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JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Tumulto na Câmara Municipal de Juiz de Fora - Democracia ou Baderna?

Por Michele Pacheco

Deplorável.
Essa é uma forma bem suave de descrever as cenas que vimos hoje na Câmara Municipal de Juiz de Fora.
Tantas pessoas lutaram e morreram para devolver a democracia ao país, e somos obrigados a presenciar as besteiras que alguns grupos fazem em nome dela!
Hoje, depois de um recesso, os vereadores fizeram a primeira reunião. Na pauta, entre outros assuntos, a votação do parecer da Comissão de Exame de Denúncia. O documento pedia que a Câmara acatasse as denúncias de corrupção e de quebra de decoro parlamentar contra o ex-presidente do Legislativo, Vicente de Paula Oliveira, o Vicentão.

Quando chegamos, o plenário estava cheio de partidários do ex-presidente da Câmara.
Muito agitados, eles se mostravam dispostos a mostrar em alto e bom som que apoiavam o vereador denunciado.
Por outro lado, membros do Comitê Contra Corrupção montaram uma mesa na calçada para recolher assinaturas num abaixo-assinado pedindo a cassação do Vicente de Paula. Pouco antes da sessão começar, o grupo também foi para o plenário e o clima ficou tenso.
A reunião começou com gritos e aplausos dos partidários do vereador do PTB e vaias dos integrantes do Comitê.

Quando o presidente da Câmara, Francisco Canalli suspendeu a reunião por dez minutos para se reunir com os vereadores, houve inquietação.
João de Deus, um dos integrantes da Comissão de Exame de Denúncia se recusou a participar da reunião e denunciou que um esquema tinha sido armado para garantir que Vicentão saia ileso das investigações.
Os colegas dele negaram a afirmação.

No plenário, os dois lados representados começaram a se insultar.
Segundo testemunhas, o segurança do ex-presidente da Câmara, Genésio da Silva, liderava os gritos de apoio ao vereador.
Enquanto isso, os integrantes do Comitê protestavam contra a reunião.
O clima ficou pior.

Genésio se aproximou da líder do Comitê, Vitória Mello, que denunciou ter sido ameaçada por ele.
"Eles vieram aqui para atrapalhar um processo democrático. Desde o início, estão nos ofendendo e tentando impedir que o Comitê lute pela punição dos corruptos" desabafou a sindicalista.

Segundo os representantes do comitê, Genésio coordenava os partidários do vereador denunciado, fazendo gestos de incentivo no meio do tumulto.
Quando perguntado sobre a agressão, negou ter incitado a violência e disse que apenas revidou as ofensas que faziam ao Vicentão.
Uma das manifestantes que pedia a cassação teve o mega-fone arrancado das mãos com violência.

O professor Rubens Martins, do comitê, estava revoltado com as cenas de violência.
Ele mostrou a perna machucada e reclamou que a Câmara é um lugar de democracia, de discussões sérias.
Disse ainda que as agressões sofridas por ele e por outros colegas são absurdas.
A Polícia Militar foi chamada e recebeu várias reclamações de agressão praticada pelos eleitores do Vicentão.
O clima só ficou mais calmo com o reinicio da reunião.
O parecer da Comissão de Exame de Denúncia foi aprovado por unanimidade e a Comissão de Ética foi formada.
Os nomes dos cinco integrantes foram sorteados. A Comissão Especial de Ética tem os mesmos poderes de uma CPI e 45 dias para apresentar o relatório.

Os sorteados são Eduardo Novy, Romilton Faria, João do Joaninho, Flávio Checker e José Sóter Figuerôa.
O Vicentão reclamou que era ilegal os vereadores votarem e participarem da Comissão de Ética, pois legalmente, ao aceitar o parecer, são acusadores.
Como a lei não permite que quem acusa também julgue, ele defendeu a suspensão da Comissão.

O presidente da Câmara defendeu a casa, alegando que todas as decisões foram tomadas com base nas orientações dos procuradores do Legislativo.
Enquanto as discussões seguem, Vicentão mantém a campanha como candidato a vereador.
Afinal, ele ainda não foi condenado por nenhuma das denúncias que responde na justiça.

