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JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Parada da Cidadania e do Orgulho LGBT e Miss Brasil Gay 2011

Por Michele Pacheco


Neste sábado, eu e o Robson trabalhamos separados.
Fiquei responsável pela Parada da Cidadania e do Orgulho LGBT e ele foi escalado para o Miss Brasil Gay 2011.
Os dois eventos atraem milhares de turistas homossexuais e simpatizantes todo ano a Juiz de Fora.
A cidade é considerada um porto seguro nessa onde de agressões e preconceito que assola o país.

A Parada fez a concentração no Parque Halfeld, coração da cidade.
Uma multidão se reuniu em torno dos 4 trios elétricos.
Era gente animada por todo lado.
O sol quente levou os mais animados a escolher pouca ou quase nenhuma roupa para se divertir.
Mas, sempre tem aqueles que preferem caprichar na produção e no look com as cores do arco-íris.

O pessoal da imprensa buscava os melhores ângulos para registrar a movimentação.
Um dos pontos mais disputados foi a sacada do prédio da Funalfa, antigo Paço Municipal.
Fotógrafos e cinegrafistas se espremeram e dividiram o espaço sem problemas.
Eu e o Ângelo ficamos por lá tempo suficiente para registrar umas imagens legais da Avenida Rio Branco lotada de gente e voltamos para a rua.

Embaixo, gravamos entrevistas e esperamos a chegada dos organizadores.
Trabalhar num evento como esse é legal, mas cansativo.
A gente tem que esquecer o calor e ir para o meio da muvuca conseguir boas histórias.
Os depoimentos são legais.
Algumas pessoas esperam o ano todo para vir aqui se libertar das amarras e curtir o evento gay sem sofrer discriminação.

A Parada começou depois do Hino Nacional cantado pela Sandra Portela e do tradicional beijo no alto do trio elétrico.
É a marca registrada do evento criado há 9 anos pelo MGM, Movimento Gay de Minas.
Os fundadores Oswaldo Braga Jr. e Marcos Trajano são um exemplo de relacionamento longo e cercado por respeito mútuo.
Muitos casais heterossexuais não conseguem tamanha harmonia.

Eles conseguiram reunir nesses anos todos uma legião de admiradores e seguidores.
É comum ouvir relatos de homossexuais que vieram se divertir na Parada e acabaram criando movimentos gays nas cidades de origem.
O evento em Juiz de Fora é realizado no centro da cidade.
Os trios partem do Parque Halfeld, seguem pela Avenida Rio Branco, entram na Avenida Independência e vão até a Praça Antônio Carlos.

No ano passado, uma rivalidade entre gangues levou a desavença para a rua e tirou um pouco do brilho do evento.
O motivo foi o assassinato de um adolescente dois quarteirões antes da concentração.
Neste ano, os policiais do 2o Batalhão de Polícia montaram um esquema especial.
Todas as ruas que dão acesso à Avenida Rio Branco receberam barreiras, onde todo mundo era revistado antes de entrar na área de evento.

À pé, a cavalo e de helicóptero, os policiais cercaram o trecho da Parada
e acompanharam a movimentação de qualquer grupo suspeito.
Quem estava em atitude estranha ou em grupo era revistado.
Mesmo que tenha sido desagradável para alguns, funcionou.
Houve poucas ocorrências durante a passagem.

Depois, os policiais registraram uma tentativa de assassinato e arrastões.
Nada ligado diretamente ao evento gay.
O problema é que as gangues têm aproveitado qualquer oportunidade para colocar a rivalidade para fora.
Basta ter aglomeração e lá estão os grupos doidos para arrumar confusão e atrapalhar a festa de quem quer apenas se divertir.

Pelo menos no Miss Brasil Gay isso não ocorre.
Como o concurso é feito dentro de um clube da cidade e é cobrado ingresso, só vai quem está mesmo interessado em ver os transformistas dando um show de charme e beleza.
O Robson foi sem repórter, apenas com o Mário como auxiliar técnico.
Por lá, eles encontraram a galera da imprensa.

