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JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

domingo, 15 de junho de 2008

Copa Alterosa de Futebol Regional - primeiro jogo da final

Por Michele Pacheco

Foi disputada hoje, no campo do Sport, em Juiz de Fora, a primeira partida da final da Copa Alterosa de Futebol Regional. A competição começou em abril, com 12 times participantes e 360 atletas inscritos. Até agora, foram disputadas 49 partidas, com 163 gols marcados.
Nagoya, de Juiz de Fora, e XV de Novembro, de Rio Novo, são os finalistas.
No primeiro jogo, o XV mostrou a força de quem conquistou o vice-campeonato em 2007 e fez uma das melhores campanhas deste ano.
Mas, o Nagoya está vivo na parada e pode mudar tudo no domingo que vem.

Hoje, o sol forte fez os jogadores das duas equipes suarem a camisa às duas da tarde.
O time de Juiz de Fora fez pressão e tentou se impor jogando em casa.
O camisa 9, Wesley, acertou a rede pelo lado de fora.
Parecia que o Nagoya ia faturar um bom resultado em casa.

Mas, o XV de Novembro deu o troco e assumiu o comando da partida.
Num melhores lances do jogo, Janfer passou para Rafael cruzar para Hugo, que mandou uma bomba por cima do gol.
A torcida viu um toma lá, dá cá.
O XV atacava e o Nagoya revidava.

O lateral Rafael deu trabalho à zaga da equipe de Juiz de Fora.
A necessidade de conseguir uma vitória na primeira partida da final deixou alguns jogadores ansiosos e eles erraram muitos passes.
Os companheiros bem colocados esperando a bola chegar reclamaram bastante quando viram a lambaça dos colegas mais afoitos.
O time de Rio Novo aumentou a pressão. Assustado, o goleiro Sandro bobeou, quase marcou contra e cedeu escanteio.

Na cobrança, Rildo mandou a bola no fundo da rede e abriu o placar para o XV de Novembro.
A torcida que veio de Rio Novo reclamou da arbitragem, dizendo que os bandeirinhas estavam marcando muitos impedimentos do XV e nenhum do Nagoya.
Bem, torcedor que não reclama não é torcedor!

O Robson montou o tripé na arquibancada e garantiu todos os lances, que vão ao ar no Jornal da Alterosa Edição Regional desta segunda-feira, a partir de 10 para o meio-dia.
Ele registrou a chance de empate que veio numa cobrança de falta. Serginho Portugal pegou mal na bola e chutou por cima do gol.
Hugo estava disposto a aumentar o placar. Ele roubou a bola na área, partiu em velocidade no contra-ataque e cruzou para Rildo marcar o segundo dele.

No segundo tempo, o XV de Novembro manteve o ritmo acelerado.
A defesa do Nagoya marcou muitas faltas.
Hugo cobrou uma delas e chutou colocado no canto esquerdo do goleiro Sandro, marcando o terceiro do XV de Novembro.
Sentada na arquibancada, eu tive que ficar atenta ao jogo, para não perder nenhum detalhe.

O Nagoya tentou aproveitar as jogadas de bola parada, mas os jogadores falharam na pontaria.
O que teve de chutão para fora do gramado...
Rildo, o nome do jogo, não perdoou os erros do adversário. Ele entrou sozinho na área, em condição legal, cobriu o goleiro e fechou a goleada de 4 a 0.

Irritado com o resultado, Lekin fez falta e foi expulso, pois já tinha um cartão amarelo.
Ele ameaçou o juiz antes de deixar o gramado. Uma cena desnecessária e lamentável. Apesar do susto em casa, o técnico do Nagoya, Fernando César, está otimista quanto à chance de conquistar o título. Ele lembrou que o time já passou por situações difíceis, perdendo em casa na fase classificatória e foi buscar a vitória fora. Apesar da vantagem do XV de Novembro, que só precisa de um empate no próximo domingo para conquistar o título, a equipe de Juiz de Fora promete um belo espetáculo em Rio Novo.

