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JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

terça-feira, 21 de julho de 2009

IPTU com taxa de TV causa polêmica em Muriaé

Por Robson Rocha

Depois de três dias de folga, voltamos ao trabalho na segunda-feira cedo.
Quero dizer, bem cedo.
Seis horas a gente estava na TV.
Hora de revisar equipamentos, carregar o carro, abastecer e pé na estrada. Destino: Muriaé.
Na BR 267, o trecho que percorremos de Juiz de Fora até Leopoldina estava tranqüilo.

Já na BR 116, o movimento era maior, mas bem tranqüilo.
O estado da estrada no trecho entre Leopoldina e Muriaé é bom.
Praticamente não existem problemas na pista.
Em dois pontos há obras de recuperação da rodovia.

Mas, com o asfalto em bom estado surge outro problema, alguns motoristas abusam da velocidade e colocam em risco não só suas vidas, mas também as dos outros motoristas e pedestres.
Contudo, nossa viagem foi tranqüila.

Chegamos a Muriaé. A primeira pauta era sobre a cobrança de taxa, incluída no IPTU, de manutenção das transmissões de TV na cidade.
O local marcado na pauta era próximo à TV Atividade e encontramos o Silvan Alves, jornalista da TV.
Batemos um papo rápido e fomos gravar com o Sebastião Ribeiro.

O Sr. Sebastião Ribeiro é presidente do Clube de Televisão de Muriaé, criado em 1959.
Mas, vou resumir a história da cobrança da taxa no IPTU.
O Sr. Sebastião é um personagem dessa história.
Na década de 1950, alguns moradores descobriram que era possível captar o sinal da TV Tupi, do Rio de Janeiro, no alto da Serra de Pirapanema.

Dali, eles conseguiram retransmitir o sinal para a cidade de Muriaé e foi criado o Clube de Televisão de Muriaé.
O Clube conseguiu retransmitir sinais de outros canais.
E o custo começou a crescer.
Para ajudar na manutenção dos equipamentos foi que surgiu a taxa. No início, era uma contribuição voluntária e aos poucos virou regra para todos que recebiam os sinais das emissoras.
O dinheiro arrecadado era usado no conserto e na aquisição de peças para os equipamentos e torres.

Em 1983, a contribuição deixou de ser voluntária.
Uma lei municipal faz com que os moradores de Muriaé sejam obrigados a pagar pela manutenção dos equipamentos de transmissão de TV na cidade.
Segundo uma fonte da prefeitura, no ano passado o município arrecadou quase três milhões de reais, sendo que quatrocentos mil reais teriam sido arrecadados com a taxa.
Esses dados não foram confirmados pela administração municipal.
O valor da taxa de TV cobrada no IPTU varia de 6 a 121 reais. Essa variação é proporcional ao valor do imóvel e só não paga quem provar que não pega TV Aberta em casa.

Voltando à matéria, o Sr Sebastião nos levou até o morro das torres de TV.
O local parece abandonado.
O mato está bem alto, torres com vários pontos de ferrugem.
Ele disse que no passado o dinheiro era repassado para o Clube de TV, mas que agora outra empresa recebe para fazer a manutenção dos transmissores.

Aproveitamos a parte da manhã para fazer imagens da cidade e também das antenas espalhadas por Muriaé.
Tivemos que interromper essa pauta para fazer um protesto contra uso do formol em salões de cabeleireiros.
Na parte da tarde, fizemos uma pequena matéria e seguimos com as gravações sobre a taxa de TV.
Ouvimos uma atendente que reclamou muito.
Ela morava numa das casas que racharam no ano passado, depois de um vazamento.

A Adriana estava indignada, porque a família dela não recebeu nenhuma indenização, mas o carnê do IPTU foi enviado.
A avó dela ganha R$ 600 de aposentadoria e vai ter que pagar R$ 90,98 de IPTU.
Só da taxa de TV, ela vai pagar R$12,09.
A cobrança num momento tão difícil, em que a família está vivendo de aluguel, sem poder voltar para a casa toda rachada é criticada.

Lá, encontramos com a Mariere Mageste e com o Cláudio Cordeiro, do jornal Diário de Muriaé.
Eles nos relataram alguns casos.
O Cláudio é nosso velho conhecido, além de repórter fotográfico, também é blogueiro.
Aliás, ele tirou algumas fotos e ficou de nos enviar, mas não enviou.
Seguindo no caso da taxa, Mariene e o Cláudio nos levaram até a casa de outro muriaeense insatisfeito.

