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JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

domingo, 29 de novembro de 2009

Parada Gay de Santos Dumont - Sucesso da Miss Brasil Gay 2009

Por Michele Pacheco

Hoje, Santos Dumont teve um domingo diferente.
A cidade tranquila, na Zona da Mata Mineira, passou a tarde ao som de música eletrônica.
Esse foi o ritmo escolhido para animar a concentração da II Parada da Diversidade Sexual de Santos Dumont.
No ano passado, 6 mil pessoas participaram.
Neste ano, o público subiu para 10 mil participantes.

O evento é organizado pelo Movimento Gay de Santos Dumont.
O presidente do MGSD, Reinaldo de Oliveira, falou que o objetivo é lutar contra o preconceito e mostrar aos homossexuais que eles não precisam ter medo de assumir as escolhas que fizeram.
O trabalho inclui apoio psicológico aos jovens, reuniões sobre homossexualidade, discussão de temas importantes, debates sobre leis e conquistas.

A concentração começou por volta de duas da tarde.
O pessoal foi chegando e se reunindo nas calçadas e no galpão escolhido para o evento.
A música eletrônica marcou o ritmo para os mais animados, que pularam sem parar.
Por todo lado, jovens de ambos os sexos liberaram as fantasias e se curtiram sem medo de represálias.
Aos poucos, a multidão foi crescendo.

O curioso foi ver moradores de todas as idades disputando espaço na rua, nos prédios e até no pátio de um hospital para ver a movimentação.
Em geral, as pessoas mais velhas são mais rigorosas com relação ao homossexualismo.
Em Santos Dumont, todos deram um belo exemplo de compreensão e respeito ao direito de escolha do outro. Havia muito
idosos e crianças por lá, olhando admirados e se divertindo.

Alguns escolheram fantasias irreverentes, outros abusaram dos acessórios coloridos.
Mas, todos foram unânimes ao defender as cores do arco-íris, símbolo da diversidade, que ganhou em todo o mundo lugar de destaque representando as comunidades homossexuais.
Quem não quis se fantasiar, soltou a imaginação e viveu outra fantasia: a de viver o amor livre de preconceitos.

Entre os convidados de honra, estava a Miss Brasil Gay 2009, Ava Simões.
Linda, simpática e gentil como sempre, ela se arrumou e teve muita paciência com os fãs e a imprensa.
Gravou uma entrevista exclusiva comigo e o Robson.
O material vai ao ar nesta semana e depois fica no site da TV Alterosa (www.alterosa.com.br/jf), onde já há vídeos sobre a Ava.

Mais uma vez, fiquei admirada com a elegância das atitudes do Charles Simões, dentista do Rio de Janeiro que criou a personagem Ava Simões.
Por trás da maquiagem e da peruca, ele mostrou uma forte influência familiar.
Na entrevista, a Miss Brasil Gay 2009 contou que o sonho do título começou na infância, ao ouvir a mãe contar que sonhava com os concursos, mas foi impedida de seguir em frente.
Esse sonho se realizou com o filho.

Ava Simões participou de três concursos do Miss Brasil Gay antes de conquistar a vitória.
E quando veio, ela foi arrasadora!
A candidata que nasceu em Recreio-MG, mora no Rio de Janeiro e concorreu pelo Espírito Santo esbanjou charme no traje típico, lembrando a fábrica de chocolates mais conhecida do Brasil e que fica em terras capixabas.
Depois, brilhou no vestido de gala.
Resultado: ganhou todos os maiores títulos da noite.

Parecia um sonho lindo, até uma agressão movida por raiva e inveja.
A decepção com o comportamento da colega de passarela foi maior do que a dor de ter a peruca arrancada na frente da nossa câmera, com coroa e tudo.
Ava deixou de lado o constrangimento, se arrumou e voltou triunfante para mais uma volta da vitória.
Os aplausos eram o primeiro sinal de que o incidente estava longe de arranhar a imagem da Miss eleita.

