Quem somos

Minha foto
JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Polícia Civil desarticula tráfico em Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Esse tem sido um ano de boas notícias para a comunidade e de prejuízos para os traficantes.
Além do GTO (Grupo Tático Operacional) de Tóxicos ter prendido os líderes do cartel das drogas em Juiz de Fora, as operações das demais delegacias têm minado a força dos traficantes em vários pontos da cidade.
O GTO continua no rastro dos traficantes que participavam do cartel e de outro esquema, comandado por um homem que cumpre pena numa penitenciária da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Na semana passada, mais três pessoas foram presas por suspeita de envolvimento na quadrilha comandada por celular de dentro de uma cela.
Ao todo, os investigadores e o delegado pediram dez prisões preventivas.
Elas estão sendo liberadas aos poucos e vão ajudar muito nas investigações e no rastreamento de outros suspeitos.

A equipe da 6ª Delegacia Distrital, responsável pela região Sudeste da cidade também tem feito a parte dela com louvor.
Só este ano foram quase 50 prisões.
As últimas foram hoje pela manhã.
Depois de dois meses de investigações, foi feita a maior apreensão de maconha deste ano em Juiz de Fora.

Os 100 quilos de maconha foram apreendidos numa casa no bairro Jóquei Clube, zona norte do município.
O produto seria fornecido a traficantes da região sudeste.
A casa estava vazia e a droga foi armazenada em malas de viagem espalhadas pelos corredores.
Um balconista de 30 anos é suspeito de ser o guarda-roupa, a pessoa que recebe para guardar droga para traficantes.
O dono do material mora no mesmo bairro.
Os dois fugiram.

O delegado Carlos Eduardo Rodrigues dos Santos, responsável pela investigação, deve pedir a prisão preventiva dos dois, que estão foragidos.
Um caminhoneiro foi detido na porta da casa do suspeito de ser dono da droga.
O motorista disse que foi comprar maconha para uso próprio.
Mas, os policiais apuram se ele faz parte do esquema que busca a droga no Paraguai e traz para Juiz de Fora.

Na semana passada, a 6ª delegacia fez outro trabalho exemplar.
A pedido da Polícia Civil de Rio Novo, investigadores de várias delegacias participaram de uma operação na zona sudeste da cidade.
O objetivo era prender dois suspeitos de assaltar casas lotéricas em cidades da região.
Um dos mandados foi cumprido na casa do suspeito, no bairro Vila Ideal.

Os policiais pularam o muro e prenderam o homem antes que ele fugisse.
O suspeito foi preso com um revólver calibre 38, 3 munições e droga.
Ao ser interrogado, o sujeito apontou o endereço onde o cúmplice costuma se esconder.
Ao chegar ao bairro Vila Olavo Costa, vizinho da Vila Ideal, os policiais civis identificaram o endereço passado como sendo de uma boca de fumo conhecida na região.

Eles entraram no local, prenderam cinco adultos e apreenderam um adolescente.
Com eles, estavam 50 buchas de maconha, 40 papelotes de cocaína, 90 pedras pequenas de crack e 10 grandes (que renderiam 100 pedras pequenas).
Um colete à prova de balas, do tipo usado por policiais foi apreendido no local.
Moral da história: dois serviços em um!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Idosa acumulou 18 toneladas de lixo em casa

Por Michele Pacheco

Parece loucura!
E talvez seja mesmo!
Uma mulher idosa juntando lixo dentro de casa, em meio a ratos, baratas e insetos.
Ela acha tudo normal e fica revoltada quando a gente aparece por lá para mostrar o absurdo.
Os vizinhos convivem diariamente com uma montanha de detritos acumulados na calçada, o mau-cheiro insuportável e o risco de doenças.

A TV Alterosa já acompanhou diversas operações de limpeza na casa que fica no bairro Santa Cândida, zona leste de Juiz de Fora.
Da última vez, foram mobilizadas 60 pessoas, oito caminhões e uma pá mecânica.
Assim que chegamos, no início da manhã, a pá estava entrando em ação.
Quando ela levantou a primeira leva de lixo da calçada, subiu uma nuvem de gás proveniente da decomposição do material orgânico que estava lá.

Nem preciso descrever o cheiro de azedo misturado com podre para que imaginem o que foi cobrir essa matéria.
E não podemos fazer nada, pois esse tipo de pauta surge sempre no início do horário.
A equipe passa o resto do expediente fedendo a lixo e coberta de uma poeira cheia de bactérias.
Mas, faz parte da profissão.
Por falar em poeira, o vento se encarregou de espalhar as partículas por todo lado, impedindo que qualquer um escapasse delas.