A fama do Miss Brasil Gay aumentou muito depois do episódio da peruca.
A Miss 2009, Ava Simões, inclusive foi uma das juradas.
Quando ganhou o título, Ava estava comemorando quando foi atacada pela candidata de São Paulo, inconformada com o resultado.
As imagens do Robson correram o mundo.

Desde então, todo mundo quer saber o que a gente sentiu no momento da confusão.
Como o Robson sempre diz, na hora não deu para pensar em nada.
Nós estávamos gravando a entrevista com a Ava na passarela, quando a agressora veio feito uma bala dos bastidores e arrancou a peruca da vencedora.
Quem achava que a eleita seria prejudicada, se enganou.
A Ava mostrou elegância e usou o episódio para divulgar uma mensagem de paz e de luta contra o preconceito.

O evento virou a madrugada.
A cada ano a gente se surpreende mais com o empenho dos transformistas e com o quanto eles vibram com o concurso.
Tem roupa que chega a dez mil reais.
A candidata vitoriosa foi a Miss Piauí, Raika Bittencourt.
Ela faturou também os títulos de Melhor Traje Típico e Melhor Traje de Gala.

sábado, 20 de agosto de 2011

Feira livre de drogas e operações em Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Definitivamente esta não foi uma boa semana para os traficantes de Juiz de Fora.
Eles tiveram um prejuízo e tanto com as operações das polícias civil e militar.
Hoje, foi estourada uma feira livre de drogas no bairro Três Moinhos, zona leste da cidade.
O serviço de inteligência da 135a Cia. e a equipe da 6a Delegacia de Polícia encontraram um ponto estratégico no alto de um morro e registraram o movimento no local.

As imagens mostram que a fila na porta do terreno aberto era grande.
Os compradores ficavam no meio do mato esperando a hora de entrar e escolher a droga.
Os entorpecentes ficavam expostos numa espécie de barraquinhas.
A área tinha apenas um galpão perto de um bambuzal, encostado num barranco.
12 pessoas foram presas no local.

A Operação Impacto foi feita em conjunto, depois de um mês de investigação.
Os policiais apreenderam 2kg de maconha, 1/2kg de crack e 1/2kg de cocaína.
Também foram recolhidos quatro balanças de precisão, cinco munições de 9mm de uso exclusivo das forças armadas, celulares, facas e dinheiro.
Entre os materiais apreendidos estava uma caderneta com anotações das vendas.

Além dos "funcionários" da feira, havia indícios de que olheiros vigiavam do alto a movimentação policial na parte baixa do morro.
Se uma viatura chegava perto, todo mundo era avisado.
Um rádio HT, do tipo que pega a frequência da polícia militar, foi apreendido.
Os policiais acreditam que ele era usado para comunicação entre os diferentes setores do tráfico.

Na última quarta-feira, o prejuízo foi para traficantes do bairro Santo Antônio, também zona leste da cidade.
A equipe da 4a Delegacia Distrital, Núcleo de Tóxicos, antigo Grupo Tático Operacional de Tóxicos, vigiava os suspeitos e recebeu a informação de que a droga estava sendo repassada.
Uma operação foi montada e teve sucesso, como tem ocorrido com frequência com o grupo.
Dois homens e uma mulher foram presos.

Os investigadores da Polícia Civil encontraram na casa 70kg de maconha.
Foi a maior quantidade apreendida neste ano.
Os levantamentos feitos apontam que a droga veio de fora.
O delegado Fernando Camarota acredita que pelo menos 40kg da droga vieram do Paraguai.

As investigações apontaram que mais de meia tonelada de maconha foram depositadas na casa.
Parte dela foi encaminhada ao Rio de Janeiro, possivelmente à favela da Rocinha.
Os três presos prestaram depoimento.
O Núcleo já tem informações sobre outros envolvidos no esquema de armazenamento e comercialização da droga em Minas e no Rio.

