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JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Tupi faz pré-temporada em Rio Novo

Por Michele Pacheco

Acompanhamos hoje o embarque do time do Tupi para Rio Novo.
O campeão da Taça Minas faz a pré-temporada num hotel fazenda.
A equipe fica por lá até o dia 15 de janeiro, se preparando para a estréia no Campeonato Mineiro. Depois da conquista da Taça Minas, 13 atletas receberam propostas de outros times e o galo carijó não teve como cobrir.

Assim, os torcedores não vão ver em campo no Campeonato Mineiro o goleiro Marcelo Cruz, os zagueiros Fernando, Ricardo e Sidnei, o lateral-direito Henrique, o lateral-esquerdo Mendes, os volantes Lucas e Caetano, os meias Marquinhos Alagoano e Rafael Toledo, e os atacantes Índio, Allan e Igor. Em compensação, foram contratados o goleiro Henrique, os zagueiros André Luiz, Rodrigão e Itamar, o lateral-direito Jaiminho, o lateral-esquerdo Guilherme, os meias Gil Max, Márcio Carioca e Hugo, e os atacantes Rodrigo Mucardel, Mateus e Carlão.

Mas, as mudanças são típicas do futebol brasileiro.
É raro manter a mesma equipe em mais de uma competição seguida.
E o grupo está otimista para o novo desafio.
Enquanto esperávamos o ônibus sair, nos divertimos com o pessoal vendo a quantidade de coisas que eles tinham que levar.
E que quantidade! Alimentos, roupas, água, equipamentos de fisioterapia, de treinamento e outros apetrechos a mais.
O bagageiro foi lotado.

Encontramos o Wallace Mattos e o Fernando Priamo, da Tribuna de Minas, acompanhando o embarque.
Falamos dos nossos plantões, comentamos as mudanças no Tupi e trocamos idéias sobre um monte de coisa.
Deu para rir um bocado.
Depois de tanta tragédia no fim de ano, foi ótimo passar um dia leve e calmo em Juiz de Fora.

O Robson e o Priamo se revezavam nos melhores locais para registrar imagens dos preparativos. Quando eles paravam um pouco, eu e o Wallace respirávamos aliviados.
É que nós dois ficamos nos escondendo de um lado para o outro da calçada para não aparecer nem nas fotos do Fernando, nem nas imagens do Robson.
Num espaço tão pequeno, isso foi complicado.

Entre um bate-papo e outro, os jogadores foram chegando e se ajeitando no ônibus branco com o escudo do Tupi.
O pior é que depois de tanta chuva, o cheiro de umidade era grande lá dentro.
O Priamo entrou no ônibus para tirar fotos e saiu rapidinho.
Mas, fazer o quê?!
Esse é o cotidiano dos clubes que têm pouco apoio.
É preciso se virar com o que se tem.
Triste pensar que o Campeão da Taça Minas não tenha conseguido atrair a atenção de empresários que queiram investir no esporte.

Bem que Juiz de Fora merece um time estável e forte entre os maiores do estado.
Se dependesse só de dedicação da comissão técnica e dos funcionários, o Tupi seria Campeão Brasileiro.
Mas, há muito mais em jogo.
Falta recurso para manter os jogadores que se destacam.
Falta verba também para reconstruir o estádio Salles Oliveira, em Santa Terezinha, o que permitiria que o torcedor acompanhasse mais de perto o dia-a-dia do time.

Enquanto pensam no Campeonato Mineiro, os jogadores e a comissão técnica esquecem os problemas e se dedicam ao trabalho com a disposição de quem quer surpreender os grandes e escrever de vez o nome na nata do futebol brasileiro.
Boa pré-temporada e boa sorte nesse desafio tão difícil.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Rodovias interditadas em Minas Gerais

Por Michele Pacheco

Voltamos às estradas hoje. Nossa pauta era a BR 267, interditada em Argirita.
Em geral, levamos uns 40 minutos até lá.
Mas, desta vez tivemos que usar o desvio sugerido pela Polícia Rodoviária Federal.
Foram 75 km a mais.
Entramos por Coronel Pacheco, seguimos por Goianá, Rio Novo, Guarani, Piraúba, Astolfo Dutra, Dona Euzébia e Cataguases.

Eu não sei o que é pior na estrada. Aqueles loucos que parecem pilotos de Fórmula 1 e passam voando, ou aqueles motoristas que raramente viajam.
Eles ficam com medo de acelerar e cometem outro erro grave: andam muito abaixo do limite de velocidade. Você sai de uma curva e dá de cara com um carro como este, a 40km/h, num trecho onde o limite é de 80km/h. O perigo de acidente é grande.

