Quem somos

Minha foto
JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Incêndio no centro de Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Fim de tarde, muita gente nos pontos de ônibus esperando para voltar para casa depois de um dia cansativo de trabalho.
De repente, quem estava nos pontos de ônibus e nas lojas da Avenida Getúlio Vargas, entre as ruas Halfeld e Marechal Deodoro, notou uma fumaça intensa saindo de um prédio.
O susto foi grande, o trânsito ficou complicado e uma multidão de curiosos começou a se aglomerar.

Muita gente corria de um lado para o outro tentando ver o que estava acontecendo ou tentando fugir do perigo.
Carros e ônibus seguiam lentamente, satisfazendo a curiosidade dos motoristas.
Para evitar acidentes, os policiais da 30ª Cia. desviaram parte do tráfego, permitindo que apenas os coletivos seguissem pelo trecho com problema.

Quatro viaturas dos bombeiros, entre elas dois caminhões-tanque, foram enviadas ao local.
Os bombeiros se dividiram em duas frentes de trabalho.
Um grupo puxou as mangueiras por dentro de uma lanchonete para chegar à sobreloja do comércio vizinho, onde começou o fogo.
A dona da lanchonete cedeu passagem e contou que a sobreloja funcionava como um depósito.

Outra equipe de bombeiros usou uma escada para subir na marquise e uma machadinha para quebrar o vidro de um basculante.
O trabalho foi rápido e perigoso, já que a fumaça intensa dificultava enxergar o que estava acontecendo dentro da sobreloja.
Essa foi uma das dificuldades que eles enfrentaram no combate a esse incêndio.

Cada um que saía do prédio estava sujo de fuligem e com os olhos lacrimejando por conta da fumaça.
Segundo o sargento Sandro Heleno, do 4º Batalhão de Bombeiros Militares, o local abafado, com pouca ventilação e muita fumaça, atrapalhou o trabalho.
Mesmo com esses obstáculos, as equipes agiram rápido e conseguiram controlar a situação e acalmar comerciantes e moradores do local.

A água jogada pelos bombeiros na sobreloja escorreu para as lojas e os comerciantes corriam de um lado ao outro tentando salvar os produtos e os móveis.
O sargento Sandro Heleno contou que algumas irregularidades foram encontradas no local que funcionava como depósito para caixas de papelão. A fiação elétrica estava em péssimas condições. Os bombeiros não sabem dizer se ela já estava assim antes e pode ter provocado um curto-circuito, causando o incêndio, ou se foi destruída pelo fogo.

Entre as diversas caixas de papelão, os bombeiros encontraram fogos de artifício em situação irregular.
A causa do incêndio vai ser investigada. Mas, pelo visto, não faltam possibilidades.
Por sorte, ninguém ficou ferido. O comércio ainda estava funcionando quando o fogo começou e o risco de feridos foi grande.

Eleições 2008 – Segundo turno em Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Os candidatos Margarida Salomão (PT) e Custódio Mattos (PSDB) seguem na maratona do segundo turno.
Os dois estão cheios de compromissos e correndo de um lado para o outro da cidade.
Hoje, participaram de um encontro no teatro do Espaço Mascarenhas.
A reunião foi organizada pelo Comitê Central Popular e pelo Movimento pela Moralização da Política.

Os integrantes dos dois grupos se uniram e têm criado vários eventos na cidade.
São eles que organizam o Grito dos Excluídos, todo ano no dia 7 de setembro.
Dessa vez, decidiram atuar mais ativamente no processo eleitoral.
Juntos, criaram um Protocolo de Compromissos e convidaram os dois candidatos a assinar o documento.

São 10 itens:
Compromissos Gerais / Transporte / Saúde / Meio-ambiente / Moradia / Inclusão social / Comunicação / Relação com os servidores públicos / Educação / Cultura e Lazer.
Em cada um deles há regras de conduta que o(a) candidato(a) deve adotar caso seja eleito(a) para a prefeitura de Juiz de Fora.

Segundo os organizadores, o protocolo foi elaborado com sugestões de vários segmentos sociais, inclusive entidades de classe e de movimentos populares.
Depois que a porta-voz do Comitê Central Popular, Maria Luísa Pires, explicou aos candidatos o motivo do encontro e leu cada um dos compromissos propostos, foi feito um sorteio para que os candidatos comentassem a iniciativa.

