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JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O Santo Milagroso

Por Robson Rocha

O bom de trabalhar em televisão, são as histórias que vivenciamos. Um certo dia no meu inicio de carreira estava no estúdio quando o Moacir Lourenço, diretor de imagens do departamento comercial chegou e me avisou que haveria uma produção em meia-hora e que precisava de uma iluminação muito boa com o fundo neutro. No estúdio da TV Globo Juiz de Fora não havia iluminador, era o câmera de estúdio que montava a luz.
Montei a luz usando como modelo o Eugênio, operador de vídeo, pois quando o camarada que iria gravar o comercial chegasse era só afinar a luz.

O sujeito que ia gravar chegou, era o José Luiz Ribeiro, do Grupo Divulgação. Muito gentil, como sempre, nos cumprimentou e foi para o camarim se preparar.
Aí chegou um companheiro da tv, que vou preservar o nome, e começamos a bater um papo. Pouco depois, o José Luiz saiu do camarim e já se posicionou. Subi na escada e comecei a afinar a luz. O José Luiz estava com uma batina preta estilo mil novecentos e preto e branco, um chapéu grande e preto e um guarda-chuva enorme que forçou a refazer parte da iluminação.

Nisso, meu amigo não identificado voltou ao estúdio e ao ver aquele “padre” não resistiu e perguntou:
- O senhor vai fazer comercial do quê?
O José Luiz com todo bom humor que Deus lhe deu, não perdeu a deixa e disparou:
- Vou fazer um comercial da quermesse da igreja.
Meu amigo secreto:
- É mesmo? De qual bairro?
E o José Luiz firme:
- Da paróquia lá do Retiro.

Nessa hora eu já estava quase caindo da escada, me contorcendo para não dar uma gargalhada e atrapalhar o bate papo.
Não me lembro quanto tempo demorou até que o José Luiz contasse a verdade. Que era uma gravação de um vt chamando o público para a peça “O Santo Milagroso”.
Meu amigo secreto ficou roxo, mas não deu o braço a torcer que tinha “comido corda”. Mas tudo bem, pois depois daquela interpretação virei fã de carteirinha do José Luiz Ribeiro.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

As pequenas coisas da vida - Conhecer o mar

Por Michele Pacheco

Tenho 34 anos e a vida inteira fui à praia com meus pais. Acho bonito o cenário, gosto do vento típico do litoral e do barulho das ondas. Mas, nessas férias tive a oportunidade de redescobrir a magia do mar.
Seria apenas mais uma ida a Sossego, no litoral norte do Rio de Janeiro, para aproveitar a casa de praia da Therezinha, mãe do Robson. Quando a chuva deu uma trégua, fomos à la playa! Para nós, tudo na mesma, água escura, areia também, água de coco doce e gelada. Foi quando começamos a observar o Mariano, "namorido" da minha sogra com olhar jornalístico. Ele nunca tinha visto o mar e estava deslumbrado como uma criança. Personagem ideal para uma linda matéria de comportamento.

Passamos a curtir o período no litoral de outra forma. Vendo nossas lembranças de infância ganhando forma num homem de 73 anos, pai e avô. Os olhos do Mariano brilhavam de um jeito diferente ao olhar a praia. Ele chegava, enchia o peito do ar marinho, olhava o horizonte e sorria como criança. Depois de caminhar pela areia, era hora de entrar na água. Dava gosto de ver. Ia com calma, respeitando as ondas e se acostumando com o vai-vem delas. Ficava só no raso, mas era suficiente. Deitava, nadava, pegava jacaré. A cada "braçada", olhava para a Therezinha e sorria como um menino orgulhoso. Ir embora era sempre motivo de tristeza. Ele sempre queria dar mais uma caminhada, entrar mais um pouquinho na água...

Um dia, fomos à Lagoa do Siri, em Marataizes, no Espírito Santo. Foi uma hora de viagem mais ou menos. Pelo caminho, as criações de gado e as plantações de cana e de abacaxi surpreenderam o Mariano. Ele fez todo tipo de pergunta. Queria saber sempre mais. Só ficou mudo ao passarmos por uma ponte precária no caminho.