O vice-presidente do XV de Novembro, Carlos Henrique Tostes, tem tudo para estar confiante, mas preferiu ser diplomático. Ele lembrou que o futebol é imprevisível e que, mesmo jogando melhor hoje, o próximo jogo vai ser um duelo à parte. As duas equipes vão querer mostrar tudo o que sabem para merecer o título. Aos torcedores que deixaram Juiz de Fora comemorando a mão na taça, ele mandou um recado: deixem para comemorar no domingo que vem. Apesar das palavras cautelosas, Carlos Henrique descartou qualquer possibilidade de jogar pelo empate. "Nós vamos ao campo lutar pela vitória. Nossa torcida merece comemorar, mas com muitos gols" prometeu o vice-presidente da equipe de Rio Novo.

Na saída do campo do Sport, fui abordada pelo repórter da Rádio Difusora, de São João Nepomuceno, que estava cobrindo a partida.
É muito legal ver a imprensa de toda a região se mobilizando para acompanhar a Copa Alterosa.
Parabéns a todos os profissionais que deram uma aula de disposição e consideração pelo esporte amador.
Que venham muitos outros encontros com os nossos colegas da região.
É sempre legal trocar idéias e ver como eles trabalham.

Muitas vezes lutando contra todo tipo de dificuldade para exercer a profissão.
Para mim, os radialistas e jornalistas que cobriram a Copa Alterosa são os artilheiros da competição, tendo feito muitos gols a favor do esporte na região.

sábado, 14 de junho de 2008

Bastidores da notícia

Por Robson Rocha

Hoje, como não tenho nada para escrever, vou aproveitar as operações da Polícia Federal em Juiz de Fora e jogar confete em nós da imprensa, especificamente a galera da imagem.
As imagens de todos esses dias conturbados que, infelizmente, entraram para a história de Juiz de Fora e foram divulgadas para todo o mundo em diferentes mídias são resultado do trabalho da galera da imagem.

Muitas vezes as pessoas não imaginam, mas a parte mais estressante do nosso trabalho é quando em uma cobertura não temos o que fazer.
Para exemplificar: no dia nove de abril, quando a Polícia Federal invadiu a casa do prefeito pela primeira vez, passamos boa parte do tempo na frente da residência, na expectativa do que aconteceria.

Quando as viaturas saíram, foi um alívio.
Porém, nosso drama estava apenas começando.
Durante toda a tarde, ficamos “plantados” no estacionamento da Polícia Federal, aguardando o que ia acontecer.
A cada pessoa que abria a porta por onde o prefeito sairia, era um corre-corre de cinegrafistas e fotógrafos.

Aí, alguém pode dizer: mas vocês podem ficar batendo papo.
Isso é verdade, mas um ouvido está na conversa e o outro juntamente com os dois olhos estão atentos a tudo que acontece ao nosso redor.
A tensão é muito maior.
A espera e a falta de informações vão nos deixando meio pirados porque, quando você olha para o repórter e ele sabe o que está acontecendo, é tranqüilo, porém, quando ninguém na equipe sabe, complica.

De repente, o delegado Claúdio Nogueira sai e a gente não tem tempo de pensar.
Simplesmente tem que se posicionar bem e se segurar no empurra-empurra.
Ainda assim existem dois problemas sérios nesse tipo de entrevista. Um é alguma cabeça que pode surgir entre a câmera e o entrevistado, que “gentilmente” você tem que tirar da sua frente.
E, o segundo, que é o pior que são os gravadores das emissoras de rádio.
O pessoal da TV tenta colocar os microfones a uma distancia razoável da boca do entrevistado, mas os repórteres de rádio têm que quase enfiar o gravador dentro da boca do pobre entrevistado e a gente não tem como alcançá-los para baixar os benditos gravadores.

Na saída do prefeito foi um salve-se quem puder.
No dia 22 de abril, na volta dele a Juiz de Fora, depois de 14 dias na Penitenciária Nélson Hungria em Contagem, lá estavam os microfones bem posicionados e celulares da galera do rádio enfiados na boca do prefeito.

No dia seguinte, mais um dia de castigo.
Nada acontecia e o tédio começava a tomar conta dos jornalistas.
Quem está em casa, quer ter informação e no local nada acontece.
Imagens, apenas de carros entrando e carros saindo.
Pra piorar, nesse dia ainda choveu e repórteres e cinegrafistas tinham que ficar em seus postos para garantir possíveis imagens.