Infração ambiental

Por Cabo Melo -13ª Cia Ind Mat

Policiais ambientais da 13ª CIA IND MAT, abordaram e fiscalizaram o veículo Ford F 4000, placa GNB5516 de Tiradentes, Minas Gerais o qual transportava aproximadamente dois metros cúbicos de madeira (massaranduba e cedro).

Ao indagar o condutor sobre os documentos referentes a origem da madeira, o mesmo alegou que o transporte era sem prova de origem.
Diante dos fatos, foi dada voz de prisão em flagrante ao condutor e sendo confeccionado o auto de infração ambiental.

sábado, 16 de agosto de 2008

Apreensão de droga em Barbacena

Por Assessoria de comunicação da 13ª Cia MAT

Barbacena, 16 de agosto de 2008. Policiais militares do 1º Pelotão Rodoviário da 13ª Cia. PM Ind. MAT efetuaram a prisão em flagrante delito de 03 (três) cidadãos infratores por tráfico de entorpecente: E. M.R, 20 anos, J. C. O. P, 22 anos, R. A. M, 24 anos, residentes em Barbacena/MG.O fato ocorreu durante patrulhamento à MGT 265, via de acesso ao Distrito de Pinheiro Grosso.
A guarnição rodoviária, durante o exercício do policiamento preventivo, adentrou em uma via de acesso não pavimentada, local conhecido pela guarnição como ponto de homizio de ocorrências anteriores relacionadas a furtos, roubos de cargas e veículos. No decorrer da patrulha os policiais militares depararam com o veículo Fiat/Fiorino, GRG 7263, licenciado em Barbacena e, próximo ao veículo os cidadãos infratores. Estes, ao perceberem a aproximação da Guarnição arremessaram em direção à vegetação próxima, um determinado
objeto.
Durante a abordagem e vistoria no interior do veículo, os autores salientaram que o referido objeto era, na verdade, um “tablete de maconha”. Ressaltaram ainda, que a droga seria divida em partes iguais. Diante de tal afirmativa, a Guarnição Rodoviária, com o auxílio de uma corda, conseguiu localizar e retirar do interior de um abismo 01 (um) tablete de 700g de “maconha” prensada.
Os cidadãos infratores foram presos em flagrante delito e conduzidos, juntamente com a “DROGA”, à 9ª DRPC de Barbacena, onde foram autuados pela autoridade policial. Quanto ao veículo, este foi removido ao pátio credenciado para vistoria.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Barbacena - 217 anos de história

Por Michele Pacheco

Sempre gostei de Barbacena. Quando era criança, eu ia para lá com a minha família.
Meu pai é veterinário e sempre tinha na Expo. Agropecuária algum fazendeiro a quem ele dava assistência.
Eu achava lindo o parque de exposições e adorava ver os animais e me divertir no parque de diversões.

Quando eu entrei na TV Alterosa, em 1997, uma das primeiras matérias que fiz foi sobre o cultivo de rosas em Barbacena.
Início de carreira, ainda insegura, com medo de errar e tentando lembrar de todas as dicas que o pessoal de BH tinha me passado!
Mesmo assim, foi muito bom voltar a Barbacena.
Era a primeira de muitas reportagens que eu faria por lá.

Hoje, voltamos à cidade para cobrir as comemorações do aniversário de 217 anos.
Fomos direto a um hotel, onde foi pintado um painel que resume a história de Barbacena.
Ele mistura os índios Puris, os primeiros habitantes, com os garimpeiros que vieram de toda parte do Brasil Colônia em busca de riquezas.

Há ainda a Fazenda da Borda do Campo, o Caminho Novo e os cinco Inconfidentes que nasceram na cidade.
Montado num cavalo, aparece Tiradentes.
Joaquim José da Silva Xavier era Alferes e foi enviado para combater os salteadores que atacavam os tropeiros que levavam ouro, pedras preciosas e alimentos entre o Rio de Janeiro, Capital do Império, e Ouro Preto.