E ainda tem aquele povo que vê que a estrada está molhada, escorregadia e perigosa e não desiste. Ultrapassa com pouca visibilidade, fecha os outros motoristas, demora para ultrapassar e quase bate de frente no veículo que vem no sentido contrário.
Um festival de imprudência numa época de índices absurdos de acidentes e mortes nas rodovias mineiras. O balanço da Polícia Rodoviária Federal foi de 141 acidentes, com 89 mortos e 1103 feridos. Isso, nos feriados de Natal e Réveillon.

As rodovias no trecho que usamos estão com marcas claras dos estragos das chuvas das últimas semanas. São buracos por toda parte. Em Guarani, um trecho da MGT 120 desmoronou no mês passado e nada foi feito para recuperar a estrada. Os motoristas têm que se espremer em meia pista. Com chuva constante e pista molhada, o trecho desabado fica ainda pior.

Em Leopoldina, paramos primeiro no posto da Polícia Rodoviária Federal.
O Inspetor João Marcus nos atendeu. Ele tinha que parar toda hora para atender os telefonemas de pessoas querendo saber das condições das estradas. Quando o telefone parava de tocar, algum motorista estacionava perto do posto para saber as rotas alternativas. Os veículos pequenos estão passando pelo trajeto que fizemos. Os grandes seguem até Além Paraíba, entram no estado do Rio, seguem por Três Rios até a BR 040 e retornam a Juiz de Fora.

Fomos ao local do problema.
No trevo da BR 116, em Leopoldina, uma cartaz foi pregado numa placa.
Mal dá para entender o que está escrito. Só quando o motorista já entrou no trevo é que ele consegue ler que a pista está interditada.
A BR 267 foi fechada na manhã desse domingo pelo DNIT.

Mais à frente, uma placa informa ao viajante que a rodovia está interrompida no km 283. Com há muitas fazendas no caminho, o distrito de Tebas e o município de Argirita, o tráfego é liberado no trevo. Vimos muitos carros e caminhões entrando na BR 267, apesar dos alertas. Difícil de acreditar que iam todos para a cidade. Ainda mais que as placas eram de outros estados.

A confirmação veio depois do trevo de Argirita.
Os policiais rodoviários federais notaram que a barreira feita com galhos e troncos de árvore estava mexida, indicando a passagem de veículos.
Eles refizeram o cerco e seguiram em frente no patrulhamento.
Ao longe, vimos sinal de um carro que deveria estar a uns 2km a nossa frente e já tinha passado pela área interditada.

Menos de um quilômetro depois do trecho com problemas, o flagrante. O DNIT abriu uma canaleta no asfalto, de um lado ao outro da rodovia para impedir a passagem. Adivinhe o que os espertinhos fizeram? Encheram o buraco com pedras e pedaços de madeira, formando uma espécie de ponte, e estavam passando pela rodovia interditada. Com o perigo de um desabamento total a qualquer momento, ou essa gente é suicida ou muito irresponsável.

Um caminhão e dois carros pequenos estavam parados na beira da canaleta.
Os motoristas disfarçaram ao ver os policiais.
Uns alegaram que só estavam vendo o local, outros diziam que não tinham sido informados da interdição. As desculpas eram todas injustificadas. Primeiro, qualquer um vê que a estrada está fechada. Segundo, há placas sinalizando.
O desejo de ganhar tempo pode acabar em morte.

A BR 267 está cedendo desde a semana passada.
A cada dia, o degrau é maior na estrada.
A pista no sentido Argirita-Juiz de fora já estava interditada.
No sentido contrário ainda dava para passar.
Agora, as rachaduras aumentaram e há degraus no asfalto também no sentido Juiz de Fora-Argirita.

O Robson fez as imagens com cuidado para não pisar muito perto do local onde a pista parece que vai desmoronar.
Esse trecho sempre foi perigoso.
De um lado, há uma ribanceira.
Do outro, uma montanha de pedra com pouca terra e vegetação por cima.
Quando chove, a água infiltra e torna o terreno ainda mais instável que o normal.

Em cada ponto que parávamos para fazer imagens, eu conversava com os policiais sobre o trabalho difícil e contínuo que vão ter até que o problema seja solucionado.
Enquanto estiver chovendo, nem adianta pensar em obras.
E não dá para acreditar que a chuva vá dar trégua. Seria bom demais!