Outro morador que não anda revoltado é o Elias Muratori.
Ele é jornalista e paga R$ 189,76 de IPTU.
A taxa de TV neste ano veio com o valor de R$ 24,17.
A reclamação do Elias é de que a TV Aberta deveria ser uma diversão gratuita para a população.
Mas, com essa taxa, os habitantes de Muriaé estão pagando por um serviço que o governo federal já determinou que seja de graça.

O tempo estava passando rápido.
Terminamos a entrevista e na saída aproveitamos para tirar uma foto.
Mas, não dava pra ficar enrolando, a Carla Detoni, nossa produtora, já havia marcado para duas e meia, uma entrevista com a procuradora geral do município Daniela Tambasco.

Fomos direto para o Centro Administrativo de Muriaé.
A procuradora já nos aguardava.
Muito educada, ela nos explicou o ponto de vista do município e explicou que a taxa já era cobrada há vários anos.
Também nos disse que os moradores só pagam a taxa se na casa chegar o sinal de TV Aberta.
Se o morador provar que para assistir TV ele usa parabólica ou TV por assinatura, pois não pega nenhum sinal de TV com a antena comum, ele é isento da taxa.

Daniela Tambasco também disse que a taxa é para a manutenção dos equipamentos.
Segundo ela a TV Alterosa tem transmissor próprio na cidade, mas a maioria dos transmissores de TV e das torres pertence ao município.
A manutenção fica por conta da prefeitura que licitou e contratou uma firma para fazer a manutenção dos equipamentos.

Saímos e fomos gravar uma passagem.
Apesar do prédio da administração ser imponente, o lugar não ajudava muito.
Posicionar a Michele foi difícil, pois a luz no fundo era mais intensa que a de onde ela estava.
O jeito foi pegar meu pequeno Sun gun e praticamente colar no rosto da Michele para melhorar a imagem.

No fim, tudo deu certo.
Antes de voltar, gravamos mais um material sobre as obras no túnel Dornellas.
Como eram só imagens, não gastamos mais do que quinze minutos para o registro.
Pouco mais de quatro da tarde e hora de pegar estrada novamente.

Se na ida a viagem foi tranqüila, na volta a tranqüilidade estava só na paisagem e fora da estrada.
Nesse lugarejo, o jovem boiadeiro tocava suas vaquinhas na maior calma do mundo.
Calma que contrastava com o ritmo da BR 116.

Os pouco mais de sessenta quilômetros de Muriaé até o trevo com a BR 267 estavam movimentados.
Por isso, a atenção teve que ser redobrada.
Além de dirigir o seu carro, temos que estar atentos aos outros veículos, que nem sempre respeitam as normas de trânsito.

Muitas vezes imaginamos que motoristas inexperientes são os maiores responsáveis por acidentes. Mas, em poucos quilômetros percorridos na estrada notamos que os motoristas profissionais são os que mais se arriscam.
Nessa foto, em um trecho onde a ultrapassagem é proibida, o motorista de uma carreta faz uma ultrapassagem dupla em um local sem visibilidade. Se outro veiculo viesse no sentido contrário, o acidente seria inevitável.

Além desses existem outros riscos.
No trevo de Cataguases, crianças e adolescentes se divertem soltando pipa nas margens da estrada.
Eles se movimentam no asfalto, olhando para as pipas no céu, qualquer movimento em direção à pista pode ser fatal.
Pois, provavelmente o motorista não terá como desviar.

Pouco a frente, as pessoas pararam sobre o viaduto para conversar.
Parece brincadeira, nem a gente esperava ver uma cena dessas em plena BR 116.
Tanto, que demoramos para pegar a máquina fotográfica e a foto não ficou boa.
Mas, deu pra registrar.

Sol se pondo, uma cena linda.
Mas, a visibilidade fica prejudicada.
E, nesse horário, trabalhadores rurais estão voltando pra casa a pé ou de bicicleta.
Outro risco para quem está dirigindo, pois muitas vezes só os enxergamos quando já estão muito próximos do carro.

Mas, finalmente chegamos em Juiz de Fora.
Quase sete da noite e foi preciso paciência com os congestionamentos.
Em apenas vinte minutos conseguimos atravessar pouco mais de dois quilômetros de trechos da Avenida Independência, rua Batista de Oliveira, rua Santa Rita, avenida Rio Branco e chegar à TV Alterosa.