O painel foi pintado em acrílico sobre gesso. A obra é do artista plástico Lourival Vargas, nascido em Ibertioga, perto de Barbacena. Ele foi convidado pelo dono do hotel para ilustrar todos os quartos com pinturas sobre Minas e Barbacena. O painel levou uma semana para ficar pronto. Lourival conta que ficou feliz com o resultado e que os visitantes têm à disposição informações em texto sobre os elementos históricos registrados na pintura. Segundo o dono do hotel, os hóspedes adoram a pintura.

Andando pelas ruas para fazer imagens da cidade, encontramos o Moacir. Ele é Chef de Cozinha e mora nos Estados Unidos. Mas, sempre que tem um tempo livre, o barbacenense volta à terra natal para matar as saudades. E faz questão de dizer que tem muito orgulho do lugar onde nasceu. Moacir está sempre em busca de novas fotos, registros que imortalizam a história de todos aqueles que fizeram o município ser o que é hoje. O chef de cozinha aproveita as visitas à família para expor uma coleção especial de fotografias sobre a história de Barbacena.

O Robson adora fotos antigas e aproveitou para registrar o máximo que pôde. Como nosso tempo estava apertado, só nos restou fazer imagens gerais e gravar a entrevista. As fotos são lindas e fazem a gente viajar, imaginando como era antigamente. Mostram as igrejas em construção e diversos pontos turísticos. Um deles é a Praça do Globo, com o obelisco que é visto de longe. No alto de uma pilastra está um globo que foi instalado para marcar o fim da escravidão.
Ele lembra também a força política de Barbacena ao longo dos séculos.

A cidade surgiu às margens do Caminho Novo, encravada na Serra da Matiqueira.
A estrada foi construída por Garcia Rodrigues Paes Leme, filho do bandeirante paulista Fernão Dias.
A idéia era reduzir a distância entre o Rio de Janeiro e Ouro Preto, criando uma estrada sem ramificações e com postos alfandegários, o que impediria o desvio de carga e dificultaria a ação dos salteadores.

Garcia construiu, em 1698, uma fazenda como base durante o trabalho.
A Fazenda da Borda do Campo tinha uma capela de Nossa Senhora da Piedade, que foi transformada em Matriz em 1726. O arraial surgiu ao redor da fazenda e da capela.
Em 1791, a exploração do ouro já estava decadente e o Arraial da Igreja Nova de Nossa Senhora da Piedade foi elevado à categoria de vila e município, passando a chamar Barbacena em homenagem ao Visconde de Barbacena, Luís Antônio Furtado de Castro do Rio de Mendonça e Faro.

A cidade foi um dos berços da Inconfidência Mineira.
Quando foi trabalhar na região como Alferes, Tiradentes aproveitou para difundir os ideais de liberdade.
Ele formou um grupo e contou com o apoio de 5 barbacenenses. Padre Manoel Rodrigues da Costa, José Lopes de Oliveira, Coronel José Aires Gomes, Coronel Francisco Antônio de Oliveira e Dr. Domingos Vidal Barbosa foram os Inconfidentes do município.
Depois que o movimento foi sufocado, Tiradentes foi esquartejado no Rio de Janeiro.
O braço direito dele está enterrado em Barbacena. Os outros rebeldes da cidade foram exilados.

Barbacena é uma cidade de clima ameno, fica a 1.136 m de altitude e é considerada uma das dez cidades mais elevadas do país.
No início, a região era habitada pelos índios Puris.
Depois, vieram os portugueses colonizadores e os bandeirantes paulistas na corrida do ouro.

Desde a época dos tropeiros, a vocação para o comércio surge como uma das principais atividades econômicas. Hoje, o município se destaca na fruticultura e na produção de flores, em especial as rosas.
Dois eventos anuais ajudam a divulgar o agronegócio:
a Exposição Agropecuária e a Festa das Rosas.
Com cerca de 110 mil habitantes, Barbacena consegue misturar a tranqüilidade das cidades do interior mineiro com a infra-estrutura de um município em desenvolvimento.

