Quem somos

Minha foto
JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Escutas telefônicas apontam cartel da droga em Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

As escutas telefônicas autorizadas pela justiça e feitas pela Polícia Civil de Juiz de Fora revelaram que traficantes adotaram estratégias de mercado para lidar com o crime.
Depois da prisão de três homens na semana passada, ligados a duas quadrilhas distintas, os policiais atrapalharam a jogada criminosa.
Dois dos suspeitos foram apontados como coordenadores do novo esquema de tráfico.

Um deles foi preso pelas policiais federal e civil no pedágio da BR 040, em Simão Pereira, com quase 10kg de pasta base no tanque do carro.
Era a comprovação do que os levantamentos do Grupo Tático Operacional de Tóxicos apontava: mudança no jeito de traficar.
Tradicionalmente, os chefes de tráfico assumiam uma área da cidade, providenciavam a droga e forneciam para os outros integrantes da quadrilha que cuidavam da rede ramificada de pontos de venda.

Com as operações das Polícias Civil e Federal nos últimos anos, a maioria dos líderes foi para trás das grades.
Os criminosos que restaram decidiram inovar.
Um deles montou um esquema de cartel.
Como líder do grupo, ia pessoalmente ao Paraguai buscar a pasta base com um contato que só ele conhecia.

Assim, eliminava intermediários, mulas e fretes, conseguindo preços bem melhores pelo material.
Pagando menos, ele revendia por valores mais baixos do que os cobrados em outros esquemas e garantia aos aliados a chance de mais lucro e preços melhores do que os concorrentes.

Claro que a propaganda é a alma do negócio e a cada vez que a transação dava certo, mais quadrilhas queriam participar.
Ele chegou a fazer duas viagens no mês passado.
Um gerente ficava encarregado de aliciar traficantes para o cartel.
Eles tinham a opção de pagar a droga antes da entrega, à vista com desconto, ou quando recebessem o material, pagando mais caro depois da entrega.

Nas escutas telefônicas, o líder e o gerente aparecem negociando encomendas e falando de depósitos bancários para compra da droga. Os dois deixam claro que quem não fazia parte do esquema ficava na mira do cartel.
O gerente chega a dizer que ficou na porta da casa de um desafeto até 4h da manhã, armado, e que se o cara tivesse chegado em casa, teria sido morto.

Nem sempre as negociações eram tranquilas.
O gerente se exalta em vários momentos em que conversa com traficantes da cidade, combinando pagamentos e entrega.
A presença de quadrilhas de fora também não era bem vista.
Num trecho da gravação, o líder pergunta ao gerente se ele fechou negócio com o pessoal de Volta Redonda-RJ.
O rapaz responde que não, que só estava dando corda para ver quais eram as intenções do grupo que tentava entrar em Juiz de Fora.

Os dois responsáveis pelo cartel estão presos.
A ação deles repetia uma prática condenada no mercado financeiro, o cartel.
Um grupo de pessoas ou empresas se une para baixar preçoas, tabelar valores e criar vantagens entre eles que prejudiquem os concorrentes.
Era o que vinha ocorrendo em Juiz de Fora.

Quem fazia parte do esquema tinha mais lucro e podia cobrar mais barato, deixando em maus lençóis os demais traficantes que tinham esquemas próprios para conseguir droga.
Outro detalhe revelado pelas investigações é que Juiz de Fora deixou de ser rota do tráfico, recebendo maconha, cocaína e crack de outros pontos do país, e passou a ser um centro de refino e distribuição.

Mas, isso não significa que a cidade esteja produzindo em larga escala para vender a outros municípios do país.
A produção daqui era mantida na região.
A droga refinada em laboratórios clandestinos e improvisados é distribuída na cidade e em alguns municípios vizinhos.
Mal a pasta base chega, já é entregue aos traficantes que fizeram a encomenda, misturada e vendida.

A Polícia Rodoviária Federal também tem notado mudanças no tráfico. O Inspetor Wallace Wischansky contou que antes era comum apreender nas rodovias da região maconha e drogas refinadas.
Agora, quando surge uma denúncia, eles encontram quase sempre a pasta base, que depois de misturada dá origem ao crack e à cocaína.

