A primeira foi uma reunião convocada pelas secretarias municipais de Saúde, Atividades Urbanas e Educação.
um recorde histórico na cidade.Já são 2154 notificações e 1296 confirmações.
Donos de terrenos que tenham focos de dengue podem ser multados.Com a dificuldade para se localizar os donos, fica difícil saber a quem enviar a multa.
um amigo da polícia militar, que está sempre bem informado, de que havia um protesto de moradores contra a dengue no Jardim Esperança, zona sudeste da cidade.Sujeito operacional e ágil para lidar com os casos que pega.
Só não cito o nome dele aqui, para não criar problemas para ele.
De longe, dava para ver a coluna alta de fumaça preta, indicando o ponto onde pneus estavam em chamas.A fumaça preta se espalhou rápido e o calor era intenso.
de forma pacífica, acompanhando o desenrolar do protesto.Os pacientes com sintomas da dengue têm que ir a outros postos para receber atendimento, o que piora a situação deles.
Entre os manifestantes, encontramos dezenas de casos de pessoas que estão com a família inteira doente.
revoltados com o que chamaram de descaso da prefeitura com o Jardim Esperança.Eles mostraram vários pontos onde há lixo e entulho acumulados.
Reconheceram que falta cuidado por parte de alguns vizinhos e reclamaram que o poder público demora muito para atender aos apelos por capina e limpeza.
o lado jornalístico dela, as imagens fortes dos pneus queimando, a revolta dos moradores...
Não dá tempo de pensar que vamos ficar parecendo dois pernis defumados: vermelhos e cheirando a queimado.Como boa flamenguista, não tenho
nada contra rubro-negro!Mas, como repórter tenho alguns problemas.
Haja pó compacto para disfarçar as manchas.
Escova, então?
Só com muita paciência.
O vento joga o cabelo para todo lado e a fumaça gruda nele como chiclete.
que tanta gente acha que cerca a vida dos repórteres. Por dentro do blazer, a gente sua em bicas perto do fogo. Parece que fica impregnado no nariz da gente por vários dias.
tentativa dos repórteres parecerem apresentáveis é a de demolição.Na semana passada, acompanhamos o trabalho de funcionários da Secretaria de Obras e da Defesa Civil.
Eles se preparavam para demolir dois prédios, um de dois e outro de quatro andares, e duas casas no
bairro São Sebastião.Os prédios já abrigaram projetos sociais e esportivos e estavam abandonados há sete anos.
As casas foram condenadas no início do ano, depois do desabamento no Reveillon que matou três pessoas na rua de baixo, no bairro Cesário Alvim.
O Robson escolheu os melhores ângulos e se preparou para registrar as demolições.Eu peguei nossa máquina fotográfica e fui garantir fotos para o blog.
A gente se empolga vendo o operador da escavadeira arrancando paredes e lajes e nem percebe onde se meteu.
Quando os escombros batem no chão, a nuvem de poeira engole tudo em volta.
Incluindo os jornalistas bem posicionados perto do fato.
Esperto, o Robson ficou numa posição que garantia menos poeira.Mesmo asssim, depois de fazer as imagens, ele me olhou e notei que parecia um urso panda: todo o rosto estava amarelado de pó, exceto uma roda em torno do olho direito, que fica escondido no view finder da câmera.
Eu, empolgada com as imagens e lutando com o foco, só tinha olhos para os prédios sendo demolidos.Uma meia hora depois, eu já não tinha olhos para mais nada.
Uso lentes de contato e elas adquiriram uma tonalidade leitosa, entre o amarelo e o marrom.
Até para piscar estava difícil, com tanta poeira agarrada nas lentes.
Eles pareciam querer levantar vôo.
Agora, imagine você, com cabelos abaixo do ombro, numa dança frenética estilo Medusa, com poeira vindo de todo canto e com uma escovinha linda e portátil que cabe na palma da mão.A pobrezinha ainda estava presa no primeiro punhado de cabelos, quando o Robson veio todo animado perguntando se eu queria gravar teaser.
Claro, por que não?
Com os cabelos quase domados (e olhe que eles são lisos!), a pele coçando de poeira e os olhos arranhando como se tivessem areia, me posicionei e gravei.
Notei que o Robson tinha mudado de lugar e estava no alto da rua.Bem que tentou me avisar, disse que era melhor tirar foto lá de cima, mas...
Na hora, pensei que ele iria perder o melhor ângulo e não arredei o pé de onde estava.
Máquina ligada, dedo no gatilho, pronta para disparar e registrar o prédio maior caindo.
A escavadeira foi levada para perto das pilatras e foi quebrando com cuidado uma a uma.
quarto andar tinha ido parar no terceiro.Aí, entendi a mudança do Robson.
O deslocamento de ar jogou uma nuvem densa de poeira em cima de mim.
Quando parei de tossir e espirrar, notei que nossa pobre maquininha parecia ter saído de alguma escavação arqueológica.
E como uma relíquia recém desenterrada!

