A paisagem da Lagoa do Siri deixou o Mariano encantado. Ele e a Therezinha não pararam um minuto sequer. Deixaram as coisas na mesa que escolhemos e foram caminhar pela praia. O lugar é mesmo lindo. Uma faixa de areia separa o mar da lagoa. Enquanto algumas pessoas preferem ficar na praia, outras se espalham pelas inúmeras mesas colocadas na margem da lagoa. Os restaurantes garantem atendimento o tempo todo.

Estávamos ficando preocupados com a demora, quando eles voltaram sorridentes. O Mariano tinha adorado a praia, mas teve trabalho para entrar na água, pois o mar é mais forte lá. A solução foi curtir a água calma e na temperatura ideal da lagoa. E ele aproveitou! A animação do nosso amigo era páreo duro para a das crianças que nadavam ao redor.

Voltamos para Sossego, onde ficamos duas semanas na companhia deles. A cada dia de praia, mais uma lição de vida. Quantas vezes perdemos tempo deixando de fazer alguma coisa, com medo de parecer ridículo? Quantas vezes recusamos o chamado de uma criança para brincar, alegando que somos grandes demais para aquilo? Pois o Mariano nos provou que não existe idade para descobrir coisas novas. Que é preciso olhar com mais atenção ao redor e encarar os fatos rotineiros com outros olhos.

Afinal, as pequenas coisas da vida são as melhores!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Estúdio é fogo!

Por Michele Pacheco

Eu tenho trauma de estúdio! E tenho motivos para isso! Todo mundo acha engraçado ver aqueles vídeos em que spots caem nos apresentadores e coisas estranhas acontecem. Eu também achava, até me tornar vítima de "acidentes" no estúdio.
Sou do tipo que gosta de aprender e quer saber todas as funções ligadas ao jornalismo. Aprender a ancorar o jornal era um desafio. Sou da equipe de rua, amo o trabalho de externa e gostaria de manter contato com ele para o resto da vida. Mas, eu tinha que ir para a bancada e provar a mim mesma que faria direito. Lá fui! Uma, duas, várias vezes. Estava começando a superar a sensação de passarinho engaiolado, num local fechado e com ar condicionado ou muito frio ou muito quente (nunca na temperatura ideal!). Foi, quando aconteceu.

Nossa Editora Responsável estava de licença maternidade e o editor assumiu o lugar dela. O Stanley Teixeira fechava o jornal e ficou responsável por cortar o Jornal da Alterosa aos sábados. Lá fui eu para o estúdio, apresentei tudo e me despedi. Sabe aquele finalzinho de jornal, com a ficha e o apresentador tirando o microfone, etc... Pois foi aí que começou o problema. O Robson estava de férias e o Maurício Mazzei estava no lugar dele na rua comigo e no estúdio passando o TP. Eu encerrei, tirei o microfone, coloquei na bancada e fui conversando com o Mazzei até minha imagem sair do vídeo. Assim que a tela ficou preta, indicativo de que o sinal tinha passado para o controle de Belo Horizonte, eu tirei o ponto eletrônico e me virei na cadeira para amarrar o fio. Foi quando o Mazzei começou a rir e disse "olha lá, é você de novo". Senti um frio na barriga. Claro que tinha acontecido algo errado! Sentei direito, fiz cara de quem estava disfarçando, como se tudo estivesse previsto, abaixei um pouco a cabeça e mexendo pouco a boca, pedi baixinho para ele desligar as luzes para que eu pudesse sair do estúdio. Quem disse que meu querido amigo me ouvia? Também, com tantas gargalhadas! E ficamos alguns minutos naquele sofrimento. Minha imagem sumia, eu levantava para sair, ela voltava, eu sentava, ela sumia, eu levantava... Lá pelas tantas eu já estava vendo a hora em que iria levantar e, em vez de deixar o estúdio, eu iriar voar no pescoço do Mazzei. Ele riu tanto que já estava ficando roxo.