Como o consumo de crack aumenta sem controle, muitos traficantes abrem mão da cocaína e refinam apenas as pedras.
Na operação da semana passada, a Polícia Civil apreendeu em torno de 20 kg de pasta base.
Além da droga do cartel, havia cerca de 10kg enterrados num sítio na cidade vizinha de Chácara.
O material era aguardado por um pedreiro que foi preso.
Ele admitiu que recebia uns mil e poucos reais para vigiar a droga, desenterrá-la e entregar a algum contato que o dono do entorpecente determinasse.

Mas, o esquema também foi interrompido.
O interessante é que o dono da droga está preso na Penitenciária Nelso Hungria, em Contagem.
Segundo os policiais do GTO de Tóxicos, ele comandava o tráfico de dentro da cela, usando um celular.
Assim, contactava o pedreiro e também os subordinados que eram responsáveis por entregar a droga em Chácara e por levá-la até os compradores.
O traficante foi preso em 2008 pela Polícia Federal num condomínio de luxo de Juiz de Fora, onde mantinha um laboratório de refino.

O delegado regional da Polícia Civil, Eduardo de Azevedo, explicou que a mudança de comportamento dos traficantes com relação ao tipo de droga comprado é um reflexo das ações policiais.
Eles vinham tendo muito prejuízo com as apreensões e decidiram aumentar as chances de lucro comprando a pasta base e fazendo a mistura.

Dependendo do tipo de droga esperado, um quilo chega a render até quatro quilos de cocaína mais "batizada".
Se os compradores forem mais exigentes, a mistura é em menor escala.

As investigações do Grupo Tático Operacional vão continuar.
Eles querem monitorar o comportamento das quadrilhas que tiveram os chefes presos e também descobrir quem eram os traficantes que compunham o cartel.
Mais uma vez, parabéns à Polícia Civil pelo trabalho ágil e competente.
Saudades do tempo em que além das polícias civil e federal, a PM também tinha um serviço de inteligência eficiente e nos garantia excelentes matérias de ação.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Morangos movimentam economia em Alfredo Vasconcelos

Por Michele Pacheco

Nesse fim de semana, turistas e moradores se deliciaram com a Festa do Morango, das Rosas e Flores de Alfredo Vasconcelos.
Para os produtores é uma oportunidade de se reunir e comemorar os bons resultados, além de oferecer ao público produtos à base da fruta.
Durante uma semana, 15 mulheres trabalharam sem parar numa cozinha improvisada no Parque de Exposições da cidade.

Elas colocaram à venda 500 litros de licor de morango, 500 vidros de geleia, 12 mil bombons, inúmeras tortas e deliciosos pavês.
Dá água na boca só de lembrar.
Além da culinária com morangos e dos shows, o evento representa uma parte importante da economia do município.

A produção de morangos faz girar em torno de 11 milhões de reais por ano em Alfredo Vasconcelos.
Mas, a expectativa é de aumento da produção e das vendas.
Para isso, 41 produtores se uniram e criaram a Cooperativa Rural de Alfredo Vasconcelos, a Cooprav.
A idéia é garantir mais força nas negociações de insumos e equipamentos e na venda do morango.

Acompanhamos o Marco Morais, responsável pela parte de assessoria da Cooprav, a uma fazenda.
Ele está engajado no projeto de melhoria de qualidade de vida dos produtores e também no incremento da produção e comercialização.
É legal ver a empolgação dele diante das possibilidades de ampliação de mercado e de negócios.
Boa sorte para todos, tomara que tanto esforço tenha recompensas logo.

Na fazenda do Altamiro, nós nos deliciamos primeiro vendo aquelas maravilhas da natureza.
Alfredo Vasconcelos é a única cidade brasileira a cultivar duas variedades chilenas de morangos.
A Camino Real gera frutos enormes e suculentos.
A San Andrea dá morangos um pouco menores, mas ainda assim bem superiores ao que encontramos comumente nos mercados, e bem mais doces.
O colorido das frutas alimenta os olhos e o sabor delas é inesquecível.
Sem falar que os pés produzem dois anos seguidos, ao contrário das variedades usadas antes.