Custódio Mattos foi o primeiro.
Ele explicou que não assinaria logo o documento, pois os compromissos propostos não dependem apenas do candidato que for eleito. Certas decisões só podem ser tomadas depois de consulta aos departamentos jurídicos e financeiros da administração municipal. Para ele, não é só uma questão de boa-vontade do prefeito eleito, mas uma necessidade de não descumprir leis.
O candidato do PSDB pediu tempo para avaliar o protocolo, mas elogiou a iniciativa de mobilização para criá-lo.

Margarida Salomão teve opinião diferente.
Ela disse que os termos apresentados coincidem com várias propostas levantadas na última reunião do PT, em Juiz de Fora.
A candidata também elogiou a iniciativa dos grupos que criaram o protocolo, falou da importância da participação popular nas decisões políticas e reforçou alguns itens abordados no protocolo de compromissos.
Margarida assinou o documento, mas antes anotou uma ressalva. Ela concorda em cumprir o protocolo, desde que as propostas estejam de acordo com as questões jurídicas e administrativas.

Os dois candidatos deixaram o Espaço Mascarenhas com destino a outros compromissos de campanha. Na reta final da eleição municipal, cada minuto é precioso no contato com os eleitores.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Enxame de abelhas em Escola Municipal de Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Os bombeiros foram chamados no fim da tarde por policiais militares.
Os pms faziam patrulhamento pelo bairro Jardim Esperança, zona sudeste de Juiz de Fora, quando foram abordados pela diretora da Escola Municipal Olinda de Paula Magalhães.
Ela estava preocupada com o aparecimento de um enxame na parte dos fundos do colégio.
Com a roupa própria, os bombeiros usaram uma escada para ter acesso ao telhado, onde estaria alojado o enxame de abelhas.
O objetivo deles era conferir o tamanho, a espécie e a quantidade dos insetos.

Depois de terminar a vistoria, o Tenente Acácio Tristão gravou entrevista e explicou que a situação estava sob controle, que as abelhas estavam calmas e ninguém tinha sido atacado.
Os bombeiros pretendiam voltar ainda esta noite à escola.
No período noturno, as abelhas ficam mais calmas e isso facilitaria a retirada do enxame.

Como alerta, o tenente orientou que as pessoas que se encontrarem em situação parecida não devem se aproximar demais dos insetos, nem tentar a remoção sem ajuda.
O trabalho feito de forma incorreta é perigoso e pode levar a um ataque do enxame.
A picada da abelha pode ser fatal para quem tiver alergia.

O correto é observar detalhes como local onde se instalaram, se estão atacando alguém, se o acesso é complicado...
Depois, basta ligar para os bombeiros, passar as informações e pedir a retirada.
Nas cidades onde não há bombeiros, a opção é acionar a polícia militar, que vai providenciar ajuda.

Mulher é presa com produtos de furto em Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Uma mulher de 40 anos foi presa em flagrante.
No início dessa tarde, os policiais militares do Grupamento de Operações Escolares, da 30a Companhia, passavam pelo calçadão da rua Halfeld, no centro comercial de Juiz de Fora.
Eles estavam tranqüilos, encerrando o expediente, quando notaram uma mulher em atitude suspeita dentro de uma loja.
Da vitrine, eles notaram que ela colocava vários produtos dentro de uma sacola.

Ela foi reconhecida pelo Cabo Paulo Henrique Santos por ter praticado furtos em outras ocasiões.
A mulher agia com tranqüilidade e saiu da loja como se nada tivesse acontecido.
Mas, não era um dia de sorte para ela.
Os policiais fizeram a abordagem e encontraram 11 colares e dois pares de brincos que tinham acabado de ser furtados da loja de bijuterias.

Em outra sacola, estavam vidros de esmalte, lixas de unha, creme hidratante e duas embalagens de incenso.
Esses produtos não tinham nota e os policiais suspeitam que também tenham sido furtados.
Em outra sacola, estava a surpresa maior.
Três faqueiros, duas garrafas térmicas, 7 barras grandes de chocolate, um copo e outros produtos que foram furtados das Lojas Americanas, no calçadão.

