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JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

domingo, 11 de outubro de 2009

Acidente entre carreta e gol na BR-116 - Em Minas

Por Silvan Alves
www.silvanalves.com.br

Um grave acidente na BR-116, região de Itamuri-MG, acabou deixando uma pessoa morta na manhã deste domingo.
Segundo o perito criminal, Felipe Machado Dapieve, da Perícia Técnica da 4ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Muriaé, o acidente aconteceu às 10h10 deste domingo, envolvendo uma carreta Scania, placa GXS 3242 de Belo Horizonte, conduzida por Carlos Henrique Miguel, e um Gol, placa, KOK 3723, de Volta Redonda, conduzido por Tiago de Carvalho Martins, 24 anos.

No choque violento com a carreta, o motorista do Gol, Tiago de Carvalho Martins, 24 anos, ficou gravemente ferido e foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros de Muriaé, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no Hospital São Paulo.
Já sua esposa sofreu ferimentos leves, e segundo o Corpo de Bombeiros estava passando bem.
O motorista da carreta nada de grave sofreu.
O acidente aconteceu no Km 698 da BR-116, local de alta incidência de acidentes devido as curvas.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Acidente com ônibus mata duas pessoas e fere 30 em Minas Gerais

Por Michele Pacheco

Fomos acordados às três e dez da manhã pela Regina Ramalho, produtora da TV Alterosa.
Ela recebeu informação de uma fonte que um acidente grave tinha sido registrado no trevo de Piraúba.
Levantamos.
Eu disse levantamos e não acordamos!
Tomamos banho para espantar um pouco do sono e fomos para a estrada.
Uma névoa densa dificultou a viagem no trecho entre Juiz de Fora e Tabuleiro.
E, para piorar, estava chovendo.
Demoramos mais do que o normal para chegar ao local do acidente.

O ônibus da viação Unida seguia do Rio de Janeiro-RJ para Itabira-MG.
Segundo representantes da empresa, o motorista e 36 passageiros estavam no veículo.
Chovia na hora do acidente e esse pode ser um dos motivos que levaram o motorista a perder o controle da direção numa curva, invadir o acostamento, bater em algumas árvores e tombar numa vala larga na margem da MGT 265, em Piraúba-MG.
O ônibus deixou o Rio às 21h15 e o acidente foi às 02h30.

Os passageiros contaram que quem estava menos ferido ajudou a tirar as vítimas em piores condições e os idosos.
Adriano Santana foi um dos 8 passageiros encaminhados ao Hospital São Vicente de Paulo, em Rio Pomba.
Ele contou que estava na última poltrona do ônibus.
"Por sorte eu tinha deitado o banco e tirado o cinto de segurança poucos minutos antes.
Se eu estivesse preso no cinto, teria ficado pendurado na parte que ficou para cima e seria mais difícil sair.
Quebrei o vidro traseiro, que já estava todo trincado e comecei a tirar as pessoas à minha volta.
Eu e outro passageiro nos esforçamos para subir várias vezes o barranco levando os feridos.
Mas, graças a Deus, conseguimos tirar 12 pessoas" explicou emocionado o técnico em mecânica.

Os passageiros levados para Rio Pomba devem ficar em observação até o início da tarde e depois podem ter alta.
Adriano lembrou ainda da falta de solidariedade dos poucos motoristas que passaram pelo local durante a madrugada.
Ele disse que tentaram parar os carros, pedir ajuda ou carona para ir até um lugar onde pegasse celular para avisar do acidente, mas ninguém parava.
Um grupo se desesperou com os gemidos e os gritos de dor e entrou na frente de um ônibus.
O motorista parou e levou algumas pessoas.

Assim, os bombeiros foram avisados e correram para o local a tempo de salvar alguns passageiros que estavam presos nas ferragens.
Um homem e uma mulher morreram no local.
Os corpos estão no IML de Ubá e não tinham sido identificados até o início da tarde.
Os documentos ficaram perdidos no ônibus tombado.

A Polícia Militar Rodoviária de Ubá também se deslocou para a rodovia.
O sargento Ércules Melo explicou que os policiais chegaram ao local e encontraram os bombeiros trabalhando e alguns passageiros sendo levados por ambulâncias para hospitais da região.
"Estava escuro e havia muitos feridos.
As pessoas estavam no acostamento, esperando para serem removidas" disse o policial que passou a madrugada na estrada acompanhando o trabalho de socorro.