As tevês precisam de informações em seus telejornais e aí a gente grava, mas no fundo não tem nada de novo nas imagens, apenas o portão fechado da casa.
E no fim da manhã, tinha que gravar rápido, pois o moto-boy já estava indo buscar a fita e o jornal entraria no ar em meia-hora.

A coisa chega a um ponto, que até tentativas de falar com alguém pelo interfone vira informação visual. Parece coisa de louco, mas é verdade. Principalmente a galera da TV que tem um jornal dali a poucos minutos e a galera da redação quer algum material. O repórter escreve e a gente se vira para garantir imagens. E não dá pra inventar.

No dia em que o prefeito retornou à prefeitura, o dia começou com o tédio da espera.
Você faz imagens das pessoas que aguardam a chegada do prefeito, enchendo lingüiça, pois a imagem que vale é a do cara. Mas, aí pra dar mais adrenalina, a redação pede um stand-up.
Você grava o stand-up com um olho no visor da câmera e o outro na movimentação e possível chegada do prefeito.
A coisa demorou tanto, que a turma que nunca aparece, a da imagem, faz pose para foto.

Mas, essa tranqüilidade acaba quando o então chefe do executivo chega.
Todo mundo quer chegar perto dele e a gente tem que proteger os equipamentos e registrar as imagens.
É uma luta desleal, onde você tem que usar a força para garantir um espaço e manter a imagem com um mínimo de estabilidade.
Além disso, tem que ajustar foco, diafragma e trocar filtros, pois os ambientes vão mudando.
E, também ficar literalmente de ouvidos ligados. Nessa hora, o fone já caiu da orelha, mas tem que ficar atento se o repórter está fazendo alguma pergunta e aí se amontoar sobre algum pobre cidadão que esteja entre você e o entrevistado.

A gente que faz imagens tem a vantagem de disparar e deixar o pau comer, mas o pessoal da fotografia é mais complicado.
No momento em que Bejani se encontra com o José Eduardo Araújo, então prefeito em exercício, pra mim foi ajustar e disparar. Já o Olavo Prazeres, repórter fotográfico da Tribuna de Minas, tinha que pegar o momento exato. O disparo dele tinha que ser na hora certa. Porém, a posição dele não ajudava, estava atrás de mim, mas olhe na foto, ele ajustou a câmera, se esticou todo e conseguiu registrar o momento sem estar olhando na câmera.

Quinta-feira, 12 de junho. Dia dos namorados e a Polícia Federal fez a imprensa se reunir novamente para mais uma manhã sem imagens. Tudo acontecia atrás de um muro enorme e a criatividade falava mais alto na hora do desespero da falta de imagens.
O Carlos Mendonça usou um monopé para transpor a muralha e registrar alguma imagem do que acontecia, mas pela cara dele, não rendeu muito.

O João Schubert, para passar o tempo ficou brincando com a máquina, enquanto eu descansava minha coluna assentado no capo do carro. O Roberto Fulgêncio parecia cansado de esperar e assentou no meio fio.

Isso, até entrar ou sair algum carro pra todo mundo se ligar e correr para registrar seja lá o que for.
O prefeito saiu e dessa vez foi direto para Belo Horizonte o que aliviou um pouco em relação à primeira prisão, quando passou a tarde toda na Polícia Federal, em Juiz de Fora.

Neste mesmo dia, fomos à tarde, cobrir depoimentos na CPI da Câmara Municipal de Juiz de Fora.
Quando você está começando o horário de trabalho, como o Luiz Carlos Soares, repórter fotográfico do jornal Panorama, a carinha ainda é de felicidade.

Mas, quando você já está dobrando o horário, a cara muda.
Muitas vezes, as pessoas acham que você está com a cara amarrada, por estar com raiva ou não gostar do que está gravando, mas não é nada disso. É apenas um reflexo do cansaço de horas com a câmera no ombro e que vão se transformar, no máximo, em minutos editados na TV.

Só pra fechar a conta, os profissionais que fazem a imagem, raramente aparecem.
Mas, bom ou ruim o material, somos nós que estamos registrando em vídeos e fotos a história dessa cidade, que hoje e no futuro será vista por milhões de pessoas em todo o mundo.
OBS:
Queríamos aproveitar e agradecer aos nossos amigos da fotografia que sempre nos mandam fotos para ilustrar o blog.
Obrigadão!!!