Os policiais orientam os comerciantes a ficarem atentos às medidas de segurança passadas pela Polícia Militar.
Espelhos em pontos estratégicos e câmeras de segurança sempre ajudam a inibir ou flagrar os espertinhos.
Em caso de suspeita de furto, basta acionar a polícia militar pelo 190.

domingo, 12 de outubro de 2008

Manga Ubá em perigo

Por Michele Pacheco

Quem já passou pela Zona da Mata Mineira, na região de Ubá, com certeza já se encantou com as alamedas formadas por mangueiras nas margens das estradas.
No período da safra da manga, havia fila de pessoas com baldes e latas cheios de manga Ubá à venda nas rodovias.
Doce, suculenta e saborosa, essa espécie da fruta é uma das preferidas para fazer sobremesas e sucos.

Ultimamente, temos observado que o número de mangueiras diminuiu bastante e os vendedores são cada vez mais raros. Sempre nos perguntamos o porquê disso.
A resposta veio numa reportagem que fizemos no mês passado.
Um grupo de pessoas conscientes e preocupadas com o meio-ambiente e o patrimônio cultural da cidade decidiu fazer um trabalho de preservação das mangueiras.
O primeiro passo é o cadastramento.

A equipe liderada pela Elazir Carrara, do Imlor, uma organização não governamental de preservação cultural, pretende registrar todas as mangueiras que restaram no município.
Assim, vai ser possível diagnosticar a quantidade e as condições das árvores.
Uma praga conhecida como “erva de passarinho” atacou a espécie e muitas mangueiras já morreram.
O parasita se espalha pelos galhos e pelas folhas, sufocando a árvore e tornando o fruto imprestável.

A Elazir defende a preservação das mangueiras, porque elas fazem parte do patrimônio cultural da cidade. Ela conta que as mangas foram trazidas pelos imigrantes italianos, no século XIX. Cada família tinha que ter em casa uma mangueira.
Ainda hoje, se a gente andar atento pelas ruas de Ubá dá para notar nos fundos das casas os “pés de manga”. A tradição vai passando de geração em geração.

A professora aposentada, Dirce Carneiro, nos mostrou feliz as três mangueiras que preserva no quintal.
Elas são consideradas históricas, pois geraram as mangas usadas para criar a mangada, doce típico de Ubá que conquistou outros estados.
Dirce conta satisfeita que as mangueiras dela não têm erva de passarinho. “Preservar essas árvores é como manter viva a memória do meu marido.
Quando era vivo, ele sempre ficava sob a sombra das mangueiras e tinha muito respeito por elas. Enquanto eu viver, as mangueiras vão ter lugar garantido aqui em casa” prometeu a aposentada. A Dirce sabe que é uma privilegiada por ter árvores sadias. A praga trazida pelos passarinhos se espalha rápido pelas árvores e a cura é complicada.

Por isso, Elazir e os aliados dela levam tão a sério o cadastramento das mangueiras. Cartazes e folhetos explicativos vão ser distribuídos pelo município.
A iniciativa mobilizou vários órgãos.
A expectativa é de que no primeiro semestre de 2009 já seja possível partir para o combate à praga.
O trabalho conta com uma poda radical dos galhos e não pode ser feito no período de colheita, pois prejudica os frutos.

A gerente da Adubar, Agência de Desenvolvimento de Ubá e Região conta que a campanha é importante para a economia do município, já que a fruta é muito apreciada no mercado e nas indústrias alimentícias. Maria do Carmo Lopes espera que a comunidade colabore, pois, com a preservação da manga Ubá, todos saem ganhando.
E para os fãs de manga, uma boa notícia: a previsão deste ano é de uma safra farta.
Ai, já estou com água na boca!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Eleições 2008 Confusão em Barroso II

Por Robson Rocha

Foi muito legal gravar em Barroso a matéria sobre as eleições na cidade.
Eu não estava muito bem, uma virose estava me provocando um problema intestinal.
Como tínhamos chegado um pouco antes do horário, parei o carro na praça, deitei o banco e me estiquei pra ver se melhorava o mal-estar.
Mas, nem bem me recostei e um senhor chegou à janela do carro e disparou que tinha uma denúncia contra a exposição agropecuária da cidade.

Ele disse que ia avisar ao amigo que tinha todos os documentos. Ele falava e eu só conseguia pensar em um banheiro.
Ele chamou o amigo, que mostrou alguns papéis para a Michele e eu, pensando em outro tipo de papel.
Mesmo assim, guardamos o material para ser avaliado na TV.
Nisso, o assessor do prefeito Arnaud Baldonero Napoleão, muito simpático, aguardou que eu montasse o equipamento e a Michele acabasse de conversar com o denunciante.