E não foi a única apreensão do grupo nesta semana, não!
Na terça-feira, a equipe agiu no bairro São Mateus,zona sul da cidade.
Um homem de 43 anos foi preso.
Os investigadores apreenderam 300 gramas de cocaína, 200 gramas de maconha, além de balança, dinheiro e celulares. 
O homem tinha uma clientela cativa, formada por usuários de classe média e alta e foi preso no ano passado pelo mesmo crime.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Médicos do Barulho completam 15 anos de amor ao próximo

Por Michele Pacheco

Eles encontram tempo na correria do dia a dia para dedicar amor e atenção a pessoas que nunca viram antes.
Com maquiagem e roupas coloridas, os profissionais de várias áreas se transformam em palhaços e levam alegria a pacientes de todas as idades.

Ver os olhos brilhando e o sorriso das crianças e dos acompanhantes é sempre maravilhoso.
Eu e o Robson adoramos fazer matérias com os Médicos do Barulho.
E tivemos muitas chances de mostrar o trabalho deles nesses 15 anos do grupo de voluntários.

Eles estão sempre animados.
Não importa que tenham dobrado o horário de trabalho, tenham problemas pessoais para resolver ou não estejam se sentindo bem.
Quando vestem a roupa de palhaço, eles parecem receber uma carga de energia vibrante, suficiente para espantar qualquer incômodo.

Nessa reportagem mais recente, 
acompanhamos três integrantes do grupo numa visita a crianças internadas na Santa Casa de misericórdia de Juiz de Fora.
Logo na entrada, conhecemos o Pedro.
Ele estava com o braço quebrado e entediado.
Bastou o pessoal chegar, para o menino se transformar e rir muito.

E esse é o objetivo dos Médicos do Barulho.
Cada minuto que um paciente passa rindo e esquecendo a dor e a incerteza, é especial.
E a gente vê isso de perto em todas as matérias.
O ambiente de um hospital muitas vezes é triste, marcado por sofrimento.
Mas, quando os palhaços entram em ação, tudo muda.

O que poucos lembram é que por trás da maquiagem e das roupas coloridas, existem seres humanos especiais.
Pessoas capazes de ver crianças doentes, pacientes terminais e todo tipo de ferimento sem perder o dom de esconder a tristeza e transformar a emoção em alegria.
Somos fãs desses palhaços e não entendemos como eles podem ter tanta dificuldade para conseguir patrocínio.

domingo, 7 de agosto de 2011

Acidentes na madrugada em Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Hoje, às cinco da manhã, foram registrados dois acidentes em Juiz de Fora.
Um foi na BR 040, próximo ao Expo Minas.
Um Honda Civic ficou destruído depois que o motorista perdeu o controle da direção numa curva e caiu numa ribanceira.
Cinco pessoas estavam no veículo, duas ficaram em estado grave.
As vítimas saíam de uma festa de formatura e, segundo a Polícia Rodoviária Federal, o motorista se recusou a fazer o teste do bafômetro.

O outro caso foi no bairro Barbosa Lage, na zona norte da cidade.
Uma Parati ficou apenas com o teto fora da água.
O motorista de 24 anos seguia de Juiz de Fora para Santos Dumont, onde mora.
Ele contou que perdeu o controle do veículo numa curva, subiu na calçada, passou pelo meio do mato e caiu no Rio Paraibuna.

Por sorte ele estava sozinho e conseguiu sair pela janela.
A correnteza arrastou o carro que foi encalhar num banco de areia 30 metros à frente.
Os moradores daquele trecho da Avenida Brasil já se acostumaram a ajudar as vítimas que caem no local.
Conversamos com um servidor público que revelou ter socorrido mais de dez pessoas e não tem mais a conta de quantos acidentes viu naquele ponto.

Um homem usou o barco dele de retirar areia do Paraibuna para ir até o veículo e recolher bolsas e outros objetos do rapaz de Santos Dumont.
Com cuidado, ele foi acumulando tudo na margem, para facilitar a retirada pela vítima.
É legal ver que numa hora dessas sempre aparece alguém solidário.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

PM apreende medicamentos irregulares em Piraúba

Por Michele Pacheco

Tem dia que a gente não consegue fazer uma pauta sequer que esteja marcada.
São nos dias em que os factuais estão bombando por todo lado.
Foi assim hoje.
Na parte da manhã, eu e o Marco Fagundes trocamos duas pautas marcadas por três factuais.
À tarde, ocorreu o mesmo com o Robson e Flávia, que viajaram para Piraúba.

