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JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

terça-feira, 17 de junho de 2008

Polícia Federal acaba com esquema de lavagem de dinheiro

Por Michele Pacheco

Começamos o dia registrando o frio que deixou todo mundo encolhido e cheio de agasalhos.
Desde segunda-feira, Juiz de Fora está gelada.
O tempo fechado dá uma preguiça danada!
A vontade é de ficar sob as cobertas, com um bom livro e uma caneca de chocolate quente.
Mas, temos que trabalhar.
O jeito é reforçar a quantidade de roupas de frio e enfrentar a temperatura baixa.

Nas bancas do centro da cidade, as manchetes dos jornais chamam atenção de quem passa pelas ruas.
Todo mundo acha um tempinho para parar e se atualizar sobre o caso do ex-prefeito Alberto Bejani.
O escândalo político já é apontando como o mais grave de Juiz de Fora.
Bejani renunciou depois de ser preso pela segunda vez pela Polícia Federal, na continuação da Operação Pasárgada.

As denúncias são de enriquecimento ilícito e recebimento de propina de várias empresas.
Desde abril, Bejani tenta se livrar das acusações.
Ele apresentou documentos e indicou testemunhas.
Mas, deu tudo errado.
Como uma novela trágica, os juizforanos acompanham cada capítulo e têm reações que vão desde a revolta até a incredulidade.
A Polícia pôs em cheque a autenticidade dos contratos apresentados e os depoimentos foram um tiro pela culatra.
Testemunhas importantes, como o empresário Marcelo Abdala, que teria comprado a fazenda do ex-prefeito e pago o dinheiro que foi encontrado na casa do Bejani, voltaram atrás e negaram tudo.
O relatório da CPI da Câmara Municipal foi entregue nessa segunda e citou alguns assessores de Bejani, além do ex-prefeito.
Enquanto a população de Juiz de Fora busca notícias, a Polícia Federal busca mais provas.

No meio da manhã, fomos deslocados para uma concessionária da família Carapinha, onde os policiais federais apreenderam 5 veículos.
Lembrando: Francisco Carapinha, o Bolão, foi preso na última quinta-feira junto com o pai e o irmão.
Eles são suspeitos de pagar propina ao ex-prefeito e atuar num esquema de lavagem de dinheiro.

No local já estava a equipe do jornal Tribuna de Minas.
O repórter fotográfico Olavo Prazeres e o Robson se posicionaram para não perder nenhum detalhe do comboio, que deixou o shopping automotivo na Av. Desdedith Salgado e seguiu para a Delegacia da Polícia Federal.
Foi preciso parar o trânsito, para que os policiais saíssem com os carros apreendidos.
Um sexto carro foi recolhido numa loja dos empresários no centro da cidade.

Os veículos seriam usados num esquema de lavagem de dinheiro montado por Bejani e Francisco Carapinha, o Bolão.
O empresário é mostrado no vídeo divulgado pela revista Época. Os dois aparecem no escritório de uma das lojas negociando propina para liberar o aumento no preço da passagem. Foi na mesma loja em que os policiais federais apreenderam o sexto veículo.

O trabalho continuou na parte da tarde.
Nós seguimos para outra pauta. Os moradores do bairro Santa Tereza ligaram para a TV reclamando da retomada das obras no Hospital Albert Sabin. Em março deste ano, um deslizamento de terra causou rachaduras em duas ruas e em várias casas. Na época, algumas famílias acreditavam que a obra de ampliação do hospital, que fica no alto do morro onde houve a instabilidade, seria responsável pelos problemas.
A Defesa Civil demoliu 14 moradias e a encosta está sendo recuperada, para evitar outros riscos.

Chegamos no bairro e vimos um guindaste sendo usado para encher uma laje nos fundos do hospital, logo acima da área atingida.
O Reinaldo Freesz, presidente da Associação dos Moradores do Bairro Santa Tereza que tiveram as casas demolidas, estava revoltado com a falta de informação e providências.
A obra foi embargada logo que os deslizamentos de terra começaram.
Ele reclamou também que até agora os moradores não tiveram uma definição sobre o pagamento das indenizações prometidas pela prefeitura.

