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JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Operação "João de barro"

Por Robson Rocha

A Polícia Federal invadiu novamente o prédio da prefeitura de Juiz de Fora, foi mais um dia de operação procurando evidências de desvio de verbas.
Dessa vez, batizada de “João de barro”, pois envolveria desvio de verbas da construção de casas populares.
Ficamos sabendo da operação e, às seis e dez da madruga, a gente já estava na prefeitura de Juiz de Fora.
Ainda estava escuro e os veículos da Polícia Federal já estavam na entrada do prédio.

A Michele ficou fazendo maquiagem, que àquela hora tinha que ser reforçada devido à cara de sono, enquanto fui fazer imagens.
Gravei mais distante, ainda não sabia como seria a recepção.
Alguns policiais tinham acabado de subir e na recepção estavam dois agentes e o delegado Cláudio Nogueira.
Logo ouvi alguém dizendo: “Vocês não dormem não?”
Cheguei mais perto e cumprimentei o pessoal.

Eles queriam saber como ficamos sabendo, mas os deixamos na curiosidade.
Logo a Michele chegou e descobrimos que os agentes estavam no quarto andar, onde funciona a Comissão Permanente de Licitações (CPL).
Consegui fazer imagens dos policiais que passavam próximo a janela e só.
A entrada da imprensa não foi permitida durante a operação.

Perguntei se eu poderia subir e o delegado, apesar de toda a simpatia, disse não.
Fazer o quê?
Fazia muito frio e, como tinha que ficar do lado de fora, me agasalhei com vontade.
Aos poucos o dia foi clareando e o frio aumentando.
Avisamos nossa chefe sobre a operação e gravamos um flash para o Primeira Página, jornal que vai ao ar na TV Alterosa às sete e quinze da manhã.

Logo depois, chegou o prefeito de Juiz de Fora, José Eduardo Araújo, que subiu com o delegado da Polícia Federal, só consegui gravar até eles entrarem no elevador, pois mais uma vez não me deixaram subir.
Mas, não adiantou chegarmos cedo, pois não usaram nenhuma imagem exclusiva em nosso jornal.
Deve ter dado algum problema na fita, porque nem mesmo a imagem do delegado recebendo o prefeito e avisando da operação no prédio, que também era só nossa, foi usada.

Mas, enquanto os policiais procuravam por documentos, eu ficava andando de um lado pro outro, pra não congelar, ou gravava imagens dos funcionários que começavam a chegar para trabalhar.
Quando eram umas sete e meia, chegou a equipe da TV Panorama. Passei para o Manoel Santos, repórter cinematográfico, onde estavam os policiais para que ele pudesse fazer imagens.
Depois, como o jeito era esperar, a gente ficou procurando um lugar ao sol, pra esquentar um pouco.

Logo depois, o restante do pessoal da imprensa chegou.
Todo mundo informado do que estava acontecendo e o jeito era esperar.
Cada um arrumou um jeito para passar o tempo.
A maioria ficou batendo papo.
Mas, o Ricardo Miranda, da Tribuna de Minas, arrumou um jeitinho diferente.
Ele ficou desfilando em cima do banco como se fosse uma passarela, enquanto acionava as fontes dele pelo celular. Lindo, né?

Mas, nós da imagem, ficamos o tempo todo com um olho na recepção e outro no quarto andar. Porém a boca... Como esse povo fala! O Olavo Prazeres, repórter fotográfico da Tribuna de Minas, chegou sem blusa de mangas compridas e passou a manhã toda, literalmente, roxo de frio. Disse que a mulher dele, Regina Ramalho, produtor da TV Alterosa tinha avisado para levar um agasalho, mas ele achou que não ia precisar.

Já o Carlos Mendonça, repórter fotográfico, do jornal O Tempo, o do meio na foto acima, tirou o vistoso cavanhaque e registrou algumas fotos nossas.
Ele disse que eu estava parecendo um estivador com o meu gorro de lã. Mas, o frio estava cruel.
Minhas orelhas bem que agradeceram a proteção.

O tempo só começou a esquentar, depois das dez da manhã.
Mas, aí eu não podia tirar a blusa, pois o carro estava longe e não havia onde deixar o agasalho.
Moral da história, hoje eu suei a camisa.
Essa foi ruim, rsss.
O tempo não passava e nada acontecia.