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Santo Antônio fujão

Por Michele Pacheco

Hoje é dia de Santo Antônio, um dos santos mais populares da Igreja Católica.
Ele é o padroeiro de Juiz de Fora e foi feriado na cidade.
Sempre que ouço falar do santo casamenteiro, lembro de uma outra história ligada a ele e às origens do município.
Guardada a sete chaves numa sala da Catedral Metropolitana fica uma imagem esculpida em madeira, com cerca de um metro e meio de altura.
Ela seria a imagem de Santo Antônio mais antiga de que se tem notícia em Juiz de Fora e foi restaurada pela última vez no século XIX.
Teria pertencido a um fazendeiro, que construiu uma capela na fazenda dele, no Morro da Boiada, atual bairro Santo Antônio, zona leste da cidade.

Isso teria ocorrido na época do surgimento do arraial de Santo Antônio do Paraibuna, que deu origem ao município.
Com o tempo, uma família importante doou terras para a construção de uma igreja na área mais central do vilarejo.
A construção foi feita e a imagem foi levada para lá.
É aí que começa a lenda que tem várias versões.

Segundo o Vigário Geral de Juiz de Fora,
Monsenhor Miguel Falabela, o que consta dos documentos da Igreja Católica é que a imagem foi levada para a capela nova e depois devolvida por padres à capela velha.
Mas, durante a noite, Santo Antônio fugia de volta para a capela nova, indicando que era ali que queria que fosse construída a igreja dele.
Realmente, no lugar da capelinha hoje existe a Catedral Metropolitana.

Já alguns históriadores contam outra versão. Os padres teriam tirado a imagem da capela velha, pois a população não tinha o mesmo carinho pela imagem nova colocada na capela recém construída. Para manter os fiéis na capela nova, a Igreja foi buscar a imagem de Santo Antônio. Inconformados, os moradores do Morro da Boiada retiravam a imagem durante a noite e levavam Santo Antônio de volta. Pela manhã, os padres iam buscá-la.
À noite começava tudo de novo.
Foram vários dias de "fuga", dando à imagem o apelido de Santo Antônio fujão.

Pesquisadores afirmam que esse tipo de situação não é raro. Em geral, a imagem acaba ficando no local para onde "fugiu". Mas, em Juiz de Fora, teria havido o contrário, com a imagem ficando onde a elite da época queria, longe do Morro da Boiada e no centro da vila. Independentemente da versão correta ou do fato ser apenas uma lenda, a história inspirou um livro que foi publicado nessa semana. O autor, Antônio Carlos Lemos Ferreira conta as diferentes versões e considera Santo Antônio um co-fundador do município, já que o arraial surgiu em torno da devoção ao santo.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

CPI Bejani - Perto do fim

Por Robson Rocha

Pela manhã, uma fonte da capital, havia nos informado sobre a existência de sete vídeos que seriam o estopim para o início da operação. Segundo esta fonte, nos vídeos haveria desde imagens de possível amante do prefeito até gravação de pagamentos de propina.

Mas, como não conseguimos confirmação de nada, seguimos com a nossa agenda, que na parte da tarde seria na Câmara Municipal.
Depois de deixar o carro em uma vaga de veículos oficiais, pois não existe onde parar para fazer matéria no legislativo de Juiz de Fora, fomos gravar mais depoimentos da CPI do Bejani.
O plenário estava lotado para ouvir os depoimentos de dois vereadores e de um empresário.

O primeiro a depor foi o vereador José Sóter Figueroa, que contou em detalhes as denúncias que teria recebido de Arlindo Geraldo de Carvalho, um consultor apontado como comprador da casa do prefeito no bairro Recanto dos Lagos.
O vereador afirmou que esteve com Arlindo por duas vezes. Uma em 28 de março e a outra no dia 16 de abril.
Segundo o vereador, Arlindo teria afirmado que Alberto Bejani recebia um milhão e meio de propina por mês, isso para favorecer algumas empresas.
Entre elas, estariam a Paraopeba, a Queirós Galvão, o grupo SIM e empresas de ônibus urbano.