Vinte e dois feridos foram encaminhados a hospitais de Ubá.
No Santa Isabel, 15 passageiros deram entrada.
8 tiveram alta cedo, 6 ficaram em observação e uma mulher de 60 anos foi internada com ferimento no pé.
Já no Hospital São Vicente de Paulo, 7 vítimas foram atendidas.
Duas ficaram internadas: uma com fratura na cabeça e outra no fêmur.
O restante ficou em observação e estava sendo examinado de novo por volta de dez da manhã.
A maioria deve ter alta agora à tarde.

Os representantes da empresa não tinham a lista de passageiros em mãos.
Ela também estaria perdida no veículo tombado.
Quanto ao motorista, não o encontramos em nenhum hospital.
Os funcionários da Unida disseram que ele estava em Rio Pomba, mas não quiseram explicar se foi ferido ou não.
Nenhum passageiro com quem conversamos percebeu excesso de velocidade antes do acidente.

As duas vítimas fatais foram identificadas como José Francisco Timóteo, de 50 anos, e Maria Emília de Souza Pereira, de 63 anos.
Dos 30 feridos levados para hospitais de Rio Pomba e Ubá, apenas quatro pessoas continuam internadas em Ubá.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Enem coincide com vestibular da UFJF

Por Michele Pacheco

O adiamento do Enem em função do vazamento da prova já foi um absurdo.
Mas, os estudantes terem que pagar por isso é demais!
O governo anda alardeando que as tropas vão proteger as novas provas.
Agora?!
Onde estavam elas quando alguém teve acesso às questões e tentou vendê-las?
Para piorar, a data do exame foi remarcada para dezembro, coincidindo com vários vestibulares.
Entre eles, o da UFJF (Univesidade Federal de Juiz de Fora).

Desde o anúncio da nova data do Enem, o Pró-reitor de Graduação, Eduardo Magrone, não faz outra coisa a não ser atender jornalistas.
O motivo é simples: o Exame está remarcado para os dias 5 e 6 de dezembro e a primeira fase do vestibular da UFJF já estava agendada para o dia 6.
A universidade publicou no edital que só aceitaria as notas do Enem, caso elas fossem apresentadas até o dia 8 de dezembro.

Esta lá, para quem quiser conferir.
Por isso, boa parte dos integrantes da equipe organizadora do vestibular 2010 da UFJF defende a manutenção da data prevista para o concurso e a não utilização das notas do Enem.
O Congrad, Conselho Setorial de Graduação foi convocado para discutir o problema.
Ele deve se reunir assim que o reitor Henrique Duque retornar de Brasília.
Lá, ele recebeu uma carta do Ministro da Educação pedindo o adiamento da primeira fase do vestibular.
Os conselheiros têm duas opções para votar: manter a data prevista e abrir mão do Enem, ou aceitar o pedido do governo federal e adiar as provas.

Aí, surge o problema dos estudantes.
De um jeito ou de outro, são eles que vão pagar a conta pela falta de segurança nacional quanto às provas.
Se a UFJF e outras universidades na mesma situação optarem por manter as provas agendadas, quem depende do Enem para entrar em outras instituições sai no prejuízo.

Por outro lado, quem optou pelo PISM e o Vestibular tradicional tem o direito de entrar na justiça contra as universidades que atenderem ao governo.
Motivo: privilegiar os estudantes do Enem.
Lembrando que, com o Exame, para 2010 os vestibulandos têm três opções de acesso ao ensino superior.
E todas devem ter os mesmos direitos.

Conversamos com alunos de um cursinho de Juiz de Fora e notamos que a insatisfação é geral.
Eles se prepararam o ano todo e, no momento de maior ansiedade, têm que dividir as atenções entre as disciplinas e a tensão do Enem adiado.
Conversamos com vários estudantes e eles não sabem o que fazer: se insistem no Enem e garantem entrada nas universidades que vão adotá-lo ou se abrem mão e ficam com as inscrições que fizeram para instituições em que o vestibular vai coincidir com o Enem.
Correndo o risco ainda do vestibular da UFJF ser adiado e acabar coincidindo com concursos de outras universidades.

O professor com quem gravamos entrevista disse que a ordem no cursinho é não dar opinião sobre a escolha, deixando a critério do aluno a opção que se encaixe melhor às necessidades dele e da família.
Por exemplo, se o estudante não tem condições financeiras de se manter fora da cidade, ele vai ter que avaliar se não é melhor insistir na UFJF e esquecer o Enem.

Por outro lado, se ele já se inscreveu para outras universidades que exigem as notas do Enem, não adianta se prender à federal de Juiz de Fora, caso ela decida não adiar a primeira fase.
Confuso?
Nem fala!
Resta apenas a esperança de que pelo menos os verdadeiros culpados de toda essa confusão sejam presos e punidos.

