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JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

terça-feira, 15 de julho de 2008

13ª Cia fiscaliza abusos nas estradas durante as férias

Informe da Assessoria de Imprensa da 13a Cia. de Meio Ambiente e Trânsito Rodoviário

A 13ª Companhia de Meio Ambiente e Trânsito Rodoviário espera nos próximos dias um aumento de até 40% no movimento de veículos com destino ao litoral.
A unidade prevê que, diariamente, cerca de 30 mil veículos trafeguem pelas MGs

448 (Stª Barbará do tugurio), 383 ( São João Del Rei a Conselheiro lafaiete),
MGT 482 (Conselheiro Lafaite ao litoral capixaba) e
BR-265 (Barbacena ao litoral), nesta semana.
O passeio é um dos preferidos dos mineiros, que tomam as areias de Guarapari e arredores de Vitória.

Entre os destinos mais procurados estão também as praias da Bahia, Rio de Janeiro, sítios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e cidades históricas.
Como as estradas que levam a estes destinos estão com o pavimento em boas condições, grande parte dos acidentes com vitimas fatais, ocorrem em função da alta velocidade.

O comandante da 13ª Cia Ind MAT, Major Claudio César Trevisani, preparou um esquema especial para avaliar motoristas que consumirem álcool e abusarem da velocidade, pois o monitoramento com radares será um dos principais meios de fiscalização.
A Policia Rodoviária Estadual, em Barbacena, Conselheiro Lafaite e São João Del Rei, montará operações ininterupitas até o final das Férias, pois, além da imprudência dos condutores, as condições das rodovias interestaduais também contribuem para os acidentes.

O motivo é o desgaste pelo intenso volume de veículos.
Os principais destinos são as praias de Guarapari, do Rio de Janeiro, Cabo Frio e as cidades históricas de Ouro Preto, Mariana e Tiradentes.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Caminhão de lixo é um lixo

Por Robson Rocha

Hoje, estávamos procurando um endereço na Avenida Brasil, quando passaram duas viaturas do Corpo de Bombeiros.
Uma delas era um auto-bomba, caminhão usado para combater incêndios.
Logo, a Michele já ligou para os bombeiros e seguimos para tentar alcançar as viaturas.
Alcançamos em frente à Gráfica Esdeva e o pessoal tinha dito para a Michele que a ocorrência era incêndio em veículo.

Seguimos e os Bombeiros pararam no viaduto da Avenida Independência.
Descemos correndo e era um caminhão do Demlurb, departamento de limpeza urbana de Juiz de Fora.
O fogo já tinha sido apagado e os bombeiros desligaram os cabos da bateria do caminhão.
O motorista, claro, não quis gravar.

Porém, aí algumas coisas começaram a chamar a atenção.
O veículo é um caminhão velho e onde ficou esparramado o pó do extintor no asfalto, dava para ver que o caminhão tinha um vazamento de óleo.
O que deixa a suspeita do fogo ter começado devido ao óleo ter entrado em combustão em contato com o motor muito quente.

Outra coisa que chamou a atenção, foi a quantidade de massa na lataria da cabine e a ferrugem que se espalhava.
Perguntei ao motorista sobre o estado do caminhão e ele não respondeu.
Fez certo, pois ele é apenas um funcionário e não devia se expor.
Mas, se do lado de fora estava ruim, do lado de dentro era pior.

Abri a porta do caminhão e os documentos estavam pendurados em uma pasta.
Aí, a primeira infração à lei de trânsito.
O caminhão está rodando com os documentos vencidos.
No caminhão de 1978, com trinta anos de uso, outra data era velha, a do Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo é de 2007 e o seguro obrigatório DPVAT foi emitido em fevereiro de 2007.
Imagine se fosse o carro de um pobre mortal?

Mas, as irregularidades continuavam.
A cabine por dentro é simplesmente um lixo.
E, se olharmos para trás, os funcionários do Demlurb já reclamaram muitas vezes, nos veículos de comunicação da cidade, sobre as condições de trabalho.
Esse caminhão, por exemplo, já devia ter sido substituído há muito tempo.

Olhando a foto ao lado, tirando o estado de desgaste que atingiu o caminhão ainda tem um outro detalhe.
Se você olhar o acelerador e a embreagem parecem normais, mas o que você me diz do pedal de freio?
Não parece que ele está baixo demais?
Será que alguns acidentes que aconteceram no passado têm a ver com a manutenção?
O pessoal do sindicato afirma que sim.

