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JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Acidentes deixam 5 feridos em Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Hoje, a tarde foi acidentada em Juiz de Fora.
Estávamos voltando da zona sudeste da cidade, quando nos avisaram sobre um carro forte que tinha batido num poste no bairro Mariano Procópio.
Fomos para lá.
No caminho, a Carla Detoni, produtora, ligou passando a mesma notícia.
Ficamos mais confiantes de que era verdade.

Mas, no local, descobrimos que não havia nenhum carro forte.
O motorista de um Voyage bateu num poste, que quase tombou.
O carro ficou em péssimo estado.
Os policiais militares encarregados de registrar a ocorrência disseram que o homem foi socorrido pelos bombeiros e levado para o Hospital de Pronto Socorro.
Segundo parentes, ele disse ter passado mal e perdido o controle do veículo.

Acabamos de fazer as imagens e apurar os dados e já estávamos deixando o local do acidente, na Avenida Brasil, quando um taxista assustado parou e avisou aos policiais militares que havia outro acidente atrás da rodoviária.
Pegamos os dados e fomos para lá.
No meio do caminho, encontramos uma ambulância do Resgate e carros dos bombeiros indo na mesma direção.
No bairro São Dimas, na zona norte, a batida era parecida com a primeira.

O motorista de um Gol, daquele modelo mais antigo, perdeu o controle da direção após uma curva e bateu num poste.
Os três passageiros ficaram feridos.
O motorista nem teve arranhões.
A cena que encontramos era de caos total.
As vítimas ensanguentadas sentadas na calçada, os curiosos se acotovelando para ver mais de perto e o carro destruído.

Havia três homens machucados na calçada.
Um deles, mais idoso, estava com o rosto muito ferido, coberto por sangue.
Ele foi a vítima em pior estado.
Teve traumatismo com afundamento craniano.
Foi imobilizado e colocado numa ambulância do SAMU.
Os socorristas estavam visivelmente preocupados com ele.
O homem ficou internado em estado grave.

Outro passageiro estava atordoado e tinha o lábio inferior cortado até o queixo.
O ferimento sangrava muito e ele parecia anestesiado pelo choque.
A terceira vítima estava apenas com um corte na testa.
Quem viu o carro teve a impressão de que nenhum dos feridos usava cinto de segurança.
Perguntei ao policial militar que registrava a ocorrência se ele sabia algo a esse respeito.
Fomos até o veículo, olhamos e não vimos sinal de que o cinto estivesse sendo usado na hora da batida.

O motorista não quis gravar entrevista.
Ele disse que não lembrava direito o que tinha acontecido.
Só lembrava de ter feito a curva para entrar na rua e ter sido fechado por um caminhão com baú.
O homem estava muito nervoso e acabou sendo levado para o hospital junto com o passageiro que teve menos ferimentos.

Uma moradora acompanhou de casa o acidente.
Ela negou que algum caminhão ou outro veículo estivesse envolvido na batida.
"Eu estava na varanda da minha casa e vi o Gol entrando na rua, depois do sinal.
Ouvi o barulho e achei que o carro tivesse batido apenas no meio-fio.
Depois, vi que tinha sido no poste.
O que não entendo é que o homem que saiu de trás do volante não é esse que está se apresentando como motorista" explicou a mulher ainda assustada com o acidente.
Os policiais militares e os bombeiros acreditam que ela tenha visto o passageiro saindo pela porta do motorista, já que o carro é antigo, modelo duas portas.

Uma cena que nos chamou atenção foi o trabalho de equipe ágil e competente feito pelas equipes dos bombeiros e do SAMU.
Ao contrário do que foi visto há pouco tempo em Belo Horizonte, quando uma vítima morreu esperando socorro enquanto as equipes brigavam para ver quem a levaria ao hospital, em Juiz de Fora o clima é de harmonia.
Os bombeiros e os profissionais do SAMU dividiram as tarefas e deram apoio uns aos outros para agilizar o socorro e evitar que a situação dos feridos se agravasse.

A médica Isabel Venâncio, do SAMU, se desdobrava para atender a todos.
Com a competência que a tornou famosa no meio policial e médico, ela examinou a todos, avaliou a gravidade de cada um, chamou mais uma ambulância para levar o terceiro ferido e o motorista ao HPS...
Fez tudo isso, sem perder a calma e sem elevar a voz com ninguém.
E ainda encontrou tempo entre os atendimentos para conversar conosco sobre o estado aparente das vítimas.