Quando enfim entendeu o que eu queria que fizesse e apagou as luzes, pude finalmente escapar do meu calvário! Entrei na cabine de exibição pronta para esquartejar quem tinha me deixado naquele mico e a história que ouvi foi hilariante! O botão da mesa de corte escapuliu e caiu no chão no fim do jornal, impedindo que mudassem a imagem que estava no vídeo, cortando para o sinal de Belo Horizonte. Imagine o nosso editor com quase dois metros de altura e calçando 46 bico largo andando de um lado para o outro atrás de um botãozinho, com o pessoal de BH gritando pelo intercom cobrando solução! Cada vez que ele chegava perto, chutava o pobrezinho para mais longe. Quando enfim conseguiu resgatar o fugitivo, eu já tinha conseguido sair do estúdio.
Fiquei com medo de passar até perto do estúdio. Entrava passando por trás das câmeras, para não correr o risco de alguém ligar e eu ir para o ar. Quando estava começando a me curar do trauma, veio outra bomba.

Mais um fim de semana, mais uma vez eu apresentando e o Mazzei no TP, mais uma vez o Stanley no corte. Receita perigosa! Mas, tínhamos que arriscar.

Lá estava eu, sentada na bancada, esperando o jornal começar e com as pernas bambas. O Mazzei vira e me diz todo simpático "calma, você já passou pelo pior, o que mais pode acontecer?". Foi o suficiente para me subir um frio pela espinha. Começou o jornal, a primeira matéria entrou, li algumas notas e chamei a segunda matéria. De repente, buuum! Ouvi um estouro e vi uma chuva de fogo caindo em cima do monitor do TP e na camisa do Mazzei. Acreditem se quiserem, a lâmpada de um dos spots em vez de queimar, derreteu. Quente, o material derretido queimou o plástico do monitor e levantou fumaça. Assustado, o Mazzei começou a se estapear, levantou e foi para a frente da câmera. A matéria chegando ao fim, eu pedindo socorro pelo microfone (baixinho, com medo de vazar o áudio no ar e criar pânico) e o meu pobre colega com a roupa cheia de buraquinhos andando de um lado para o outro na frente da bancada. Socorro, não veio nenhum. Mas, logo ouvi a voz do Stanley "atenção, deixa no ar, você vai voltar agora". Virei para o Mazzei e falei "vamos voltar, vá se estapear atrás das câmeras". Busquei a expressão mais tranqüila que consegui e fui lendo os textos em meio à fumaça, como se nada tivesse acontecido. Nossa sorte foi que o jornal de sábado era menor e eu tinha lido várias vezes as laudas antes do jornal começar. Improvisei alguma coisa e saímos do estúdio assim que o jornal acabou. Entramos brancos e trêmulos na cabine e o pessoal nos recebeu dando os parabéns, dizendo que tinha sido o melhor jornal dos últimos dias. Quando nos viram quase desmaiando e contamos o que tinha acontecido, ninguém acreditou. Todos correram para o estúdio e viram as marcas de fogo no monitor e a camisa furada do Mazzei.

Desde então, estúdio para mim é fogo!

Jornalista dá banho

Por Robson Rocha

Na segunda-feira, dia 14 de janeiro, Aline Veroneze e eu estávamos atrasados para uma gravação na prefeitura de Juiz de Fora e a assessoria ligou para a Michele para confirmar se a TV Alterosa iria cobrir.
Chegamos correndo e subimos até a sala de entrevistas, ao lado do Gabinete do prefeito, onde já estavam todos a postos. Fotógrafos, cinegrafistas e repórteres aguardando a nossa chegada para começar a coletiva.

O prefeito Alberto Bejani e o secretário executivo do Ministério dos Esportes, Wadson Ribeiro conversaram com os jornalistas sobre a ordem de serviço para o início imediato das obras do Ginásio Poliesportivo de Juiz de Fora. E falaram também que a cidade vai receber uma fábrica do programa "Pintando a Cidadania", o que vai gerar 300 empregos para os jovens. E dez mil crianças serão beneficiadas com a prática esportiva através da parceria da Prefeitura com o Ministério dos Esportes no Programa Segundo Tempo.

