estavam a mochila que ele usava e o par de chinelos.
Um corte profundo na garganta foi a causa da morte, segundo o exame de necropsia.
E havia sinais de violência sexual.
A família e a polícia buscam suspeitos.
Alguns parentes desconfiam que o assassino seja alguém que tinha contato com o menino, pois ele não teria ido para o meio do mato com um desconhecido.

O caso levanta uma questão grave: o aumento da violência contra crianças e adolescentes.
O Jornal da Alterosa Edição Regional estreou hoje uma série de três reportagens sobre “Infância e Juventude em perigo”.
A primeira reportagem falou justamente da violência que inclui negligência da família, agressões, cárcere privado, pedofilia.
Fizemos imagens de crianças e adolescentes pelas ruas de Juiz de Fora.
Pedindo esmolas ou fazendo malabarismos nos sinais em troca de dinheiro, eles tentam sobreviver à negligência da família.

Um tipo de violência que está se tornando comum na cidade é o cárcere privado.
Com um número elevado de adolescentes e crianças envolvidos com droga, muitos pais desesperados apelam e prendem os filhos em casa.
Há duas semanas, conselheiros tutelares foram a uma casa no bairro Santa Efigênia, zona sul de Juiz de Fora, averiguar a denúncia de que uma mulher mantinha a filha de 13 anos presa num quarto para impedir que ela fugisse para a rua.

Uma outra mulher foi presa pela Polícia Militar depois que vizinhos denunciaram que ela acorrentava o filho em casa.
“Ele rouba, usa droga e fez ligação direta numa Kombi.
O que falta ele fazer?
Eu não quero que meu filho seja um marginal.
Não faço isso por maldade, apenas quero afastar meu filho do crime” desabafou a mulher abalada com os problemas do adolescente.
Cárcere privado é crime.

Um outro tipo de violência tem desafiado as autoridades: a pedofilia.
Quando um adulto sente atração por meninos e meninas e não controla os impulsos, pode transformar crianças felizes em vítimas assustadas e traumatizadas.
A psicóloga e sexóloga, Maria Lúcia Beraldo, explica que o abuso e a exploração sexual deixam seqüelas que exigem acompanhamento psicológico permanente.

“Na menina, a violência sexual pode deixar conseqüências emocionais e sexuais, impedindo que ela tenha uma vida sexual e afetiva saudável. No menino, o reflexo pode não ser na vida sexual, mas na violência, tornando a vítima um indivíduo de pavio curto, sempre disposto a agredir como forma de defesa e auto-preservação. Em ambos os casos, as vítimas têm muita dificuldade para voltar a confiar nos adultos” esclarece Maria Lúcia.

A delegada de Mulheres, Maria Isabella Santo, lembra que na maioria dos casos, o agressor é uma pessoa da confiança da vítima.
“Nossas investigações apontam que, em geral, a violência sexual é praticada por pais, irmãos, padrastos, tios, primos... pessoas que têm a confiança da vítima e fácil acesso a ela” revela.
A dica da delegada é para que os parentes e vizinhos de uma criança ou de um adolescente que mostrem sinais de violência sexual façam a denúncia.
A mãe da vítima deve registrar queixa na delegacia e dar encaminhamento à investigação.

O advogado Luiz Alexandre Botelho lembrou na reportagem que a violência sexual contra crianças e adolescentes é crime e tem punição rigorosa.
“O Código Penal prevê punição severa para quem pratica esse tipo de crime e pode haver acréscimo da pena caso a agressão provoque danos físicos e morte da vítima.
Se o agressor é o pai ou alguém da família, a punição é ainda mais rigorosa” conta Luiz Alexandre.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Casal de falsificadores preso em Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

A Polícia Federal fez nessa manhã uma coletiva para informar à imprensa que tinha prendido um casal de falsificadores.
O delegado Cláudio Nogueira explicou que os policiais receberam a denúncia de uma mulher que descobriu que o CPF dela estava sendo usado por outra pessoa para conseguir empréstimos e fazer compras.