Universidades e as Mudanças no vestibular

USP Não vai mais usar a nota do Enem

Unicamp Não vai mais usar a nota do Enem

Unesp Data de prova específica para cursos de música, teatro e artes visuais pode ser alterada; reunião está discutindo o tema e também se vai usar nota do Enem ou não

UnB muda data do vestibular para 12 e 13 de outubro

Senac-SP Datas serão alteradas, mas calendário ainda está sendo definido

UFJF Estuda mudar data do vestibular; reunião do Conselho Universitário vai trazer decisão

UFSCar Instituição afirma que calendário não muda; uso do Enem segue o mesmo, de
50% da nota da primeira fase

Uems muda o vestibular para 13 de dezembro

Uneb muda o vestibular para 20 e 21 de dezembro

UEA muda o vestibular para 7 e 8 de dezembro

Fatec-SP muda o vestibular para 13 de dezembro

UFSC Vai alterar a data do vestibular; reunião do Conselho Universitário decide novos dias

UEL Não vai mudar data do vestibular, mesmo que coincida com o Enem

UFC Segunda fase do vestibular muda para 13 e 14 de dezembro

UFG Não sabe se nota do Enem continuará sendo usada; decisão do Conselho Universitário sai em 15 de outubro

UFRGS Calendário e uso do Enem não devem ser alterados

Unioeste Altera prova da segunda fase para 11 de dezembro, para não coincidir com o Enem

UFMS Calendário e uso do Enem não devem ser alterados

UFPE O Enem é usado como primeira fase do vestibular e isso não será alterado; calendário também não muda

UFBA Calendário e uso do Enem não devem ser alterados

UFRJ Calendário do vestibular não muda; uso da nota do Enem pode Ser alterado

FGV Ainda não decidiu se mudará data do vestibular, que coincide com o Enem

Cásper Líbero Reunião hoje decide se prova continua na mesma data, que coincide com o Enem, e se uso da nota do exame será mantido

UEMG Data do vestibular, que coincide com o Enem, deve ser alterada após reunião hoje

Unifesp Vestibular não coincide com Enem; instituição diz que uso da prova não muda

UFMG Calendário e uso do Enem não devem ser alterados

UFPR Calendário e uso do Enem não devem sofrer mudanças

PUC-Minas Não vai alterar uso do Enem; serão aceitas notas das provas de 2006, 2007 e 2008

Enem será realizado em 5 e 6 de dezembro
Unicamp não usará nota do exame

sábado, 3 de outubro de 2009

PM prende quadrilha que clonava cartões

Por Michele Pacheco

A Polícia Militar recebeu várias denúncias de uma quadrilha de estelionatários que estaria agindo em Juiz de Fora há oito meses.
Ainda não se tem idéia do prejuízo causado.
Nessa sexta-feira, os policiais estouraram no Bairro Nossa Senhora Aparecida, zona leste da cidade, uma central de clonagem de cartões.
Ela funcionava numa casa da rua São Tarcísio.

Vários equipamentos usados na clonagem foram apreendidos.
A forma de agir da quadrilha era muito bem organizada.
Os bandidos instalavam no comércio aparelhos conhecidos como chupa-cabra (que retém o cartão e armazena os dados dele) e dispositivos de captura de senha (aquele equipamento que parece um teclado e a gente usa para digitar a senha).

Os consumidores passavam o cartão para pagar compras e serviços e os dados eram armazenados e depois transferidos para um notebook.
Aí, era só voltar para a central e usar uma impressora moderna para imprimir os cartões com as informações, que depois eram vendidos.
Outra estratégia era deixar máquinas de passar cartão no comércio, com conivência de alguns comerciantes.
Essas máquinas são adulteradas.
Além de enviar os dados normalmente para a operadora de cartões, elas guardavam esses dados, que eram retirados pela quadrilha.

Os policiais apreenderam 54 cartões clonados, 30 cartões em branco, 6 cheques, cerca de 1200 reais em dinheiro, documentos de 6 veículos, 4 celulares e um rádio-comunicador, do tipo que pode sintonizar as frequências da polícia.
Além da casa no bairro Nossa Senhora Aparecida, a PM foi até outra moradia no bairro Francisco Bernardino, onde apreendeu 6 máquinas de passar cartão.

Três pessoas foram presas em flagrante.
Pelo que os policiais apuraram, o mentor da quadrilha é um comerciante de 20 anos.
Ele foi preso junto com outros dois homens.
Um auxiliar de escritório de 21 anos e um comerciante de 30 anos.
Eles não quiseram gravar entrevista.
Dois deles apontaram o comerciante de 20 anos como dono do material.