Registramos a reclamação e esperamos retorno da Polícia Civil sobre o laudo do Instituto de Criminalística.
Antes de voltar à TV, corremos ao bairro Bairu, onde houve um acidente de trânsito. Num cruzamento da Praça da Baleia, um motorista não parou onde deveria e bateu num Fusca que vinha na preferencial. A estudante que estava no fusca ficou ferida e foi socorrida por moradores. Os dois veículos bateram no muro de uma casa. Os estragos não foram grandes, mas o susto vai demorar para ser esquecido.

Professores param a BR 116 por melhorias nos salários e nas condições de trabalho

Do www.interligadonline.com

Uma manifestação programada para as principais rodovias do estado teve em Muriaé um dos seus pontos de apoio, para os professores da rede estadual de ensino, da Zona da Mata.

Às 15 horas, conforme previamente combinado, com faixas, bandeiras e apitos, centenas de professores, realizaram uma paralisação nas pistas centrais da BR 116, distribuindo panfletos e chamando a atenção de todos que por ali passavam em relação a melhorias nas condições de educação, salários e respeito por tudo que desenvolvem no setor.
Para Sandra Lúcia Couto Bittencourt, uma das diretoras estadual do Sind Ute (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais), a manifestação, acompanhada da paralisação de 24 horas foi realizada para chamar a atenção das autoridades e fazer com que, principalmente os caminhoneiros possam levar para fora de Minas Gerais, a realidade do ensino no Estado, diferente do que é propagado pelo Governo Estadual.
“Precisamos fazer com que outros estados conheçam a realidade de nossos salários e do ensino de Minas” Concluiu a diretora.
Durante a manifestação diversos caminhoneiros furaram o bloqueio promovido pelos professores, subindo nos canteiros e passando para outras pistas, com a intenção de seguirem viagem.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Bejani renuncia e vice assume prefeitura de Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

O prefeito Alberto Bejani foi preso na última quinta-feira pela Polícia Federal.
O escândalo do pagamento de propina para liberar aumento de preço de passagem ganhou as páginas de todos os jornais do Brasil. O propinoduto, como está sendo chamado o caso pela imprensa, vinha sendo apurado pela Polícia Federal desde a primeira prisão do prefeito, em abril deste ano.
Como foi feriado na sexta-feira, dia de Santo Antônio, padroeiro da cidade, hoje foi o primeiro dia útil depois da prisão.

Nossa primeira pauta foi acompanhar a repercussão na prefeitura.
Encontramos tudo normal por lá.
A renúncia do Bejani foi entregue à Câmara Municipal pela manhã e o vice, José Eduardo Araújo, convocou uma coletiva para falar das mudanças na prefeitura.
Nos reunimos ao restante da imprensa para esperar a entrevista.
Como ele estava atrasado, depois de dar entrevista em rádios da cidade, aproveitamos o tempo para contar histórias dos bastidores do jornalismo.

Sempre tem um caso engraçado para ser lembrado.
Entre os colegas presentes estavam os nossos "sócios" no Notícias Fora do Ar, Carlos Mendonça, do Jornal O Tempo, e João Schubert, do Jornal Panorama.
Para variar, eles colaboraram com mais fotos!
Só faltou o Luiz Carlos Duarte, do Jornal Panorama, outro "sócio".

De olho no elevador por onde o José Eduardo subiria, eles dois e o Robson ficaram trocando idéias sobre projetos futuros.
Claro que encontraram tempo para fotografar meu marido querido, enquanto ele tagarelava.

Esses três disfarçam, parecem distraídos, como quem não quer nada, mas não perdem a chance de registrar um flagra uns dos outros.
É divertido ver o pessoal empolgado na divulgação dos bastidores das coberturas jornalísticas.
Cada uma dessas fotos é um pouquinho da nossa história e, no futuro, vai nos trazer boas recordações.