Todos estes anúncios foram feitos durante entrevista coletiva, mas o melhor ainda estava por vir.
Eles assinaram os documentos e começaram a gravar separadamente para as tv’s. Minha companheira de equipe logo se prontificou a entrevistar o prefeito Alberto Bejani e depois o Wadson, que conheço desde que ele era garotinho, batendo pelada lá no bairro Linhares.

Mas voltando à entrevista, a Veroneze chamou o secretário. Começamos a gravação e ela foi colocar a bolsa em cima da mesa. Bolsa é modo de dizer, pois aquilo parece uma mala equipada para um mês de viagem. Mas vamos continuar chamando de bolsa. Nisso, notei os olhos do secretário se arregalando, ele deu um pulo para trás e começou a rir. Sem tirar o olho do view-finder, com o outro dei uma leve e rápida olhada para mesa e não é que a Aline com sua pequena bolsa fez um strike, derrubou todos os copos com água que estavam na mesa.

O nervoso da loura era tanto que ela ficou vermelha e não conseguia parar de rir.
Por sorte não molhou o Wadson. Mas os desenhos do ginásio e os documentos que estavam na mesa e tinham acabado de ser assinados...
Já tinha ouvido falar em lavagem de dinheiro, mas a Aline inventou a lavagem de documentos.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Grandes profissionais de pequenas TV's

Por Robson Rocha

Os jornalistas têm a mania de ignorar e até tratar mal os profissionais que trabalham em pequenas TV’s de cidades do interior. Porém se esquecem que muitas vezes são bons profissionais que estão ali por opção, ou para rimar, não tiveram um pistolão.

Hoje estava lendo matérias no blog do Silvan Alves, de Muriaé, e vi uma foto do Emanuel, que todos conhecem como Pirro. Ele é famoso e querido na cidade.
Eu o conheci há muito tempo, nos tempos da antiga TV Globo Juiz de Fora. Eu era cinegrafista do comercial e estávamos gravando no campo do Nacional. Lembro-me dele com uma VHS na mão e achando que era o máximo o nosso equipamento U-matic.
Quando vamos a Muriaé quase sempre encontramos com ele. Hoje, o Pirro é cinegrafista da TV Atividade e continua simples e simpático como sempre. Diga-se de passagem: a TV Atividade é muito bem montada.

São as pessoas que trabalham nessas tv’s que conhecem a realidade e o que acontece em suas regiões.

Em Tiradentes, havia uma tv da qual infelizmente não tive mais notícias. Era a TV Inconfidentes. Na época de sucursal da Alterosa, eles sempre nos enviavam imagens de factuais. Se muitas vezes a qualidade técnica não era boa (VHS), jornalisticamente eram perfeitas e eles sabiam como fazer.

Outra tv que infelizmente acabou foi a TV Mont, de Santos Dumont. Lá fizemos dois grandes amigos. Um é o Marco Antônio Montese, excelente cinegrafista e locutor. Outro o Waldir Silva, o Repórter Amarelinho. Esses dois mandavam materiais excelentes pra gente e ainda perguntavam o que a gente queria das sonoras.

Pra dizer a verdade, temos uma dívida muito grande com eles.

Só por curiosidade , eram da TV Mont, as imagens de um acidente com um helicóptero em Santos Dumont, em que o vulto que seria o espírito do piloto aparece ao lado dos destroços. O vídeo rodou muito no Ratinho.
Na época não os conhecia e nossa produtora em Belo Horizonte, Cristine Cruz, que hoje está na Record, pediu para eu dar uma olhada nas imagens e realmente eram impressionantes. Não havia nenhum indício de montagem e até eu que não acredito nessas coisas de espíritos fiquei impressionado.

São João Del Rei tem a TV Campos de Minas, onde tem uma galera muito boa trabalhando. Na Semana Santa, eles fazem até transmissão ao vivo. Coisa que muita TV grande ainda não faz e o material deles é de primeira qualidade.
Existem outras tv’s como a TV Educar de Ponte Nova que também tivemos oportunidade de conhecer e faz um trabalho muito bacana.
Na nossa região existem ainda a TV Lafaiete, Tv Folha do Povo de Ubá e a TV Viçosa que pertence a UFV.