Relatórios feitos foi hora de enfrentar o trânsito para ir pra casa tomar um banho, jantar e assistir televisão. E aproveitar, pois aqui ainda não inventaram essa taxa pra TV aberta.

Protesto contra formol em Muriaé

Por Michele Pacheco

Nessa segunda-feira, quem passava apressado pelo centro de Muriaé deu uma paradinha para ver o que estava acontecendo na praça João Pinheiro.
Dois caixões pequenos e cheios de cabelos dentro estavam postos em torno de uma tenda montada bem no meio da praça.

Quem só olhou, não entendeu nada. Mas, quem leu os cartazes entendeu que era um protesto feito contra o uso de formol em salões de cabeleireiro. A Eva Camargo, técnica capilar e especialista em cabelos afro foi a responsável pela manifestação. Ela colocou uma cadeira de cabeleireiro no meio da praça e fez demonstrações com um produto que inventou. A escova biológica não leva formol e é à base de cisteína, um aminoácido da Queratina.

A Letícia Araújo, estudante, foi voluntária para a demonstração.
Ela passou uma hora no tratamento.
A Eva passou o primeiro produto, um shampoo, e massageou bem o cabelo.
Depois, ela aplicou um gloss e começou a trabalhar a escova feita com ajuda do secador e da prancha alisadora.

Enquanto esperávamos o resultado do trabalho, aproveitei para digitar o texto.
Assim, quando chegasse em Juiz de Fora, não demoraria tanto na TV.
Bastaria transferir os dados, gravar os offs e voltar para casa.
Valeu a pena, pois fizemos quatro materiais em Muriaé e chegamos na TV quase sete da noite.

Voltando ao protesto, enquanto a Eva trabalhava, um grupo distribuía panfletos com orientações sobre os perigos do formol.
Uma dermatologista explicou que o produto usado na preservação de cadáveres pode causar graves problemas de saúde.
As doenças vão desde irritação da pele e dos olhos até câncer.
O pulmão é um dos órgãos mais afetados nos cabeleireiros e nos clientes que inalam a fumaça eliminada quando o produto é aquecido com o secador.

A Letícia ficou uma hora na cadeira, entre escoavas, secador e prancha alisadora.
Em momento algum sentimos o cheiro forte e característico das escovas à base de formol ou de outros produtos tóxicos.
A estudante ficou satisfeita com o resultado e saiu feliz com os cabelos lisos e brilhantes.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Estrada Real - 300 anos do Caminho Novo

Por Michele Pacheco

No dia 14 de julho de 1709 foi inaugurado o Caminho Novo.
A rota mais curta e segura ligava o porto do Rio de Janeiro às Minas Gerais.
Antes, o ouro e as pedras preciosas das áreas de mineração eram transportadas pelo Caminho Velho da Estrada Real.
Ele saía do porto de Paraty e seguia até Villa Rica, hoje Ouro Preto.
Os ataques de piratas por mar e salteadores por terra levaram a Coroa Portuguesa a investir num novo trajeto.

Em 1698, o governador da capitania do Rio de Janeiro, Artur de Sá Menezes informou à corte a necessidade de se criar uma alternativa mais segura.
O Caminho Novo foi aberto por Garcia Rodrigues Pais, filho do bandeirante Fernão Dias.
Ele estava estabelecido como sesmeiro, com uma sesmaria à margens do rio Paraibuna e outra na Borda do Campo, atual Barbacena.
Primeiro, ele abriu uma picada para pedestres, concluída em 1700. Em seguida, aprimorou a estrada para passagem de animais de carga.
A via foi terminada sete anos depois.
Mas, documentos da época informam a data de 1709 como sendo a conclusão do Caminho Novo da Estrada Real.

Com a nova rota, o porto do Rio de Janeiro passou a centralizar o escoamento dos produtos extraídos do Brasil e da chegada das mercadorias europeias.
A viagem pela estrada de pedras sobrepostas durava um mês.
Pouco restou de pé de toda essa história.
Segundo historiadores, o Registro do Paraibuna, em Simão Pereira, é o único posto fiscal do período do império que sobrou.