Voltando ao caso da prefeitura, o vice-prefeito assumiu a chefia do Executivo e pôs as cartas na mesa durante a coletiva.
Ele avisou que vai fazer um choque de gestão e de austeridade.
Disse que conhece o quadro de funcionários e confia na capacidade de todos. Alguns secretários vão ser mantidos.
Regina Mancini, Secretária de Educação, se destacou com projetos educativos e de incentivo à leitura, como o Fest Ler, e vai fazer parte da nova administração.
Francisco de Mello Reis, ex-prefeito e responsável pelo Museu Mariano Procópio também fica. Sérgio Rocha, Sub-secretário de Defesa Civil, foi destaque no governo do prefeito Tarcísio Delgado, teve o esforço reconhecido pelo Bejani e agora pelo José Eduardo e continua à frente do órgão.

Quanto ao prejuízo que o município pode ter com todo esse escândalo, o prefeito disse que o nome de Juiz de Fora vai sempre ser citado com respeito. O que aconteceu não pode manchar o nome da cidade. Ele disse que vai conversar com os responsáveis pela Caixa Econômica Federal sobre o corte de recursos para o programa de despoluição do Rio Paraibuna, em busca de um acordo que atenda às necessidades do município e da Caixa.
Já o Restaurante Popular deve ter a implantação revista.
Para o Ginásio Poliesportivo, José Eduardo tem uma proposta de parceria entre o município e a Universidade Federal de Juiz de Fora.

Perguntado sobre auditorias na prefeitura, ele respondeu que isso já deveria ser feito periodicamente e vai cobrar mais rigor dos responsáveis. Ele lamentou não saber como andam as finanças da prefeitura e afirmou que o pagamento dos funcionários é prioridade.
Sobre as denúncias de corrupção e enriquecimento ilícito do ex-prefeito, Alberto Bejani, José Eduardo foi incisivo. "Assim que formar minha equipe de trabalho, vou me reunir com todos e explicar que não vou aceitar corrupção. Não basta punir os corruptos, é preciso pegar os corruptores. Se alguém do meu governo aceitar propina, não vai ser preciso investigação da Polícia Federal, pois eu mesmo vou fazer a denúncia. Quero transparência na administração" foi categórico o atual prefeito.

Para todos nós da imprensa, que acompanhamos desde o início o caso, fica sempre aquela certeza de que, independente do resultado das investigações, os maiores prejudicados são sempre os moradores de Juiz de Fora.
Pelas ruas, o assunto é o mais comentado. Todo mundo está revoltado com o que tem ouvido sobre o pagamento de propinas por parte de várias empresas. Conversamos com algumas pessoas e elas estão com muitas expectativas em relação ao novo governo.

Depois de cobrir o movimento na prefeitura, voltamos para a TV, onde fizemos entrevistas ao vivo sobre o assunto. O cientista político Ruben Barbosa disse que o reflexo da renúncia para o município deve ser um alerta para os políticos e partidos. Ele espera que sirva de lição também para o povo, sobre a importância de avaliar bem os candidatos antes de ir às urnas.

Já o presidente da OAB em Juiz de Fora, Wagner Parrot, defende leis mais rigorosas, que evitariam um desgaste tão grande para a cidade. Ele disse ainda que o ex-prefeito renunciou para não ser cassado. Afinal, a cassação o tornaria inelegível pelos próximos anos, enquanto a renúncia não o impede de disputar as eleições.

Para o presidente da CPI da Câmara Municipal que investiga as denúncias de enriquecimento ilícito de Alberto Bejani, os fatos comprovam o valor do trabalho dos vereadores. "Cansamos de ouvir piadinhas sobre a CPI terminar em pizza. As pessoas nos paravam para perguntar se a mussarela já tinha chegado e para quem iria o primeiro pedaço da pizza. Mas, os fatos falam por si. Nosso trabalho foi sério, levantou muitas denúncias graves e teve o resultado esperado. Se o Bejani não renunciasse, nós pediríamos a cassação. Agora, vamos encaminhar o relátorio ao Ministério Público para tomar as devidas providências. Com a renúncia, a CPI deixa de ser necessária, já que apura a parte política. Passamos a bola para a justiça".

