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JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Volta ao trabalho

Por Robson Rocha

Depois de um mês maravilhoso de férias, na quarta-feira, voltamos ao trabalho.
Bem, o corpo voltou.
Mas, o espírito está se acostumando aos poucos.
O calor está infernal.
Pra ajudar, uma das matérias foi em Astolfo Dutra.
Aécio Neves, em campanha política, inaugurou uma obra eleitoral.
A estrada que liga Cataguases a Piraúba foi inaugurada.

O Carlos Candeia pilotou o carro da TV e foi mais tranqüilo o deslocamento.
Porém, o calor que fazia em Astolfo Dutra era insuportável.
Dizem que não se nega água a ninguém.
Mas, uma moradora nos negou.
Ainda bem que a maioria dos moradores das proximidades do campo da cidade é gente boa e nos arrumou o líquido precioso.

Tirando o calor, uma das matérias dessa semana nos chamou atenção e foi exclusiva do Jornal da Alterosa.
Um morador do bairro Vila Esperança II, zona norte de Juiz de Fora, nos ligou informando que um homem mantinha a filha como refém e ameaçava explodir a casa.
Quando chegamos ao local, o homem já havia se entregado.

Tivemos que fazer a matéria às pressas.
A Michele não teve tempo para escrever o texto.
Enquanto ela fez uma rápida apuração, comecei a registrar as imagens e gravamos em plano-sequência..
Foi tudo realmente muito rápido.
Isso, porque a criança estava dentro da viatura de resgate dos bombeiros sendo desintoxicada e precisava ser levada a uma unidade de saúde.
Pois, o pai tinha aberto o gás e a menina de dois anos respirou o GLP durante mais de vinte minutos.
Por sorte não houve problemas maiores.

Mas, a mãe da criança nos contou que o marido não aceitava a separação.
Por já ter sido agredida por ele, ela disse que está sob proteção da lei Maria da Penha e que o marido teria que manter uma distância de pelo menos cem metros dela.
Mas, ele invadiu a casa da sogra, pegou a criança e começou as ameaças.
A mulher conseguiu fugir da casa e chamar a PM.

Segundo o tenente Vilaça, quando os policiais chegaram ao local, o cheiro de gás era muito forte e o homem estava muito agitado.
Segundo o PM, não daria pra afirmar que o homem tivesse usado droga, mas os sintomas eram semelhantes ao efeito da cocaína.
Por segurança, o tenente pediu para não tentarmos gravar entrevista com o homem, pois ele tinha acabado de se render depois de momentos de tensão e poderia por tudo a perder se exaltando novamente.

Méritos para o Cabo Luiz Filho, da173a Cia., que conhecemos como Bento.
Foi ele que negociou com o pedreiro de 28 anos.
A negociação começou pela janela.
Ele ganhou a confiança do homem e conseguiu entrar na casa.
O pai estava com a criança no colo, uma tesoura apontada para a menina e com o isqueiro apontado para a saída do gás.

O cabo conseguiu inicialmente que o homem soltasse a tesoura e, depois de uma longa negociação, o pedreiro fechou o registro do gás.
Logo em seguida, se rendeu e entregou a criança.
O pai foi levado para a delegacia onde teve o flagrante ratificado.
Ele está no Ceresp de Juiz de Fora, à disposição da justiça.
Já a criança, graças à competência do Cabo Luiz Filho, não teve nenhum problema.

Mas, a semana de volta ao trabalho teve coisas bacanas.
Gravamos uma matéria sobre uma exposição que tem como tema a Banda Daki.
A entrevista foi com José Carlos Passos, o Zé Kodak, que é o General da Banda.
Aliás, o Zé Kodak, como já disse, já merecia uma estátua no Largo do Riachuelo.
Porque ele é a imagem do carnaval de Juiz de Fora.

No sábado, a primeira matéria foi muito legal.
O SBT selecionou em Juiz de Fora candidatos para participar do programa “Qual é o seu talento?”.
Foram escolhidos vários artistas que vão para São Paulo concorrer a um prêmio de 200 mil reais em ouro.
Isso, fora a simpatia do André Vasco.
O cara é nota dez e ficou apaixonado pelo torresmo do Bar do Bigode.
Pra fechar, tínhamos que cobrir o jogo do Tupi com a Caldense, de Poços de caldas.
E não é que o Galo Carijó surpreendeu até o mais otimista dos torcedores e deu um chocolate de cinco a um.
Aí, o trabalho é mais prazeroso, né?