Entre as denúncias apresentadas por Figueroa, Arlindo teria apresentado cheques do superintendente da Amac, Associação Municipal de Apoio Comunitário, para Marcelo Detoni, ex-secretário de Agropecuária e Abastecimento, para pagamento de carne para abastecer unidades. Mas, segundo o Arlindo, não haveria carne e sim propina. E que haveria um plano da cúpula da prefeitura para matar o empresário Omar Peres, que vinha publicando artigos contundentes contra o prefeito e alguns secretários.

No segundo depoimento, Flávio Checker disse que Arlindo o procurou e se apresentou como amigo do prefeito e estaria descontente por Alberto Bejani não pagar dívidas que tinha com ele. Por isso, Arlindo, resolveu botar a boca no trombone, denunciando esquema de favorecimento e pagamentos de propina, e falando de um plano para assassinar o empresário Omar Peres.
Segundo Arlindo, a idéia seria simular um assalto na cidade do Rio de Janeiro e que os assassinos já teriam sido contratados.
Por isso, os vereadores levaram Arlindo até Omar para contar a história.
As denuncias feitas por Arlindo também teriam sido passadas ao promotor Paulo Ramalho.

Por último, o depoimento mais esperado, já que foi anunciado à imprensa por funcionários da Câmara Municipal que seria lançada uma “bomba” sobre o caso Bejani. O empresário sócio da TV Panorama, afilada da Rede Globo em Juiz de Fora, Omar Peres disse que Bruno Siqueira, relator da CPI, conversou com um juiz federal, no dia 28 de março, para encaminhar as denúncias à Polícia Federal. E, afirmou que a “Operação Pasárgada”, em 9 de abril, foi uma coincidência.

Omar disse que foi procurado por Bruno, pedindo que tomasse cuidado sobre um atentado no Rio, e reconheceu que fez vários inimigos depois que começou a denunciar a quadrilha. Arlindo teria explicado a Peres o plano de assassinato.
Segundo ele, ao ouvir o planejamento da simulação de assalto para matar o empresário, o então secretário, Marcelo Detoni, teria dito que era melhor matar no Rio porque lá se mata e nada acontece. E Arlindo teria mostrado cheques do Abatedouro, que pertence à família Detoni, para contratar os assassinos.

Omar Peres disse ainda, que Arlindo marcou um encontro na casa do prefeito no bairro Recanto dos Lagos, onde Bejani teria pedido que Omar parasse de “bater” em troca de apoio na eleição deste ano para prefeito. Ele teria dito ao prefeito para renunciar, pois seria a única saída.
Por fim Omar disse à CPI para desacreditar o depoimento de Arlindo, pois ele teria mentido no depoimento à Comissão.
Isso é meio confuso. Pois, se for para desacreditar o depoimento porque o consultor mentiu à CPI, como ter certeza de que as denúncias feitas também não são mentirosas? Os vereadores vão encaminhar as denúncias à justiça e cobrar apuração rigorosa.

Conversamos com o ex-secretário Marcelo Detoni sobre o atentado. Ao ser perguntado sobre as denúncias, ele disse à Michele que assim que ouviu a história pela primeira vez, acionou os advogados dele para exigir que os denunciantes provassem o fato na justiça. O ex-secretário disse que o empresário tinha pisado em muitos calos pela vida toda e deveria ter vários inimigos. Detoni teme que Omar Peres seja mesmo morto e a culpa recaia sobre ele. “Eu não me sujaria dessa forma, mas temo que tudo que acontecer de errado com o Omar acabe virando minha culpa” explicou o ex-secretário.

Chegamos em casa à tarde e no Portal G1 havia um vídeo que estaria em posse da Policia Federal e foi divulgado pela revista Época, onde o prefeito aparece recebendo propina de um empresário de transporte de Juiz de Fora.
Agora, é esperar que todos os detalhes da operação sejam divulgados ou que o conteúdo dos outros vídeos que a Polícia Federal encontrou seja divulgado também.