O pior é a fama de comilona que eu estou ganhando.
Só porque estou grávida, todo mundo acha que vou sair atacando tudo de saboroso que colocam na minha frente.
E a nossa produtora, Flávia Crizanto, ainda foi me dedurar para o Marco dizendo que eu não posso ver uma fruta que começo a salivar.
Tudo bem que é verdade, mas a força de vontade foi maior e consegui controlar o ímpeto de mergulhar na plantação.
Juro que só comi umas ou duas frutinhas inocentes!

A história do Altamiro é interessante.
Ele abriu mão do cultivo tradicional e produz morangos semi-orgânicos.
No lugar dos agrotóxicos tão temidos pelos consumidores e tão necessários nas plantações de morangos, ele usa defensivos biológicos.
São produtos encontrados na própria natureza que garantem o equilíbrio ambiental e o combate das pragas sem prejudicar a saúde do trabalhador rural e dos consumidores.

Altamiro colhe 45 toneladas por ano.
Hoje, Alfredo Vasconcelos tem uma produção anual de 1800 toneladas e espera já para o ano que vem aumentar a quantidade produzida e comercializada.
A cidade tem a segunda maior produção de Minas Gerais, ficando atrás do sul do estado.
O que os agricultores fazem questão de esclarecer é que se for levada em conta a quantidade produzida por pé, o município do Campo das Vertentes é o vitorioso.

Os produtos à base de morango feitos na cidade têm mercado garantido.
Se as propostas do Marco derem certo, em breve o nome de Alfredo Vasconcelos vai ser ouvido com frequência nos meios acadêmicos e de negócios.
Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa já mostraram interesse em acompanhar o processo da Cooprav e o desenvolvimento do grupo.
Isso é muito legal, porque o pessoal de Viçosa tem experiência, credibilidade e pode contribuir com excelentes sugestões.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Parada de 7 de setembro em Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

O desfile em Juiz de Fora foi tranquilo.
Umas oito mil pessoas acompanharam a parada cívica na principal avenida da cidade.
A Rio Branco ficou tomada pela multidão nos dois lados.
O tanque do exército abriu o evento, com os militares recebendo autorização do General de Brigada para desfilar.

Os veteranos da Força Expedicionária Brasileira foram os primeiros a passar, em jipes.
Acho incrível a determinação deles.
A maioria tem mais de 90 anos e mantém nos olhos o brilho de quem acredita ter cumprido um dever com a Pátria.
Os depoimentos são sempre emocionantes.

O exército participou também com um grupo de "boinas azuis".
São os militares brasileiros que integram as Forças de Paz da ONU.
Muitos representantes de Juiz de Fora e da região estão no grupo desde o Pelotão de Suez, que atuou em Angola.
Os trabalhos mais recentes foram no Haiti.

Cadetes da Academia das Agulhas Negras trouxeram à cidade um pouco de história.
Eles desfilaram com trajes de um dos mais antigos pelotões do Brasil.
As roupas lembram os trajes dos Dragões da Independência e são mantidas desde o período do Império.
É muito interessante a organização deles ao marchar.

Camuflados, os soldados do 11o Batalhão de Infantaria de Montanha, sediado em São João del Rei fez um desfile diferente.
Com as mochilas pesadas nas costas, eles seguiram numa marcha ligeira.
O público se divertiu com as pinturas usadas para despistar o inimigo em áreas de mata.

Representantes da Escola Naval e da Epcar, Escola Preparatória de Cadetes do Ar, de Barbacena vieram para o desfile.
Os alunos do Colégio Militar e do Colégio Tiradentes mostraram seriedade ao marchar diante de quase oito mil pessoas.
Passo cadenciado e muita disposição chamaram atenção de adultos e crianças.

Depois foi a vez da Polícia Militar apresentar todas as companhias.
É interessante ver nossos amigos sempre divertidos mostrando expressões sérias e compenetradas no desfile.
Eles nem olham para o lado e levam à sério a responsabilidade de representar a corporação num momento de patriotismo.

Os bombeiros desfilaram com profissionais de vários setores.
Incrível pensar que eles trabalharam como loucos para dar conta de tantos incêndios nas últimas semanas e ainda encontraram fôlego para marchar por um longo trecho.
Quem foi assistir viu os "soldados do fogo" com trajes usados em diferentes tipos de ação.