O ex-prefeito Alberto Bejani continua na Penitenciária Nélson Hungria, em Contagem. O advogado dele, Marcelo Leonardo, estava preparando um habeas corpus para que Bejani possa responder às acusações em liberdade.

A posse oficial do José Eduardo Araújo foi hoje, às cinco da tarde na Câmara Municipal. Agora, é torcer para que todos os fatos sejam esclarecidos, os culpados punidos e a justiça feita. A população de Juiz de Fora merece notícias mais alegres do que as que tem recebido ultimamente.

domingo, 15 de junho de 2008

Copa Alterosa de Futebol Regional - primeiro jogo da final

Por Michele Pacheco

Foi disputada hoje, no campo do Sport, em Juiz de Fora, a primeira partida da final da Copa Alterosa de Futebol Regional. A competição começou em abril, com 12 times participantes e 360 atletas inscritos. Até agora, foram disputadas 49 partidas, com 163 gols marcados.
Nagoya, de Juiz de Fora, e XV de Novembro, de Rio Novo, são os finalistas.
No primeiro jogo, o XV mostrou a força de quem conquistou o vice-campeonato em 2007 e fez uma das melhores campanhas deste ano.
Mas, o Nagoya está vivo na parada e pode mudar tudo no domingo que vem.

Hoje, o sol forte fez os jogadores das duas equipes suarem a camisa às duas da tarde.
O time de Juiz de Fora fez pressão e tentou se impor jogando em casa.
O camisa 9, Wesley, acertou a rede pelo lado de fora.
Parecia que o Nagoya ia faturar um bom resultado em casa.

Mas, o XV de Novembro deu o troco e assumiu o comando da partida.
Num melhores lances do jogo, Janfer passou para Rafael cruzar para Hugo, que mandou uma bomba por cima do gol.
A torcida viu um toma lá, dá cá.
O XV atacava e o Nagoya revidava.

O lateral Rafael deu trabalho à zaga da equipe de Juiz de Fora.
A necessidade de conseguir uma vitória na primeira partida da final deixou alguns jogadores ansiosos e eles erraram muitos passes.
Os companheiros bem colocados esperando a bola chegar reclamaram bastante quando viram a lambaça dos colegas mais afoitos.
O time de Rio Novo aumentou a pressão. Assustado, o goleiro Sandro bobeou, quase marcou contra e cedeu escanteio.

Na cobrança, Rildo mandou a bola no fundo da rede e abriu o placar para o XV de Novembro.
A torcida que veio de Rio Novo reclamou da arbitragem, dizendo que os bandeirinhas estavam marcando muitos impedimentos do XV e nenhum do Nagoya.
Bem, torcedor que não reclama não é torcedor!

O Robson montou o tripé na arquibancada e garantiu todos os lances, que vão ao ar no Jornal da Alterosa Edição Regional desta segunda-feira, a partir de 10 para o meio-dia.
Ele registrou a chance de empate que veio numa cobrança de falta. Serginho Portugal pegou mal na bola e chutou por cima do gol.
Hugo estava disposto a aumentar o placar. Ele roubou a bola na área, partiu em velocidade no contra-ataque e cruzou para Rildo marcar o segundo dele.

No segundo tempo, o XV de Novembro manteve o ritmo acelerado.
A defesa do Nagoya marcou muitas faltas.
Hugo cobrou uma delas e chutou colocado no canto esquerdo do goleiro Sandro, marcando o terceiro do XV de Novembro.
Sentada na arquibancada, eu tive que ficar atenta ao jogo, para não perder nenhum detalhe.

O Nagoya tentou aproveitar as jogadas de bola parada, mas os jogadores falharam na pontaria.
O que teve de chutão para fora do gramado...
Rildo, o nome do jogo, não perdoou os erros do adversário. Ele entrou sozinho na área, em condição legal, cobriu o goleiro e fechou a goleada de 4 a 0.