A investigação foi feita e os policiais federais descobriram que a suspeita de praticar o crime estaria numa financeira de Juiz de Fora para negociar um empréstimo, usando o documento da vítima.
Foi montado um esquema de monitoramento da mulher, que foi abordada ao sair da empresa.
Ela apresentou documento falso, mas depois acabou admitindo a falsificação.
Ela contou ainda que o marido fazia parte do esquema.

Na casa da suspeita, os policiais apreenderam diversos documentos falsos.
Eram cheques com CPFs falsificados, documentos de identidade, cartões de crédito e de lojas e diversos formulários de empréstimos.
Os computadores do casal também foram apreendidos.
Neles, estavam documentações em branco e outras preenchidas.
O apartamento funcionava como uma mini-gráfica de falsificação.

A quantidade de material apreendido chamou a atenção do Schubert, fotógrafo do Jornal JF Hoje.
Ele ficou um bom tempo avaliando cada documento apreendido.
Realmente, a qualidade da falsificação era boa.
Sem falar que os documentos falsos eram usados para retirar outros, como os talões de cheque e cartões de crédito.
A gente chega à triste conclusão de que não há segurança em nada!

A jornalista Ana Carolina Trindade, de 26 anos, foi presa em flagrante e está à disposição da justiça na Penitenciária Arioswaldo Campos Pires.
O marido dela, Washington Luiz da Silva, de 37 anos, está no Ceresp de Juiz de Fora.
Os dois vão responder a processo por falsificação de documentos (pena de 2 a 6 anos de prisão), falsidade ideológica (pena de 1 a 3 anos de prisão) e uso de documentos falsos (pena de 2 a 6 anos de prisão).

Entre o material apreendido, os policiais federais se surpreenderam com documentos públicos, como um contra-cheque da Petrobrás.
Isso indica que o casal trabalhava com uma quadrilha ou tinha contatos em órgãos públicos, para receber as matrizes de documentos para falsificação.
Os dois contaram que agiam na cidade há 6 meses.
A polícia ainda não tem o cálculo do prejuízo que eles deram às vítimas, nem o número de pessoas prejudicadas.

O delegado fez um alerta quanto ao uso da internet.
"Nenhum órgão público ou empresa vai mandar um e-mail para alguém pedindo que envie o número do CPF ou de outros documentos.
Quem receber uma mensagem desse tipo, deve desconfiar e acionar a polícia federal.
É preciso cuidado também nas compras e nas movimentações bancárias feitas pela internet" avisou o delegado.
Outra questão complicada, é a perda de documentos.

Quem perdeu, deve procurar a polícia militar para registrar um boletim de ocorrência.
Esse documento deve ser guardado em local seguro.
Caso alguém aja de má-fé e use os documentos alheios para prática de crimes, a vítima pode usar o boletim para explicar o problema anterior.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Prefeitura e moradores discutem demolições em Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Foi realizada, hoje à tarde, uma reunião entre o prefeito de Juiz de Fora e os integrantes da Associação dos Moradores prejudicados pelas demolições no bairro Santa Tereza, zona sudoeste da cidade.
O grupo grande estava dividido entre aqueles que tinham esperanças de que o novo governo resolva a situação e os que estavam descrentes, já que muita promessa foi feita em um ano e nada foi cumprido.

Em março do ano passado, depois de uma semana de temporais, rachaduras começaram a aparecer em duas ruas do bairro Santa Tereza.
As moradias no alto e na base da encosta foram afetadas.
Paredes racharam, o chão afundou em alguns pontos e levantou em outros, o barranco apresentou pontos de escorregamento de terra.
A cena era assustadora.
Parecia que a camada de vegetação e tinha sido empurrada com força para baixo, descendo em diagonal.

Dia após dia, moradores, autoridades e imprensa acompanharam a evolução dos problemas.
Na parte de baixo, calçadas inteiras levantaram, empurradas pelas moradias que estavam "andando" para o meio da rua.
Casas grandes e bem construídas foram ruindo aos poucos.
Os moradores foram retirados logo que os primeiros sinais de problemas foram detectados.
O plantão de técnicos da Defesa Civil no local era feito 24h.
A informação era sempre que tudo poderia desmoronar de uma hora para outra.