Ele fica na divisa de Minas Gerais com o Rio de Janeiro, às margens do rio Paraibuna.
O local tinha importância estratégica na colônia.
Para impedir a entrada de pessoas não autorizadas pelo governo português na região das minas, a segurança foi reforçada no trecho.
Tropas ficavam de prontidão e patrulhavam o entorno da alfândega.
No casarão, os viajantes eram parados e tinham as mercadorias pesadas e taxadas.
Era cobrado o Quinto do Ouro, um dos muitos impostos que a Coroa Portuguesa recebia pela exploração das riquezas do Brasil.
No posto ficavam os fiscais e guardas responsáveis por prender aqueles que tentavam burlar as leis.
A pesagem era feita no primeiro piso do prédio.
Hoje, o local está cheio de entulho e há poucos vestígios do passado original.
O piso da época da colônia foi redescoberto por arquiologos há 50 centímetros da superfície.
Com o passar dos anos, foram feitas reformas e as origens quase se perderam.

No segundo andar, a situação é pior.
Lá ficava o alojamento dos guardas e dos funcionários do Registro do Paraibuna.
Com o fechamento do posto fiscal, o local foi usado como hotel, bordel e até como galinheiro.
O piso original de madeira foi coberto com cimento.
A medida foi tomada para evitar que a sujeira das aves caísse pelas frestas.
O piso está muito deteriorado e desabando em vários pontos.

Acompanhamos algumas autoridades no dia em que se comemorou os 300 anos do Caminho Novo.
O historiador Nireu Cavalcanti, Doutor em Arquitetura Colonial e Doutor em História, veio de Niterói para acompanhar as solenidades.
Ele exaltou a importância arquitetônica da construção e a necessidade de se restaurar as características originais.
O prédio passou por várias intervenções, teve o telhado mudado, a estrutura das portas refeita e por aí vai...

O historiador lembrou um fato curioso.
Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, Mártir da Inconfidência Mineira, foi responsável pela segurança na alfândega durante um bom tempo.
Ele comandava uma das tropas que faziam as rondas na divisa das capitanias.
Por isso, alguns pesquisadores alegam que os ideais de Liberdade teriam surgido às margens do Paraibuna, nas patrulhas de Tiradentes.

O Luiz Homem Faria Filho, Presidente da Associação Cultural Portal do Caminho Novo da Estrada Real, disse que a associação está responsável pelo prédio, que hoje pertence à prefeitura de Simão Pereira.
O desafio dele é conseguir recursos para a restauração, avaliada em R$ 4 milhões.

O Luiz tem o apoio do representante do MEC, Ministério da Educação, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.
Cícero Mauro Rodrigues explicou que a idéia é transformar o prédio, depois de restaurado, num Museu do Caminho Novo.
O local seria destinado à preservação da história e também a pesquisas.
Um acervo vasto sobre as Estradas Reais e o Caminho Novo ficaria à disposição de pesquisadores e estudantes, cumprindo um papel educacional.

Já o chefe da Representação Regional do MINC, Ministério da Cultura, anunciou uma boa notícia que pode ajudar na busca por recursos para a recuperação do Registro do Paraibuna.
Já está confirmado: todos os trechos da Estrada Real que restaram vão ser transformados em Patrimônio da Humanidade.
A decisão aumenta o valor histórico e turístico das vias usadas no período do Império e deve atrair.

domingo, 12 de julho de 2009

22º Inverno Cultural de São João Del Rei

Por Robson Rocha

Um grande espetáculo. Acho que é a melhor forma para definir a abertura do
22º Inverno Cultural em São João Del Rei.
Essa foi nossa pauta de sábado à tarde.
Com o atraso em Barbacena, chegamos a São João por volta de uma e meia e fomos direto nos credenciar para o evento.
Quando a Michele voltou com o material, eu só pensava em almoçar.
No restaurante, aquela comidinha caseira e o tratamento nota 10, comum em São João. Uma cidade que sabe receber e tratar bem.

Mas, fomos lá para trabalhar. Isso, todo mundo sabia, menos meu corpo.
Que, de barriga cheia, só queria uma sesta.
Porém, os participantes começaram a chegar ao local de concentração, o Largo de São Francisco.
Comecei a gravar algumas imagens enquanto a Michele esperava a chegada do responsável pelo cortejo.

Em pouco tempo dava para entender porque São João Del Rei foi eleita a Capital Brasileira da Cultura.
A riqueza e a variedade de grupos teatrais, folclóricos entre outras atividades culturais são enormes e de qualidade.
Gravamos entrevistas com alguns artistas e o amor que eles demonstram em manter as tradições é incrível.
Havia também, garotinhas fazendo malabarismos, uma galera com perna de pau, banda, violeiros...
Aí, aproveitamos para gravar a chamada da matéria na concentração, mas deu trabalho, porque o vento não deixava o cabelo da Michele quieto.