A matéria foi ao ar no Jornal da Alterosa e foi lido o seguinte texto depois da matéria:
“Segundo a assessoria do Demlub, o caminhão é de 1978.
Mas, apesar dos 30 anos de uso, está em situação regular, com o desgaste normal.
O caminhão já voltou a rodar.”

Bem, se o estado do caminhão é regular, não quero imaginar o que seja ruim.
Mas, o Demlurb parece não se preocupar com a legislação de trânsito.
Pois, o caminhão voltou a rodar, mas não tem um item obrigatório de segurança.
Eu procurei, mas não achei na cabine o cinto de segurança.
Acho que está na hora da Câmara Municipal, responsável por fiscalizar a prefeitura, dar uma olhadinha pelos servidores do Departamento Municipal de Limpeza Urbana, antes que algum acidente mais grave aconteça.
Hoje, foi um principio de incêndio.
E amanhã?

domingo, 13 de julho de 2008

Tupi 2 x 1 Mirassol - Série C do Campeonato Brasileiro

Por Michele Pacheco

Domingo de céu azul, sol e muito frio em Juiz de Fora.
Mesmo assim, 1239 pessoas pagaram para ver a terceira partida do Tupi pela Série C do Campeonato Brasileiro.
O time da casa entrou em campo meio desanimado, o que nos preocupou.
Porque mesmo a gente, com todo sono que estava, tinha mais animação.
O time entrou parecendo ir a um velório.
Mas ainda bem que não foi por muito tempo.

Antes do jogo o Ricardo Wagner, da rádio Globo, teve que usar todo seu conhecimento técnico para mandar o sinal do estádio para a emissora.
Isso, porque o pessoal da Oi fixo, antiga Telemar, parece que pisou na bola e o Ricardo improvisou para arredondar e transmitir a partida até que um técnico da empresa chegasse.

O árbitro autorizou o início do jogo e o galo carijó mostrou disposição em busca da vitória.
As duas equipes foram para o tudo ou nada.
Tanto o Tupi (MG), quanto o Mirassol (SP) tinham apenas um ponto ganho no campeonato e precisavam da vitória para ter mais tranqüilidade.
Noroeste (SP) e Ituiutaba (MG) estavam nas duas primeiras colocações do grupo 13, com quatro pontos cada um.

A estratégia do técnico Toninho Moura foi reforçar o ataque.
O Tupi saiu animado com a bola no pé, mas bastaram dois minutos de partida para o Mirassol roubar a bola ainda no campo do carijó.
Marcinho recebeu um passe longo, cruzou para a área, a defesa tirou, a bola voltou para ele cruzar de novo e conseguir um escanteio.
Na cobrança, Guilherme estava bem colocado e marcou.
Parecia um mau sinal!

Mas, Alan estava disposto a fazer as pazes com a torcida e com o gol.
Ele estava na pequena área e notou o vacilo da defesa paulista.
Os zagueiros e o goleiro acharam que o bandeirinha ia marcar impedimento e relaxaram.
Só que a situação do Alan era legal e ele não perdoou.
Bola na rede aos 12 minutos de jogo!

Tudo igual!
A torcida comemorou.
O empate empolgou a equipe da casa.
Alan recebeu a bola e passou para Marquinhos Alagoano.
O camisa 8 do Tupi se esticou todo na linha de fundo e tentou cruzar para Índio que entrava com gás.

Mas, o passe foi muito forte e a bola saiu.
Serginho sofreu falta dura na entrada da área, Jorginho cobrou e o goleiro Alexandre rebateu, afastando o perigo.
Por pouco tempo!
Alan recebeu a bola, entrou sozinho em velocidade e colocou o Tupi à frente no placar.

O Robson e o Kiko Barbosa, da TVE, estavam a postos para registrar a segunda partida do Tupi em casa, pela Série C.
No primeiro jogo, no interior paulista, o time perdeu para o Noroeste.
Depois, empatou em casa com o Ituiutaba.
Pela atenção dos dois na cabine, dava para notar que o jogo estava corrido e com bons lances.

Num lance polêmico, Índio disputou a bola com o goleiro do Mirassol e levou a pior.
Caído na área, ele pediu pênalti, mas o juiz não deu.
O time venceu, mas não convenceu muito os torcedores que saíram reclamando.
O que não entendo, é como a equipe consegue criar jogadas perfeitas, de tirar o fôlego, fazer dribles de entortar qualquer adversário, chegar com vontade na área adversária e...não marcar gols!