A galera da fotografia que trabalhava no campo parece que não acreditava no resultado.
O ar era de felicidade geral.
Com o placar parece que até o calor diminuiu.
Carlos Mendonça e o Leonardo Costa aproveitaram o intervalo para comentários.

O Leonardo Costa fotografava para o jornal Estado de Minas e não escondia a felicidade, acenando para conhecidos na arquibancada.
Ele nem viu, mas lá da cabine registramos a foto.
Agora, vamos esperar o próximo jogo e que o Tupi continue vencendo e convencendo.

Esses jogos do Campeonato Mineiro têm outra vantagem.
Encontramos equipes de várias emissoras.
É sempre legal trocar idéias e experiências.
Dessa vez, além dos colegas da TVE Juiz de Fora, dividimos nossa cabine com o pessoal da TV Poços, da Rede Minas.
A equipe veio acompanhar o time do Sul de Minas e batemos um papo sobre equipamentos e cobertura esportiva.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Inverno em Paris - Da guerra de neve em Versailles às Catacumbas

Por Michele Pacheco

Quando eu e o Robson decidimos dar um presente inesquecível de aniversário de 15 anos à filha dele, concordamos que era melhor fazer uma viagem curta, para ver se eles iriam curtir.
Ficamos uma semana em Paris e a vontade era de prolongar as férias indefinidamente.
A Cidade Luz é maravilhosa em todas as estações.
Mas, no inverno tem um charme especial.
Se um dia conseguirmos voltar lá, com certeza vamos dar preferência aos meses de frio.

Nos últimos dias de viagem, queríamos registrar na memória cada detalhe, para nunca esquecer.
Depois de passar a segunda-feira na Disneyland Parc, em Marne-La-Valée, fizemos outra viagem pelos arredores na terça.
O roteiro escolhido foi Versailles.
Mais uma vez, optamos pelo RER.

A viagem é barata, rápida e confortável.
É uma ótima idéia para escapar do trânsito complicado de Paris e das excursões, que são bem mais caras.
Os viajantes encontram inúmeras opções de agências de turismo e empresas que fazem esse tipo de trajeto.
Mas, não vale a pena.
O trem é muito bom e nos dá a oportunidade de admirar detalhes cotidianos dos moradores.
Como estávamos no Quartier Latin, pegamos o RER na estação Saint Michel-Notre Dame.

A viagem foi rápida. Cerca de 40 minutos.
O trem não estava cheio.
Descemos na estação em Versailles e caminhamos dois quarteirões até o palácio.
É fácil e não tem como errar.
As calçadas são largas e dá para caminhar sem problemas pela distância mínima e cheia de prédios históricos pelo caminho.
O palácio construído por Luis XIV é deslumbrante e serve como aula de história in loco.

Ao escolher o tipo de ingresso, optamos pelo mais simples, que dá acesso ao palácio, com direito ao guia eletrônico.
Há ainda ingressos que dão direito a exposições e a outros pontos do jardim.
O guia é como um walk-man que oferece explicações em várias línguas, inclusive o português.
Cada sala ou espaço visitado tem um número.
É só discar no aparelho e esperar as descrições das obras de arte e de tudo o que se passou em cada aposento.

Eu e o Robson nos distraimos várias vezes com os ambientes requintados e tínhamos que parar para esperar a Paula.
Ela estava em estado de graça.
Parecia perdida em outro mundo.
O duro era tirá-la do transe histórico para se posicionar para alguma foto, enquanto os demais turistas não apareciam.

O que chamou a atenção do Robson e da Paula foi o tamanho do trono e das camas dos Reis e das Rainhas.
Realmente é difícil imaginar como alguém conseguia se sentir confortável em móveis que mais parecem um sofazinho do que uma cama.
As curiosidades sobre os aposentos são muitas.
O narrador nos contava, com a cumplicidade de quem passa adiante uma fofoca, os detalhes que passavam despercebidos, como a porta por onde Maria Antonieta fugiu dos revoltosos.

Conhecemos também a galeria das guerras.
Ela foi elaborada depois da Revolução Francesa e da morte de Napoleão.
Nas paredes, quadros gigantescos reproduziam cenas das principais batalhas enfrentadas pela França na história do país.
O general que se considerava Deus e tentou conquistar o mundo ganha lugar de destaque.
Um dos lados do longo corredor é repleto das glórias e da derrota de Napoleão.