Operação "De Volta para Pasárgada" - prefeito de Juiz de Fora preso de novo

Por Michele Pacheco

Quinta-feira, dia dos namorados, nós dois trabalhando na parte da tarde... Estávamos pensando em passar a manhã namorando e curtindo o sossego do nosso cantinho. Mas, um casal de jornalistas nem deveria se dar ao trabalho de fazer planos desse tipo. Eles com certeza vão dar errado. Como se não bastasse o Robson sair às cinco da manhã para adiantar imagens de um incêndio enquanto eu tentava avisar nossa chefe, quando ele voltou tivemos que sair.
Destino: plantão na porta da casa do prefeito Alberto Bejani, no bairro Aeroporto, área nobre de Juiz de Fora.

Encontramos os colegas da imprensa reunidos por lá.
Calçada virou cadeira na falta de um lugar mais confortável.
Na espera longa, cada repórter tentava mobilizar as fontes para conseguir alguma novidade sobre a prisão do prefeito e o trabalho da Polícia Federal em vários pontos da cidade.

Descobrimos que além de Alberto Bejani, alguns secretários municipais estavam na mira da polícia e tiveram as casas vasculhadas.
Nas residências de dois deles foram apreendidos documentos.
O nono andar do prédio da prefeitura, onde funciona o gabinete do prefeito foi interditado enquanto os agentes cumpriam o mandado de busca e apreensão.

Os muros altos da casa do prefeito e a dificuldade para enxergar o que se passava lá dentro levaram o repórter fotográfico Carlos Mendonça a improvisar.
Lógico que ninguém perdoou e as gozações foram muitas. "Ah, se essa câmera cai lá dentro", " Isso é um jeito novo de pular o muro?" foram apenas algumas das gracinhas que o coitado do Carlos teve que ouvir. Mas, quem ri por último, ri melhor, como diz o ditado. Com a câmera num suporte, ele tentou fotografar alguma ação por cima do muro. Depois, correu para conferir o resultado da estratégia.

Enquanto os fotógrafos clicavam sem parar em busca de alguma distração, o Robson escorava nos carros de imprensa para descansar o esqueleto cansado por ter acordado de madrugada para trabalhar. Como ele vive fotografando os colegas em todo tipo de situação para colocar aqui no nosso blog, agora também está na mira deles. Todos disputando uma foto que sirva de vingança. Enquanto não conseguem, vão nos munindo de material para contar os bastidores do jornalismo em Juiz de Fora.

No meio da manhã, alvoroço na área.
Não, não era o prefeito saindo ou a polícia federal chegando.
Eram nossos colegas Ricardo Beghini, repórter do Jornal Estado de Minas,
e Wallace Mattos, repórter do Jornal Tribuna de Minas.

O Beghini foi vítima da gozação dos entediados amigos que aproveitaram que ele chegou tarde para perturbá-lo.
E o Wallace passou por lá para dar um alô.
Aproveitaram para posar para fotos.

Enquanto a gente tentava passar o tempo, pela cidade outras equipes de reportagem se desdobravam para cumprir os objetivos de cada uma. Houve três prisões na sede da Astransp, Associação das Empresas de Transporte de Juiz de Fora. Três empresários da mesma família, donos de uma empresa de ônibus, foram presos por suspeita de pagamento de propina ao prefeito para liberação de aumento de passagem. O preço previsto era de R$1,63, mas a prefeitura aprovou o pedido dos empresários e passou o valor para R$ 1,75. Na casa de um dos suspeitos, no Morro da Glória, a polícia apreendeu documentos e veículos. Um cunhado do prefeito também foi preso, pois teria bens irregulares no nome dele e seria cúmplice de um esquema de favorecimento de algumas empresas em contratos sem licitação.

Cada carro da Polícia Federal que chegava na casa do prefeito gerava uma correria entre os jornalistas. Nós todos precisávamos de confirmação para as inúmeras informações que íamos recebendo das fontes. Alberto Bejani deixou a casa dele às onze da manhã, num carro da Polícia Federal e foi levado direto para Belo Horizonte. Numa Rádio de Santos Dumont, que estaria no nome dele e da primeira dama, Vanessa Loçasso Bejani, os policias deram buscas e encontraram R$178 mil num cofre que ficava na sala da Vanessa, diretora-geral da rádio. O meio de comunicação teria sido comprado pelo casal por R$10 mil, valor considerado muito abaixo do previsto no mercado. A polícia suspeita que a rádio era usada para vender comerciais super-faturados.