A finalização é um problema praticamente crônico no Tupi.
Entra técnico, sai técnico e isso não muda!
Não é justo eles jogarem bem e não conseguirem balançar a rede.
O saldo de gols é critério de desempate na competição e o Tupi está agora com 4 pontos e saldo negativo de um gol.
Vamos lá, Tupi! Dá tempo de arrumar a casa!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Arte da Nossa Gente

Por Robson Rocha

Hoje, fizemos uma entrevista com Carlos Bracher, no Pró-Música.
Quando chegamos, o material da exposição dele estava sendo descarregado.
Um volume grande de quadros bem embalados, apesar dele ter trazido apenas parte do material que foi exposto em Brasília.
Simpático como sempre, nos atendeu com o maior carinho.
E ainda estava preocupado com o melhor lugar para gravar a entrevista.
Gravamos a entrevista e ele nos presenteou com um DVD.

É um documentário feito pela filha dele, Blima Bracher, durante a produção dos quadros.
Aí, comentei sobre a gravação que tínhamos feito em Ouro Preto, em 1995.
Ele disse que não tinha essa gravação e, como eu tenho esse registro em meu arquivo pessoal, me pediu uma cópia, que já está pronta e devo entregar o mais rápido possível.

Em 1995, eu trabalhava na TV Globo e essa gravação fazia parte do projeto “Arte da Nossa Gente”. Ele consistia em divulgar o trabalho dos grandes artistas da região.
A cultura era divulgada independente do estilo, que ia da música à pintura, da literatura à colagem. A idéia era mostrar o trabalho e registrar depoimentos desses artistas.

Nas gravações, conheci pessoas fabulosas como Dnar Rocha e tive a felicidade de acompanhar o momento de criação de grandes artistas. Da tela branca às primeiras pinceladas, até que o trabalho ficasse pronto.
Infelizmente, ele se foi antes da hora.
Ainda tinha muito o que criar.
E hoje, tenho o prazer de ter uma gravura do Dnar com dedicatória na minha sala.

Mas, também tive a oportunidade de gravar com Renato Stelling.
Uma simpatia!
Mas, o que me marcou lá, foi ter tomado o melhor café da minha vida, depois do da minha avó Maria.
Era um cafezinho docinho e ralinho.
Como diria um amigo meu, uma água de batata, mas, oh cafezinho gostoso!

Uma outra pessoa que tive o prazer de gravar nesse projeto foi com José Alberto Pinho Neves. Alguém por quem tenho um grande carinho e admiração.
E este foi seu depoimento no vídeo:
“O poeta com sua caneta se torna um pintor de imagens e o pintor com seu pincel se torna um escritor de palavras ou de imagens como a poesia necessita”

Mas, voltando ao Carlos Bracher, tivemos que ir a Ouro Preto, para gravá-lo.
Tentei gravá-lo em princípio com o centro histórico ao fundo, mas tínhamos pouca luz para trabalhar internamente, enquanto do lado de fora, o sol reinava com toda força.
Montamos um pequeno cenário usando uma tela como fundo.

Simpático e tranqüilo, ele aguardou que mudássemos todo o equipamento de lugar e começássemos a gravar.
Em seu depoimento, ele se emocionou quando foi falar de Minas e de Juiz de Fora e,
deu uma pequena pausa na gravação.
Quando falou de seu trabalho disse que se pudesse, só pintaria retratos.
Pois ele gostava de pintar retratos e na sala havia inúmeros.

Acabado o depoimento, fomos mudar os equipamentos de lugar e até parte dos móveis e quadros que estavam no atelier de Bracher. Muito risonho, ele brincava o tempo todo.
Em certo momento, ele encolheu a barriga, puxou a calça para cima e disse que a barriga estava começando a preocupá-lo, olhou para o pessoal da equipe e na época, éramos todos magrelos.
Se fosse hoje, Bracher ia dizer que ele não precisa se preocupar com a barriga. Mas, eu sim! E a danada não pára de crescer.
Mas, vamos mudar o rumo da prosa.

Para não fugir do gosto dele, ele pintaria um retrato para gravarmos para o “Arte da Nossa Gente”.
Separou todo o material e, quando ia começar o trabalho, se virou para trás e nos perguntou se ele podia colocar uma música.
Dissemos que sim e ele colocou uma música orquestrada, que não me lembro qual era.
Lembro apenas que eram batidas fortes.

Com essa música, Bracher parece que foi tomado pela inspiração e com riscos fortes como os acordes, começou o trabalho.
Ele estava tão concentrado, que parecia não notar nossa presença.
E olhe que eram sete pessoas da equipe, dentro de uma sala que não era grande.
E, eu passava de um lado para o outro preocupado, pois normalmente os grandes artistas são cheios de manias.
Mas, a simplicidade e a concentração dele me impressionaram.