O prefeito nos recebeu em sua sala e eu corri para resolver meu problema.
Voltei e gravamos a entrevista.
Em momento algum, Baldonero deixou de responder às perguntas da Michele e foi muito simpático.
Ele colocou o que achava que havia acontecido e defendeu sua permanência no cargo.

Dali, saímos para ir até a casa da candidata que teve mais votos, Eika Oka de Melo.
Algumas pessoas não entendem que o espaço é igual para todos.
Ouvimos pessoas dizendo que a gente não tinha que gravar com o Baldonero e outras dizendo que a gente não tinha que gravar com a Eika.
Mas, tudo bem, faz parte.

Quando estava guardando a câmera no case, um senhor veio dizer que tinha que gravar com a Eika, pois ela tinha sido roubada e outro parou defendendo o prefeito.
O tom dos dois começou a subir. Para eles não começarem a discutir, disse aos dois que não gosto de política e muito menos de discutir sobre isso.

Fomos até a casa da candidata e o senhor que estava na praça não demorou a chegar.
Muito simpática, Eika nos recebeu e, da mesma forma que o prefeito, respondeu a todas as perguntas da Michele e explicou na entrevista que ela estava liberada para fazer a campanha.

Ela até nos contou curiosidades do período eleitoral na cidade.
Depois fomos almoçar.
Já era meio-dia e parecia que eu estava com um buraco no estômago.
Pois, devido à virose, eu não tinha conseguido comer nada até àquela hora.
No restaurante, o cheiro era maravilhoso e a comida com uma aparência ótima. Mas, eu não podia pegar pesado e comi salada com bife de frango.
Da próxima vez que voltar a Barroso, vou direto à feijoada, pra descontar.

Mas, no inicio da tarde tínhamos que gravar com a juíza eleitoral da cidade.
A justiça funciona no mesmo prédio da prefeitura e nos perdemos pra achar a sala da juíza.
A galera do térreo foi que nos ajudou. Subimos ao terceiro andar e pediram para aguardarmos um pouco.
Dali a pouco, chegou uma jovem bonita e nos pediu pra aguardar um pouquinho. Custou para que a nossa ficha caísse que era a juíza Valéria Possa Dornellas.
Simpaticíssima ela nos recebeu e gravou entrevista. Tão jovem e tão competente!

A hora de gravar entrevistas foi tranqüila, gravamos a passagem, a parte que o repórter aparece na matéria e aí sugeri de gravar as cabeças do jornal na praça, que por sinal é uma das praças mais bonitas que eu conheço.
Mas aí, um grupo começou a defender seu ponto de vista e tivemos que gravar várias vezes a mesma coisa, pois eles diziam que a culpa é do fulano e o som vazava no microfone. Depois de várias tentativas, conseguimos gravar algumas.

A gente entende que as pessoas estavam curiosas, tanto que a rua ficou cheia e as janelas da prefeitura também. Mas, algumas pessoas não entendem que não vamos tomar partido, não é essa a nossa função.
A expectativa é de que o resultado do julgamento da Eika no TSE saia até o dia 18 de dezembro. E, independente de quem fique na prefeitura, espero que a gente volte pra fazer a matéria e ter tempo pra tomar uma cerveja e comer uma feijoada.

Eleições 2008 Confusão em Barroso

Por Michele Pacheco

A situação dos moradores de Barroso, no Campo das Vertentes, é complicada.
A cidade mineira tem pouco mais de 20 mil habitantes.
Nas eleições municipais deste ano, três candidatos disputaram os votos dos 15831 eleitores.
O povo saiu de casa no domingo, cumpriu o dever cívico e esperou ansioso o resultado.
Foi aí que veio a bomba!
A candidata do PP, Eika Oka de Melo, foi a mais votada, conseguindo 6491 votos.
O problema é que ela ganhou, mas não levou.

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral, o atual prefeito, Arnaud Baldonero Napoleão, foi reeleito com 5792 votos.
O percentual da outra candidata não foi computado para ela, sendo incluído nos votos nulos.
O motivo?
A candidatura da Eika foi impugnada logo no início do período eleitoral.