E quem só conhece o problema por passar pela rua, não faz idéia da loucura que é dentro da casa.
As imagens mostradas pelo Jornal da Alterosa surpreendem e chocam.
Numa das salas ficou impossível entrar, porque o lixo cobriu móveis e cada espaço vago.
Na outra, sacolas plásticas e restos de materiais foram empilhados numa escultura bizarra, que pode desabar a qualquer momento.

Mas, o pior é na cozinha.
Como alguém com a saúde mental em dia consegue viver num lugar daqueles?!
Vasilhames e panelas são colocados junto aos sacos de lixo.
A pia está coberta de comida estragada, panelas sujas e detritos.
Pelo chão, as sacolas inteiras ou rasgadas dividem espaço com roedores e baratas.
Difícil entender o que é mantimento e o que é lixo.

Há 15 anos, o Departamento de Limpeza Urbana (Demlurb) de Juiz de Fora lida com o problema da Dona Maria.
De três em três meses as equipes de limpeza são mobilizadas e vão ao local acabar com o lixão doméstico.
Mas, a cada retirada parece que o desafio dela é juntar uma quantidade ainda maior.
O Diretor de Operações do Demlurb, José Fabiano Resende denuncia que a questão é de saúde pública.
A ação irresponsável da idosa coloca o bairro inteiro em perigo de contrair Leptospirose e dengue.
Mesmo assim, as autoridades de saúde nunca resolveram a questão.

Segundo o presidente da SPM do bairro, a informação passada aos moradores é de que a Procuradoria Geral do Município entrou na justiça com um pedido de providências.
Os funcionários do Demlurb já não aguentam mais se arriscar na limpeza da casa.
Há possibilidades da família da aposentada ser responsabilizada por não tomar nenhum atitude para impedir aquela coleção grotesca.

Conversei com duas filhas.
Uma trabalha no Demlurb, disse que não há nada que possam fazer e não quis gravar entrevista.
A outra, apontada por familiares como responsável pela mãe, não quis gravar e disse que a família já tentou de tudo para ela parar com a coleta de lixo, mas a idosa se recusa a cooperar.
Uma nora que mora na parte de cima da casa e também junta lixo com o marido disse que não sabem mais o que fazer.
Parentes afirmaram que a mulher recebe pensão e não precisa do dinheiro do lixo.

sábado, 30 de outubro de 2010

Cães policiais da ROCCA - 3ª Cia de Missões Especiais

Por Michele Pacheco

Nessa semana fizemos uma matéria que homenageou com justiça as equipes do canil da 3a Companhia de Missões Especiais.
Hoje são 17 animais das raças Labrador, Rottweiller, Pastor Alemão e Pastor Belga Malinois.
Estamos acostumados a encontrar cães e condutores em todo tipo de operação, sempre fazendo um ótimo trabalho.
Mas, para entender a seriedade e a cumplicidade entre homem e cão é preciso ver de perto o treinamento deles.

Cada um tem um perfil diferente.
A Rottweiller Bruna age como se fosse a estrela do canil e parece fazer pose para a câmera o tempo todo.
E tem motivos para isso!
Por onde passa, ela chama atenção pela beleza e pela docilidade.
Em ação, faz o trabalho com dedicação e seriedade.

Ela é a veterana do canil.
Está completando oito anos e vai se aposentar.
Quando isso ocorre, o policial condutor tem prioridade na adoção do animal.
No caso da Bruna, a fila de pretendentes a donos é enorme.
Uma seleção rigorosa é feita, para garantir a segurança e a tranquilidade do cão nos últimos anos de vida.

Enquanto a Bruna se despede, a galera mais nova apronta mil e umas.
Quando estão livres da responsabilidade de defender a sociedade, são cães brincalhões e cheios de energia.
Na hora de cumprir o dever, levam a sério o trabalho e atuam com precisão e habilidade.
A Kayla é outra estrela e tem se destacado em operações arriscadas.
Quem vê a cadela da raça Malinois com aquele ar de tranquilidade, custa a reconhecer a policial ágil e empenhada das operações.

Ela ganhou destaque durante a captura de presos que estavam no Hospital de Pronto Socorro, renderam a escolta de agentes penitenciários e fugiram com as armas da escolta para o meio de um terreno baldio cheio de mato.
A escuridão tornava ainda mais arriscado o trabalho dos policiais e os canis da PM e do Ceresp foram acionados.
Calma e com total confiança, a Kayla e o colega Erol, um pastor alemão, foram passados por cima do muro pelos policiais militares e trabalharam rápido para achar os foragidos.