Conhecemos a Isabel há um bom tempo e nossa admiração por ela só cresce.
Acho que é um exemplo de amor à profissão.
Como outros médicos que trabalham no socorro a acidentados, ela convive com situações extremas, sem perder a humanidade e o desejo de salvar vidas.
Os bombeiros também estão de parabéns por mais um trabalho sério e bem realizado.

Quanto a nós, da imprensa, temos um desafio grande nesse tipo de cobertura.
Temos que registrar as melhores imagens, mas sem prejudicar o trabalho de quem presta o socorro.
Não tem cabimento sair empurrando o microfone no nariz dos acidentados para saber o que ocorreu.
Há momento certo para tudo.
Se uma das vítimas está em melhor estado, converse com ela.
Apure o máximo que puder. Se ela quiser gravar entrevista, ótimo.
Se não quiser, pelo menos temos as informações para a matéria.

Não acho justo atrapalhar o serviço dos socorristas.
Um minuto perdido pode fazer diferença entre a vida e a morte.
Para o pessoal da imagem é mais difícil.
O Robson tem que ficar de um lado para o outro da área de atendimento.
Ele registra cada detalhe, cada gesto, sem incomodar quem está em ação.
É complicado, mas possível.
Basta ter bom-senso e profissionalismo.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Óleo na pista causa acidentes em Juiz de Fora

Por Robson Rocha

Hoje chegamos na tv e as pautas eram tranqüilas.
A primeira matéria era sobre reclamação de moradores no bairro Olavo Costa, depois duas gravações sobre manifestações, uma de servidores da UFJF e outra dos funcionários do Fórum.
Mas, tudo mudou quando estávamos saindo da TV.
A Michele recebeu uma ligação de um amigão nosso, dizendo que havia um carro capotado próximo ao antigo Pronto-Socorro.

Saímos da TV e demos de cara com um congestionamento na rua Santo Antônio, no centro de Juiz de Fora.
Logo à frente, nos deparamos com os bombeiros jogando serragem no asfalto que parecia sujo de óleo.
Isso, no trecho de subida da Santo Antônio, entre as ruas Oscar Vidal e Espírito Santo.
Paramos o carro atrás da viatura dos bombeiros para tentar descobrir o que havia acontecido.

Um dos bombeiros explicou para a Michele que um caminhão teria derramado óleo por várias ruas do centro da cidade e que moradores teriam acionado os bombeiros porque os carros não conseguiam subir a via.
Eles derrapavam no asfalto e voltavam de ré.
Estava tão escorregadio que estava difícil gravar as imagens dos militares jogando a serragem na pista para absorver o óleo.

A Michele comentou que estávamos indo gravar um carro capotado na avenida dos Andradas e o bombeiro disse que o acidente teria acontecido devido ao óleo na pista e que teria vazado do mesmo caminhão que derramou na Santo Antônio.
Com a confusão no trânsito, seguimos para a avenida dos Andradas.

Chegando lá, pista fechada e os bombeiros jogando terra no asfalto para absorver o óleo.
O nosso amigo André Bertoldo, técnico da Rede Record Minas, parou o carro ao lado da nossa Parati e fez a mesma pergunta que todos faziam.
O que tinha acontecido, porque aquela bagunça toda?
Depois de uma explicação rápida, rápida mesmo, comecei a gravar.

A Michele seguiu até onde estava o Chevette capotado e logo conseguiu a explicação para o acidente.
Um caminhão teria derramado óleo na pista e o motorista do Chevette disse que depois de fazer a primeira curva perdeu o controle do carro, capotou quatro vezes, bateu em um canteiro e parou virado de lado.
Ele não se feriu.

Um frentista disse que um motociclista não teve a mesma sorte.
Pouco antes ele derrapou na pista, caiu com a moto e se machucou.
A vitima não quis gravar entrevista.
O frentista ainda disse da sorte do carro não ter ido para a calçada do outro lado da rua onde o movimento de pedestres é grande.

A Michele gravou as entrevistas e a parte em que ela contava a história.
Gravamos entrevista com o sargento Brugguer, que nos avisou de mais dois acidentes à frente, mas sem gravidade.
Um problema que a policia enfrentou foi a falta de informações ou informações desencontradas sobre o caminhão.
Uma testemunha chegou a afirmar que se tratava de um caminhão de uma transportadora de combustível.
Mas, a história foi logo esclarecida.