As informações vinham mais de Belo Horizonte do que do prédio da prefeitura de Juiz de Fora.
O pessoal que não é da imprensa, estranhou a Michele falando ao microfone em um canto, enquanto eu estava próximo à entrada do prédio.
Tive que explicar a um senhor que estava gravando o off da matéria.
Ela saiu de onde tinha muito barulho e eu estava de olho.
Pois, se alguma coisa acontecesse eu não perdia a imagem.

Mandamos mais um material para a TV e logo depois os policiais saíram com várias caixas repletas de documentos. O delegado Cláudio Nogueira não ia gravar entrevista, mas foi cercado pelos jornalistas e, pra se livrar, acabou falando algumas coisas.
Daí foi só ir para a TV e descarregar os equipamentos.
Agora, é curtir nossa folga de final de semana.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Imagens do incêndio no centro de Juiz de Fora

Incêndio no centro de Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Estávamos no depósito da prefeitura fazendo imagens dos lotes de remédios vencidos que foram vistoriados ontem à tarde pela polícia federal, quando um funcionário disse que tinha visto um incêndio na rua Espírito Santo.
Terminamos as imagens dos medicamentos, que venceram em vez de ser distribuídos à população e geraram um investigação sobre os responsáveis pelo desperdício, e fomos para o centro da cidade.

O apartamento que pegou fogo fica na rua Espírito Santo, quase esquina com Avenida Independência, num dos cruzamentos mais movimentados da cidade.
A cobertura é dividida em duas partes: um terraço em cima e vários cômodos embaixo.
Foi num desses cômodos que as chamas começaram.

Enquanto o Robson registrava o trabalho dos bombeiros, corri dois quarteirões para entregar a fita com as imagens dos remédios e voltei ao local do acidente.
A rua estava com o trânsito interditado, o que gerou confusão no trafégo na área, em pleno horário de pico.
Segundo testemunhas, o fogo começou por volta de onze da manhã.

No apartamento, no último andar do prédio, havia muita fumaça.
Do alto, mal dava ver os bombeiros trabalhando do lado de dentro.
Conseguimos subir num estacionamento que fica em frente, para fazer imagens no mesmo nível do cômodo incendiado.

O Robson teve que se esquivar dos jatos de água que eram jogados pelos bombeiros de dentro para fora.
Eram tão fortes que cruzavam a rua e chegavam no estacionamento.
Mesmo assim, a fumaça custou para diminuir.

Na rua, os bombeiros isolaram a área junto a Polícia Militar, para impedir que os curiosos corressem perigo.
Foram necessários muitos jatos de água também de cima para baixo.
Ao todo foram onze mil litros gastos.
Por medida de segurança, a energia elétrica foi suspensa pela Cemig na área próxima.
Quem trabalha ou mora por perto correu para ver o que tinha acontecido.
De longe dava para ver a fumaça saindo da janela do apartamento.

Segundo o médico do SAMU, Paulo Valle, havia uma moradora no imóvel quando o incêndio começou.
Ela tentou apagar as chamas com um extintor, mas não conseguiu.
Os bombeiros e a equipe do SAMU chegaram rápido e ela foi retirada do prédio.
Mas, tentou voltar para salvar o cãozinho de estimação que tinha ficado para trás.

Como havia fogo e muito perigo, ela foi impedida de subir.
O médico contou que a mulher teve queimaduras de primeiro grau no rosto, arranhões nos braços e estava abalada.
Ela disse que o fogo começou num curto circuito.

O Robson subiu junto com os bombeiros e registrou imagens do apartamento com as paredes e os móveis chamuscados.

O Tenente Demétrius Goulart, dos Bombeiros, disse que a cena que encontraram foi de muito fogo nos dois cômodos da frente do apartamento.
"Parecia um depósito, com grande quantidade de roupas e papéis.
Isso fez o fogo se alastrar rápido e impediu que a moradora conseguisse conter as primeiras labaredas" explicou o tenente.

Olhando de fora, dava para notar as pastilhas da fachada queimadas e o mármore do parapeito quebrado.
Mesmo pensando em informações e imagens, a gente da imprensa não se acostuma nunca com situações desse tipo.
Entre um registro e outro, todo mundo pára para olhar a fumaça e a habilidade dos bombeiros.