Irritado com o resultado, Lekin fez falta e foi expulso, pois já tinha um cartão amarelo.
Ele ameaçou o juiz antes de deixar o gramado. Uma cena desnecessária e lamentável. Apesar do susto em casa, o técnico do Nagoya, Fernando César, está otimista quanto à chance de conquistar o título. Ele lembrou que o time já passou por situações difíceis, perdendo em casa na fase classificatória e foi buscar a vitória fora. Apesar da vantagem do XV de Novembro, que só precisa de um empate no próximo domingo para conquistar o título, a equipe de Juiz de Fora promete um belo espetáculo em Rio Novo.

O vice-presidente do XV de Novembro, Carlos Henrique Tostes, tem tudo para estar confiante, mas preferiu ser diplomático. Ele lembrou que o futebol é imprevisível e que, mesmo jogando melhor hoje, o próximo jogo vai ser um duelo à parte. As duas equipes vão querer mostrar tudo o que sabem para merecer o título. Aos torcedores que deixaram Juiz de Fora comemorando a mão na taça, ele mandou um recado: deixem para comemorar no domingo que vem. Apesar das palavras cautelosas, Carlos Henrique descartou qualquer possibilidade de jogar pelo empate. "Nós vamos ao campo lutar pela vitória. Nossa torcida merece comemorar, mas com muitos gols" prometeu o vice-presidente da equipe de Rio Novo.

Na saída do campo do Sport, fui abordada pelo repórter da Rádio Difusora, de São João Nepomuceno, que estava cobrindo a partida.
É muito legal ver a imprensa de toda a região se mobilizando para acompanhar a Copa Alterosa.
Parabéns a todos os profissionais que deram uma aula de disposição e consideração pelo esporte amador.
Que venham muitos outros encontros com os nossos colegas da região.
É sempre legal trocar idéias e ver como eles trabalham.

Muitas vezes lutando contra todo tipo de dificuldade para exercer a profissão.
Para mim, os radialistas e jornalistas que cobriram a Copa Alterosa são os artilheiros da competição, tendo feito muitos gols a favor do esporte na região.

sábado, 14 de junho de 2008

Bastidores da notícia

Por Robson Rocha

Hoje, como não tenho nada para escrever, vou aproveitar as operações da Polícia Federal em Juiz de Fora e jogar confete em nós da imprensa, especificamente a galera da imagem.
As imagens de todos esses dias conturbados que, infelizmente, entraram para a história de Juiz de Fora e foram divulgadas para todo o mundo em diferentes mídias são resultado do trabalho da galera da imagem.

Muitas vezes as pessoas não imaginam, mas a parte mais estressante do nosso trabalho é quando em uma cobertura não temos o que fazer.
Para exemplificar: no dia nove de abril, quando a Polícia Federal invadiu a casa do prefeito pela primeira vez, passamos boa parte do tempo na frente da residência, na expectativa do que aconteceria.

Quando as viaturas saíram, foi um alívio.
Porém, nosso drama estava apenas começando.
Durante toda a tarde, ficamos “plantados” no estacionamento da Polícia Federal, aguardando o que ia acontecer.
A cada pessoa que abria a porta por onde o prefeito sairia, era um corre-corre de cinegrafistas e fotógrafos.

Aí, alguém pode dizer: mas vocês podem ficar batendo papo.
Isso é verdade, mas um ouvido está na conversa e o outro juntamente com os dois olhos estão atentos a tudo que acontece ao nosso redor.
A tensão é muito maior.
A espera e a falta de informações vão nos deixando meio pirados porque, quando você olha para o repórter e ele sabe o que está acontecendo, é tranqüilo, porém, quando ninguém na equipe sabe, complica.

De repente, o delegado Claúdio Nogueira sai e a gente não tem tempo de pensar.
Simplesmente tem que se posicionar bem e se segurar no empurra-empurra.
Ainda assim existem dois problemas sérios nesse tipo de entrevista. Um é alguma cabeça que pode surgir entre a câmera e o entrevistado, que “gentilmente” você tem que tirar da sua frente.
E, o segundo, que é o pior que são os gravadores das emissoras de rádio.
O pessoal da TV tenta colocar os microfones a uma distancia razoável da boca do entrevistado, mas os repórteres de rádio têm que quase enfiar o gravador dentro da boca do pobre entrevistado e a gente não tem como alcançá-los para baixar os benditos gravadores.