Conhecida como Cidade das Rosas e dos Loucos, Barbacena está diretamente ligada à história da psiquiatria no Brasil.
O Hospital Colônia foi inaugurado no início do século XIX e funcionou bem por algum tempo. Depois, começou a ficar superlotado e foi denunciado por torturas e mortes suspeitas.
Todo reformulado, hoje ele oferece conforto e atendimento de qualidade aos pacientes.

Muitos deles, são remanescentes da époda dos "Porões da Loucura" e não tinham para onde ir. Longe de ter vergonha dessa história, a cidade procura menter vivo o passado, para que os erros não se repitam no atendimento psiquiátrico brasileiro.
O "Festival da Loucura" é um evento anual que mistura arte e discussões sérias sobre psiquiatria.

Bom, diante de todas essas informações, já deu para notar que vale a pena dar uma conferida de perto.
A cidade é uma ótima opção de turismo e fica a 165 km de Belo Horizonte, a 273 km do Rio de Janeiro e a 532 km de São Paulo. Os principais acessos são pelas BRs 040 e 265.

Os visitantes podem tirar fotos lindas nos marcos históricos, visitar o Museu da Loucura e ainda comprar flores frescas e artesanato variado.
Algumas fazendas de cultivo de flores aceitam visitas.
No roteiro de viagem, vale a pena acrescentar uma ida a São João del Rei (60km de Barbacena) e a Tiradentes (45km de Barbacena), completando a história do período do ouro e conhecendo melhor o papel dos Inconfidentes.

Em Ponte Nova, mãe acorrenta a filha usuária de crack

Do Jornal Unidade de Notícias

www.unidadenoticias.com.br

Em 10/08, por volta das 10:00 horas, o 190 da PM foi acionado por populares residentes na Vila Alvarenga, dizendo que dentro de uma casa estavam ouvindo gritos de pedidos de socorro de uma mulher, sendo que a casa estava com o portão e a porta trancadas.
Imediatamente uma guarnição da PM se dirigiu ao local onde constataram que de fato havia uma mulher gritando dentro da casa.
Os policiais arrombaram o portão e a porta entrando depararam com Joice Mariele da Silva Barbosa, 24 anos, acorrentada em uma cama, e ao seu lado duas crianças, seus filhos de 2 e 3 anos.

Os PMs que solicitaram a presença de um chaveiro que com um alicate especial cortaram a corrente. Joice informou que sua mãe Nedina da Silva Pinho, 60 anos, que havia amarrado ela na cama e saiu de manhã para trabalhar.
Os policiais se dirigiram até o bairro CDI onde Nedina trabalha, onde contou que já não agüentava mais o que Joice vinha fazendo.
Segundo ela sua filha estava ficando violenta e estava pegando tudo de dentro de casa para vender e comprar drogas, como crak e que este foi um momento de desespero seu para conter a filha.

As filhas de Joice foram encaminhadas para a casa de uma vizinha próxima até que a justiça tome providências.

Nedina e Joice foram encaminhadas até a 12ª DEPOL, onde as autoridades competentes tomarão as devidas providências.
Nedina poderá responder pelo crime de cárcere privado.

Fonte: www.unidadenoticias.com.br

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Primeira transmissão de TV no Brasil e a primeira emissora de TV do interior do Brasil

Por Robson Rocha 

A gravação de uma matéria nos fez voltar no tempo nessa semana. 

A pauta era a primeira transmissão de televisão no Brasil, realizada em 1948, por Olavo Bastos Freire. O primeiro local marcado para as gravações da matéria foi o prédio da Funalfa, antigo prédio da Prefeitura de Juiz de Fora. 
Lá encontramos com Nilo Campos, chefe da Divisão de Memória da Funalfa.
Ele nos levou até uma sala onde estão guardadas relíquias da televisão brasileira. Entrando na sala, logo foi possível ver a câmera. Ela foi montada sobre uma espécie de caixa, que funciona como um pedestal e que permite movimentos de pan horizontal e vertical. Do lado de dentro da caixa ainda existe uma série de engrenagens que permitem a variação na altura da câmera. Em princípio, segundo informação colada na base do equipamento, a câmera possuía cerca de 120 linhas e 30 quadros por segundo e depois foi modificada para 262 linhas 
60 quadros por segundo.