Na era do celular com câmera, ninguém perde tempo.
Muita gente nos parou para oferecer imagens do momento em que o fogo começou, antes dos bombeiros chegarem.
Gravamos entrevista com dois "cinegrafistas amadores" e eles mostravam uma mistura de excitação e medo.
O Tony Pereira, funcionário público, fez ótimas imagens que postamos aqui no blog. Elas mostram as chamas altas consumindo o que havia no apartamento e se espalhando pela fachada.

O morador do apartamento vizinho estava na rua com o cachorrinho de estimação.
Ele disse que os bombeiros pediram a todos para evacuar o prédio.
Algumas pessoas saíram com malas nas mãos, outras estavam tão assustadas que nem se lembraram de pegar nada.
Os bombeiros acionaram a Defesa Civil para vistoriar o imóvel, já que rachaduras foram notadas nas paredes entre os apartamentos.

O tenente Goulart temia que a estrutura do apartamento estivesse comprometida.
Depois de controlar as chamas e a fumaça, os bombeiros retiraram ferragens da janela e as partes soltas da fachada, para evitar que os materiais caíssem e machucassem alguém embaixo.
Durante a vistoria no apartamento, eles notaram que o cãozinho da família tinha morrido no incêndio.

Caminhões batem de frente na estrada Muriaé-Miraí

Por Silvan Alves
www.silvanalves.blogspot.com
Jornalista da TV Atividade

O acidente aconteceu na estrada Muriaé-Miraí, entre 6h e 7h desta quinta-feira, próximo ao distrito de Boa Família.

Dois caminhões, um frigorífico carregado de carne que vinha de Ubá-MG, e o outro de tijolos, que estava vindo de Muriaé bateram de frente ficando totalmente destruídos deixando três pessoas feridas.

O Corpo de Bombeiros de Muriaé teve muito trabalho para retirar as vítimas das ferragens.

O trânsito ficou fechado nos dois sentidos quase que toda a parte da manhã.

A estrada Muriaé-Miraí, é uma das mais perigosas da região: cheia de curvas, estreita, sem acostamento e com trânsito intenso de veículos pesados.

Foto/Imagem: Dirlei Oliveira.
Colaboração: Waltecy Prado/TV ATIVIDADE.

Operação Pasárgada pode chegar à Câmara Municipal de Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Desde a Operação De Volta para Pasárgada, realizada no dia 12 de junho, temos ouvido boatos sobre provas de pagamento de propina a vereadores de Juiz de Fora em troca da liberação do aumento do preço da passagem dos ônibus urbanos. Agora, as informações são mais concretas.

A divulgação dos vídeos em que o ex-prefeito Alberto Bejani aparece com o empresário Francisco Carapinha, o Bolão, vice-presidente da Astransp (Associação das Empresas de Transporte Coletivo de Juiz de Fora), deixou mais claro para a população que eram verdade as suspeitas levantadas em 2007 sobre suborno.

Na época, os estudantes foram às ruas protestar e criaram muito tumulto.
Todos queriam que uma revisão fosse feita na planilha apresentada pelas empresas de transporte.
Como o aumento foi aprovado na Câmara, sem muito alarde, foi levantada a possibilidade de que os vereadores tinham recebido propina para garantir o reajuste na tarifa, passando de R$1,50 para R$1,75.
Apesar dos protestos e das denúncias, o caso foi abafado e a passagem aumentou.
A Justiça chegou a avaliar as planilhas, mas não encontrou irregularidades na época.
Agora, a situação mudou.

No Dia dos Namorados, quando a sede da Astransp foi invadida pela Polícia Federal e vários documentos foram apreendidos, os policiais federais teriam ganho um presente pelo amor ao trabalho.
Entre os documentos recolhidos, estaria uma agenda com nomes de vereadores que teriam recebido propina para liberar o aumento da passagem.

O material está sendo avaliado e várias autoridades do município já ouviram informações sobre o conteúdo.
Uma fonte nos contou que, por enquanto, a Polícia Federal não quer divulgar a agenda e vai fazer um levantamento completo na vida daqueles que foram citados.
Em ano de eleições municipais, isso vai dar o que falar!
Em breve devemos ter novidades sobre as Operações Pasárgada.