O motivo foi um trabalho legal da Polícia Militar.
A partir de denúncias feitas durante uma blitz de trânsito, os policiais chegaram a uma casa onde havia várias caixas com medicamentos vencidos.
O imóvel é na MG 285.

Os policiais localizaram o dono da casa, que disse que ela foi alugada por dois homens em março do ano passado.
Segundo dados passados ao site netnoticias, os suspeitos sempre eram vistos no local à noite, retirando caixas de dentro de carros diferentes.
Eles não eram da cidade.

O senhorio, de 77 anos, estranhou e perguntou o que eles estavam fazendo.
A resposta foi de que transportavam cerâmicas.
O dono do imóvel afirmou que não conhecia os inquilinos e que suspeitava que eles estavam presos em Cataguases.
A Polícia Militar entrou em contato com o laboratório que fabricou os medicamentos e aguarda retorno sobre os produtos apreendidos.

Caminhão invade loja em Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Eu e o Marco Fagundes estávamos encerrando nosso expediente, quando uma fonte me ligou para dizer que tinha um acidente grave no bairro Cascatinha.
Um caminhão tinha invadido uma loja e ele não sabia se alguém estava ferido.
Fomos correndo para lá e encontramos no meio do caminho uma ambulância do Resgate indo para o mesmo lugar.

Na Avenida Dr. Paulo Japíassu Coelho o trânsito estava confuso e nem a ambulância conseguia passar.
Os motoristas tentavam abrir espaço, mas a pista é estreita e eles não conseguiam.
Quando finalmente chegamos ao local indicado, vimos uma cena surpreendente.
Um caminhão tinha invadido uma concessionária de automóveis e destruído a fachada.

O Fagundes foi logo procurando um lugar alto para registrar imagens que mostrassem a dimensão dos estragos.
Do alto de um caminhão dos bombeiros, ele teve visão do cruzamento onde houve a batida, do canteiro destruído, da sinalização de trânsito arrancada e da multidão de curiosos que se arriscava entre os carros para ver de perto a cena inusitada.

A primeira coisa que a gente imagina vendo todo aquele estrago é que houve muitas vítimas.
Por sorte, ninguém passava pela calçada nem estava perto da vitrine da loja.
O motorista do caminhão vermelho contou que é de Três Rios e veio a Juiz de Fora descarregar material de construção.
Ele estava voltando para casa, quando houve o acidente.

O João Paulo contou que seguia pela avenida, com o sinal aberto para ele, e foi atingido pelo caminhão branco que descia uma rua transversal.
Ele perdeu o controle da direção, bateu no poste com semáforo e no canteiro.
Para não invadir a contra-mão, ele puxou a direção e conseguiu mudar o curso.
Mas, acabou subindo na calçada e entrando na concessionária.

O motorista do outro caminhão disse que a história não foi bem assim.
A versão dele é de que descia a rua com o sinal aberto para ele e o motorista do caminhão vermelho avançou o sinal em alta velocidade, sendo impossível impedir a batida.
O auxiliar dele teve ferimentos pelo corpo e foi levado pelos bombeiros para o hospital.

Quem diz a verdade, só a polícia vai poder avaliar.
Os donos da loja não tinham calculado o prejuízo com a fachada, mas contaram que dois carros foram destruídos.
Um deles valia 44.500 reais e o outro 53.500 reais.
Os veículos ficaram amassados depois que duas pilastras caíram sobre eles.

Os bombeiros estavam preocupados com a fachada e as rachaduras que estavam aumentando.
Eles esperavam que engenheiros da Defesa Civil fossem ao local para avaliar a situação.
Enquanto isso, várias pessoas que almoçavam do outro lado da avenida davam graças a Deus pelo caminhão ter invadido a loja e não o restaurante.
Seria impossível impedir uma tragédia, já que muitos fregueses estavam sentados perto da calçada.