Abertura gravada, fomos para as entrevistas com os turistas.
Eles estavam impressionados com a riqueza cultural de São João.
Um professor de Brasília disse que não sabia que havia um Bumba Meu Boi tão bom assim em Minas.
Isso, antes do evento começar oficialmente.
O cortejo começou e foi aberto por um grande boneco simbolizando Grande Otelo.
Ele era manipulado por três pessoas e parecia vir caminhando sobre as ruas de São João.

Logo atrás, a banda ditava o ritmo.
Seguida por estandartes com imagens do homenageado.
É difícil enumerar os artistas.
Mas, as novas gerações participam e mantém tradições circenses.
É difícil imaginar como essas garotas se equilibram em pernas de pau em ruas calçadas, sem asfalto. As pedras são lisas e as danadinhas caminham na maior naturalidade.

Logo atrás, um senhor se destacava fantasiado de Grande Otelo, com um paletó vermelho e uma grande gravata borboleta dourada.
Ele vinha dançando com sua nega maluca, uma boneca de pano, do tamanho de uma pessoa.
E que, olhando a distancia, parecia que ele está dançando com uma pessoa de verdade.
O figurante integra o grupo Boi Mofado, de Prados.

A empolgação com que cada uma daquelas pessoas se apresentava, nos contagiou.
Foi impossível não participar.
Apesar de estar registrando as imagens, em muitos momentos a gente se pegava cantando, dançando ou viajando no mundo imaginário criado por esses artistas.

Eles seguiram para o Teatro Municipal.
Mas, eu reclamei com um dos organizadores um detalhe que achei errado.
O cortejo não passou pela parte histórica da cidade.
Eu precisava identificar a cidade, mas a apresentação seguiu por ruas comuns, que poderiam ser em qualquer cidade.
São João sem a parte histórica é como mostrar o Rio sem suas Praias.
Com isso, a Michele teve que refazer seu texto, tirando o casario centenário.

Mas, quando chegaram ao teatro, os artistas encenaram o nascimento de Macunaíma, lembrando a cena mais famosa do filme que imortalizou o homenageado deste ano.
Os turistas tomaram as escadarias, enquanto artistas ocupavam as janelas do prédio e na entrada do teatro fizeram a encenação.
Gravamos entrevistas e mais uma vez os turistas estavam adorando.

Dali, os grupos culturais seguiram em direção a Praça da Estação seguidos por centenas de turistas.
Nós tivemos que abandoná-los, pois tínhamos que gravar uma exposição em homenagem a Grande Otelo, na Casa da Baronesa.
Mesmo local onde mais cedo pegamos as credenciais.

Na exposição, a cenógrafa Márcia Moon apresenta várias passagens do ator.
São caras e bocas que divertiram o publico e cartazes dos inúmeros filmes em que Grande Otelo trabalhou.
Existem fotos da infância e da juventude.
E, é claro, vídeos mostrando vários trabalhos desse grande artista mineiro.

O sempre simpático reitor da UFSJ, Helvécio Luiz Reis, disse que o homenageado foi escolhido por ter sido um dos maiores artistas brasileiros, que era mineiro e foi esquecido.
O que realmente faz sentido. Grande Otelo foi esquecido pelos mais velhos e os mais jovens nem sabem que ele existiu. Fiz o teste com minha filha quando voltamos. Disse quem era o homenageado e ela perguntou quem era esse cara.

Por isso coloquei abaixo uma parte da historia “desse cara”.(wikipédia)

O festival deste ano homenageia Grande Otelo, grande ator brasileiro, pseudônimo de Sebastião Bernardes de Souza Prata. Grande artista de cassinos cariocas e do chamado teatro de revista, participou de diversos filmes brasileiros de sucesso, entre os quais as famosas comédias nos anos 40/50, que estrelou em parceria com o cômico Oscarito, e a versão cinematográfica de Macunaíma, realizada em 1969. Conheceu Orson Welles quando este veio filmar no Brasil, na década de 1940. O grande ator e diretor americano considerava Grande Otelo como o maior ator brasileiro.

Sua vida teve várias tragédias. Seu pai morreu esfaqueado e a mãe era alcoólatra.
Quando já era um ator consagrado, sua mulher se suicidou logo após matar com veneno o filho de seis anos de idade, que era enteado do ator.
Grande Otelo vivia em Uberlândia quando conheceu uma companhia de teatro mambembe e foi embora com eles, com o consentimento da diretora do grupo, Abigail Parecis, que o levou para São Paulo. Ele voltou a fugir, foi para o Juizado de Menores, onde foi adotado pela família do político Antonio de Queiroz. Otelo. Estudou então no Colégio Sagrado Coração de Jesus até a terceira série ginasial.