Durante a nossa reportagem, os policiais mostraram os diferentes tipos de treinamento que os cães recebem.
As barreiras parecem brincadeira, mas ajudam a aumentar a agilidade e o equilíbrio.
Os animais trançam por meio de grades, sobem em estruturas metálicas, passam por dentro de manilhas, saltam obstáculos e recebem elogios pelo desempenho sempre impecável.

O aro incendiado é um desafio e tanto e ajuda a manter a coragem do animal em situações imprevisívies.
Além da Kayla, participaram da gravação o irmão dela Pajé, a Bruna, o pastor Eron, irmão do Erol, e o Trovão, um Malinois de apenas sete meses que está sendo preparado para integrar o grupo.
Todos foram dignos de aplausos.
E os condutores também.
O trabalho deles é uma parceria marcada por confiança e amor.
Não é à toa que o canil da PM de Juiz de Fora tem servido de modelo para muitas cidades.

Os cães policiais também recebem treinamento específico para ações de combate à criminalidade.
Eles são preparados para desarmar bandidos durante o trabalho de abordagem.
É muito interessante esse treinamento.
Os policiais ficam atrás de escudos e pedem ao suspeito que se renda e largue a arma.
Quando ele levanta as mãos, o cão é acionado, dá a volta no bandido e retira a arma dele.

Se o policial estiver em perigo, o companheiro canino entra em ação e ajuda a livrá-lo do apuro.
O animal faz isso com cuidado e atende sem pestanejar aos comandos do condutor.
A segurança das equipes em ação é bem maior quando os cães estão por perto.
Eles se arriscam para proteger a vida dos policiais e são valorizados por isso.

Interessante ver o Eron em ação no treino de busca de droga.
Ele fica todo animado e parece se divertir muito no jogo de procurar o objeto suspeito em meio a uma parede de pneus instalada num barranco.
Ao sinal do condutor, ele parte para a área delimitada e usa o faro apurado para localizar em poucos segundos o alvo desejado.

Na hora das aulas, o grupo conta sempre com um personagem imprescindível: o figurante.
Ele enfrenta sol e calor dentro de um macacão todo acolchoado e protegido para servir de alvo no treinamento de ataque.
A estratégia é usada em casos em que os bandidos não se rendem e tentam correr.
Os cães são acionados e atacam, imobilizando o supeito até que o condutor dê a ordem para soltar a pessoa rendida.

Mais do que eficiência, o que me chama atenção no trabalho das equipes do canil é o amor do homem pelo animal e vice-versa.
É uma relação de respeito e confiança que emociona quem vê os conjuntos fora do ambiente tenso das operações policiais.
A dupla tem uma afinidade incrível.
Cada condutor conhece a fundo as qualidades e as necessidades de cada animal, que retribui com confiança e carinho.

Os sargentos Gonzalez e Wanderson gravaram entrevista na matéria que foi exibida pelo Jornal da Alterosa nessa sexta-feira, dia 29 de outubro.
Eles destacaram o papel do canil para aumentar a segurança dos policiais e da comunidade, ao evitar o uso de armas e de força bruta.
A escolha dos cães policiais é rigorosa e depende da raça e da índole dos animais.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Acidente com caminhão-tanque na MG 133

Por Michele Pacheco

Sabe aqueles dias em que você tem a ilusão de que vai cumprir o horário e correr para casa para descansar?
Pois é justamente nesses dias que as coisas teimam em acontecer.
Acabamos de fazer uma entrevista ao vivo no jornal e estávamos com aquela sensação boa de dever cumprido.
Quando voltamos para a redação, acompanhamos a discussão sobre ir ou não para Piau, onde um caminhão-tanque tinha saído da estrada e derramado a carga.

A decisão foi remanejar o horário das equipes no dia seguinte,
para que não tivéssemos que viajar às sete horas e pudéssemos ficar até mais tarde na estrada caso fosse necessário.
Seguimos para Piau. No km 28, notamos as primeiras sinalizações feitas pela Polícia Militar.
A PM de Meio Ambiente já estava por lá, avaliando os impactos ambientais.

O caminhão-tanque saiu de Juiz de Fora e seguia uma rota de entregas passando por Ubá, Guiricema, Visconde do Rio Branco e outras cidades da Zona da Mata.
Ao fazer uma curva acentuada da MG 133, o motorista perdeu o controle da direção.
Ele contou aos policiais que o caminhão "saiu" para o acostamento depois da curva e ele não conseguiu trazê-lo de volta para a pista.