Segundo o Sub-tenente Luiz Colares, a operação deve ter desdobramentos, já que a quadrilha agia com cúmplices.
Ele contou ainda que alguns pendrives foram encontrados com os suspeitos.
Um deles, todo rosa com desenho da Minnie, está avaliado em R$1.200.
O valor elevado se deve ao fato do pendrive conter o programa e o esquema de uso dos equipamentos para a clonagem.
Ele estava sendo comprado por um dos jovens presos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

PM estoura fábrica de vinho falso em Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Por volta do meio-dia, a Polícia Militar chegou numa casa no bairro Filgueiras, zona nordeste de Juiz de Fora.
A denúncia era de que havia tráfico de drogas no local.
Os policiais encontraram dentro da casa 20 papelotes de cocaína, 7 pedras de crack, 40 mídias piratas e cercad e R$ 2.700.
Um pedreiro de 47 anos foi preso em flagrante.

O que os policiais não podiam imaginar era que, ao dar buscas no quintal, fossem encontrar uma fábrica clandestina de bebida.
Eles passaram por dentro da garagem e desceram uma escada de terra no barranco.
Debaixo da casa, havia uma espécie de depósito aberto, cheio de entulho.
Num canto, estavam garrafas, lacres e todo tipo de material para embalar o vinho falso.

Segundo os policiais, o pedreiro usava um tanquinho para deixar as garrafas de molho até os rótulos saírem.
Depois, elas eram retiradas e reservadas para receber a bebida.
Aí, era a vez de preparar a "receita caseira".
Ele misturava, também no tanquinho, suco de uva, essência de uva, corante e álcool, daqueles que usamos na limpeza e achamos no setor de material de limpeza nos supermercados.
Aquilo tudo era batido e colocado num tambor de plástico.

Depois de pronto, o "vinho" era posto nas garrafas.
O falsificador usava rolhas e lacres bem rústicos e colava o rótulo de uma marca de vinho que existe no mercado nacional.
Então, era só distribuir nos bares e restaurantes.
Ao lado da casa dele, havia um bar com várias garrafas.
O material foi apreendido pela PM e por fiscais da Secretaria de Atividades Urbanas.

O fiscal Evailton Pires explicou que ingerir aquele preparado é um perigo.
O vinho falsificado foi feito em condições precárias de higiene.
Além de problemas graves de intoxicação, o produto poderia até matar.
O que preocupa é saber que muita gente vai beber aquela porcaria pensando que se trata realmente do vinho pedido e não de uma falsificação grosseira.

Todo o material foi levado para a delegacia.
O pedreiro foi preso por tráfico e falsificação.
Esta foi a segunda vez que a Polícia Militar apreendeu droga com ele.
No ano passado, Paulo José Coelho da Fonseca foi preso numa casa na mesma rua.
Ele ficou pouco tempo na cadeia e foi liberado.

Protesto em Santa Rita de Jacutinga - MG

Por Michele Pacheco

Quando fiquei sabendo que teríamos que viajar para Santa Rita de Jacutinga para cobrir um protesto, a primeira coisa que veio à minha mente foi a dificuldade para chegar lá.
As lembraças que tinha eram de uma estrada de terra e pedras, cheia de curvas.
Fomos por Bom Jardim de Minas, caminho mais curto para quem sai de Juiz de Fora.
Assim que entramos na estrada, uma agradável surpresa: asfalto!

Não perdi tempo e lasquei o comentário otimista:
"Viu só, com essa estrada asfaltada a gente chega lá rapidinho. Está muito melhor do que a gente imaginava".
Segui sorridente por mais alguns quilômetros e...caí na real.
Eu tinha falado cedo demais!
O asfalto acabou e voltamos à boa e velha estrada de terra.
Claro que tive que ouvir do Robson a tradicional frase:
"porque você não deixa para falar no fim da viagem? Credo, parece que atrai!".
Eu ainda tentei me defender, lembrando que podia ser pior!

Eis que, de repente, a terra acabou e voltou o asfalto.
Acabou o asfalto e voltou a terra.
Esse vai e vem durou alguns quilômetros, até a lama vencer o asfalto.
Aí, foi um atoleiro só até Santa Rita de Jacutinga.
Tinha chovido e estava um mingau.
A estrada está sendo asfaltada e há muitas máquinas passando por lá.
Depois de pronto vai ficar bom, mas por enquanto...
Diante da cara feia do Robson ao volante, achei melhor evitar outros comentários e passei o tempo fotografando o lamaçal.

Meu marido parecia piloto de rally, concentrado em não sair da estrada nas curvas acentuadas.
O atoleiro puxava o carro para um lado, ele agarrava o volante, que parecia ter vontade própria, e tentava retomar o caminho certo.
E foi nessa batalha desleal até a entrada da cidade.
Respiramos aliviados e fomos para as entrevistas.