O caminhão havia sido abordado em um antigo posto de combustíveis, no bairro Cerâmica e o motorista trapalhão estava detido no local.
Registramos a outra batida e fomos para o bairro Cerâmica.
Pelo caminho, quase que outros carros se acidentaram.
Um fusca quase bateu na Parati da TV.

Mas, voltando à história, chegamos no local e o motorista não queria que gravasse o caminhão.
Expliquei a ele que iria gravar e preservaria apenas a imagem dele.
Aí, veio a surpresa.
O caminhão não transportava óleo.
O que vazou por oito quilômetros de vias da cidade era gordura vegetal.
Fui gravar a carga e, mais uma vez, o motorista não queria que gravasse.

O material era transportado em uma espécie de saco plástico tamanho família e amarrado com arame.
Eram 280 quilos de gordura vegetal hidrogenada que escorriam pela traseira do caminhão e já faziam uma poça no chão.
A tal da gordura no chão escorrega de verdade!
Tínhamos que tomar cuidado pra não cair.

O motorista não falou muito.
Mas, disse que pegou a carga numa empresa no bairro Benfica, na zona norte de Juiz de Fora, e iria pra Contagem, na Grande BH.
As notas pareciam estar corretas e informavam que a carga de gordura e farinha seria devolvida ao fornecedor.

Porém, o caminhão não tinha a documentação de 2009.
Os policiais que registraram a ocorrência fizeram duas autuações:
a primeira pela falta de documentos e a segunda por derramamento de carga na pista.
Esta última rendeu multa gravíssima, de 180 Ufirs, e teria rendido a apreensão do veículo.
Mas, a legislação permite que, em caso de carga perecível, o caminhão seja liberado.
Esperamos para gravar com os responsáveis pela transportadora e pela empresa dona da carga. Mas, ninguém apareceu por lá.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Chuva causa inundações, soterramento e acidentes em Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

O temporal começou por volta de nove da noite dessa segunda-feira.
No início, era só uma garoa.
Depois, foi piorando e virou uma tempestade.
A zona leste de Juiz de Fora foi a região mais atingida no município.
45 ocorrências foram registradas pela Defesa Civil na área.
O bairro Linhares foi o mais prejudicado, com 10 registros, seguido por Grajaú, com 8, e Vila Lapina, com 5.

No Linhares, a rua Diva Garcia ficou alagada em frente ao Posto Policial.
Quem estava na rua, teve que se proteger debaixo das marquises.
Mas, isso não impedia que ficassem encharcadas cada vez que um carro se arriscava no alagamento.
O córrego do Yung transbordou e a água se espalhou por toda a parte baixa do bairro.

Um motoqueiro precisava passar e a saída encontrada por ele foi a calçada.
O rapaz foi aos poucos, lutando contra a correnteza quando chegou perto do córrego e conseguiu passar.
Outros desistiram diante do risco.
Os carros que estavam estacionados foram cercados pela água.

Por volta de dez e meia da noite, no bairro Bom Jardim, a enxurrada que descia da parte alta do bairro transformou ruas e calçadas em corredeira.
A força da água formava redemoinhos ao redor dos postes.
Muitas motoristas ficaram parados na Diva Garcia, esperando a água baixar um pouco para tentar passar.
Outros, preferiram seguir pela contramão em direção ao centro da cidade.

No bairro Três Moinhos, mais estragos.
Ruas alagadas, casas inundadas, quedas de barreiras.
A passagem para o centro teve que ser interditada, por conta de um barranco que deslizou e de áreas de alagamento.
Muitas famílias passaram a madrugada tirando lama e água de dentro de casa.

No Vitorino Braga, a força da enxurrada abriu buracos em vários pontos.
O asfalto levantou e se quebrou onde os bueiros não deram conta da quantidade excessiva de água.
Algumas tampas quebraram e saíram do lugar, deixando buracos enormes abertos.
Um perigo para veículos e pedestres.

Os comerciantes passaram a madrugada limpando as lojas invadidas pela enchente.
O dono de uma papelaria reuniu um monte de revistas e jornais molhados e acumulou tudo na calçada.
Ele disse que ainda levou muita coisa para casa, a fim de ver se consegue salvar parte da mercadoria depois que secar.
O comerciante calcula prejuízo de seis mil reais.