No rosto dele havia uma variação de prazer, força, concentração.
Nas mãos, a capacidade de pinceladas vigorosas que, em determinados momentos, pareciam apenas acariciar a tela.
Não sei, sinceramente, descrever Bracher pintando.
Se se esquecer que ele foi premiado com o dom da pintura, o que ele passa não é apenas gostar de pintar e, sim ter paixão enorme pela pelo que faz.

Sei que em alguns poucos minutos a tela estava pronta.
Ele fez o trabalho sem estrelismo.
Com a mesma simplicidade com que havia começado, terminou.
Não só Bracher, mas Dnar, Stelling e o Pinho Neves me mostraram que ser um bom artista não é sinônimo de arrogância e prepotência.

Tenho um orgulho enorme de ter gravado com mais de dez artistas da cidade para o projeto.
Quem sabe, não está na hora de alguma empresa elaborar um projeto parecido para mostrar os talentos que temos?

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Presidente da Câmara Municipal de Juiz de Fora pode renunciar a qualquer momento

Por Michele Pacheco

Vicente de Paula Oliveira, o Vicentão, está licenciado por 15 dias.
Ele saiu de licença médica depois que o Jornal Tribuna de Minas publicou várias reportagens denunciando a ligação do vereador com a Koji Empreedimentos e Construção Ltda.
A empresa ganhou 13 licitações em Juiz de Fora para executar obras em torno de R$ 3 milhões. Segundo o jornal, até o telefone da koji estava no nome do vereador, o que levantou a suspeita de que ele era o dono da empresa ou, pelo menos, sócio.
Vicentão nega tudo, mas tratou de sair logo de cena.
Mas, ele vai ter que explicar o aumento do patrimônio dele.
E, segundo a Tribuna de Minas de amanhã, até os famosos caixões doados pelo vereador estão sob suspeita.

Os outros vereadores se reuniram e decidiram ouvir primeiro o colega de plenário antes de decidir que medidas tomar.
O presidente em exercício, Francisco Canalli, disse que a Câmara tem duas opções caso as explicações não sejam suficientes.
Uma opção é que um dos vereadores peça a formação de uma CPI para apurar o caso.
A investigação seria feita e evoluiria até uma comissão processante que avaliaria o pedido de cassação.
A outra opção é que um pedido de investigação seja feito por alguém de fora da Câmara.
Aí, seria montada a Comissão de Ética que avaliaria das denúncias e as provas e emitiria um parecer para ser votado no plenário.

De qualquer forma, o clima é de desconforto na Câmara Municipal de Juiz de Fora.
Depois da CPI que apurou denúncias de enriquecimento ilícito e corrupção contra o ex-prefeito Alberto Bejani, uma nova investigação, agora contra um membro do legislativo, pode ser difícil de engolir para o eleitor. Ainda mais em plena campanha política!
Os vereadores esperam que o público procure se informar das ações de cada um e evite julgar e condenar todos juntos.

Como adiantamos aqui no Notícias Fora do Ar, além das denúncias divulgadas pela Tribuna de Minas, o Vicentão ainda não se explicou à Polícia Federal sobre o envolvimento dele em esquemas de corrupção que seriam organizados pelo ex-prefeito.
Vicente de Paula Oliveira é esperado na próxima segunda-feira para depor à Polícia Federal em Belo Horizonte.
Para os colegas de plenário, ele disse que não poderia prestar esclarecimentos hoje, pois estava de cama.
Mesmo assim, foi visto entrando na Polícia Federal de Juiz de Fora nessa quarta-feira pela manhã.
Com certeza ele já deve ter sido informado de que, se não depor como esperado, os policiais podem ouvir o depoimento na casa dele.

Itamar Franco fala do passado e avalia papel das universidades na política

Por Michele Pacheco

Na sala do Consu, Conselho Superior da Universidade Federal de Juiz de Fora, dentro do prédio do Museu de Arte Moderna Murilo Mendes.
Este foi o local escolhido para que Itamar Franco respondesse a inúmeras perguntas.
A entrevista fez parte do projeto "Diálogos Abertos", da UFJF.

"O objetivo é reunir o maior número possível de informações sobre personalidades de Juiz de Fora.
Os depoimentos, as histórias, tudo está sendo gravado e vai ser arquivado como vídeo, livro e o que mais for possível.
Temos que preservar a riqueza de conhecimento dessas pessoas que fizeram e fazem diferença" explicou José Alberto Pinho Neves, Pró-reitor de Cultura.