Ao contrário das Polícias Civil e Militar, a Polícia Federal tem ido fundo nas investigações criminais e políticas. Se os policiais militares e civis muitas vezes esbarram na parede de proteção criada pelos governos estaduais e municipais para evitar que as irregularidades sejam descobertas, os federais têm demonstrado liberdade de ação.
As Operações Pasárgada são um bom exemplo.
Muitas pessoas acreditavam que não daria em nada e que os políticos e juristas presos seriam soltos e o caso abafado. Não é o que está acontecendo.
Quem sabe, se ficar claro que a punição existe para todos, não seja possível reduzir a corrupção no país?

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Polícia Federal procura provas no escritório de Bejani

Por Michele Pacheco

Com certeza os brasileiros vão pensar duas vezes antes de citar o trecho mais conhecido do poema: "Vou-me embora para Pasárgada, porque lá sou amigo do Rei..."

O reino tão sonhado, onde tudo é possível graças à "amizade" com o rei, não deu muito certo na vida real.
A Polícia Federal realizou no dia 9 de abril a primeira fase da Operação Pasárgada.
Entre os presos estava o prefeito de Juiz de Fora, Alberto Bejani.
Durante os 14 dias em que ele ficou preso, vimos aliados políticos pulando do barco, tentando justificar a ligação com Bejani e se agarrando a outros nomes influentes.

O então prefeito foi solto, voltou com carga total à mídia, mostrando documentos que afirmava comprovarem a origem dos R$1,2 milhão apreendidos na casa dele e deixando em saia justa quem tinha debandado.
Mas, as investigações apontaram irregularidades nas provas apresentadas e algumas testemunhas importantes indicadas por ele pioraram a situação, fazendo denúncias graves.

Na quinta-feira passada, a Polícia Federal sacudiu de novo o reino de Pasárgada.
Alberto Bejani foi preso mais uma vez e vídeos foram divulgados, mostrando o então prefeito negociando propina com o empresário Francisco Carapinha, o Bolão, em troca de liberação de aumento nas passagens de ônibus no município.
Nessa segunda-feira, Bejani renunciou de dentro da Penitenciária Nélson Hungria e o vice, José Eduardo Araújo, assumiu o cargo prometendo rigor no combate à corrupção e auditorias freqüentes no Executivo.

Achamos que o caso estava concluído, mas nada disso.
Ontem, fomos avisados de que a Polícia Federal estava apreendendo veículos em lojas da concessionária dos Carapinha. Fomos até um shopping automotivo na saída de Juiz de Fora e acompanhamos a retirada de cinco carros.
Um sexto veículo já tinha sido apreendido numa loja na Avenida Independência, no centro da cidade.

Os policiais saíram em comboio até à Delegacia da Polícia Federal e depois seguiram com as apreensões.
Eles tinha doze mandados de busca e apreensão para cumprir.
Desde o início da Operação Pasárgada, os federais não têm descanso.
O material recolhido na primeira operação foi avaliado com calma e todos os detalhes checados.
Agora, eles estão indo em busca de documentos e provas para complementar as investigações.

Foi por isso que no início da tarde de hoje eles voltaram a agir.
Uma equipe da Polícia Federal esteve no escritório do ex-prefeito, na Avenida Rio Branco, número 3500, ponto tradicional de escritórios políticos.
A denúncia era de que as paredes do imóvel eram ocas e usadas para guardar dinheiro e documentos. Os policiais agiram com um mandado de busca e apreensão, trazido de Belo Horizonte pelo Delegado Mário Velloso, que comandou a Operação de Volta para Pasárgada.
Depois de passar a tarde com marretas, derrubando as paredes construídas para unir duas salas do prédio comercial, os policiais não acharam nada.

A informação é de que ali era mesmo guardado dinheiro, mas tudo que havia de interessante e comprometedor foi retirado por assessores depois da primeira prisão.
Com a renúncia e a prisão, Bejani deixou de ser interessante para quem tem ambições políticas. Quem antes enchia a boca para falar com orgulho o nome do ex-prefeito, agora busca alianças entre os inimigos políticos de Alberto Bejani.

Essa história serve de alerta para os candidatos e eleitores.
Não adianta ser amigo do rei, se ele estiver na mira da Polícia Federal. E, se estiver, não adianta insistir em lealdade política. O que acaba valendo é o "salve-se quem puder".
Cuidado da próxima vez que tiver que recitar o poema.