A cabine ficou pendurada num barranco.
Ela deu trabalho para ser retirada, já que estava com estragos em vários pontos e empenada junto aos eixos. Dois guinchos foram para a estrada durante a noite. Mas, como a perícia não tinha sido feita, o tanque foi mantido no lugar e a cabine removida.

Com a violência do tombamento do caminhão, o tanque se desprendeu, arrastou pela margem da rodovia e caiu no barranco.
Ele foi rompido e a carga de 15 mil litros de óleo combustível vazou. Logo abaixo do local onde o tanque ficou preso na vegetação, passam dois riachos.
O produto vazou todo e caiu no córrego Caranguejo, que desagua no Rio Novo.

Encontramos na estrada também uma equipe dos bombeiros.
Eles foram chamados porque havia muito óleo espalhado no asfalto e o risco de outros acidentes. Os bombeiros usaram vários sacos de serragem para cobrir toda a mancha de óleo.
O produto não vazou do tanque e sim do motor do caminhão quando ele tombou.
Imagine o poeirão que levantou quando eles jogaram a serragem.

Chegamos uns dez minutos depois deles terem despejado o último saco de serragem no asfalto.
Ainda havia uma nuvem de poeira na estrada. Além do nariz coçando, tive que enfrentar a sensação incômoda daquelas partículas acampadas na minha lente de contato. A impressão que eu tinha era de estar piscando com dois tijolinhos agarrados em cada olho.
E o pior é que numa hora dessas nem lágrima aparece para socorrer!

Piscando desesperadamente e tentando enxergar alguma coisa, notei uma luz descendo o barranco.
Era o Robson, todo animado, indo para a parte de baixo da ribanceira fazer imagens do trecho onde o óleo vazou. A primeira coisa que imaginei foi meu marido sozinho naquela escuridão dando de cara com uma jararaca lambuzada de óleo e furiosa com a perturbação no reino dela. Mas, deu tudo certo e ele voltou inteiro para a estrada.
Gravamos o que dava durante a noite e voltamos pela manhã.
Peritos a Polícia Civil fizeram o levantamento dos estragos e funcionários de uma empresa especializada em acidentes com vazamento de produtos químicos se encarregaram da limpeza. 
A avaliação foi de que 70% da carga foram absorvidos pela terra no local do vazamento.
Os outros 30% caíram no corrégo. 
Mas, como ele tem muita correnteza, a mancha se diluiu rápido até chegar ao Rio Novo.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Chuva e vendaval causam destruição em Rio Pomba

Por Michele Pacheco
 
Os 13 mil moradores de Rio Pomba acordaram hoje com um susto e tanto.
Um vendaval seguido de chuva causou muitos estragos no centro e em alguns bairros.
Passamos a tarde por lá, acompanhando o trabalho apressado de quem teve o telhado danificado ou arrancado e corria contra o tempo com medo de outra chuva forte piorar a situação.

Num rua do centro, a cobertura metálica de um prédio de cinco andares foi arrancada pela força do vento. 
Os moradores acordaram com o estrondo e com água entrando nos apartamentos.
Sem a proteção no terraço, o aguaceiro desceu pelas escadas e passou por baixo das portas.
A imagem do alto era surpreendente.

A armação metálica foi arrancada com pilares e tudo.
Nas paredes do terraço sobraram buracos enormes nas paredes e nas muretas.
Mariléia contou que estava em casa com as duas filhas e ficou apavorada.
As crianças choravam muito, o quarto foi inundado e ela achou que o telhado ia cair em cima delas tamanha a força do vendaval.

O prédio vizinho ficou com a cobertura toda retorcida.
Ela não foi arrancada, mas causou prejuízos também.
Algumas janelas estavam com os vidros quebrados.
A rua ficou interditada o dia inteiro.
A estrutura arrancada foi lançada pelo vento em cima da rede elétrica.
Com isso, os moradores passaram a terça-feira sem energia nas casas.

No bairro Industrial, a situação também foi complicada.
Várias cercas tombaram, muros foram destruídos.
Num depósito de sacas de açúcar, a cobertura metálica nos fundos do galpão foi derrubada e retorcida.
O dono da empresa calculou um prejuízo de 500 mil reais.
Ele espera que em três meses consiga reconstruir a estrutura.
Por sorte, o material armazenado não estragou, porque estava longe da área afetada.