Não há previsão do DNIT para recuperar a estrada.
Qualquer tipo de trabalho lá vai ser complicado.
A terra está escorregando para a ribanceira e pode levar o resto da rodovia.
Até para usar máquinas no trecho é perigoso, já que o asfalto rachou por vários metros antes e depois da área que está desmoronando.

Os policiais tiveram que parar debaixo de chuva para reforçar o bloqueio em cima da ponte que fica a poucos metros do trecho perigoso.
Restos do guard-rail e galhos foram improvisados como barreira na cabeceira da ponte em curva.
Os dois policiais fizeram força para juntar todo o material pesado e dificultar a passagem dos espertinhos de plantão.

E com tudo isso, ainda tem gente que se acha no direito de infringir a lei, invadindo a área interditada para não ter que usar os desvios mais longos que o trajeto normal.
Um motorista de Juiz de Fora achou que conseguiria driblar as autoridades.
Mas, depois de uma curva, a surpresa. Ele ficou frente a frente com o carro da PRF. Dá para imaginar o susto, não dá?

E como explicar aos policiais o motivo de ter desrespeitado duas placas de interdição e uma barreira de galhos e troncos?
O motorista bem que tentou. Primeiro, disse que não conhece a estrada e não sabia onde era o trecho interditado. Não colou, já que o carro é de Juiz de Fora. Depois, disse que passou porque a estrada estava liberada, com a barreira aberta. Também não colou, já que apesar dos galhos terem sido tirados, a placa de proibido passar continua no lugar.

Por último, veio a justificativa de que ele estava com pressa para ir a um enterro.
Pena que o código de Trânsito não prevê alívio para nenhum dos casos citados. Resultado: o motorista foi convidado a deixar o trecho interrompido.
Ele seguiu os policiais até o trevo de Argirita. Debaixo do temporal, ouviu os policiais explicarem pacientemente as leis de trânsito e teve que seguir pelo desvio com uma multa na mão.

O Inspetor João Marcus comentou que o trabalho deles é enorme nessa época.
Além de patrulhar as rodovias da área da equipe de Leopoldina, eles têm que se preocupar com a sinalização nas áreas perigosas.
Se ela não existe, têm que cobrar do DNIT.
Se existe, têm que cobrar dos motoristas o respeito às leis.

Depois de registrar o problema, voltamos pelo nosso caminho.
Em nenhum momento, desde que fomos para a estrada, ficamos sem chuva. Eu estava brincando com o Robson que se não melhorar o tempo, nós vamos mofar ou criar escamas. Oh, época chata para trabalhar. Todo mundo espera ver o repórter arrumadinho no vídeo. Mas, com a roupa e o cabelo molhados, a gente parece mais um espantalho. E a capa de chuva é de uma elegância!!!

Na volta, a chuva apertou e tivemos que seguir com cautela pelos trechos cheios de buracos.
Como a orientação é para desviar por aquele caminho, as estradas normalmente tranqüilas estavam cheias.
Pelo menos, conseguimos passar os piores pontos com o restinho de luz do fim da tarde.
Menos mal, já que buracos e escuridão não combinam nada.
Depois de Coronel Pacheco, respiramos aliviados. Mas, foi cedo demais. A serra do bairro Grama estava congestionada. No escuro e com chuva, a visibilidade ficou comprometida. E, como incomodam os faróis no meio da névoa e da chuva! Mas, temos que comemorar outra missão cumprida em segurança. Posso afirmar com certeza que nossos anjos da guarda estão trabalhando em regime de escravidão nesse verão! Com tantas viagens, ele não cochilou nem uma vez sequer e conseguimos ir a vários locais perigosos em segurança. Que dure!

Chuva leva parte da Br356 em Minas

Por Silvan Alves

A rodovia BR-356, (mais conhecida nesta região como Estrada Muriaé-Ervália) está interditada na altura do município de Rosário da Limeira.
A estrada tem 53 Km de extensão e a função de ligar a Zona da Mata à capital mineira, Belo Horizonte.
Mesmo inacaba a rodovia foi liberada a anos para uso.
E a falta de uma ponte a 15 Km de Muriaé agrava agora, a situação de centenas de usuários.