"Vou-me embora para Pasárgada, porque lá sou amigo do Rei..." Na política, as amizades podem ser perigosas e comprometedoras.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Polícia Federal acaba com esquema de lavagem de dinheiro

Por Michele Pacheco

Começamos o dia registrando o frio que deixou todo mundo encolhido e cheio de agasalhos.
Desde segunda-feira, Juiz de Fora está gelada.
O tempo fechado dá uma preguiça danada!
A vontade é de ficar sob as cobertas, com um bom livro e uma caneca de chocolate quente.
Mas, temos que trabalhar.
O jeito é reforçar a quantidade de roupas de frio e enfrentar a temperatura baixa.

Nas bancas do centro da cidade, as manchetes dos jornais chamam atenção de quem passa pelas ruas.
Todo mundo acha um tempinho para parar e se atualizar sobre o caso do ex-prefeito Alberto Bejani.
O escândalo político já é apontando como o mais grave de Juiz de Fora.
Bejani renunciou depois de ser preso pela segunda vez pela Polícia Federal, na continuação da Operação Pasárgada.

As denúncias são de enriquecimento ilícito e recebimento de propina de várias empresas.
Desde abril, Bejani tenta se livrar das acusações.
Ele apresentou documentos e indicou testemunhas.
Mas, deu tudo errado.
Como uma novela trágica, os juizforanos acompanham cada capítulo e têm reações que vão desde a revolta até a incredulidade.
A Polícia pôs em cheque a autenticidade dos contratos apresentados e os depoimentos foram um tiro pela culatra.
Testemunhas importantes, como o empresário Marcelo Abdala, que teria comprado a fazenda do ex-prefeito e pago o dinheiro que foi encontrado na casa do Bejani, voltaram atrás e negaram tudo.
O relatório da CPI da Câmara Municipal foi entregue nessa segunda e citou alguns assessores de Bejani, além do ex-prefeito.
Enquanto a população de Juiz de Fora busca notícias, a Polícia Federal busca mais provas.

No meio da manhã, fomos deslocados para uma concessionária da família Carapinha, onde os policiais federais apreenderam 5 veículos.
Lembrando: Francisco Carapinha, o Bolão, foi preso na última quinta-feira junto com o pai e o irmão.
Eles são suspeitos de pagar propina ao ex-prefeito e atuar num esquema de lavagem de dinheiro.

No local já estava a equipe do jornal Tribuna de Minas.
O repórter fotográfico Olavo Prazeres e o Robson se posicionaram para não perder nenhum detalhe do comboio, que deixou o shopping automotivo na Av. Desdedith Salgado e seguiu para a Delegacia da Polícia Federal.
Foi preciso parar o trânsito, para que os policiais saíssem com os carros apreendidos.
Um sexto carro foi recolhido numa loja dos empresários no centro da cidade.

Os veículos seriam usados num esquema de lavagem de dinheiro montado por Bejani e Francisco Carapinha, o Bolão.
O empresário é mostrado no vídeo divulgado pela revista Época. Os dois aparecem no escritório de uma das lojas negociando propina para liberar o aumento no preço da passagem. Foi na mesma loja em que os policiais federais apreenderam o sexto veículo.

O trabalho continuou na parte da tarde.
Nós seguimos para outra pauta. Os moradores do bairro Santa Tereza ligaram para a TV reclamando da retomada das obras no Hospital Albert Sabin. Em março deste ano, um deslizamento de terra causou rachaduras em duas ruas e em várias casas. Na época, algumas famílias acreditavam que a obra de ampliação do hospital, que fica no alto do morro onde houve a instabilidade, seria responsável pelos problemas.
A Defesa Civil demoliu 14 moradias e a encosta está sendo recuperada, para evitar outros riscos.

Chegamos no bairro e vimos um guindaste sendo usado para encher uma laje nos fundos do hospital, logo acima da área atingida.
O Reinaldo Freesz, presidente da Associação dos Moradores do Bairro Santa Tereza que tiveram as casas demolidas, estava revoltado com a falta de informação e providências.
A obra foi embargada logo que os deslizamentos de terra começaram.
Ele reclamou também que até agora os moradores não tiveram uma definição sobre o pagamento das indenizações prometidas pela prefeitura.