Nós acompanhamos o sofrimento de todas aquelas famílias que assistiam impotentes o poder da natureza destruindo tudo o que levaram uma vida inteira para construir.
Uma cena que me marcou muito foi o Seu Gonçalves insistindo que a casa dele não iria ruir, que ele tinha construído com o que havia de melhor e que tinha certeza de que não perderia o lar. Isso foi dito apenas um dia antes das máquinas serem enviadas pela prefeitura para a demolição.

Depois de vistorias da Defesa Civil, de técnicos vindos de São Paulo e de uma perícia feita por peritos do Instituto de Criminalística de Belo Horizonte, o então prefeito, Alberto Bejani, foi ao bairro, reuniu os moradores e anunciou que faria a demolição e pagaria indenizações a todos os prejudicados. Pouco depois, as máquinas trabalharam rápido, para reduzir o peso no alto do barranco e o risco de desabamentos que poderiam atingir mais casas na parte de baixo.

A casa do Seu Gonçalves foi uma das últimas a serem derrubadas.
A dificuldade dos operários confirmou o que o aposentado havia dito:
os materiais usados na construção eram da melhor qualidade.
Ele teve que ser amparado e retirado do local pelos filhos.
Ver o sonho de uma vida virar escombros foi demais para o comerciante, que perdeu duas casas e um bar no Santa Tereza.
Hoje, ele vive numa casa modesta com a mulher em Chácara, cidade vizinha.
Sem saúde e sem casa, os dois sobrevivem da esperança de ver o caso ser resolvido e de receber uma indenização que permita a compra de um apartamento e o retorno a Juiz de Fora.
Ele era um dos representantes da comissão na reunião de hoje.

O que me chamou a atenção foi uma pergunta que o prefeito Custódio Mattos fez entre um desabafo e outro dos presentes.
Por motivos diversos, os moradores reclamaram da validade do laudo feito pelos peritos de Belo Horizonte.
Uns disseram que não valia, pois nenhum engenheiro participou da análise.
Outros alegavam que ele não tem valor legal para embasar as demolições.
E por aí foram as justificativas.
O prefeito perguntou onde estava o documento contestando oficialmente o laudo.
E foi informado de que esse documento não existia.

Dá para imaginar isso?!
Todas aquelas pessoas desesperadas, fazendo protestos sem conta exigindo providências, tendo espaço e atenção na mídia... e não tendo em mãos um documento imprescindível para o andamento do processo que movem contra o município de Juiz de Fora!
Só um ano e um mês depois das demolições é que eles vão redigir a contestação.
O prefeito colocou à disposição da Associação um advogado para ajudar na elaboração do tal documento.

Enfim, os moradores vão se reunir para discutir as medidas que vão adotar agora.
O presidente da Associação, Reinaldo Freez, não estava muito satisfeito.
"Não ouvimos o que queríamos, mas pelo menos não ficamos sem uma resposta. Agora é reunir todo mundo e avaliar as próximas ações" explicou Reinaldo, que perdeu cinco casas no Santa Tereza.

O prefeito explicou aos moradores que a prefeitura tem o dever de se defender no processo movido pela associação.
"Eu sou prefeito, não sou dono da prefeitura. Eu assumi em janeiro, não estava aqui quando tudo aconteceu. Mas, a prefeitura não acaba com um governo ou outro, ela continua. Por isso, independente de quanto tempo demore, o município tem a obrigação de se defender" disse Custódio Mattos, reforçando que entende as reivindicações dos moradores.
Ele disse ainda que, apesar de considerar justas as cobranças, não tem poder para pagar nenhuma indenização.
Isso só vai ocorrer por ordem judicial.
Desapropriações também são estudadas.

Enquanto a discussão se estendia, os repórteres cinematográficos e fotográficos se espremiam na sala de reuniões.
Eles tinham que ficar atentos a qualquer incidente, registrar imagens e depoimentos.
Tudo isso, sem atrapalhar o encontro.
Para isso, vale a imaginação.
Como trabalhar sem ficar na frente de ninguém? Cada um deu um jeito.