Participou na década de 1920 da Companhia Negra de Revistas, que tinha Pixinguinha como maestro. Foi em 1932 que entrou para a Companhia Jardel Jércolis, um dos pioneiros do teatro de revista. Foi nessa época que ganhou o apelido de Grande Otelo, como ficou conhecido. No cinema, participou em 1942 do filme It's All True, de Orson Welles. Além de suas inúmeras parcerias com Oscarito, um de seus grandes personagens foi em Macunaíma (1969), filme baseada na obra de Mário de Andrade. Participou também do filme de Werner Herzog, Fitzcarraldo, de 1982, filmado na floresta amazônica.

Desde os anos 60 Otelo era contratado da TV Globo, onde atuou em diversas telenovelas de grande sucesso, como Uma Rosa com Amor, entre várias outras. Também trabalhou no humorístico Escolinha do Professor Raimundo, no início dos anos 90. Seu último trabalho foi uma participação na telenovela Renascer, pouco antes de morrer.
Grande Otelo faleceu em 1993 de um ataquedo coração fulminante, quando viajava para Paris para uma homenagem que receberia no Festival de Nantes.

sábado, 11 de julho de 2009

Festival da Loucura em Barbacena

Por Robson Rocha

Esse sábado foi dia de colocar o pé na estrada.
Nossa primeira parada foi em Barbacena, para gravar uma matéria no IV Festival da Loucura.
Já estivemos em outros anos, gravando com os loucos do festival.
A pauta de hoje era sobre o Cortejo da Loucura.
Primeiro tivemos que descobrir onde era o local. No endereço que estava na pauta não havia nada.
A Michele ligou para o Marcos dos Anjos, assessor do festival, e ele disse que tinham mudado o local, mas era bem próximo. Coisa de doido.

Chegando, já gravamos com a Vânia Castro, Secretária de Turismo de Barbacena.
Muito simpática, ela falou sobre o sucesso do evento.
Que, de acordo com a organização, deveria receber 50 mil pessoas nos quatro dias de festa.

Foi a primeira vez que esse Cortejo saiu pelas ruas de Barbacena.
No inicio, estava meio vazio e a Michele aproveitou para gravar as entrevistas.
Primeiro, gravou com o Rafael Abreu, ator que participou de todas as edições do evento.
Ele brincou e fingiu que ia comer o microfone.

Aos poucos, o povo foi chegando e o local foi enchendo.
Crianças e adultos paravam para ver e participar das brincadeiras. Em pequenos palcos montados pelo percurso, havia apresentações. Coisas meio sem razão de ser, mas como o festival é da loucura...

Havia também um grupo de modelos que representava a loucura da moda.
O comércio de Barbacena parou.
Compradores e vendedores ficaram nas portas das lojas para ver o cortejo passar.
Das janelas, muitas pessoas assistiram a passagem dos loucos.

O difícil foi conseguir gravar a passagem.
Estava ventando muito e a cada tentativa o cabelo da Michele esvoaçava.
Acho que tentamos gravar umas sete vezes e na oitava finalmente conseguimos.
Não era o que a gente queria, mas fazer o quê?

Animada por uma banda, a festa seguiu pela avenida Tiradentes, com muita gente e tudo muito colorido.
Lógico que durante o 4º Festival da Loucura nem tudo foi festa, houve discussões de temas sérios relacionados à luta antimanicomial e à psiquiatria.

Porém, uma coisa me chamou a atenção.
Enquanto os “loucos culturais” desfilavam e se divertiam pelas ruas de Barbacena, um portador de deficiência mental, de verdade, pedia esmolas assentado na calçada.
Ele parecia nem ser notado pela multidão e observava a movimentação sem entender o que estava acontecendo.

Isso pra mim é uma prova de que a desospitalização de doentes mentais pode ser um risco para eles.
Pois, a maior parte das famílias não tem como mante-los em casa.
Com isso, o governo está tirando um peso dos seus ombros e jogando a responsabilidade nas mãos da sociedade.
Hoje, grande parte dos atendimentos dos Bombeiros é a doentes mentais em crise por falta de medicamentos e ou por consumo de bebidas alcoólicas misturados a medicamentos fortes.