Deixamos a casa do prefeito junto com o resto da imprensa, mas tivemos que voltar para procurar o motoboy que tinha sido enviado para pegar a fita. Foi quando o Robson notou num canto da rua um tripé abandonado. O equipamento tinha sido esquecido pelo cinegrafista da TV Panorama. Com medo de que ele fosse roubado, o Robson fez o "resgate". Levou o tripé para a TV Alterosa e avisou ao pessoal para ir buscar na nossa portaria. Se fosse nosso o equipamento gostaríamos que alguém tivesse feito o mesmo. Quando achamos que o plantão tinha acabado, fomos mandados a uma revendedora de veículos que pertece a um dos empresários presos.
Os policiais federais apreenderam dois malotes com documentos e voltaram para a delegacia.

Ainda não era dessa vez que a gente ia conseguir descansar...

Incêndio no centro de Juiz de Fora

Por Robson Rocha

Hoje, por volta de cinco da madruga o telefone da Michele tocou. Era uma fonte passando que havia um incêndio de grandes proporções no centro de Juiz de Fora. Mais precisamente na avenida Getúlio Vargas, próximo ao antigo Granatão.

Levantei e peguei nossa câmera, mas como diz o ditado: “em casa de ferreiro o espeto é de pau”, as baterias estavam descarregadas.
Então, parti para o plano “b”.
Enquanto a Michele ligava para a nossa chefe, peguei meu carro, fui até a TV e peguei uma câmera e luz.
Só havia um carro na TV, então decidi ir com o meu mesmo, pois precisariam do outro carro.
Chegando no local, fui barrado, mas quando me reconheceram, me deixaram passar.
Deixei a chave com um bombeiro que manobrou o carro pra mim, enquanto garantia as primeiras imagens na avenida Getúlio Vargas.

Logo, outro bombeiro me alertou que seria melhor ir pela rua de trás, a Batista de Oliveira, onde daria, segundo ele, uma melhor visão do incêndio.
Fui para lá e outras viaturas dos bombeiros estavam posicionadas dentro do estacionamento do Bahamas. Fiz algumas imagens e logo um bombeiro alertou pelo rádio que a imprensa havia chegado e perguntando se poderia gravar alguma coisa. Bem, até aquele momento eu era a única figura da imprensa no local. Como fui o primeiro maluco a chegar ali, realmente era comigo.

O comandante pediu que me mandassem para um outro local, onde ele estava e dava para ver as chamas.
Fui, entrei em um beco que eu não conhecia e notei que ali existem várias casas abandonadas que, segundo alguns moradores, são usadas para prostituição e tráfico de drogas, além de funcionar de esconderijo para bandidos.
Mas, segui o caminho.

Quando cheguei no local, encontrei o Tenente Coronel Rodney Magalhães comandando pessoalmente a operação.
Ele me disse para subir em uma laje.
Aí, a falta de preparo físico falou alto. Passei o equipamento e quando fui subir... que dificuldade, foi difícil puxar meus mais de 90 quilos pelos braços, mas consegui.

O Tenente Coronel Rodney disse que havia brinquedos e tecidos no prédio em chamas e a preocupação era para o fogo não se espalhar, pois em volta, além de vários prédios antigos, havia depósitos e estacionamentos.
Todos eles com um pontecial enorme de combustão.

De cima dava para ver o estrago, mas a quantidade de fumaça era muito grande e às vezes dificultava a respiração. Fiz as imagens e quando peguei minha “xeretinha” para fazer algumas fotos, a pilha acabou e as novas estavam no carro.
Quando foi mais ou menos seis e meia a equipe do horário chegou, o Marco Fagundes assumiu meu posto na laje.

Quando desci, passei para o Evandro Medeiros, o repórter, o que eu tinha de imagens.
Dali fui embora para levar minha filha ao colégio e de longe dava para ver a coluna de fumaça, apesar do incêndio estar controlado.

Eram 7 da manhã quando passei na TV e deixei o equipamento.
Avisei que a Michele e eu tínhamos recebido a informação de que o prefeito de Juiz de Fora seria preso novamente.
Cheguei em casa e comecei a escrever esse texto, mas me ligaram da tv para irmos trabalhar.