No local, um bueiro provisório foi construído por uma empresa particular, mineradora, e fazia as vezes da ponte, mas no final de semana por causa da força das águas do rio Preto.
O desvio para quem vem de Ponte Nova, Viçosa e Ervália, é por dentro da cidade de Rosário da Limeira, mas para voltar a rodovia, é preciso andar por mais 10 Km de estrada de chão (hoje atoleiro), mas mesmo assim a estrada está interditada com queda de barreiras e caminhões atolados (foto).
Para quem vai de Muriaé a mesma forma.
Resumindo, tudo parado, uma vez que nada passa para Rosário da Limeira.
Não hà previsão de normalização da rodovia.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Perigo nas estradas de Minas - Volta para casa com chuva e acidentes

Por Michele Pacheco

Acabou-se o que era doce! Fim de feriado, hora de voltar para casa.
Quem deixou para o último instante, se arrependeu.
Com chuva e trânsito intenso, as rodovias em Minas Gerais ficaram ainda mais perigosas.
Fomos para a BR 040 acompanhar o movimento e encontramos a estrada cheia.

Depois do sossego do feriado prolongado, os motoristas precisaram de paciência e bom-humor para enfrentar os engarrafamentos nos pedágios da rodovia que liga o Rio de Janeiro a Belo Horizonte.
No posto de Simão Pereira, as filas chegavam a um quilômetro em cada sentido.
A fila longa andava lentamente.

Um teste de resistência para quem estava louco para descansar um pouquinho antes de retomar a rotina.
Eu olhava de longe e ficava imaginando a situação de muitos daqueles motoristas.
Com a família inteira dentro do carro, cansado de dirigir debaixo de chuva, com as crianças reclamando de fome, de sede e de vontade de ir ao banheiro.
Parar no posto do pedágio significava ter que deixar toda aquela fila passar.

Tem gente que não suporta se ver cheio de carros pela frente e parece querer a estrada liberada.
Mas, num dia como hoje, nem adianta pensar assim.
Em momento algum do domingo na estrada, os viajantes se sentiram sozinhos.
Havia carros de toda parte de Minas e de outros estados.

A Polícia Rodoviária Federal calcula que 90% dos motoristas que viajaram no Natal deixaram para voltar para casa depois do feriadão de Reveillon.
Resultado: congestionamento no último dia.
Para ajudar, a chuva começou fina e constante e acabou virando temporal em alguns trechos da BR 040.
Eu só pensava: o que estamos fazendo aqui?
Posso afirmar com certeza que se não fosse pelo trabalho, o último local onde gostaria de estar é na estrada.

Com tempo ruim e motoristas apressadinhos querendo levar vantagem em cima dos outros, é um risco muito grande viajar nessa época.
Nem na fila do pedágio o povo toma jeito.
Veja esse carro.
Ele ia de uma fila para a outra.
Uma andava mais rápido e lá ia ele trançando entre os outros carros.
Dá nos nervos!

Depois de registrar o movimento no pedágio, seguimos para a delegacia da Polícia Rodoviária Federal.
Estávamos a 90km por hora.
E esse carro nos ultrapassou a toda.
O motorista seguiu viagem fazendo ultrapassagens perigosas e colocando em risco a vida de quem estava no veículo e nos outros carros.
Será que o preço a pagar vale a pena pelo risco assumido?

A rodovia estava com visibilidade prejudicada em vários pontos.
Além da chuva, uma névoa densa entre Matias Barbosa e Juiz de Fora, deixou a tarde com cara de noite.
Às quatro da tarde, o céu estava escuro e os faróis eram necessários.
Mesmo assim, ainda tinha gente se arriscando com direção perigosa.

A polícia pede tanto.
A imprensa mostra tantas matérias de mortes nas estradas.
E nem assim o recado é captado por alguns imprudentes.
O perigo é real e está por toda parte. Foi o que descobriu com um susto uma família de Juiz de Fora.

O casal e a filha viajavam de volta para casa depois de curtir o feriadão em Cabo Frio.
Quase chegando em casa, o motorista perdeu o controle da direção numa reta e o Kadett com placa de Contagem capotou e ficou preso num barranco.
Quando chegamos, o pessoal da Concer, concessionária responsável pela manutenção do trecho privatizado da BR 040, já estava removendo o carro.

Os guinchos, as ambulâncias e os carros de patrulhamento estavam em alerta o domingo inteiro.
Os funcionários dos guinchos tinham que agir rápido, para evitar que veículos com defeito ou batidos causassem mais transtornos na rodovia.
Os profissionais são eficientes e em poucos minutos colocam os veículos no caminhão e levam para local seguro.

Para a família, ficou a sensação de medo e a incredulidade.
Tão perto de casa e um susto desses.
Alguns parentes estavam na estrada recolhendo objetos pessoais e acompanhando a remoção do veículo.
Eles não gravaram entrevista, mas contaram que a família viajou em dois carros com familiares.
Em Três Rios, um dos veículos seguiu para Paraíba do Sul, onde mora o irmão da mulher acidentada.