O Moisés Valle, da TV Panorama, escolheu as pontas da mesa, que tem formato de U.
Ele ficava um pouco num canto e trocava para o outro.
Assim, compensou a falta de tripé e teve apoio firme para gravar parte do que foi dito no encontro.
Como diz o Robson, vale tudo na hora de procurar um bom apoio.

Por falar no Robson, ele tentou driblar as imagens burocráticas, típicas desse tipo de cobertura, mudando os ângulos.
Com a câmera no ombro, ficou por trás das pessoas sentadas à mesa e foi capturando imagens e sons de cada um.
Os debates entre o prefeito e os moradores mereceram atenção especial.

Para ter imagens mais próximas, como se estivesse de frente para o prefeito, ele optou por se agachar no meio da sala.
Imagine a dificuldade de ficar abaixado, sem atrapalhar a visibilidade de ninguém, para um homem de 1,90m!
E ele tem tanta experiência em passar despercebido em eventos desse tipo, que realmente não atrapalhou.

Numa cobertura de coletiva ou de reuniões assim, a gente flagra os colegas em poses bem engraçadas.
Olhe o Humberto Nicoline, fotógrafo da prefeitura.
Os desavisados que passassem pela sala poderiam até pensar que ele estava rezando por uma solução rápida para os problemas no bairro Santa Tereza.

Mas, nosso amigo estava mesmo era procurando um ângulo diferente.
Ele não se contentou em ajoelhar.
Ainda usou a ponta da mesa como apoio de cotovelo e disparou a câmera.
Tomara que tantas poses inusitadas tenham rendido um bom material.

Quem vê o pessoal de imagem trabalhando, não imagina que tanto esforço acaba se transformando em um minuto ou dois de reportagem na TV e em uma ou duas fotos, no máximo, nos jornais.
Mas, a gente não lamenta.
Pelo contrário!
Trabalhar com jornalismo é bom demais!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O verdadeiro sentido da Páscoa

Michele Pacheco

Os supermercados de Juiz de Fora trabalharam no feriado.
As armações montadas para os ovos de Páscoa estão vazias.
As máquinas registradoras trabalham sem parar.
Lucro, gastos, chocolates.
Será esse o verdadeiro sentido da Páscoa?

Independentemente da crença religiosa e do fervor de cada um, a Semana Santa deveria ser um momento de reflexão.
Um tempo para parar e ressuscitar em cada um de nós o respeito pelo outro e a solidariedade.
Vivemos isolados em nossas ilhas pessoais, ignorando os problemas coletivos e tentando passar à frente dos outros na solução do que nos interessa.
Somos egoístas e, muitas vezes, consideremos isso uma necessidade para sobreviver.
E a Páscoa?
E o renascimento?
Ele fica lindo nas encenações bíblicas, com roupas caras, que movimentam milhões com turismo nas cidades históricas.
Mas, isso é suficiente?

Nessa Sexta-feira Santa, a cena que aparece no vídeo abaixo nos fez pensar um bocado.
Motoristas e pedestres que passavam pela Avenida Brasil, em Juiz de Fora, seguiam para os compromissos deles alheios a um fato inusitado.
Um morador de rua se arriscou no meio do Rio Paraibuna, encontrando um banco de areia para tomar banho.

Ele não pôde se dar ao luxo de se preocupar com o mal-cheiro e a poluição da água, que recebe 100 milhões de litros de esgoto todos os dias.
Apenas queria se arrumar para um dia diferente.
Quem sabe, se ele estivesse mais limpo conseguiria mais esmolas na porta das igrejas?
Afinal, muita gente se livra dos pecados cometidos durante todo o ano sendo solidário em dias santos.

Registramos o flagrante com um nó na garganta.
Veja as imagens e faça o que nós fizemos: pare e pense no verdadeiro sentido da Páscoa.
A resposta pode deixá-lo incomodado, mas a reflexão vale a pena.
A “verdade que assombra”, o “descaso que condena”, como já dizia o Renato Russo.
Boa Páscoa!