Todas têm profissionais competentes e como nas TV’s “grandes” alguns que só ocupam a função. Mas, isso faz parte, e destaca mais ainda o talento dos “Pirros e Monteses” que trabalham com competência para manter a comunidade informada e que nos ajudam quando estamos na área deles.
Quantas vezes esses profissionais nos orientaram por conhecerem bem quem, quando e onde gravar. Além de muitas vezes nos cederem as imagens.

Então só temos a agradecer a esses grandes profissionais de pequenos órgãos de comunicação.
Valeu!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

O improviso nosso de cada dia

Por Robson Rocha

Este ano pela primeira vez em vinte anos de profissão, consegui férias no carnaval.
Eu e a Michele aproveitamos para viajar e voltamos a tempo de ir à Banda Daki. Pulamos bastante e resolvemos fazer uma coisa que há muito tempo eu não fazia. Assistir aos desfiles das escolas de samba de Juiz de Fora.
Mas, de cara deu pra reparar que São Pedro resolveu não tirar folga no carnaval e fomos para a avenida assim mesmo. Como pretendia tomar uma cervejinha, fomos de táxi.

Tomando minha gelada no camarote, comecei a observar os cinegrafistas que estavam trabalhando na avenida. Isso porque a chuva limita muito o trabalho de fotógrafos e cinegrafistas, pois água e câmeras não combinam. Aí, eles têm que garantir boas imagens sem esquecer de proteger o equipamento.
Cada um descolou uma maneira de evitar que o equipamento molhasse.
Infelizmente, não tem como fazer imagens apenas de cima dos camarotes, tem que ir pra pista. O pessoal da TV Alterosa e da TV Panorama estava devidamente equipado com capas nas câmeras, além de capas e botas para os profissionais.

Mas, muita gente teve que improvisar. O moço aí da foto conseguiu prender um guarda-chuvas em sua pequena stead-cam, mas pela altura do guarda-chuva, não sei se protegeu tanto assim sua pequena câmera mini-DV. Mas a idéia é boa e dá pra tentar pensar em alguma coisa lá para a tv.

Contudo não era difícil encontrar câmeras com as melhores tecnologias digitais, CMOS, CCD's, leitura nativa em alta definição... escondidas sob sacolas plásticas e amarradas com barbante. São milhares de dólares protegidos por um material, digamos, reciclado. Mas apesar do visual estranho, o equipamento ficou sequinho.

Já o meu amigo Evandro Carvalho, não ficou nem vermelho. Apesar de estar usando uma capa de chuva de primeira, pegou um saco de lixo mesmo e tratou de embrulhar a câmera. Deu trabalho arrumar a "capa" toda hora. O bom é que ele conseguiu manter a câmera seca.

Alguns profissionais contaram com a ajuda de auxiliares, caso de um outro amigo, o Fernando Barbosa, repórter fotográfico da prefeitura de Juiz de Fora. Quando tinha que descer pra pista, ele contava com o Carlinhos como auxiliar de guarda-chuva.

Mas mesmo quem optou em ficar no camarote não escapava da chuva, pois São Pedro mandava junto um ventinho. Apesar de fraco, era suficiente para nos molhar. Aí a turma da Facom, Faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal de Juiz de Fora, se revezava em todas as funções, inclusive na de segurar o guarda-chuvas. Afinal, já vão aprendendo que o trabalho de cinegrafista além de criatividade, tem que ter uma boa dose de "técnica" para proteger nosso ganha pão:
a câmera.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Histórias de carnaval - Folia no Rio de Janeiro

Por Robson Rocha

Eu sempre gostei de carnaval, mas depois que comecei a trabalhar não consegui mais participar. Quer dizer, não pulo mais carnaval. Agora trabalho.
Lógico que me divirto trabalhando, mas existem situações que são complicadas.
Em 2006, fomos mandados para o Rio de Janeiro para fazer gravações nos barracões e nos ensaios de duas escolas de samba que estavam homenageando cidades mineiras.
Começamos gravando na União da Ilha que homenageava São João Del Rei. No barracão fizemos imagens do que era permitido, tudo muito organizado. Foi quando nos ligaram para ir à Cidade do Samba gravar os trabalhos da Beija-Flor que estava homenageando em seu enredo Poços de Caldas.
Se o tratamento na União da Ilha foi dez, na Beija-Flor não foi diferente. Fomos recebidos com um carinho enorme.
À noite fomos para a quadra da União da Ilha gravar os ensaios. Era ensaio mesmo!