Esse foi o segundo acidente que pegamos no mesmo dia.
O primeiro foi na BR 040.
Uma van de Além Paraíba levava 13 pacientes para consultas em Juiz de Fora.
Numa curva, o motorista diz que ouviu um estouro e perdeu o controle do veículo.
Uma carreta vinha atrás dele e, para evitar uma situação pior, jogou o carro no barranco.

A van ficou bem amassada.
Dos treze passageiros, três precisaram ser socorridos pela Concer, concessionária que administra o trecho duplicado da BR 040 entre o Rio de Janeiro e Juiz de Fora.
Eles foram levados para o Hospital de Pronto Socorro.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Polícia civil procura corpo de catadora de papel desaparecida

Por Michele Pacheco

Pela segunda vez nesta semana, a Polícia Civil deu buscas numa mata de eucaliptos entre os bairros Linhares e Vila Alpina.
A procura pelo corpo da catadora de papel de 33 anos que desapareceu em março está sendo feito no local a partir de informações de um dos suspeitos de matar a mulher.
Segundo a família, a vítima era dependente química e costumava subir a mata numa encosta íngreme para fumar crack.

A investigação é da Delegacia de Mulheres.
A delegada Dolores Tambasco ouviu os dois homens suspeitos de matar a Flávia Renata Miranda Reis.
Um deles está em silêncio por orientação do advogado.
O outro contou que foi à mata com a Flávia e um ex-amante dela, conhecido como Orelha, para usar droga.
Segundo os investigadores, ele confessou ter segurado a catadora para que fosse espancada até a morte.

Os policiais civis tiveram o apoio dos bombeiros para procurar o corpo.
Uma equipe foi ao local com pás e enxadas para cavar no ponto onde o suspeito disse que o assassino jogou a vítima já morta.
É bem num grotão, debaixo de uma saibreira.

O duro foi chegar até lá.
O Marco Fagundes foi na frente, acompanhando o trabalho da polícia.
Eu tinha sinceras esperanças de não precisar subir, já que estava de salto alto.
Minhas pautas eram todas produzidas nesse dia e não previ que poderia ter que escalar morro e enfrentar floresta.
Um erro grave para qualquer repórter!

A trilha estreita só dá passagem a uma pessoa por vez.
Como o suspeito afirmou que o corpo estava lá, o Fagundes me avisou e lá fui eu barranco acima.
Até que me saí bem e não caí nem escorreguei.
Também, com os policiais em pontos estratégicos da subida, a última coisa de que eu precisava era ser flagrada esborrachando morro abaixo.

O calor era intenso.
Na saibreira, encontrei os policiais civis, os bombeiros e o Fagundes.
Comigo subiu a equipe da Tribuna de Minas, Olavo Prazeres e Fernanda Sanglard.
Lá em cima, o Fagundes e o Olavo se revesavam no espaço estreito para registrar o trabalho dos bombeiros.
Qualquer passo em falso e as buscas teriam outra finalidade: resgatar jornalistas no barranco.

Aos poucos, equipes das outras empresas foram chegando.
A Cláudia e o José Marcos, da TV Panorama, entraram no rodízio perto do local da escavação.
Como na rua todo mundo está no mesmo barco, quando um gravava, o outro se espremia nas laterais do saibro para não aparecer e vice-versa.
Marcelo, Rodrigo e Walcy (cobrindo férias do Antônio Pedro), da Record Minas, completaram o grupo.

Eu e o Fagundes ficamos quase cinco horas pendurados por lá.
Depois, voltamos para a redação.
Hoje, retomamos o caso que a TV Alterosa vem acompanhando desde março, quando a família da catadora pediu ajuda pela primeira vez.
A mãe e uma das irmãs da vítima foram ouvidas.

Como a Dona Maria Aparecida é cega, coube à Kely identificar os dois suspeitos e ainda apontar um terceiro homem que tinha contato com a Flávia e pode estar relacionado ao desaparecimento dela.
Os policiais civis e bombeiros voltaram ao local e passaram o dia na escavação.
Mas, nada de sinal da catadora desaparecida.