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JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

sábado, 15 de novembro de 2008

Motim no Centro Sócio-educativo de Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Sexta-feira, fim de horário.
Tínhamos acabado de cobrir uma exposição sobre o ex-presidente Itamar Franco e estávamos na TV gerando o texto de uma matéria pedida pelo SBT Brasil, quando ouvi o telefone tocando.
Senti até os cabelinhos da nuca arrepiando.
Meu sexto sentido não se enganou.
Era mesmo mais serviço! E dos trabalhosos!

Às nove da noite dessa sexta, dia 14 de novembro, 25 adolescentes em conflito com a lei, acautelados no CSEJF, Centro Sócio-educativo de Juiz de Fora, se rebelaram e começaram a destruir celas. Assim que a fonte passou os dados, corremos para lá. Primeiro, encontramos um local num morro do outro lado para garantir imagens do alto. Só dava para ver, no escuro, alguns policiais e agentes andando por um pátio. Mas, já era alguma coisa.

O barulho era muito alto. Uma mistura de gritos revoltados e latidos de cães policiais. Descemos e fomos para a porta. De lá, não dá para ver nada, já que muro é muito alto. Havia muitos carros da Polícia Militar. Assim que o tumulto começou, a direção do CSEJF pediu socorro à PM.

Em casos assim, as equipes da 3ª Companhia de Missões Especiais são acionadas.
Encontramos policiais do GATE, do Choque, do Canil e da Rotam, além do GRI (Grupo de Resposta Imediata). Todos os policiais estavam preocupados. Uma hora e meia depois do início da rebelião, a situação parecia controlada. Os rebelados conseguiram destruir oito celas. Eles abriram buracos nas paredes, unindo os alojamentos e se amontoaram no último deles.
Os amotinados foram remanejados para outras celas.


Os policiais que saíam para guardar os equipamentos no carro mostravam um ar aliviado. Tudo tinha acabado. Mas, estavam enganados. Por volta de onze da noite houve mais gritos e os PMS correram de volta para os carros, se equiparam e voltaram ao interior do centro. Os adolescentes tinham reiniciado a rebelião nas celas para onde foram levados. Mais seis foram destruídas.

O jeito foi levar os líderes para uma quadra esportiva na lateral do centro sócio-educativo. Do lado de fora a gente ouvia as ameaças que eles faziam aos agentes e policiais. Os revoltosos usaram pedras e pedaços de pau para ameaçar os agentes e os policiais. Assim que foram colocados na quadra, eles atacaram alguns agentes. A situação da polícia militar era delicada.

A segurança e o funcionamento do centro são de responsabilidade da Secretaria Estadual de Defesa Social, a SEDS. Mas, quando o bicho pegou, a PM teve que assumir a situação crítica. Só que os policiais não podiam agir da mesma forma que atuam em rebeliões em presídios e penitenciárias. Nesse caso, o uso da força para controlar a rebelião foi impossível. Por se tratar de adolescentes, protegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, qualquer arranhão seria motivo de sindicância.

Controlar apenas com conversa adolescentes rebeldes, com histórico de violência e sedentos por sangue, foi um desafio e tanto. O comandante da 3ª CME disse que as reivindicações eram por melhores condições no CSEJF. Mas, ele não entrou em detalhes sobre que melhorias eram exigidas e disse que as reclamações são de assuntos internos, que vão ser avaliadas pela direção.

Acompanhamos o caso até às 3 da manhã. Chovia muito e a gente não podia sequer descansar os olhos. O carro ficou parado longe. Não dava para escorar nos carros da PM, pois estavam molhados. O jeito foi ficar de pé, contando histórias, rindo e tentando esquecer o sono e a dor na coluna por ficar tanto tempo na mesma posição. E ainda tem gente que acha que vida de repórter é só glamour!

Com certeza eu e o Robson não estávamos nada glamourosos encharcados, tiritando de frio, com cara de sono, com fome...
Nossa sorte foi que eu sou prevenida e sempre ando com algumas guloseimas no carro.
Parecia o milagre da multiplicação dos biscoitos.
Um pacote de cream cracker foi suficiente para nos alimentar a madrugada toda. E ainda dividimos com vários policiais. O pior foi a sede que deu. Por lá, no tumulto, só tínhamos para beber a água da chuva.