Voltamos ao Rio semanas depois para os desfiles, aí começaram os problemas. Nosso motorista parou próximo à Central do Brasil, porque o pessoal da TV tinha esquecido de nos credenciar. É mole?! Tivemos que caminhar um pouco até a concentração, onde estava um grupo de pessoas de São João Del Rei. Sem credenciamento, entramos na galega, fizemos algumas imagens e, claro, fomos colocados pra fora. Tínhamos que ir ao camarote da União da Ilha e, como o carro não poderia ir, tivemos que caminhar. Com um pequeno detalhe, o camarote era um dos últimos do lado contrário ao que estávamos. Moral da história, andamos muito!
No camarote, tratamento vip. Gravamos o que faltava para fechar o material e fomos para o hotel.

Subimos fomos para os quartos e me assentei na janela para fumar um cigarrinho. Quando olhei para o lado onde o prédio fazia um “L”, me senti em uma aula de Kama-Sutra. Em vários apartamentos “o pau estava comendo”. Na realidade o hotel era um motel. Liguei para a Michele pra contar e tomei uma chamada, é mole? Passei boa parte da noite observando, digamos, “técnicas” novas.

No dia seguinte, outra novela, iríamos gravar no camarote da Brahma. Pra isso tínhamos primeiro que ir para a Marina da Glória. Nosso motorista se perdeu umas dez vezes e não ouvia nossas dicas. Cansei de ver a mesma paisagem e “gentilmente” mandei que seguisse outro caminho. Enfim chegamos e pegamos uma van para o sambódromo.

Gravamos com vários atletas, artistas, etc. Tivemos a oportunidade de conhecer o Luiz Gonzaga Mineiro, chefe do jornalismo do SBT na época. Ele é um cara extremamente simples. Pudemos bater um longo papo e, o principal, ouvir para aprender. Até quando começou a transmissão e ele assumiu a coordenação.

O momento mais “quente” foi a chegada do Maradona. Tinha mais segurança que jornalista. Levando em consideração a estatura do hermano e que não havia nenhum segurança baixinho, tive que aproveitar dos meus um metro e noventa para garantir imagens do cara. Ainda mais que Maradona não queria dar nenhuma entrevista. Mas empurra daqui, empurra dali a imagens estavam garantidas.

Saí e ficou um batalhão de fotógrafos, cinegrafistas e repórteres tentando alguma coisa. Fora a imagem, o que todos nós conseguimos foram algumas cotoveladas e empurrões dos seguranças.
E foi assim a noite toda. A cada van que parava, saíamos todos correndo para gravar com alguma personalidade que chegava.

Na volta tive o prazer de conhecer Fernanda Torres. Simpaticíssima, ela perguntou se podia se assentar ao meu lado e fomos batendo papo até a Marina da Glória. Ela fez várias perguntas sobre Minas e estava preocupada, pois não lembrava onde o marido havia parado o carro. Michele e eu ajudamos a procurar o carro que foi logo encontrado por um dos manobristas. Pegamos nosso carro e voltamos para Juiz de Fora.

Depois que tudo passa, ficamos com as lembranças e boas histórias.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Banda Daki 2008 - Irreverência no carnaval de Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Estou na TV Alterosa há 10 anos e sempre cobri carnaval. Fazer matéria da Banda Daki no sábado de folia virou tradição. O Bloco é um dos maiores de Minas Gerais e neste ano reuniu em torno de 40 mil pessoas, segundo a Polícia Militar. Eu e o Robson estávamos lá, claro. Mas, com uma diferença. Pela primeira vez desde que entrei na emissora estamos de férias no carnaval.