Ela era ligada a um pequeno transmissor. O receptor era uma caixa preta onde havia um monitor de 3 polegadas. Foi com esses equipamentos, que o próprio Olavo Bastos construiu, que no dia 28 de setembro de 1948, foi realizada a primeira transmissão experimental de televisão no Brasil. O fato aconteceu diante de várias testemunhas. Generais do exército, prefeito de Juiz de Fora e várias autoridades acompanharam no monitor imagens do Parque Halfeld e da Avenida Rio Branco, geradas da sacada do prédio da prefeitura Municipal.
Tudo foi registrado pelo cineasta João Gonçalves Carriço e hoje é parte do acervo que está na Cinemateca de São Paulo. Em 1950, Olavo Bastos transmitiu o primeiro jogo pela TV no Brasil, Bangu e Tupi. O jogo aconteceu em Santa Terezinha e foi assistido no centro de Juiz de Fora. O equipamento, hoje, não funciona mais, mas Nilo Campos sonha em ter o equipamento recuperado e exposto.
Porém, apesar de Juiz de Fora possuir quatro canais de televisão, ninguém se interessou em tentar recuperar essa parte da nossa história. Existe pouco material sobre Olavo Bastos Freire, que morreu em 2006. Os relatos são apenas da primeira transmissão em Juiz de Fora e que Bastos teria ajudado a montar a TV Paranaense, primeira emissora do Paraná.
Mas , em 2000, o professor de cinema Rogério Terra Jr gravou um documentário com o técnico em eletrônica. No vídeo, o Olavo explica como montou a câmera, o transmissor e o recpetor. Esse é o melhor material sobre Olavo Bastos Freire. Documentos e projetos dos equipamentos também estão guardados com a prefeitura. Mas, segundo Nilo Campos, muito se perdeu com a morte de Olavo. A família teria se negado a doar o restante do material.
Outra aula que tivemos, graças a essa pauta, foi com o Natálio Luz. Uma pessoa especial que nos contou como foi o inicio da primeira televisão do interior do Brasil, a TV Industrial. Ela foi inaugurada em julho de 1964 e possuía uma torre helicoidal, 1ª do tipo na América do Sul. Foi uma emissora com sede em Juiz de Fora e considerada a primeira emissora de televisão a funcionar no interior do país. Segundo Natálio, o regionalismo da TV Industrial se confirmava com uma programação onde 80 % da produção acontecia no estúdio no Morro do Imperador.
Eram telejornais, programas esportivos e principalmente programas de auditório. O restante complementado com filmes fornecidos pela Herbert Richards, Viacon e Century Fox. Natálio ainda nos contou sobre as dificuldades de se produzir e que todo mundo fazia de tudo por trás das câmeras para que os programas fossem ao ar.
Além disso, segundo ele, todo mundo aprendeu televisão fazendo e sem saber se estava fazendo da forma certa. Mas, acima de tudo a equipe tinha garra. Ele mesmo foi diretor, locutor, apresentador de vários programas. Ele nos mostrou emocionado o script do TV-Jornal, que se iniciava com o seguinte texto:
“Boa noite, amigos telespectadores. No ar o TV-Jornal, o jornal da cidade. Apresentação diária da TV Industrial de Juiz de Fora, canal 10”.
Como dá pra ver na foto acima, não havia teleprompter e o apresentador tinha que tentar memorizar o texto, senão o jeito era ler as laudas, ou o texto, em folhas que ficavam na mão. O silêncio no estúdio na hora do jornal tinha que ser absoluto e o apresentador também tinha que ter uma boa voz. Isso porque não havia microfone de lapela e o operador de boom também tinha que ficar esperto com o microfone na mudança de apresentador.
Com a venda da TV Industrial para a TV Globo, Natálio continuou trabalhando por um tempo na nova emissora na área comercial.
Em uma das fotos na TV Industrial encontrei de um lado de Natálio, Ivam Costa, que hoje é locutor da Rádio Globo Juiz de Fora. Do outro lado, Sebastião Cosme, que foi um dos primeiros operadores de câmera de Juiz de Fora e participava de todos os programas da TV Industrial. Ele foi meu Supervisor, na TV Globo Juiz de Fora, e hoje continua trabalhando como Supervisor de Operações da TV Panorama. Natálio Luz nos contou várias histórias e foi de uma simpatia com nossa equipe, que não temos como agradecer.
Ele nos deu uma aula de rádio e televisão. Sem falar que o jeito dele é muito interessante. Parece um cavalheiro à moda antiga. Recebeu a Michele com um beijo na mão e fez questão de tirar uma foto com ela. Quem sabe, uma das faculdades de Juiz de Fora não organiza para o *Dia da Televisão, 18 de setembro, uma palestra com os profissionais que começaram a televisão em Juiz de Fora com a TV Industrial. 