Agentes penitenciários e guardas municipais encerraram o desfile à pé.
Depois, foi a vez dos veículos.
Primeiro os do exército, com caminhões de suprimentos, carros de apoio e de combate.
As tropas das polícias civil, militar e rodoviária federal foram apresentadas ao público.
O helicóptero da PM chamou a atenção sobrevoando a parada e quase parando entre os prédios mais altos do centro.

Ainda teve o restante dos carros dos agentes penitenciários, da guarda municipal e dos bombeiros.
Esses últimos levaram veículos de resgate, de salvamento, barcos e caminhões-tanque para a avenida e encantaram a criançada.
Com o fim do desfile militar, o tanque se retirou do centro diante do público empolgado.
Para fechar o dia de desfile, alunos de escolas municipais participaram, soltando balões coloridos.
Eles foram seguidos dos escoteiros e de outras entidades civis.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Trégua nas queimadas

Por Michele Pacheco

Ufa, até que enfim dias mais frescos!
A chuva prometida não chegou por aqui, mas o vento já está ajudando e o ar está menos seco.
Boa notícia para quem mora nas poucas áreas que ainda não foram queimadas.
Só no sábado e no domingo, os bombeiros de Juiz de Fora atenderam 46 chamados.
Atenderam! Isso sem falar nos pedidos de envio de equipe que ficaram sem atendimento por falta de pessoal.

Eu e o Robson passamos o fim de semana como caçadores de fogo.
De olho no céu e na fumaça por onde passamos, descobrimos vários focos.
O mais grave foi notado por ele durante uma matéria de bairro, na zona norte da cidade.
As chamas começaram numa área militar e se espalharam até à zona nordeste.
À noite, a cena era triste e o rastro de fogo era visível por quilômetros de distância.

No domingo, parte do bairro Parque Independência ainda queimava.
O horizonte todo embaçado impedia a bela visão da área militar vista do alto da zona nordeste.
Mas, foi no bairro Recanto dos Lagos que flagramos as cenas mais surpreendentes.
Voltando do Parque Independência, por volta de cinco da tarde, vimos uma coluna de fumaça.
Mas, decidimos descansar um pouco e voltar à noite para ver se o fogo tinha acabado.
Levamos um susto!

A parede de fogo era cada vez mais alta.
O barulho e os estalos da vegetação destruída pelas chamas era ouvido de longe.
Algumas granjas do bairro de classe média alta estavam com os portões abertos e os moradores juntavam as coisas para sair apressados, se fosse preciso.
Algumas casas ficaram na rota da destruição.
Famílias inteiras estavam nas ruas, vigiando o avança das labaredas.

Uma equipe dos bombeiros trabalhava sem parar para impedir que a queimada atingisse as casas.
Alguns moradores ajudaram.
Os voluntários e os profissionais se uniram numa parede humana entre o fogaréu e uma casa onde estava uma mãe e um bebê.
Uma construção que estava vazia foi engolida pelas chamas.
Depois de quatro horas de trabalho, o incêndio foi controlado.
O reforço foi deslocado de outras queimadas e o caminhão-tanque acabou com as brasas que tinham ficado pelo caminho.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

“Pastor do Pó” preso em Tombos

Por Michele Pacheco

Hoje pela manhã, Policiais Civis de Tombos, como apoio de uma equipe de policiais de Muriaé e da Polícia Militar de Tombos, apreenderam cerca de 100g de pasta base de cocaína. A droga estava escondida na sede da Igreja Metodista de Tombos. O pastor André Alves Costa de Oliveira, conhecido como "Pastor do Pó", de 39 anos, era o responsável pela igreja. Ele cumpria pena por homicídio na Cadeia Pública de Tombos, estando em regime aberto, ou seja, somente dormia na Cadeia./

A Polícia Civil recebeu denúncias de que o pastor entrava com cocaína na Cadeia quando ia dormir lá. As denúncias foram confirmadas por detentos. A cocaína estava escondida em meio a instrumentos musicais, guardados num cômodo trancado. Só o pastor tinha a chave. Ele foi levado de volta para a Cadeia.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Operação Sevilha - Polícia Federal prende quadrilha de falsificação e roubo de carga

Por Michele Pacheco

Depois de 10 meses de investigação, a Polícia Federal desencadeou a Operação Sevilha em
Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.
Policiais de todo o país vieram a Juiz de Fora participar do trabalho.
Ainda era madrugada, quando eles deslocaram para os alvos previstos.
A 3ª Vara Criminal de Juiz de Fora expediu 22 mandados de prisão, 29 de busca e apreensão,
43 de apreensão de veículos e 8 ordens de bloqueio de contas bancárias.