Triste foi agüentar os olhares assustados de quem me via abraçada a uma figura estranha com peruca black power. Só depois de uma olhada atenta é que o pessoal reconhecia o Robson! Fomos nos divertir com a Paula, filha dele, e matar as saudades dos amigos que estavam trabalhando. Aproveitamos para tirar fotos e guardar de recordação.

A turma da TV Panorama estava a postos com a cobertura ao vivo. No alto do carro, estava o cinegrafista Moysés Vale, repondo as energias num dia de sol intenso. O Oswaldo Neiva ficou com a câmera de baixo e estava trabalhando com a Carla Arantes, repórter, e o Ulisses (Chaveirinho), auxiliar. Bem-humorada, a equipe posou para nossa câmera no melhor estilo folião.

Pela TV Alterosa, encontramos o Mário César. Ele é auxiliar de cinegrafista do programa Fatos em Foco e está em todos os eventos que cobrimos. É uma peça rara! Com disposição e competência de sobra, ele parece advinhar o que os repórteres cinematográficos querem. É muito legal trabalhar com o Mário. Como o Robson está sempre tirando fotos dele, algumas vezes em situação cômica, nosso auxiliar tentou fugir da lente, mas sem sucesso. Pelo menos dessa vez saiu bem na foto!

O jornal Tribuna de Minas colocou todo mundo para trabalhar. Os fotógrafos se dividiam em pontos estratégicos para registrar cada detalhe do bloco. O calor estava tão intenso que a gente tinha a sensação de que iria derreter. Imagine o pessoal da fotografia, com coletes e equipamento. Flagramos os fotógrafos Olavo Prazeres e Diogo Kling aproveitando alguns segundos de descanso na sombra antes de retomar a maratona que é seguir a Banda.

Esse tipo de evento é legal para encontrar aquelas pessoas que só vemos durante as reportagens. O Oswaldo Braga Júnior, presidente do MGM, Movimento Gay de Minas, seguiu a tradição de ir à campo distribuir preservativos, dentro da campanha de prevenção à Aids.
Encontramos também um amigo querido, o Luiz Carlos Lyra. Ele foi nosso companheiro na TV Alterosa e hoje está na TV Panorama. Foi bom para colocar a conversa em dia.

A Banda Daki surgiu com um grupo de amigos que se vestia de mulher e ia para as ruas. A idéia pegou, o bloco cresceu e apareceu. Hoje, atrai participantes de todo o estado. O José Carlos Passos, o Zé Kodak, é o General da Banda Daki e comanda a festa desde o início. É uma figura que admiramos muito. Determinado, ele já enfrentou muitas dificuldades, mas nunca desistiu de lutar para manter vivo o bloco.

Se o Zé é a alma da Banda, a irreverência é o combustível que move milhares de foliões por quase oito horas desde a concentração até a dispersão. Adultos e crianças se divertem com as figuras engraçadas. Tem persongens da TV, homens vestidos de mulher e fantasias criativas. O evento é democrático. Foliões de todas as idades, sexo e condição financeira se unem para curtir o carnaval. O Rei Momo e a Rainha participam da festa. Até Isabellita dos Patins veio do Rio de Janeiro para desfilar.

A Banda faz parte do Patrimônio Cultural de Juiz de Fora. Título merecido! Parabéns mais uma vez ao Zé Kodak.

E quem está sempre prestigiando o bloco é o pessoal do Free Folia. A equipe trabalha com vontade para registrar os melhores momentos do carnaval de Juiz de Fora.
Quem quiser conferir fotos de todos os eventos deste ano, é só acessar o site
www.freefolia.com.br

Do rádio em Carangola para o mundo

Por Robson Rocha

Foi muito bacana encontrar nas férias, em Campos, um amigão, Ronan Júnior. Nós o conhecemos quando, certa vez, fomos convidados pelo Marcel Ângelo, jornalista amigo nosso, para participar de algumas palestras na Faminas, em Muriaé.