Ela foi prefeita de 2001 a 2004, mas o Tribunal de Contas de Minas Gerais rejeitou a prestação de contas desse mandato e a Câmara Municipal de Barroso acatou a rejeição.
Eika recorreu ao TRE, em Belo Horizonte, e perdeu.
Os advogados aconselharam recurso no Tribunal Superior Eleitoral.
Enquanto o processo corre no TSE, ela teve o direito de disputar a eleição.

O problema é que para o TRE continua valendo a impugnação e os votos da candidata foram considerados nulos.
Fomos à cidade cobrir o assunto e conversamos com os dois candidatos.
Arnaud alega que o impasse político é prejudicial ao município, uma vez que está criando tensão e aumentando inimizades.
Eika alega que as contas dela não foram aprovadas porque uma assessora usou códigos errados ao lançar despesas com a saúde e isso foi apontado como irregularidade.
Ela diz que não teria disputado a eleição se não houvesse uma forma legal de ser candidata.

A juíza Valéria Possa Dornellas confirmou que os votos não foram computados para a candidata do PP por conta da pendência das contas rejeitadas.
Ela explica que a lei permite que candidatos nessa situação disputem eleições, desde que estejam aguardando julgamento no TSE. Foi o que aconteceu em Ijuí-RS e em Recife-PE.
Não há previsão para que o recurso seja julgado.
O mais difícil numa reportagem com essa é agradar a todos.

A gente chegou à cidade e logo virou atração.
O povo correu para a praça em frente ao Palácio dos Três Poderes e ficou vigiando cada movimento nosso.
Pela pauta, deveríamos ir primeiro à prefeitura entrevistar o prefeito, em seguida ir à casa da Eika e, por fim, à juíza.
Não fomos nós, da TV, que escolhemos os horários e sim os entrevistados.

Mas, vá explicar isso aos cabos eleitorais de plantão!
Duas pessoas vieram de cara amarrada perguntar se a gente só ia mostrar o lado do prefeito. Como era cedo e nossa paciência ainda estava em dia, respondi educadamente que ouviríamos todos os lados. Gravamos com o prefeito e fomos para a casa da candidata do PP.

No caminho, pedimos informação sobre o endereço e ouvimos mais comentários.
Dessa vez, queriam saber se nós não gostaríamos de falar primeiro com o prefeito.
Mais uma resposta educada!
A situação foi se repetindo a cada passo.
Como disse o Robson, parecia que estávamos numa jaula, pois todo mundo parava para nos olhar, apontando e comentando.

No início da tarde, paramos mais uma vez na praça para esperar a chegada da juíza. Os grupinhos entraram em ação. Com o nível de paciência chegando num ponto perigoso, muito próximo de uma explosão temperamental, arreganhei os dentes tentando fazer o rosnado parecer um sorriso e expliquei pela enésima vez que não estávamos lá para tomar partido de ninguém, apenas para mostrar os fatos.

Acabamos de gravar com a juíza e fomos fazer entrevistas com moradores. Demos sorte.
A primeira foi neutra, disse que não entendia nada do que estava acontecendo.
A segunda entrevista foi com um partidário da Eika, que estava furioso alegando que o voto do povo estava sendo desrespeitado. Por fim, ouvimos um partidário do Arnaud que disse que a candidata tinha sido irresponsável ao disputar uma eleição sabendo que estava impugnada e que isso ainda pode acabar em morte por lá.
Satisfeitos com as entrevistas, fomos fazer os teasers para o jornal. Advinhem?!

Fomos seguidos de perto por vários grupos. Eu lá, plantada no meio da praça, parecendo uma linha divisória entre exércitos prestes a entrar em conflito. Ainda bem que consigo me concentrar em locais agitados. Mas, a gravação estava uma coisa de doido! Lá ia eu no texto “os moradores de Barroso estão confusos...” e de repente alguém completava por perto “tem que falar que a culpa é da candidata. Ela está errada’, eu seguia com o texto “a candidata ganhou, mas não levou.

Ela tem uma pendência...” e alguém gentilmente acrescentava “ Ué, a Eika não foi eleita, não? Mas, ela foi a mais votada”.
Com tantos repórteres no mesmo lugar, custamos para terminar o trabalho.
Quando acabamos, o suspiro de alívio foi brutalmente cortado por um morador mais afoito que chegou perto e disparou “você tem que gravar com aquele pessoal lá. Eles querem falar a verdade sobre essa sujeira que fizeram com a Eika”. Lembra do meu nível de paciência? Estava apitando ensurdecedoramente no vermelho. Mesmo assim, juntei o que sobrou da boa educação que meus pais me deram e respondi que já tinha encerrado as entrevistas com um neutro, um partidário do prefeito e um partidário da Eika.