Em Minas, os mandados foram cumpridos em Juiz de Fora, Ubá, Visconde do Rio Branco, Leopoldina e São João Nepomuceno.
No Rio, os suspeitos foram procurados em Três Rios, Areal, Petrópolis e Magé.
Já em São Paulo, a operação foi só na capital.
Os presos vão ser indiciados por estelionato, receptação, formação de quadrilha,
falsificação de documento público, falsificação de documento particular, falsidade
ideológica e uso de documento falso.

O esquema montado era dividido em etapas e os integrantes da quadrilha se responsabilizavam por cada uma das tarefas.
A quadrilha comprava uma empresa que já existia no mercado e tinha fixa limpa.
Para isso, usava documentos falsificados pelo próprio grupo.
Com a empresa-laranja montada, eles contactavam empresas fornecedoras e faziam uma encomenda significativa.
A entrega era feita e os produtos pagos em cheque que era descontado sem problemas.
A próxima encomenda era bem maior e paga com cheque pré-datado.
Esse era sem fundos.

Quando as vítimas tentavam recuperar o dinheiro, descobriam que a empresa não existia mais.
Cada laranja funcionava por no máximo dois meses e era desativada.
A estimativa de lucro por golpe era de um milhão de reais.
Até agora, a Polícia Federal identificou 6 empresas-laranja, criadas e fechadas no prazo de dois anos e meio: Renanda Central de Abastecimento de Produtos em Geral Ltda. (Levy Gasparian), Zaeler Comércio de Produtos Alimentícios Ltda., Gazzy Comércio Atacadista de Alimentos Ltda. (Petrópolis), Exata Comercial Zona da Mata Ltda. (Cataguases), Caurb Comercial Ltda. (Paraíba do Sul) e Hora Marcada Comércio de Peças e Serviços Ltda. (Petrópolis).

Além da sonegação de impostos, a ação da quadrilha levou à falência pessoas físicas e jurídicas que forneceram produtos e nunca receberam por eles.
Além do golpe das empresas-laranja, o grupo também roubava cargas em estradas, em especial as vindas de São Paulo e do Rio de Janeiro.
As mercadorias roubadas eram "legalizadas" por meio de notas frias providenciadas por dois integrantes da quadrilha que ficavam por conta da falsificação de todos os documentos usados.
Os produtos eram vendidos nos comércios de RJ, SP e MG por metade do preço normal de mercado.

Todo o material apreendido nos três estados foi encaminhado para Juiz de Fora.
Dos 22 presos, 21 vieram para a cidade.
O mandado cumprido em Magé, no Rio de Janeiro, era para um policial civil do Rio apontado pela Policia Federal como responsável por dar cobertura à quadrilha e ajudar na montagem de empresas-laranja.
Ele foi encaminhado para a sede da Polícia Civil do Rio, na capital fluminense.

A investigação é tão extensa que as apurações estão reunidas em seis volumes fartos de documentos e relatórios de escutas telefônicas.
A quadrilha começou a chamar a atenção da Polícia Federal depois da prisão de José Agostinho Pires, preso pela primeira vez em 2004 e detido pelo menos mais umas dez vezes desde então.
Ele está no Ceresp da Gameleira, em Belo Horizonte, desde que foi preso pela última vez por roubo de carga.
O comerciante seria o mentor da quadrilha.

Acidente com jovens em Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Hoje parecia ser um daqueles dias tranqüilos, com uma pauta marcada em vários lugares.
Mas, não foi bem assim.
De cara, fomos registrar imagens de um acidente grave no bairro Teixeiras.
Um jovem de 28 anos e a namorada dele, de 16, estavam seguindo no sentido do centro da cidade, quando o motorista perdeu o controle da direção e bateu de frente num poste.