Durante um bate-papo entre profissionais de jornalismo e alunos do curso de jornalismo, comecei a prestar atenção no camarada que estava conduzindo o debate. Era o Ronan. Ele tinha todo o domínio da situação, segurança nas perguntas e achei estranho. Não é normal um formando ter uma segurança que muitas vezes profissionais experientes não têm.
Quando acabou o bate-papo, eu o procurei e perguntei qual a experiência dele e há quanto tempo já havia se formado. Ele respondeu que estava se formando naquele ano.
Poucas vezes, em vinte anos de profissão, indiquei alguém para trabalhar em tv.

Mas enxerguei nele o que sinto falta em muitos profissionais: carisma.

Além disso, o cara tinha uma dicção legal e eu cismei que ele tinha jeito para a tv. Isso tirando alguns brincos estranhos que o rapaz usava e fazendo sua barba.
Pedi a ele que nos mandasse um dvd com alguma matéria feita na faculdade.
Ele nos mandou o material e era muito bom. Entreguei o material para nossa editora. Ela gostou e ele foi contratado para fazer férias da repórter Cristiane Armond, hoje Editora-chefe do RJTV 2ª edição da Inter TV (Região dos Lagos, Região Serrana e norte fluminense). Pena que não havia vaga para repórter na TV Alterosa naquela época.

Depois de cobrir férias, ele conheceu o Boris Casói numa entrevista em Muriaé, foi para a TVJB e logo depois para o SBT-Rio. Foi muito legal e prazeroso assistir matérias e entradas ao vivo nos jornais de rede do SBT e assinando como Ronan Tardin.
Depois, ele foi contratado pela Inter TV para ser repórter em Campos, Norte fluminense.
Acredite o cara tem até fã clube.

Agora que contei parte da história dele, vou voltar ao início.
Ronan, Michele e eu batemos um longo papo, lógico, sobre televisão. Ele estava se recuperando de uma pequena cirurgia na boca (pequena,apesar do tamanho da boca).
Não nos assustamos, pois em um mês em Juiz de Fora ele teve alguns contratempos. O mais engraçado foi quando teve uma virose. Encontramos com ele na tv e notamos que estava um tanto pálido. Dissemos para procurar um médico e não o vimos mais.
Quando eram umas seis e meia da tarde estávamos terminando de gravar uma matéria de um homicídio em um morro em Juiz de Fora, quando o celular da Michele tocou.
Ela atendeu e logo arregalou os olhos. Acabei de guardar o equipamento e perguntei o que tinha acontecido. Ela me disse que era o Ronan, que estava mal e precisava ir a um hospital, mas não sabia andar direito na cidade. Como o sujeito não tinha plano de saúde(e para quem cobre férias a TV não faz plano de saúde), a Michele indicou o HPS(sacanagem com o menino). Lá pelas sete da noite ligamos pra ele, adivinhe onde ele estava? Na fila de espera do SUS. Não falei que era sacanagem!
Fomos rápido para o Hospital de Pronto Socorro. Tivemos que resgatá-lo. Chegando, olhamos a recepção lotada e cadê o Ronan? Não achamos, mas de repente surge uma figura que parecia um zumbi no meio do salão. Não era nenhum personagem do clip do Michael Jackson. Era Ronan Junior ou o que a virose deixou dele. Perguntamos por que não se identificou como jornalista da TV. Ele disse que tinha ficado sem graça e ficou na fila. E que fila! A Michele conversou e conseguiu que ele fosse atendido. Sabe qual foi a medicação? Não sabe? Aspirina e cama! Tanto tempo de espera para ouvir isso.

Durante nossa conversa regada a cachorro-quente e muito catchup, ele nos mostrou várias fotos que registram momentos legais da carreira dele. Foi muito engraçado ver fotos do Ronan com colete à prova de balas.
Também é muito legal ver que continua com sede de aprender e não esconde suas dificuldades ou deficiências.

Isso vai levar esse camarada que trabalhava em uma pequena rádio em Carangola, no interior de Minas, ao primeiro time do jornalismo nacional.
E conversando com o pessoal da Inter TV, foi muito bacana saber também o respeito profissional que ele está conquistando.