Tranqüilo e bem-humorado, Itamar Franco foi entrevistado por pessoas ligadas a diversas áreas sociais.
As perguntas abordaram vários assuntos, entre eles política, saneamento básico e educação.
Formado em engenharia, ele começou a carreira política como vereador de Juiz de Fora, foi prefeito do município, senador e Presidente da República. O último cargo político que ocupou foi o de governador de Minas Gerais.

"Os políticos antigamente encaravam os eleitores e apresentavam as propostas.
Eles recebiam votos pelo que planejavam e realizavam.
Hoje, os candidatos estão entregues aos 'marketeiros' que mudam o visual, fazem maquiagem, cabelo, escolhem a melhor roupa... Parece que a propaganda política é uma novela, com atores muito bem vestidos e fala decorada" comentou Itamar Franco comparando os políticos do passado com os de hoje.

O ex-presidente falou também do papel das universidades na formação de novos políticos. Ele perguntou aos presentes por que as faculdades visam apenas o mercado de trabalho, deixando a desejar na formação social, filosófica e política dos alunos. "Os estudantes se formam pensando em números, em estatísticas e com pouco ou nenhum conhecimento da realidade brasileira. Como podem então mudar alguma coisa no país?" criticou Itamar Franco.

Sobre as denúncias de corrupção que surgem por toda parte, ele disse que isso é um mal grave, pois afasta os jovens do interesse pela política.
Assim, os eleitores de hoje e do futuro encaram o voto como uma obrigação e não como um direito precioso.
"Recebi no meu escritório três universitários.
Notei que eles me olhavam inseguros e incomodados.
Perguntei o que era e eles disseram que achavam que todo político é corrupto.
Isso mostra a descrença que contagia os jovens eleitores.
É lamentável." desabafou.

150% de aumento para vereadores gera polêmica em Minas

Por Michele Pacheco

O caso foi na Câmara Municipal de Matias Barbosa, Zona da Mata Mineira.
O município tem em torno de 13 mil habitantes e 9 vereadores.
Nas ruas, todo mundo comenta o reajuste e as opiniões se dividem.
Tem aqueles que consideram o salário atual muito baixo e acham que o aumento pode evitar que os vereadores caiam em tentação de aceitar subornos.

Outros, acreditam que o aumento é injusto, pois os servidores públicos municipais tiveram nos últimos quatro anos reajustes acumulados de 57,58%.
A Mesa Diretora apresentou a proposta de reajuste de 150% e ela foi aprovada por 6 votos a 2, já que o presidente da Câmara só vota em caso de empate.

Quem votou a favor, como o vereador José Custódio Nunes (que não é candidato à reeleição) justifica a escolha alegando que o salário de R$ 801,80 é injusto e um dos menores da região.
Com o aumento, os vereadores vão receber, a partir de 2009, R$2.004,50.
"É uma questão de justiça.
Aqui se faz muita coisa importante e é preciso valorizar os vereadores.
Não votei a favor pensando em benefício próprio, até porque não sou candidato, mas pensando em melhorar as condições dos que vão ocupar as cadeiras na próxima legislatura" explicou José Custódio.

Quem votou contra, como a vereadora Engrácia Aparecida dos Santos, alega que o reajuste de 150% é imoral.
"Fizemos uma análise e concluímos que um aumento de até 70% seria viável e correto.
Esse índice de reajuste é uma ofensa aos trabalhadores que só tiveram 57,58% de aumento." defendeu a vereadora candidata à reeleição.

A Câmara também aprovou aumentos de 50% nos salários do prefeito e do vice e de 30% no pagamento dos secretários municipais. A cidade tem 12 secretários.
Esses reajustes vão gerar um impacto no orçamento de R$ 132 mil por ano.
O prefeito vai receber por mês no próximo mandato R$8.709,04 e o vice R$2.343,36. Já os secretários vão ganhar R$ 2.786,89.
Com os nove vereadores, a prefeitura repassa hoje à Câmara Municipal R$ 116 mil por ano do orçamento.
O impacto do reajuste será de R$11.500 por mês.

O prefeito de Matias Barbosa, Joaquim Nascimento, é contrário ao índice elevado de reajuste. Para ele, um aumento na faixa dos 50% seria mais correto, pois se manteria no mesmo patamar de todos os outros funcionários públicos do município.
"Como explicar a um pai de família que ele não merece o mesmo índice de reajuste?
Como mostrar a ele que o trabalho que faz não merece o mesmo reconhecimento dado aos vereadores?
Acho imoral um aumento como esse" explicou o prefeito, que não é candidato à reeleição.