Dito e feito.
As imagens exclusivas da TV Alterosa rodaram o mundo, sendo um dos vídeos mais acessados do Youtube, primeira página do jornal britânico The Sun e um dos vídeos mais acessados do site do mesmo periódico.
No Brasil, várias emissoras usaram as imagens que o Robson fez e o CQC colocou a confusão em primeiro lugar do Top 5.
Com tudo isso, Ava Simões é a Miss Brasil Gay mais comentada da história do concurso, que completou 33 anos.

Na entrevista de hoje, ela falou dos projetos que tem.
Quer estar em todos os lugares onde a Miss Brasil Gay deve estar, quer ajudar o grupo Arco-íris na luta para transformar a homofobia em crime.
Ava disse ainda que tem recebido muitos convites de todo o país.
"Graças a Deus e à tirada de peruca, tenho muitos convites.
Fui convidada para ir à Amazônia e ganhei uma viagem de navio.
Uma empresa viu as imagens, gostou da minha postura de não processar a outra candidata e me deu o presente" conta emocionada com o carinho que tem recebido.

Ava foi perguntada depois do evento se pretendia processar a Miss São Paulo, Thaisa Shinayder.
A resposta foi negativa.
A explicação foi simples: a Miss Brasil é um símbolo de elegância e de educação.
Essa é a postura correta que uma Miss Brasil deve ter.
Esse comportamento elegante tem rendido comentários positivos por onde passa.
Ela se preocupa também em defender o evento, que considera idôneo e sem irregularidades.

"Eu mesma já fiquei em último lugar no concurso.
E não desisti.
O Chiquinho (Chiquinho Motta, criador do evento) está lá, mesmo doentinho, de olho em tudo para que nada saia da linha.
Eu não tenho como duvidar da correção do Miss Brasil Gay.
Quero defender o evento e mostrar ao mundo que o universo gay é bem melhor do que a pancadaria que está sendo mostrada por aí.
O concurso merece respeito e incentivo todos os tranformistas a participar" defendeu empolgada a vencedora deste ano.

A primeira volta de Ava a Minas, depois do evento foi gloriosa.
Ela foi recebida em Santos Dumont como Rainha e não como Miss.
No meio do povo, carinho e aplausos.
Simpática, distribuiu sorrisos e teve paciência para atender a todos os pedidos de fotos e abraços. No alto do trio eletrético, ela acenou para quem estava nas casas e na rua.
Nem preciso dizer que ganhou ainda mais respeito de todos.

Encontramos no evento um amigo que respeitamos muito.
O Robson Terra.
Nós o conhecemos há pelo menos 12 anos e já fizemos matérias lindas com ele.
O Robson é um desses profissionais que amam tanto o que fazem que se tornam "gurus" de quem está à volta deles.
Competente e generoso, ele não mede esforços para passar adiante as experiências de vida que acumulou.
Conversar com o Robson Terra sempre nos ajuda a recarregar as baterias da criatividade.

É difícil cobrir um evento como a Parada Gay.
Os organizadores foram muito atenciosos e nos garantiram um bom lugar no alto do trio oficial para fazer imagens.
O problema é o Robson conseguir se equilibrar no vai e vem do trio-elétrico.
Sem falar na fiação da rua que exige malabarismos com a câmera no ombro.
Também, quem mandou crescer tanto!

Ele pôs a câmera na cabeça, baixou o equipamento para pegar outros ângulos, voltou à posição inicial, se desdobrou para registrar tudo o que havia de destaque.
Isso, sem prejudicar a festa de quem estava lá para se divertir.
Depois de ficar famoso em vários países com a imagem exclusiva da agressão no Miss Brasil Gay, meu querido marido só quer pensar nas nossas férias, que estão chegando.
O que o pobrezinho esquece é que até janeiro ainda temos muito serviço pela frente!

sábado, 21 de novembro de 2009

Lixarte - Trabalho pela comunidade da Vila Olavo Costa

Por Robson Rocha

Nada melhor para qualquer profissional do que o reconhecimento pelo seu trabalho.
E, quando esse reconhecimento vem da comunidade é ainda mais especial.
Hoje, algumas pessoas foram homenageadas pela Associação Lixarte.
A associação realiza trabalhos sociais na Vila Olavo Costa, um bairro carente de Juiz de Fora, em que além dos vários problemas, sofre com o abandono e com o preconceito por razões sociais.