Os bombeiros foram chamados para socorrer uma família presa dentro de um carro que caiu numa vala.
O acidente foi no bairro Bandeirantes, zona nordeste da cidade.
O motorista, de 29 anos, a mulher dele, de 30 anos, e os filhos, uma menina de 6 meses e um menino de 6 anos, estavam indo para casa.
Na rua Aurora Tristão, o temporal inundou a pista e o jovem não viu a cratera.
O buraco foi aberto para manutenção na rede de água ou esgoto e fechado com terra.
A chuva forte antes do asfaltamento lavou a terra e abriu a cratera.
Os quatro foram socorridos e levados para o Hospital de Pronto Socorro.

No centro da cidade, a Avenida Rio Branco, uma das mais movimentadas, ficou engarrafada por quase quatro horas.
O problema foi a inundação do Mergulhão.
Os carros não conseguiram passar e houve confusão no tráfego das ruas no entorno do Largo do Riachuelo.

Os motoristas de ônibus estacionaram os veículos na pista central e ficaram de prontidão, esperando a água baixar para poderem seguir no trajeto de cada um.
A fila era longa quando chegamos.
Os motoristas estavam do lado de fora, vigiando a chuva forte.
Agentes trânsito sinalizaram a área e impediram a passagem pelo trecho até a água escoar.

Nas ruas ao redor, estava difícil passar.
A gente tentou pela Francisco Bernardino.
Mas, o trânsito parado não parecia voltar ao normal tão cedo.
Seguimos para a Rio Branco e notamos que a situação era pior.
Não havia para onde correr.
Seguimos então em direção à zona norte, demos uma volta imensa e paramos do outro lado do Mergulhão para fazer imagens.

Hoje cedo, voltamos aos locais onde estivemos durante a noite.
No Linhares, duas máquinas ajudavam os funcionários do Demlurb, Departamento de Limpeza Urbana, a raspar a lama agarrada no asfalto.
A rua Diva Garcia, em frente ao Posto da PM, foi um ponto complicado para limpar.
A enxurrada passou, deixando para trás quase um metro de lama e lixo.

Na esquina das ruas Lamartine Ferreira Leite e Itália, os moradores contaram que sempre são prejudicados.
Basta chover forte, para que as casas fiquem inundadas.
Uma família que mora de aluguel perdeu todos os móveis.
A Cleuza Carvalho contou que estava dormindo e acordou com o barulho da enxurrada entrando na casa.
Com medo de ficar ilhados, os moradores arrancaram uma grade para que a vizinha da casa de cima pudesse entrar para ajudar na retirada das crianças.

Na parte alta do bairro Linhares, os moradores reclamaram que uma rua aberta num loteamento seria o motivo da enxurrada de lama que desce por alguns terrenos.
Fomos em duas casas e vimos que realmente eles têm motivos para reclamar.
Uma cuidadora de idosos ficou ilhada dentro de casa, com duas frentes de deslizamento de cada lado, a escada destruída pela força da água e lama para todo lado.

No bairro Três Moinhos, além de muito barro espalhado, a rua Diva Garcia ficou interditada devido a um deslizamento de terra.
O barranco cedeu por volta de onze da noite de ontem.
O barro só foi retirado no meio da manhã de hoje.

A ocorrência mais grave registrada pela Defesa Civil foi no bairro Alto Grajaú.
Na hora do temporal, um aposentado de 77 anos estava sozinho em casa.
O barranco deslizou, derrubou as paredes e o telhado da casa e o homem ficou soterrado.
Ele foi socorrido pelo genro.

O rapaz desceu no meio dos escombros, no escuro, correndo o risco de também ficar soterrado e correu para ajudar o sogro.
O aposentado foi levado para o hospital, medicado e liberado.
Ele está na casa de parentes.
Pela manhã, ainda estava muito abalado e a família não permitiu que conversasse com os repórteres.

O prédio na parte de cima do barranco foi interditado pela Defesa Civil.
Os moradores deixaram o local.
Dez crianças estão com os pais na sede da Associação de Moradores do Alto Grajaú.
O presidente da associação disse que eles têm apoio da prefeitura, mas reconhece que se a situação se prolongar, vai ficar complicado.
A previsão é de mais chuva para os próximos dias.