Neste sábado, eu e o Robson trabalhamos separados.

Os dois eventos atraem milhares de turistas homossexuais e simpatizantes todo ano a Juiz de Fora.
A cidade é considerada um porto seguro nessa onde de agressões e preconceito que assola o país.
A Parada fez a concentração no Parque Halfeld, coração da cidade.

Era gente animada por todo lado.
O sol quente levou os mais animados a escolher pouca ou quase nenhuma roupa para se divertir.
Mas, sempre tem aqueles que preferem caprichar na produção e no look com as cores do arco-íris.
O pessoal da imprensa buscava os melhores ângulos para registrar a movimentação.

Fotógrafos e cinegrafistas se espremeram e dividiram o espaço sem problemas.
Eu e o Ângelo ficamos por lá tempo suficiente para registrar umas imagens legais da Avenida Rio Branco lotada de gente e voltamos para a rua.
Embaixo, gravamos entrevistas e esperamos a chegada dos organizadores.

A gente tem que esquecer o calor e ir para o meio da muvuca conseguir boas histórias.
Os depoimentos são legais.
Algumas pessoas esperam o ano todo para vir aqui se libertar das amarras e curtir o evento gay sem sofrer discriminação.
A Parada começou depois do Hino Nacional cantado pela Sandra Portela e do tradicional beijo no alto do trio elétrico.

Os fundadores Oswaldo Braga Jr. e Marcos Trajano são um exemplo de relacionamento longo e cercado por respeito mútuo.
Muitos casais heterossexuais não conseguem tamanha harmonia.
Eles conseguiram reunir nesses anos todos uma legião de admiradores e seguidores.

O evento em Juiz de Fora é realizado no centro da cidade.
Os trios partem do Parque Halfeld, seguem pela Avenida Rio Branco, entram na Avenida Independência e vão até a Praça Antônio Carlos.
No ano passado, uma rivalidade entre gangues levou a desavença para a rua e tirou um pouco do brilho do evento.

Neste ano, os policiais do 2o Batalhão de Polícia montaram um esquema especial.
Todas as ruas que dão acesso à Avenida Rio Branco receberam barreiras, onde todo mundo era revistado antes de entrar na área de evento.
À pé, a cavalo e de helicóptero, os policiais cercaram o trecho da Parada

Quem estava em atitude estranha ou em grupo era revistado.
Mesmo que tenha sido desagradável para alguns, funcionou.
Houve poucas ocorrências durante a passagem.
Depois, os policiais registraram uma tentativa de assassinato e arrastões.

O problema é que as gangues têm aproveitado qualquer oportunidade para colocar a rivalidade para fora.
Basta ter aglomeração e lá estão os grupos doidos para arrumar confusão e atrapalhar a festa de quem quer apenas se divertir.
Pelo menos no Miss Brasil Gay isso não ocorre.

O Robson foi sem repórter, apenas com o Mário como auxiliar técnico.
Por lá, eles encontraram a galera da imprensa.
A fama do Miss Brasil Gay aumentou muito depois do episódio da peruca.

Quando ganhou o título, Ava estava comemorando quando foi atacada pela candidata de São Paulo, inconformada com o resultado.
As imagens do Robson correram o mundo.
Desde então, todo mundo quer saber o que a gente sentiu no momento da confusão.

Nós estávamos gravando a entrevista com a Ava na passarela, quando a agressora veio feito uma bala dos bastidores e arrancou a peruca da vencedora.
Quem achava que a eleita seria prejudicada, se enganou.
A Ava mostrou elegância e usou o episódio para divulgar uma mensagem de paz e de luta contra o preconceito.
O evento virou a madrugada.

Tem roupa que chega a dez mil reais.
A candidata vitoriosa foi a Miss Piauí, Raika Bittencourt.
Ela faturou também os títulos de Melhor Traje Típico e Melhor Traje de Gala.