Na saída do prefeito foi um salve-se quem puder.
No dia 22 de abril, na volta dele a Juiz de Fora, depois de 14 dias na Penitenciária Nélson Hungria em Contagem, lá estavam os microfones bem posicionados e celulares da galera do rádio enfiados na boca do prefeito.

No dia seguinte, mais um dia de castigo.
Nada acontecia e o tédio começava a tomar conta dos jornalistas.
Quem está em casa, quer ter informação e no local nada acontece.
Imagens, apenas de carros entrando e carros saindo.
Pra piorar, nesse dia ainda choveu e repórteres e cinegrafistas tinham que ficar em seus postos para garantir possíveis imagens.

As tevês precisam de informações em seus telejornais e aí a gente grava, mas no fundo não tem nada de novo nas imagens, apenas o portão fechado da casa.
E no fim da manhã, tinha que gravar rápido, pois o moto-boy já estava indo buscar a fita e o jornal entraria no ar em meia-hora.

A coisa chega a um ponto, que até tentativas de falar com alguém pelo interfone vira informação visual. Parece coisa de louco, mas é verdade. Principalmente a galera da TV que tem um jornal dali a poucos minutos e a galera da redação quer algum material. O repórter escreve e a gente se vira para garantir imagens. E não dá pra inventar.

No dia em que o prefeito retornou à prefeitura, o dia começou com o tédio da espera.
Você faz imagens das pessoas que aguardam a chegada do prefeito, enchendo lingüiça, pois a imagem que vale é a do cara. Mas, aí pra dar mais adrenalina, a redação pede um stand-up.
Você grava o stand-up com um olho no visor da câmera e o outro na movimentação e possível chegada do prefeito.
A coisa demorou tanto, que a turma que nunca aparece, a da imagem, faz pose para foto.

Mas, essa tranqüilidade acaba quando o então chefe do executivo chega.
Todo mundo quer chegar perto dele e a gente tem que proteger os equipamentos e registrar as imagens.
É uma luta desleal, onde você tem que usar a força para garantir um espaço e manter a imagem com um mínimo de estabilidade.
Além disso, tem que ajustar foco, diafragma e trocar filtros, pois os ambientes vão mudando.
E, também ficar literalmente de ouvidos ligados. Nessa hora, o fone já caiu da orelha, mas tem que ficar atento se o repórter está fazendo alguma pergunta e aí se amontoar sobre algum pobre cidadão que esteja entre você e o entrevistado.

A gente que faz imagens tem a vantagem de disparar e deixar o pau comer, mas o pessoal da fotografia é mais complicado.
No momento em que Bejani se encontra com o José Eduardo Araújo, então prefeito em exercício, pra mim foi ajustar e disparar. Já o Olavo Prazeres, repórter fotográfico da Tribuna de Minas, tinha que pegar o momento exato. O disparo dele tinha que ser na hora certa. Porém, a posição dele não ajudava, estava atrás de mim, mas olhe na foto, ele ajustou a câmera, se esticou todo e conseguiu registrar o momento sem estar olhando na câmera.

Quinta-feira, 12 de junho. Dia dos namorados e a Polícia Federal fez a imprensa se reunir novamente para mais uma manhã sem imagens. Tudo acontecia atrás de um muro enorme e a criatividade falava mais alto na hora do desespero da falta de imagens.
O Carlos Mendonça usou um monopé para transpor a muralha e registrar alguma imagem do que acontecia, mas pela cara dele, não rendeu muito.

O João Schubert, para passar o tempo ficou brincando com a máquina, enquanto eu descansava minha coluna assentado no capo do carro. O Roberto Fulgêncio parecia cansado de esperar e assentou no meio fio.