Faltavam poucos passos para chegar ao carro. Comecei a me sentir numa corrida de obstáculos. Os grupos se reuniam em pontos estratégicos. Era impossível chegar ao carro sem contratempos. Olhei para o Robson e ele estava meio esverdeado. O pobrezinho passou mal a noite toda e não estava legal. Imaginem, que ele não tinha forças nem para xingar os mais grosseiros! Como uma boa esposa, fui na frente atraindo a atenção, enquanto ele passava despercebido. Não deu outra! Fui parada por mais um simpático aglomerado de moradores. “Se você gravou com o pessoal da Eika tem que gravar com a gente também! Não está certo eles ficarem reclamando agora. Lei é lei” falou alguém muito seguro da própria opinião.

Numa hora dessas, passa tudo pela cabeça de um repórter. Coitado do sujeito, ele está defendendo a opinião dele! É brincadeira eu tentar fazer meu trabalho com o máximo de isenção e seriedade e ter que agüentar isso! Será que essa gente não tem o que fazer em casa ou no trabalho?! Será que hoje é feriado municipal para infernizar equipes de reportagem tentando trabalhar?! Mas, no meio de tudo prevaleceu a boa educação e expliquei de novo que já tinha concluído as entrevistas e não iria tomar partido de ninguém.

O mais irônico nisso tudo é que, ao ser isento e profissional, o jornalista nunca consegue agradar a todos.
Prova disso são os e-mails que estou recebendo, criticando o "desrespeito que meu texto mostra com o povo trabalhador de Barroso".
Primeiro, adoro a cidade e já fiz muitas matérias boas por lá.
Segundo, tenho o maior respeito pelo povo trabalhador que, com certeza, não tem tempo para ficar à toa na praça vigiando a vida dos outros.
Curiosidade é algo muito natural e saudável e ocorre não só nas cidades pequenas, mas nas grandes também.

Não é preconceito, só que o que vimos em Barroso foi até engraçado. Algumas pessoas estavam dispostas a vigiar os passos de uma equipe de reportagem para garantir que os repórteres falassem o que elas queriam.
Um homem que não citei no texto, nos parou na praça defendendo a candidata e, não satisfeito, nos seguiu até a casa da Eika pra ter certeza de que íamos lá.
E a política está sendo usada como desculpa para acirrar picuinhas antigas entre alguns moradores. O mais curioso, é que os candidatos, que tinham tudo para tentar influenciar a equipe, se limitaram a contar suas versões do fato.

Sete pessoas indiciadas pela morte do prefeito de São Francisco do Glória

Do Interligado

Nove meses após o assassinato do então prefeito de São Francisco do Glória, Gilberto Silva e Souza, enquanto passava um final de semana com a família em Piúma – ES, o delegado Milton Sabino, da Polícia Civil do Espírito Santo, concluiu o inquérito e o enviou a Justiça.
No inquérito em que sete pessoas estão indiciadas, cinco são apontadas como mandantes do crime e as outras duas como intermediárias.
Segundo ainda o Delegado, seis dos indiciados são moradores de São Francisco e um mora em Muriaé.

Dos nomes que causaram mais surpresas a todos estão o do atual Prefeito Luciano Dias Paes Neto, que era vice na ocasião do crime e foi reeleito no último domingo (5).
O atual Presidente da Câmara Municipal do Município, Geraldo Laviola, vereador mais votado no último pleito e o Chefe de Gabinete Sebastião carvalho de Lazaroni.

O vereador e o chefe de gabinete negaram qualquer envolvimento com o fato e estão à inteira disposição da justiça.
E o Prefeito, Luciano está em Belo Horizonte, mais informou que assim que retornar a São Francisco, também se apresentará a justiça, já que nada tem com o crime e quer sim a apuração da verdade dos fatos.
Agora o inquérito está nas mãos da Justiça, para ouvir os indiciados, já que o suspeito de executar o Prefeito já está preso e chegar aos verdadeiros mandantes do crime, que chocou não só São Francisco, como as demais cidades da região.