Do lado de fora do prédio, fomos surpreendidos por uma imensidão branca.
Confesso que achei os jardins mais bonitos no verão, com as fontes jorrando e inúmeras estátuas pelo caminho.
No frio, os lagos e fontes estavam congelados e as decorações cobertas para evitar estragos.
Mas, o inverno tem uma vantagem.
A neve!
E nós tivemos o privilégio de pegar o inverno mais rigoroso dos últimos 20 anos na França.

Nenhum turista resistiu à tentação de fazer uma guerra de bolas de neve.
A Paula não perdeu tempo e se sentiu o máximo achando que venceria o Robson.
Terrível engano!
Ele é maior e mais rápido.
Sem falar que as mãos maiores pegam mais neve.
Os dois se divertiram bastante.
A Paula corria atrás dele e só se dava mal.
Para cada bola lançada, ela era atingida por outras duas.
Sem falar nas bolas perdidas, vindas das batalhas em volta.
Pessoas de várias nacionalidades e línguas se misturavam na brincadeira, sem na verdade se unirem nela.

Depois de quase meia-hora de "guerra", a Paula estava toda branca e eu não conseguia deixar de rir.
Claro que me dei mal.
Os dois cansaram de trocar boladas e resolveram me incluir na batalha, mesmo a contragosto.
Meu sobretudo ficou coberto de neve e tratei de espaná-la rápido, antes que derretesse e eu ficasse molhada.

Passeamos bastante pelos jardins gelados.
Depois, almoçamos nos inúmeros restaurantes que existem nos quarteirões entre o palácio e a estação.
Voltamos a Paris e aproveitamos para olhar mais um pouco as vitrines.
Quando os franceses falam em "Liquidação de Inverno" acredite!
No Brasil, os preços são colocados e os comerciantes decoram as vitrines com letras graúdas anunciando as promoções.
No fundo, a gente fica com a sensação de que não teve quase nenhum desconto.
Mas, em Paris, é bem diferente.
Os preços na roupa indicam o valor antigo e o quanto custará com o desconto.
Algumas lojas chegavam a reduzir em 70% os valores dos produtos.
Dava vontade de comprar tudo.
Mas, não havia espaço suficiente nas bagagens.

Na quarta-feira, passeamos pela praça da Bastille, no Marais.
Lá ficava a famosa prisão, demolida durante a Revolução Francesa.
Nela, os maus-tratos representavam para o povo a tirania do Rei Luis XVI e da Rainha Maria Antonieta, que desperdiçavam dinheiro em festas grandiosas, enquanto o povo passava fome.
Foi uma caminhada agradável.
Tiramos foto na Colonne de Juillet, uma coluna oca de 51,5 metros de altura, no centro da praça, lembrando os mortos nos choques das ruas, em 1830.
Debaixo dela, estão restos mortais de 504 vítimas da batalha.

Fomos até a Place Des Vosges.
Construída há 400 anos, a antiga Place Royale mantém a mesma simetria de 36 casas ao redor, nove de cada lado.
Todas são feitas de tijolos e pedras, com telhado de ardósia e janelas estreitas e altas.
O local estava com bastante neve ainda e aproveitamos para sentar num dos inúmeros bancos e admirar a arquitetura.
Lá fica também a Maison Vitor Hugo, onde o escritor morou de 1832 a 1848.
Lá, escreveu a maior parte de Os Miseráveis. Hoje, é um museu.

Terminamos o dia passeando pelo Les Halles.
Além dos prédios diferentes e das estruturas modernas da praça, demos uma volta pelo shopping, que é um dos maiores da Europa.
O Robson parecia criança nas lojas de aparelhos eletrônicos.
A TV de LED, que é um sonho de consumo dele, estava três vezes mais barata do que no Brasil. Mas, ficamos com receio do imposto que teríamos que pagar na alfândega e desistimos.
Sei que o coração dele, pelo menos a parte consumista, ficou por lá!

No último dia em Paris, fomos conhecer as Catacombes.
O ponto turístico aparece em poucos guias e sites.
Encontramos por acaso numa revista só sobre Paris e decidimos ver de perto.
Como era próximo do Quartier Latin, fomos à pé.
Mas, quem preferir pode ir de metrô ou RER (Denfert-Rochereau).
A área das catacumbas tem 11 mil metros quadrados.