Isso, até entrar ou sair algum carro pra todo mundo se ligar e correr para registrar seja lá o que for.
O prefeito saiu e dessa vez foi direto para Belo Horizonte o que aliviou um pouco em relação à primeira prisão, quando passou a tarde toda na Polícia Federal, em Juiz de Fora.

Neste mesmo dia, fomos à tarde, cobrir depoimentos na CPI da Câmara Municipal de Juiz de Fora.
Quando você está começando o horário de trabalho, como o Luiz Carlos Soares, repórter fotográfico do jornal Panorama, a carinha ainda é de felicidade.

Mas, quando você já está dobrando o horário, a cara muda.
Muitas vezes, as pessoas acham que você está com a cara amarrada, por estar com raiva ou não gostar do que está gravando, mas não é nada disso. É apenas um reflexo do cansaço de horas com a câmera no ombro e que vão se transformar, no máximo, em minutos editados na TV.

Só pra fechar a conta, os profissionais que fazem a imagem, raramente aparecem.
Mas, bom ou ruim o material, somos nós que estamos registrando em vídeos e fotos a história dessa cidade, que hoje e no futuro será vista por milhões de pessoas em todo o mundo.
OBS:
Queríamos aproveitar e agradecer aos nossos amigos da fotografia que sempre nos mandam fotos para ilustrar o blog.
Obrigadão!!!

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Santo Antônio fujão

Por Michele Pacheco

Hoje é dia de Santo Antônio, um dos santos mais populares da Igreja Católica.
Ele é o padroeiro de Juiz de Fora e foi feriado na cidade.
Sempre que ouço falar do santo casamenteiro, lembro de uma outra história ligada a ele e às origens do município.
Guardada a sete chaves numa sala da Catedral Metropolitana fica uma imagem esculpida em madeira, com cerca de um metro e meio de altura.
Ela seria a imagem de Santo Antônio mais antiga de que se tem notícia em Juiz de Fora e foi restaurada pela última vez no século XIX.
Teria pertencido a um fazendeiro, que construiu uma capela na fazenda dele, no Morro da Boiada, atual bairro Santo Antônio, zona leste da cidade.

Isso teria ocorrido na época do surgimento do arraial de Santo Antônio do Paraibuna, que deu origem ao município.
Com o tempo, uma família importante doou terras para a construção de uma igreja na área mais central do vilarejo.
A construção foi feita e a imagem foi levada para lá.
É aí que começa a lenda que tem várias versões.

Segundo o Vigário Geral de Juiz de Fora,
Monsenhor Miguel Falabela, o que consta dos documentos da Igreja Católica é que a imagem foi levada para a capela nova e depois devolvida por padres à capela velha.
Mas, durante a noite, Santo Antônio fugia de volta para a capela nova, indicando que era ali que queria que fosse construída a igreja dele.
Realmente, no lugar da capelinha hoje existe a Catedral Metropolitana.

Já alguns históriadores contam outra versão. Os padres teriam tirado a imagem da capela velha, pois a população não tinha o mesmo carinho pela imagem nova colocada na capela recém construída. Para manter os fiéis na capela nova, a Igreja foi buscar a imagem de Santo Antônio. Inconformados, os moradores do Morro da Boiada retiravam a imagem durante a noite e levavam Santo Antônio de volta. Pela manhã, os padres iam buscá-la.
À noite começava tudo de novo.
Foram vários dias de "fuga", dando à imagem o apelido de Santo Antônio fujão.

Pesquisadores afirmam que esse tipo de situação não é raro. Em geral, a imagem acaba ficando no local para onde "fugiu". Mas, em Juiz de Fora, teria havido o contrário, com a imagem ficando onde a elite da época queria, longe do Morro da Boiada e no centro da vila. Independentemente da versão correta ou do fato ser apenas uma lenda, a história inspirou um livro que foi publicado nessa semana. O autor, Antônio Carlos Lemos Ferreira conta as diferentes versões e considera Santo Antônio um co-fundador do município, já que o arraial surgiu em torno da devoção ao santo.