*O Dia da Televisão foi instituído pela lei federal no 10.255, de 9/7/2001, para ser celebrado a 18 de setembro, em todo o Brasil.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Luiz Carlos Duarte expõe no Rio e em Barretos

Do Jornal Panorama - Mariana Nicodemus
c i d a d e @ j o r n a l p a n o r a m a j f. c o m . b r

Das montanhas mineiras, com seus cafezais, às planícies dos canaviais paulistanos em 50 imagens.
O trabalho do repórter-fotográfico rionovense Luiz Carlos Duarte promete levar o público à paisagem e ao dia-a-dia dos participantes da Cavalgada do Centenário, que percorreu 830km, de Goianá (MG) a Barretos (SP), em 2007, em homenagem aos cem anos do arquiteto Oscar Niemeyer.

Em duas mostras simultâneas, no Rio de Janeiro e em Barretos, as fotografias estarão expostas de 12 a 31 de agosto.
Patrocinada pelo grupo Os Independentes, que organiza a Festa do Peão Boiadeiro, a exposição
revela cenas do caminho entre Minas e São Paulo percorrido pelos “Cavaleiros da Cultura”.

Em julho do ano passado, 18 pessoas cavalgaram durante 18 dias para chegar a arena de Barretos, projetada por Niemeyer, no dia da abertura da 52ª edição da tradicional festa local.
No caminho, distribuíram 12 mil livros do arquiteto e de outros autores nas 18 cidades por onde
passaram.

O projeto foi idealizado pelo neto de Oscar, Carlos Oscar Niemeyer, e beneficiou 25 bibliotecas
públicas pré-cadastradas.
O repórter fotográfico Luiz Carlos Duarte acompanhou a aventura, registrando detalhes não só do recebimento das doações, mas do cotidiano de cada localidade visitada.

Com um acervo de quatro mil imagens, o “Fotógrafo Oficial da Cavalgada” selecionou 50 para sua primeira exposição individual.
Para Duarte, estrear logo com duas mostras simultâneas é uma experiência emocionante.
— A sensação é de frio na barriga. Nunca imaginei expor meu trabalho em um local que só costuma receber obras de arte — comenta, lembrando que é a primeira vez que a Galeria Anna Maria Niemeyer, no Rio, recebe uma mostra fotográfica.

Em Barretos, “Cavalgada do Centenário” será exposta em dois espaços:
na Estação Cultural Placidino A. Gonçalves, de 12 a 20 de agosto,
e no Memorial do Peão Boiadeiro, de 21 a 31, durante a festa da cidade.

Fonte: Jornal Panorama
www.jornalpanoramajf.com.br

domingo, 10 de agosto de 2008

Ex-prefeito de Juiz de Fora deixa penitenciária

Por Michele Pacheco

O ex-prefeito de Juiz de Fora, Carlos Alberto Bejani (PTB) deixou a Penitenciária Nélson Hungria, em Contagem, à meia-noite desse sábado.
Ele seguiu direto para a casa da família, no bairro Aeroporto, zona oeste de Juiz de Fora.
Bejani passou o Dia dos Pais com os filhos, descansando em casa.
Às duas e meia da tarde, ele saiu à pé para conversar com os jornalistas.
Abatido, com a barba por fazer e oito quilos mais magro, o ex-prefeito atendeu a todos e respondeu a muitas perguntas.
Bejani falou dos 58 dias atrás das grades.