Os moradores chamaram a TV Alterosa para protestar contra o fechamento da unidade da Vale do Rio Doce.
Por 20 anos, a siderúrgica foi a maior fonte de renda do município de 5813 habitantes.
No mês passado, foi anunciado o fechamento.
Segundo o sindicato dos metalúrgicos de Santa Rita, 66 empregos diretos foram extintos, colocando em risco a economia da cidade.

O presidente da Câmara Municipal, Luiz Fernando do Vale, foi um dos organizadores do protesto.
Ele contou que a Vale recebeu muitos benefícios na época da instalação.
Em troca, deveria gerar empregos e renda.
Isso funcionou bem até agosto deste ano.
O fechamento da unidade pode significar a falência do município, que tinha a economia baseada numa única grande empresa, como ocorre com a maioria das cidades pequenas.

A revolta maior dos moradores é com a recusa da Vale em vender a unidade para outras empresas que estariam interessadas.
Segundo os funcionários, a informação passada é de que a Vale não teria interesse em vender, pois estaria colaborando com a concorrência.
A única parte que foi posta à venda foi a usina, doada pelo município.
Mas, ela não gera os empregos tão esperados.
A assessoria da empresa explicou que todos os direitos trabalhistas foram respeitados e que a
Vale demonstrou interesse em vender a usina.

Os manifestantes se reuniram na praça da estação ferroviária.
Foram feitos discursos de vários sindicalistas de Santa Rita de Jacutinga, Juiz de Fora e outras cidades da Zona da Mata e do Sul de Minas.
Foram eles que organizaram o movimento.
As pessoas mais velhas lembravam que esta é a pior crise que o município já enfrentou desde a fundação, em 1945.
Mas, durante as décadas, problemas parecidos foram registrados toda vez que uma empresa maior se instalava no local e depois fechava as portas.

Encontramos no protesto um casal com os filhos.
Mauro está entre os desempregados e contou que a situação é difícil.
Ele não tem onde procurar emprego na cidade e pode ter que se mudar.
Para ajudar o marido, a Rita está economizando ao máximo em casa.
Ela lamenta a demissão dele e conta que o nível de vida da família caiu muito.
"Meus filhos pedem as coisas e não temos como dar. Não sabemos como vamos ficar quando acabar o seguro desemprego" explicou a dona de casa.

Depois dos discursos na praça, os manifestantes seguiram com faixas e apitos pelas ruas do centro.
O comércio fechou as portas em apoio ao movimento.
O setor é o mais prejudicado.
Antes do fechamento da siderúrgica, R$ 150 mil circulavam pelo município todo mês.
O valor já caiu para R$ 80 mil e pode chegar a R$ 30 mil.

A passeata fechou o centro de Santa Rita e só parou na Câmara Municipal.
A idéia era aproveitar a Audiência Pública marcada sobre o assunto para cobrar das autoridades uma apuração rigorosa dos motivos que levam a Vale a não vender a unidade.
O presidente da Câmara decidiu pedir uma CPI para investigar a história do fechamento e cobrar da empresa um retorno pelos benefícios que ela recebeu na instalação.

Acabamos a matéria e nos preparamos para voltar a Juiz de Fora.
Eu não aprendo mesmo!
Vi os ônibus e vans da comitiva de sindicalistas da região, olhei para o Robson e mandei ver:
"Xiii! Se a estrada já estava ruim, imagine depois desse monte de veículo pesado ter passado por ela!"
Ah, se olhar matasse, ele teria cometido um "esposacídio".

Não é que eu estava certa?
A lama que antes estava lisinha e escorregadia, ficou cheia de ondinhas com o peso do ônibus.
Até seria bonito de ver, se a nossa Parati não fosse tão baixa e passasse raspando nos atoleiros.
A cada curva eu me perguntava (mentalmente, claro!) se seria ali que o Robson me colocaria para empurrar o carro.
E respirava aliviada a cada trecho superado.

Voltou a chover.
Além de se preocupar com a lama, os atoleiros, a chuva e a escuridão chegando, o Robson ainda foi premiado com uma névoa densa que baixou rápido das montanhas.
Eu até ia fazer um comentário, mas notei que o rosto do meu maridinho apresentava uma coloração entre vermelho vivo e roxo e achei melhor não arriscar.
Enfim, chegamos em Bom Jardim de Minas e retomamos o tão esperado asfalto.
Nem preciso dizer que a Parati estava tão coberta de lama que nem dava para ver a cor dela.