Registramos a reclamação e esperamos retorno da Polícia Civil sobre o laudo do Instituto de Criminalística.
Antes de voltar à TV, corremos ao bairro Bairu, onde houve um acidente de trânsito. Num cruzamento da Praça da Baleia, um motorista não parou onde deveria e bateu num Fusca que vinha na preferencial. A estudante que estava no fusca ficou ferida e foi socorrida por moradores. Os dois veículos bateram no muro de uma casa. Os estragos não foram grandes, mas o susto vai demorar para ser esquecido.

Professores param a BR 116 por melhorias nos salários e nas condições de trabalho

Do www.interligadonline.com

Uma manifestação programada para as principais rodovias do estado teve em Muriaé um dos seus pontos de apoio, para os professores da rede estadual de ensino, da Zona da Mata.

Às 15 horas, conforme previamente combinado, com faixas, bandeiras e apitos, centenas de professores, realizaram uma paralisação nas pistas centrais da BR 116, distribuindo panfletos e chamando a atenção de todos que por ali passavam em relação a melhorias nas condições de educação, salários e respeito por tudo que desenvolvem no setor.
Para Sandra Lúcia Couto Bittencourt, uma das diretoras estadual do Sind Ute (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais), a manifestação, acompanhada da paralisação de 24 horas foi realizada para chamar a atenção das autoridades e fazer com que, principalmente os caminhoneiros possam levar para fora de Minas Gerais, a realidade do ensino no Estado, diferente do que é propagado pelo Governo Estadual.
“Precisamos fazer com que outros estados conheçam a realidade de nossos salários e do ensino de Minas” Concluiu a diretora.
Durante a manifestação diversos caminhoneiros furaram o bloqueio promovido pelos professores, subindo nos canteiros e passando para outras pistas, com a intenção de seguirem viagem.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Bejani renuncia e vice assume prefeitura de Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

O prefeito Alberto Bejani foi preso na última quinta-feira pela Polícia Federal.
O escândalo do pagamento de propina para liberar aumento de preço de passagem ganhou as páginas de todos os jornais do Brasil. O propinoduto, como está sendo chamado o caso pela imprensa, vinha sendo apurado pela Polícia Federal desde a primeira prisão do prefeito, em abril deste ano.
Como foi feriado na sexta-feira, dia de Santo Antônio, padroeiro da cidade, hoje foi o primeiro dia útil depois da prisão.

Nossa primeira pauta foi acompanhar a repercussão na prefeitura.
Encontramos tudo normal por lá.
A renúncia do Bejani foi entregue à Câmara Municipal pela manhã e o vice, José Eduardo Araújo, convocou uma coletiva para falar das mudanças na prefeitura.
Nos reunimos ao restante da imprensa para esperar a entrevista.
Como ele estava atrasado, depois de dar entrevista em rádios da cidade, aproveitamos o tempo para contar histórias dos bastidores do jornalismo.

Sempre tem um caso engraçado para ser lembrado.
Entre os colegas presentes estavam os nossos "sócios" no Notícias Fora do Ar, Carlos Mendonça, do Jornal O Tempo, e João Schubert, do Jornal Panorama.
Para variar, eles colaboraram com mais fotos!
Só faltou o Luiz Carlos Duarte, do Jornal Panorama, outro "sócio".

De olho no elevador por onde o José Eduardo subiria, eles dois e o Robson ficaram trocando idéias sobre projetos futuros.
Claro que encontraram tempo para fotografar meu marido querido, enquanto ele tagarelava.

Esses três disfarçam, parecem distraídos, como quem não quer nada, mas não perdem a chance de registrar um flagra uns dos outros.
É divertido ver o pessoal empolgado na divulgação dos bastidores das coberturas jornalísticas.
Cada uma dessas fotos é um pouquinho da nossa história e, no futuro, vai nos trazer boas recordações.

Voltando ao caso da prefeitura, o vice-prefeito assumiu a chefia do Executivo e pôs as cartas na mesa durante a coletiva.
Ele avisou que vai fazer um choque de gestão e de austeridade.
Disse que conhece o quadro de funcionários e confia na capacidade de todos. Alguns secretários vão ser mantidos.
Regina Mancini, Secretária de Educação, se destacou com projetos educativos e de incentivo à leitura, como o Fest Ler, e vai fazer parte da nova administração.
Francisco de Mello Reis, ex-prefeito e responsável pelo Museu Mariano Procópio também fica. Sérgio Rocha, Sub-secretário de Defesa Civil, foi destaque no governo do prefeito Tarcísio Delgado, teve o esforço reconhecido pelo Bejani e agora pelo José Eduardo e continua à frente do órgão.