Caminhamos por dois quilômetros de labirintos, a mais de 11 metros de profundidade.
De início, você acha que a escada em caracol não vai acabar nunca e que o centro da terra está chegando.
A gente roda, roda, roda...
Até ter a noção de que está a muitos palmos de terra abaixo da superfície.
Claro que bate aquela falta de ar e a sensação de claustrofobia.
Mas, a ventilação é perfeita e logo a curiosidade ocupa todo o espaço do desconforto.

Com o crescimento de Paris, os antigos cemitérios foram desativados.
Onde abrigar todos os ossos era um desafio.
Ainda no século XVIII, foi construída a catacumba.
O labirinto de corredores revela um mundo debaixo da cidade.
Muitos trechos ficam fechados ao público.
O quartel general da resistência ficava ali, durante momentos conturbados da história francesa.
Dava para imaginar homens armados passando de um lado para o outro e saindo em pontos diferentes da cidade, surpreendendo o inimigo.
É surpreendente o que foi feito com os ossos.
Como a cidade na superfície respira arte, no subterrâneo não seria diferente.
Esculturas elaboradas foram feitas com as ossadas.
Crânios e outros ossos decoram as paredes.
Na entrada, uma mensagem esculpida em mármore alerta: você está entrando no reino dos Mortos.

Seria horripilante, se não fosse tão bonito e curioso.
Pelas paredes, entre as esculturas macabras, estão poemas de autores de diferentes séculos sobre a morte.
Algumas pessoas podem pensar que esse é um passeio muito estranho, mas vale a pena.
Em momento algum a gente fica deprimido, pensando em morte.
Pelo contrário, dá uma sensação boa de paz e de respeito com os mortos.
É Paris nos encantando de todas as formas possíveis.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Disney em Paris - Magia com sotaque francês

Por Michele Pacheco

Eu e o Robson queríamos fazer uma surpresa para a Paula no dia do aniversário dela.
A viagem já era a realização de dois sonhos: conhecer Paris e o Louvre.
Ficava sobrando o sonho de ir à Disneyland.
Resolvemos juntar tudo numa viagam só.
Reservamos a segunda-feira, dia do aniversário, para o passeio na Disney Park, em Marne-La-Vallée, a 35 minutos do centro de Paris.

Quem quiser conhecer, é muito fácil.
Fomos de trem.
O RER, linha vermelha, passa por vários pontos centrais.
Pegamos o trem na estação Chatellet-Les Halles, que ficava mais próxima do nosso hotel.
O vagão é confortável e a viagem muito interessante.
Boa parte do trajeto é feita na superfície, o que nos permitiu admirar a vida cotidiana dos franceses.

Só na chegada, quando tínhamos que definir se iríamos ao Disneyland Park ou ao Walt Disney Studios Park, é que a Paula percebeu o que era a surpresa.
Claro que adorou.
Vale a pena dar uma passada por lá.
Optamos pelo Disneyland Park, porque ela queria aproveitar ao máximo os brinquedos e achava que não haveria tantos no outro parque.

A Disney Paris, como é conhecida, é bem menor do que os parques americanos.
Mas, eu até que gostei.
Assim, ficou mais fácil conhecer tudo em um dia.
Não deu para ir em todos os brinquedos, mas fomos nos que mais nos interessavam.
As montanhas russas foram as mais divertidas.

Fomos na Big Thunder Mountain, que reproduz uma mina abandonada.
Foi muito bom.
A Paula se divertiu bastante e tive a certeza de que a ida tinha sido uma boa escolha.
Depois, fomos à montanha russa do Indiana Jones.
Ela se inspira no filme "Indiana Jones e o Templo da Perdição".
A sensação é de estar entrando junto com os personagens do filme naquele vagão desgovernado dentro da mina onde as crianças trabalhavam como escravas.
Tem um looping muito bom.

Tiramos foto com personagens da Disney, fizemos compras, lanchamos e só saímos de lá quando as luzes começaram a se apagar, às seis da tarde.
Lamentamos apenas que a Space Mountain estivesse parada.
A funcionária informou que havia tido um problema técnico.
Fiquei frustrada.
Ela é a montanha russa mais alta e mais radical do parque.

Passamos pelas cinco divisões do Disneyland Park: Frontierland, Adventureland, Fantasyland, Discoveryland e Main Street.
Quem viajar com crianças vai encontrar no parque boas opções de entretenimento.
Há muitos brinquedos mais leves, que as crianças adoram.
Para completar, vimos a tradicional parada com os personagens da Disney.
Foi um dia maravilhoso.