Mas, voltando ao assunto, as homenagens foram no Curumim da Vila Olavo Costa.
Fiquei muito feliz em ser uma das pessoas homenageadas por, de alguma forma, ajudar no desenvolvimento da Vila.
O evento começou com apresentações de grupos culturais da comunidade.
A primeira foi a Folia de Reis.

Crianças e adultos se apresentaram.
É muito bacana ver que as crianças e adolescentes estão participando dos projetos.
O Reginaldo Barbosa da Silva, conhecido como Bulú, está fazendo um trabalho muito bacana resgatando esses jovens para a cultura.

Fiquei muito feliz em ser um dos homenageados e receber um certificado em reconhecimento aos trabalhos prestados à comunidade da Vila Olavo Costa.
Sempre fomos muito bem recebidos pelos moradores para a gravação de matérias.
Isso, mesmo em situações criticas, quando as matérias eram sobre temas policiais.
E o reconhecimento vindo da comunidade foi o que me deixou mais contente.

Além disso, estar entre homenageados como Francisco Mello Reis é demais.
Mello Reis foi prefeito de Juiz de Fora e é tido como um dos administradores mais arrojados que nossa cidade já teve.
Só pra lembrar uma obra importantíssima, foi no governo dele que foi realizada a obra do Mergulhão.

Outro homenageado foi o Secretário do Ministério dos Esportes Wadson Ribeiro, que recebeu a homenagem pelos projetos apoiados pelo ministério e desenvolvidos na Vila.
Aproveitamos para trocar umas idéias sobre alguns projetos que podem ser desenvolvidos com crianças e adolescentes em Juiz de Fora.

O pai do projeto é o Negro Bússola.
Se tudo der certo, em breve estaremos trabalhando nas comunidades de Juiz de Fora com novas idéias para a juventude.
Bússola é um cara que admiramos muito. Ele é um batalhador e há muito tempo trabalha com jovens da cidade.
Um dos projetos dele foi eleito pela Unicef e ele não consegue esconder a felicidade.
Como não podia deixar de ser, ele foi um dos homenageados.

Também recebeu a homenagem o nosso amigo Léo de Oliveira.
Radialista que dia 12 de dezembro vai comemorar 20 anos de rádio em Juiz de Fora.
Hoje, ele apresenta o “Manhãs da Globo”, na Rádio Globo Juiz de Fora.
Léo é um batalhador e está sempre em busca de desafios.
Vai ser uma honra estar entre os homenageados da festa do nosso amigo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Miss Brasil Gay 2009 - vencedora supera agressão

Por Michele Pacheco

A Miss Espírito Santo, Ava Simões, deu mais um exemplo de superação.
Depois de ser agredida no fim do evento pela Miss São Paulo, Taysa Shinayder, a vencedora superou o susto e mostrou força de vontade ao voltar ao palco e enfrentar as câmeras e a curiosidade de quem ainda estava no local.

A Miss Brasil Gay 2009 ficou preocupada com a imagem dela e temia que o material que fosse ao ar denegrisse a carreira dela. Mas, avaliamos que não exibir o fato não faria justiça ao belo exemplo que ela deu. Decidimos mostrar tudo, com destaque para a volta triunfal dela, superando a agressão. E hoje, fiquei sabendo de amigos do transformista outra coisa que aumentou a minha admiração. Qualquer um naquela situação, teria processado, chamado a polícia, etc. Mas, a Ava Simões foi superior a tudo isso. Ela não vai mover processo e quer apenas seguir com a responsabilidade de quem venceu um título tão importante para a comunidade gay brasileira.
Abaixo, a matéria da agressão no Miss Brasil Gay 2009, exibida Jornal da Alterosa, em Belo Horizonte e ao lado a matéria completa exibida pelo Jornal da Alterosa, em Juiz de Fora.

domingo, 15 de novembro de 2009

Miss Brasil Gay 2009 - do glamour à agressão

Por Michele Pacheco

A última imagem que muitas pessoas vão guardar do Miss Brasil Gay 2009 é a da agressão sofrida pela candidata vencedora.
Ava Simões, transformista que defendeu o estado do Espírito Santo, estava gravando entrevista com a nossa equipe, quando a Miss São Paulo voltou à passarela enfurecida e arrancou a peruca da Miss eleita com coroa e tudo.
Foi tudo muito rápido, nem o pessoal da organização percebeu.
Felizmente a Miss não se feriu.
Mas, foi uma cena triste de ver.