Segundo a polícia militar, as marcas no vidro
são um indício de que os dois estavam sem cinto de segurança. O casal foi socorrido pelos bombeiros e levado para o Hospital de Pronto Socorro de Juiz de Fora. Eles tiveram ferimentos na cabeça e no peito. Por incrível que pareça, o volante estava entortado no sentido do vidro, o que mostra que foi
amassado pelo corpo do motorista.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Presos suspeitos de torturar, estuprar e degolar menino em Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Em abril do ano passado, um crime chocou todo mundo em Juiz de Fora.
Um menino de 9 anos desapareceu depois de brincar com os amigos num campinho improvisado num pasto perto da casa dele, no bairro São Geraldo, zona sul da cidade.
Dois dias depois, o corpo foi encontrado num matagal, com sinais de espancamento e tortura.
Marco Antônio Rangel Mendes era uma criança indefesa e morreu de forma cruel e violenta.

Na época, a família ficou muito revoltada e a polícia ouviu vários suposições sobre os autores da barbaridade.
Uma das versões era de que o irmão da vítima, conhecido como Robson Mandrake, tinha uma dívida de droga com um traficante do bairro e foi jurado de morte.
Como ele fugiu para São Paulo, a vingança foi praticada contra o menino que não tinha nada com a história.

Pouco mais de um ano depois, a Polícia Civil concluiu a investigação e apresentou dois homens como responsáveis pelo assassinato.
Eles foram dedurados por dois adolescentes suspeitos de participar do crime.
Os garotos contaram que o servente Antônio Tadeu Teodoro, de 45 anos, foi quem torturou e estuprou o garoto (na época o crime ainda era tratado como violência sexual e não estupro, como as leis determinam agora).
Ele foi denunciado por usar um estilete quente para queimar o Marco Antônio e um pedaço de madeira para espancá-lo entre os estupros.

O outro homem indiciado é o desenhista Antônio Carlos Gonçalves Mendes, de 44 anos.
Ele seria o dono da droga que o Mandrake vendeu e não teria recebido o pagamento.
Na delegacia, diante da imprensa, o Toni Way, como é conhecido, admitiu que o irmão da vítima tinha uma dívida de droga com ele.
Mas, negou ser traficante e disse que encontrou a droga na rua e passou para o rapaz vender.
Pelo depoimento dos adolescentes, o suspeito não só foi o mandante do crime, como foi quem degolou o menino usando um estilete.

O mais triste disso tudo é saber que a família percorria a cidade em busca de pistas, enquanto o Marco Antônio era torturado, estuprado e assassinado a poucos metros da casa dele.
Os adolescentes contaram que o garoto ficou preso numa casa abandonada no pasto e foi morto perto do local onde o corpo foi encontrado.
Segundo a polícia, um dos adolescentes ficou de vigia, enquanto o outro segurava a vítima para os adultos fazerem o serviço sujo.

Os dois homens indiciados vão responder por homicídio com todas as qualificações e agravante de crime bárbaro contra criança.
Quem viu a tranquilidade dos dois na delegacia ficou se perguntando se a investigação tinha chegado aos verdadeiros culpados ou se eles eram mesmo tão frios e indiferentes.
Mas, as histórias não batem.

Eles moravam no mesmo bairro da vítima, quase vizinhos, e alegaram não conhecer o garoto.
Na casa do Tadeu foi encontrada uma variedade de objetos como câmeras fotográficas, celulares, capacetes...
Ele nega participar de tráfico de drogas e afirma que achou tudo na rua, o sortudo!
O mesmo afirmou o Tony Way sobre a droga passada para o Mandrake vender.
Cem gramas de cocaína pura, avaliada em 1500 reais e encontrada no meio da rua!
Primeiro eles negaram para a imprensa ter participado do crime e depois saíram com essas histórias sem pé nem cabeça.

A Polícia Civil vai pedir o acautelamento dos dois adolescentes que participaram do crime e foram mantidos em liberdade durante a investigação.
Hoje, eles já são maiores de 18 anos, mas devem responder pelo crime praticado quando ainda eram adolescentes.
Resta saber se a Justiça vai acatar o pedido.
Se isso ocorrer, eles vão responder pelos mesmos crimes imputados aos dois homens indiciados.