Segundo a Defesa Civil, 60 árvores foram arrancadas pela raiz.
Até o final da tarde, já tinham sido registradas 24 casas destelhadas.
Um delas fica no alto de um barranco e corre o risco de desabar.
A dona do barraco de quatro cômodos, a Gilmara, ficou assustada na hora do vendaval.
Ela contou que  as telhas começaram a cair e ela só teve tempo de agarrar os filhos e correr para o banheiro que é o único ponto da casa que tem laje.
O quarto, a sala e a cozinha tiveram todos os móveis destruídos.
Roupas e estofados se molharam e a família não conseguiu salvar nada.

A Polícia Militar foi acionada ainda de madrugada e registrou
8 ocorrências de estragos provocados pela chuva e pelo vento.
Por coincidência, o 3o Pelotão PM também foi destelhado.
As telhas de amianto se partiram, saíram voando e ainda havia muitos cacos espalhados pelas ruas vizinhas no final da tarde.
O pior é que deixamos a cidade debaixo de chuva.
Nem quero pensar no estrago que um temporal vai causar por lá.

Perseguição policial movimenta Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Estávamos seguindo para uma pauta na zona norte da cidade
e decidimos passar pela BR 040, caminho mais tranquilo a partir do local da entrevista anterior.
No meio do trajeto, notamos um movimento estranho de policiais militares na área.
Paramos para ver o que acontecia e descobrimos que era o registro de um roubo.

Cinco adultos e duas crianças estavam numa casa na
Avenida Deusdedith Salgado, perto de várias concessionárias de automóveis.
Por volta de duas da tarde, quatro assaltantes apareceram, renderam todo mundo, agrediram as vítimas e roubaram ferramentas agrícolas e, pasmem, galinhas!
Depois de amedrontar a família, eles fugiram pelo morro por onde chegaram.

O que os bandidos não esperavam era que uma pessoa
de moto passando pelo local notou a movimentação e acelerou para procurar ajuda.
Num trevo próximo, os policiais militares da Companhia de Trânsito montavam uma blitz, segundo o sargento Edmilson Brugger.
Ao avistar os pms, a testemunha parou, alertou sobre o crime e ainda levou os policiais ao local.
Assim que viram a PM chegando, os ladrões mudaram a direção da fuga, se embrenhando numa mata.

Foi pedido reforço policial.
Equipes da Rotam, do Choque e da Companhia Aérea foram deslocados para o bairro Salvaterra e ajudaram na perseguição.
Do alto, os policiais do Pégasus tinham uma visão privilegiada da rota dos assaltantes e indicavam às equipes de terra onde procurar.

Duro foi o Robson equilibrar o peso da câmera
e se virar todo para garantir imagens fechadas do helicóptero sobrevoando o local onde nós estávamos.
Num matéria como essa, a adrenalina corre solta e a gente nem percebe o esforço que faz para acompanhar o ritmo dos policiais, correndo para cima e para baixo.
Claro que depois a gente sente cada músculo do corpo!

Muito bacana ver a empolgação dos policiais durante a captura.
Numa hora dessas, não existe divisão de áreas.
Rotam, Choque, Pégasus, Trânsito e 32a Companhia formavam um grupo único e eficiente.
O resultado foi a abordagem de 7 pessoas.
Elas estavam no alto do pasto que fica acima da mata.

Assim que o helicóptero fez uma manobra estratégica, os sujeitos ficaram à vista.
Os policiais que subiram e desceram barranco na perseguição estavam à postos para abordar os suspeitos.
Eles foram levados pelo pasto até a parte alta do bairro vizinho, onde as viaturas aguardavam para dar apoio.
Dos sete, três admitiram ter participado do roubo.
Um jovem de 18 anos, um adolescente de 16 e outro de 15.

O mais curioso foi ver o garoto de 15 anos chegando
com uma galinha e parando ao lado dos policiais.
Ele viu o movimento abaixo, notou os colegas presos e só então virou para um pm e disse que tinha ido até eles para devolver a galinha que tinha acabado de pegar na casa branca.
Enfim, o ladrão de galinha confesso foi aprendido com os colegas.
Um deles levou os policiais até à casa do quarto assaltante, de 16 anos.

Para completar o serviço bem-feito, os policiais apreenderam um punhal
e drogas na casa de um dos suspeitos e descobriram que um dos adolescentes de 16 anos já cumpriu medidas sócio-educativas no Rio de Janeiro por tráfico de drogas, trabalhava como operador de HT (rádio do tipo que a polícia usa) para uma facção criminosa e estava escondido em Minas depois de matar duas pessoas.
Todos foram levados para a delegacia, junto com as ferramentas recuperadas e a pobre da galinha roubada.