Houve o maior tumulto.
Algumas pessoas que acompanhavam a Ava se revoltaram e arrancaram a peruca da Miss São Paulo.
Houve troca de socos e pontapés e o clima ficou pesado.
Os seguranças correram, os organizadores também.
A Miss Brasil Gay 2009 foi levada para um canto do palco, para se recompor.
Enquanto isso, defensores das duas candidatas batiam boca para saber quem tinha razão.

É triste pensar no trabalho que tantas pessoas tiveram para organizar o evento.
O Miss Brasil Gay estava previsto para agosto, mas foi adiado em função das recomendações preventivas da gripe A.
Com quase três meses de atraso, parecia que tudo estava perfeito.
Até o final lastimável.
Um desrespeito com o público e com toda a equipe de organização que trabalhou tanto.
Todo concurso tem o risco de alguém se considerar injustiçado.
Mas, isso não justifica a violência!

O Miss Brasil Gay é o maior evento de transformismo do país.
Vinte e sete transformistas participaram, defendendo estados da Nação.
A festa deste ano foi no ginásio do Sport Club, onde tradicionalmente era feita desde a criação, há 33 anos.
No ano passado, os organizadores tentaram mudar e levaram o Miss Gay para o Cine Teatro Central.
Não funcionou tão bem e, atendendo a pedidos, o evento voltou ao ponto de origem.

É um grande espetáculo, que mobiliza toda a comunidade GLBT do país e também a mídia.
O público acompanha, logo no início, a galeria da beleza.
Travestis, transsexuais e Drag queens de todo o Brasil capricham nos trajes elegantes ou irreverantes para fazer bonito no tapete vermelho do Miss Brasil Gay.
É um desfile de charme e beleza.
Todo ano, ouço comentários do tipo "nossa, nem parecem homens!".
Com certeza, os convidados estão entre os profissionais que mais se destacam em shows gays.

Depois da galeria da beleza, os apresentadores chamam os jurados.
Eles desfilam um a um pela passarela e tomam os lugares reservados, bem ao pé da passarela. De lá, têm visão privilegiada de todo o espetáculo.
A tarefa é difícil: eleger o transformista mais bonito do Brasil.
A dificuldade do concurso é uma atração a mais e alimenta os sonhos de muitos gays pelo país a fora.

O evento é inspirado nos concursos de Miss Brasil, que fizeram tanto sucesso nas décadas de 70 e 80.
As candidatas se apresentam primeiro com trajes típicos.
Elas escolhem alguma característica marcante do estado que estão defendendo e traduzem isso para o pano e as alegorias.
Neste ano, a criatividade estava à solta.
Foi difícil escolher a apresentação mais bonita.

Entre os que me chamaram mais atenção, estava o transformista que representou Minas Gerais.
Uma caixa foi colocada no palco.
As luzes se apagaram e, de dentro dela, saiu a candidata mineira.
Ela estava com um traje prateado, lembrando um robô.
Inúmeros leds deram um efeito especial à roupa.
No escuro, ela brilhava e seguiu pela passarela na performance lembrando um robô e homenageando o Vale do Aço, que exporta diversos produtos.

A Miss São Paulo também abusou da imaginação.
Um enorme cofre foi colocado no palco.
A música foi rolando, enquanto a porta era destravada por dentro.
Quando o cofre abriu, a candidata estava sentada em meio ao dourado de moedas e riquezas.
Foi a forma encontrada para lembrar da Bolsa de Valores do maior centro financeiro da América Latina.

Um flor gigantesca no meio da passarela anunciou o início do desfile da Miss Santa Catarina.
Aos poucos, as pétalas se abriram e revelaram outra flor.
Por fim, a candidata saiu de dentro dela e começou a apresentação performática que ganhou muitos aplausos do público.
Antes do desfile, a Carol Zwick contou que vinha se preparando desde junho e que gastou em torno de 22 mil reais na confecção dos trajes.