Quanto ao prejuízo que o município pode ter com todo esse escândalo, o prefeito disse que o nome de Juiz de Fora vai sempre ser citado com respeito. O que aconteceu não pode manchar o nome da cidade. Ele disse que vai conversar com os responsáveis pela Caixa Econômica Federal sobre o corte de recursos para o programa de despoluição do Rio Paraibuna, em busca de um acordo que atenda às necessidades do município e da Caixa.
Já o Restaurante Popular deve ter a implantação revista.
Para o Ginásio Poliesportivo, José Eduardo tem uma proposta de parceria entre o município e a Universidade Federal de Juiz de Fora.

Perguntado sobre auditorias na prefeitura, ele respondeu que isso já deveria ser feito periodicamente e vai cobrar mais rigor dos responsáveis. Ele lamentou não saber como andam as finanças da prefeitura e afirmou que o pagamento dos funcionários é prioridade.
Sobre as denúncias de corrupção e enriquecimento ilícito do ex-prefeito, Alberto Bejani, José Eduardo foi incisivo. "Assim que formar minha equipe de trabalho, vou me reunir com todos e explicar que não vou aceitar corrupção. Não basta punir os corruptos, é preciso pegar os corruptores. Se alguém do meu governo aceitar propina, não vai ser preciso investigação da Polícia Federal, pois eu mesmo vou fazer a denúncia. Quero transparência na administração" foi categórico o atual prefeito.

Para todos nós da imprensa, que acompanhamos desde o início o caso, fica sempre aquela certeza de que, independente do resultado das investigações, os maiores prejudicados são sempre os moradores de Juiz de Fora.
Pelas ruas, o assunto é o mais comentado. Todo mundo está revoltado com o que tem ouvido sobre o pagamento de propinas por parte de várias empresas. Conversamos com algumas pessoas e elas estão com muitas expectativas em relação ao novo governo.

Depois de cobrir o movimento na prefeitura, voltamos para a TV, onde fizemos entrevistas ao vivo sobre o assunto. O cientista político Ruben Barbosa disse que o reflexo da renúncia para o município deve ser um alerta para os políticos e partidos. Ele espera que sirva de lição também para o povo, sobre a importância de avaliar bem os candidatos antes de ir às urnas.

Já o presidente da OAB em Juiz de Fora, Wagner Parrot, defende leis mais rigorosas, que evitariam um desgaste tão grande para a cidade. Ele disse ainda que o ex-prefeito renunciou para não ser cassado. Afinal, a cassação o tornaria inelegível pelos próximos anos, enquanto a renúncia não o impede de disputar as eleições.

Para o presidente da CPI da Câmara Municipal que investiga as denúncias de enriquecimento ilícito de Alberto Bejani, os fatos comprovam o valor do trabalho dos vereadores. "Cansamos de ouvir piadinhas sobre a CPI terminar em pizza. As pessoas nos paravam para perguntar se a mussarela já tinha chegado e para quem iria o primeiro pedaço da pizza. Mas, os fatos falam por si. Nosso trabalho foi sério, levantou muitas denúncias graves e teve o resultado esperado. Se o Bejani não renunciasse, nós pediríamos a cassação. Agora, vamos encaminhar o relátorio ao Ministério Público para tomar as devidas providências. Com a renúncia, a CPI deixa de ser necessária, já que apura a parte política. Passamos a bola para a justiça".

O ex-prefeito Alberto Bejani continua na Penitenciária Nélson Hungria, em Contagem. O advogado dele, Marcelo Leonardo, estava preparando um habeas corpus para que Bejani possa responder às acusações em liberdade.

A posse oficial do José Eduardo Araújo foi hoje, às cinco da tarde na Câmara Municipal. Agora, é torcer para que todos os fatos sejam esclarecidos, os culpados punidos e a justiça feita. A população de Juiz de Fora merece notícias mais alegres do que as que tem recebido ultimamente.