Ele foi chamado de volta e ficou assustado ao saber que o cunhado e a sobrinha tinham sido levados por uma ambulância da Concer para o Hospital de Pronto Socorro de Juiz de Fora.
Mas, a irmã dele acreditava que não era nada muito grave.
Ela também teve arranhões pelo corpo, mas estava bem.

O dia foi um suplício para o Robson. Ele está se recuperando de uma gripe forte e ficou o tempo todo na chuva.
Parava o carro em local seguro, descia, montava o tripé e registrava algumas imagens de trechos estratégicos.
As rajadas de vento impediam que ele fizesse todas as imagens com a câmera no ombro.
Bastava fechar o zoom, para se ter a noção de que um terremoto estava em andamento.
Assim, só o tripé salva!

O complicado era encontrar pontos seguros para fazer as imagens, sem ficar na mira dos motoristas mais apressados.
Era preciso pensar também que a névoa e a chuva tornavam a visibilidade comprometida e os motoristas poderiam não enxergar o carro da TV.
Alguns trechos renderiam boas imagens, mas a segurança era mais importante e não dava para parar.

Na delegacia da Polícia Rodoviária Federal, encontramos um caminhão dos bombeiros de Juiz de Fora fazendo ponto base.
Ficando lá, a guarnição poderia se deslocar com mais rapidez para o local de um possível acidente mais grave.
Se fossem esperar ser acionados para sair do 4o Batalhão de Bombeiros Militar, no centro da cidade, levariam pelo menos uns quarenta minutos para chegar à estrada.
Quando chove, o trânsito na cidade fica lento e complicado.

A Polícia Rodoviária Federal trabalha em esquema de rodízio de plantão.
E todos estão trabalhando muito nessa passagem de ano.
Da meia-noite do dia 31 de dezembro até às cinco da tarde desse domingo, foram 19 acidentes com 21 feridos e 1 morto.
O caso mais grave foi o acidente entre um ônibus da viação Transur e uma caminhonete Pajero.
A motorista do carro, Valéria Delmonte morreu presa às ferragens.

A imagem do carro era inacreditável. Mesmo sendo um veículo resistente, com airbag e reforçado, o utilitário ficou destruído.
Os bombeiros ficaram das oito da noite até a meia-noite desse sábado serrando a lataria, usando pé-de-cabra, para abrir espaço para o trabalho, e cabos de aço e correntes para desamassar a frente do veículo.

Depois que postamos o texto nessa madrugada sobre o acidente, recebemos o e-mail de um motorista que estava 50 metros atrás do Pajero na hora do acidente e ajudou no socorro.
Não vamos citar o nome dele, apesar de ter nos deixado contatos para mais informações.
Agradecemos muito a colaboração desse motorista.

Talvez ele posse esclarecer o que as autoridades tentam entender: o que a motorista estava fazendo na contra-mão, num trecho largo da estrada, com duas pistas em cada sentido, apesar de não ser duplicado.

Segue o e-mail na íntegra:

"Michele/Robson, boa noite.

Vi sua reportagem sobre o acidente ocorrido neste sábado na rodovia 040 e gostaria de comentar com você o ocorrido. Presenciei o momento do acidente a 50 mts de distância.

Segue abaixo um breve resumo:

***Resumo

A Motorista Valéria estava em alta velocidade e tentou me ultrapassar por diversas vezes (sentido RJ/BH) mas como se tratava do posto policial a mesma reduziu a velocidade. Após o posto da PRF dei passagem à motorista e nos mantivemos próximos. Aproximadamente 500 mts após a PRF o veículo utilitário se deslocou para a pista oposta e veio a colidir frontalmente ao onibus que se despencou barranco abaixo. Não houve frenagem da Pajero, somente o desvio do ônibus. Após este evento, o veículo esportivo começou a pegar fogo e utilizamos nossos extintores para evitar o pior.

***Resumo

Se necessitar de qualquer outra informação estou a disposição."

Só a Valéria poderia esclarecer porque foi vista em alta velocidade, à noite, numa estrada molhada e perigosa.
Mas, o relato do motorista que viu o acidente deve nos servir de alerta.

Quantas vezes encontramos motivos para exagerar na velocidade?

Preocupações familiares, desejo de chegar logo em casa, emergências em família ou no trabalho. Nós, jornalistas, somos peritos em esquecer a prudência e pisar um pouco mais para chegar a tempo de colocar uma reportagem no jornal do dia.
Confesso que ver tantos acidentes num mesmo período me deixou sem a menor vontade de correr mais riscos do que o necessário.