A Miss Espírito Santo apelou para uma tentação.
Ela veio dentro de uma lata grande, com várias imagens de bombons da Garoto.
A estrutura rodou e ela estava sentada num banco em meio a tubos de cobre, lembrando a fábrica de chocolate.
Aliás, o cheiro da guloseima se espalhou no ar, junto com centenas de bombons jogados para o público.

No desfile de trajes de gala, a maioria das candidatas optou por tecidos transparentes e muitos bordados.
Achei até que ficou meio repetido.
Modelos justos muito bordados e muito coloridos.
Todos maravilhosos, claro, mas alguns eram parecidos.
Poucos transformistas apostaram em modelos mais volumosos.
Mas, não resta dúvida de que foi um banho de glamour na passarela.

Entre os desfiles, o público conferiu diversos shows.
Foram muito bem escolhidos, diga-se de passagem.
A irreverência da Kayka é sempre bem recebida.
As apresentações sensuais aumentaram em alguns graus a temperatura na ginásio.
Os transformistas parecem cada vez mais inspirados para se apresentar no Miss Brasil Gay.
É como um Oscar no mundo gay.

A juizforana Xuxu, que se destacou na internet com um dos clipes mais acessados e está prestes a gravar um DVD ao vivo, foi um dos destaques.
A performance lembrou o vídeo gravado no centro de Juiz de Fora que fez sucesso na internet. Misturando irreverência e sensualidade, Xuxu ganhou o carinho do público.

Fiquei pessoalmente encantada com os shows do Léo Áquila.
Performático e elástico, o artista se desdobrou, literalmente, na passarela.
O público ficou sem fôlego e nem queria piscar para não perder nada.
Haja fôlego!
Léo Áquila correu, pulou, dançou e revirou a cabeça até a gente se perguntar em que momento ela sairia voando pelo ginásio.
Muito bom!

A atração internacional anunciada foi a Georgia Brown.
Nascida na Itália e criada no Brasil, ela faz muito sucesso nos Estados Unidos e é considerada a "Diva da House Music".
A cantora é reconhecida pelo Guiness Book como detentora da voz mais aguda do mundo.
E ela usa e abusa desse timbre nos shows.
De cabelos vermelhos e vestido preto, ela não parou um minuto na passarela.

Difícil mesmo é trabalhar no Miss Brasil Gay.
Todos são muito solícitos na organização.
Mas, o espaço é pequeno e sobra apenas uma faixa estreita nos fundos do ginásio para os cinegrafistas.
O Robson se ajeitou em cima de uma caixa do equipamento de som.
As assessoras de imprensa e produtoras acharam alguns bancos e improvisaram praticáveis.
Podemos dizer que a imprensa ficou imprensada lá no fundo.
Mas, tudo acabou bem e todo mundo trabalhou sem perturbar o público.

Passava das quatro da manhã, quando o resultado foi anunciado.
Os apresentadores Fernanda Müller e Paulo Nahan fizeram o suspense tradicional, antes de anunciar que a Miss São Paulo, Taysa Shinayder, ficou com o terceiro lugar.
A Miss Santa Catarina, Carol Zwick, ficou com o segundo lugar.
E a Miss Espírito Santo foi a eleita.
Ava Simões vinha há quatro anos disputando o concurso e sonhando com o título.
Ela gastou em torno de 50 mil reais com as roupas e plásticas.
Mas, valeu a pena.
Ela ficou ainda com os títulos de Melhor Traje Típico, Melhor Traje de Gala e Miss Brasil Gay eleita pelo júri popular.

Ava Simões nasceu em Recreio, Minas Gerais, e mora no Rio de Janeiro.
É comum no Miss Brasil Gay que candidatas de outros estados representem as unidades que não elegeram Misses Gays estaduais.
Apesar do susto dado pela Miss São Paulo, a vencedora deste ano mostrou jogo de cintura.
Assim que o tumulto diminuiu, ela recompos o visual e voltou para terminar a entrevista que estava dando antes do ataque.
Sorriu, mostrou confiança e disse que com ou sem peruca, ela é a Miss Brasil Gay e vai ser uma Miss diferente.
Não quer pensar apenas na aparência, quer fazer algo mais, quer ajudar as pessoas.
Boa sorte!