Com expressão cansada, ele contou que viveu momentos difíceis vendo as condições dos presos.
Reclamou da comida e do esquema de banho de sol.
O ex-prefeito já foi preso duas vezes neste ano.
No dia 9 de abril, ele foi detido em casa pela Polícia Federal, durante a Operação Pasárgada.
Da primeira vez, ficou 14 dias na penitenciária por ter sido flagrado com porte ilegal de munição de uso exclusivo das forças armadas. Na casa de Bejani foram apreendidas armas, munição calibre 9mm e R$ 1,2 milhão em dinheiro.
No dia 12 de junho Bejani voltou a ser preso, na Operação De Volta para Pasárgada.

A Polícia Federal divulgou que a origem do dinheiro apreendido estava mal explicada e havia índicios de que era ilícita. A prisão coincidiu com a divulgação de vídeos em que o ex-prefeito aparecia negociando e recebendo propina de empresários do transporte coletivo para subir o preço da passagem.
Pressionado, Bejani renunciou de dentro da cadeia ao cargo de prefeito.
Ele foi indiciado pela PF e responde a acusações de falsidade ideológica, peculato, ameaça, formação de quadrilha, concussão, corrupção passiva e prevaricação.

Conversando com os repórteres hoje, ele voltou a afirmar que os vídeos foram gravados por ele e um empresário de transporte coletivo para expor um esquema para atrapalhar a campanha dele de reeleição.
"O vídeo foi gravado dentro do escritório do Bolão. Fomos informados que o empresário estava oferecendo cerca de um milhão (de reais) para qualquer material que me incriminasse. Nós queríamos usar as gravações para pegar o empresário e provar o que ele estava fazendo. Eu guardei os DVDs na minha sala, na prefeitura. Vocês acham que eu iria deixar tão à vista algo que me incriminasse?" contou o ex-prefeito.
Ele negou também a existência de vídeos com conteúdo erótico dele e de uma possível amante.
Bejani disse que as duas prisões foram ilegais.

Ele foi beneficiado por uma liminar concedida pelo ministro Ricardo Lewandowiski, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento foi liberado na madrugada de sábado. Mesmo assim, o ex-prefeito só foi solto após o alvará de soltura ter chegado à diretoria da penitenciária.

O argumento para a libertação do suspeito foi de que o órgão que pediu a prisão, o Tribunal Regional Federal (TRF) não teria competência para julgar o mérito.
O ex-prefeito pretende acompanhar de perto as eleições municipais e lamentou os prejuízos causados pelas duas prisões. "Eu tive meu nome arrastado na lama, perdi o que conquistei licitamente, que foi a prefeitura de Juiz de Fora, perdi amigos e estou me sentindo um peixe fora d'água. Fui ao mercado e ninguém me disse gracinhas. Mesmo assim, sei que isso dói" desabafou.
Ele lembrou que ainda tem a simpatia de muitos eleitores e que isso pode mudar o rumo das eleições.

Quanto à vida pública, apesar de tudo o que aconteceu, Bejani disse que vai se candidatar ao governo de Minas em 2010.
Sobre a crise na prefeitura de Juiz de Fora, ele afirmou: "deixei os salários pagos, deixei a merenda de melhor qualidade, deixei dinheiro para pagar os fornecedores e não entendo como a situação pode estar tão ruim".
A prefeitura vive um momento delicado, em que o pagamento dos servidores é prioridade e alguns fornecedores e empresas estão na expectativa sobre o recebido ou não do que é devido pela prefeitura.
Bejani vai a Belo Horizonte na terça-feira para se encontrar com advogados e depois viaja com a família para descansar.