Outro beneficiado pelo nosso picnic foi esta cadelinha muito simpática.
Ela deve estar acostumada a receber alimentos lá.
Cada vez que alguém se movimentava, ela ia atrás com olhos tristes, que pareciam implorar por carinho e comida.
A vira-lata grudou no Robson.
Volta e meia ela latia e voltava com ar de quem tinha cumprido o dever e merecia recompensa.
Cheirava cada um de nós e saía desanimada por não achar nada comestível.

O Moisés Valle, cinegrafista da TV Panorama, também foi nossa companhia na madrugada.
Ele estava sem repórter.
A cada hora que passava, ficava mais desanimado.
Tinha um compromisso às sete da manhã e já estava começando a pensar que teria que ir direto.
Depois que deixamos o centro e voltamos para a TV, ele ainda seguiu no plantão na porta.

O que nos surpreendeu foi que toda vez que se discute a questão de adolescentes em conflito com a lei, diversos órgãos de direitos humanos e representantes da sociedade civil levantam bandeiras e dizem lutar pelos direitos das pessoas com menos de 18 anos. Só que na madrugada, diante da fúria de adolescentes que agem mais como animais do que como seres humanos, nenhuma autoridade apareceu para acompanhar o andamento da crise.
É muito ruim ficar do lado de fora, ouvindo os gritos irados e imaginando que aqueles rebelados mal começaram a viver e já têm pouquíssimo respeito pela vida. Deles e dos outros. E as famílias sofrem muito e se sentem impotentes para recuperar os filhos queridos. Entre os amotinados, estava o adolescente de 17 anos que foi apreendido pela Polícia Civil em Juiz de Fora neste ano. Ele é suspeito de integrar uma quadrilha de roubo a bancos populares e casas lotéricas.
No dia em que foi preso, chocou todo mundo ao dizer que usava um revólver calibre 38 para dar tiros nos outros e que queria matar muita gente. Será que uma pessoa assim, apaixonada pela violência tem recuperação antes de virar um adulto ainda mais agressivo? Se tem, qual seria o melhor caminho? Quem tiver a resposta, pode ajudar a mudar o mundo.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Semana de Comunicação no CES II

Por Robson Rocha

Outra coisa bacana essa semana foi o convite do Ricardo Bedendo para que a Michele e eu participássemos da Semana de Comunicação do CES, Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora.
A Michele participou segunda e terça.
Eu participaria quinta e sexta, mas na quinta eu estava em Belo Horizonte e não deu. Então, fiquei com a sexta-feira.

O bate-papo era sobre cinegrafia.
Mas como era só um dia, enxuguei o material que iria apresentar e deixei só a parte da imagem no telejornalismo.
A Michele foi comigo e fomos recebidos pelo Bedendo, que nos levou até a sala onde os alunos estavam.
Como sou um cara sortudo, de cara o Power-point não abria, mas o Ricardo conseguiu dar um jeito.

Quando ia começar o bate-papo, depois de ser apresentado pelo Bedendo, que diga-se de passagem, exagerou nos elogios, eu olhei pra galera e tinha uns dez alunos, pensei: - Será que é só isso mesmo?
Mas, depois eu entendi. Era por causa do horário do ônibus e também da chuvinha fria. Aos poucos, a sala encheu.

O que me chamou a atenção foi o interesse da galera.
Normalmente uma parte participa por participar.
Mas, no CES, todos estavam interessados, eles nem piscavam. Tinha hora que eu até pensava:
- Será que eles estão entendendo ou estão querendo parecer que estão entendendo?
Mas, quando vinham as perguntas eu via que eles estavam atentos.

Tentei explicar o trabalho do repórter cinematográfico e o porquê das imagens no jornalismo. Como o texto e a imagem andam juntos para se fazer boas matérias.
Os ruídos que interferem na imagem.
A atenção que é fundamental para que o cinegrafista não perca uma boa imagem.
Os problemas no jornalismo, entre outras coisas.

No final, fiquei super feliz com o envolvimento da turma no bate papo.
Ainda aproveitamos para tirar uma foto com parte da galera.
Quem saiu rápido por conta do horário escasso de ônibus no Estrela Sul, ficou de fora.
Mas, queria agradecer ao Ricardo (Bedendo) e à galera que participou pelo carinho e paciência. Foi uma experiência muito boa.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Treinamento da Sony - XD CAM e a lua

Por Robson Rocha

Nessa semana, tive a oportunidade de participar do Treinamento Técnico Sony: XDCAM HD/EX. Que foi muito bom.
Foram três dias em que aprendi muito sobre câmeras e decks da Sony.
Técnicos e engenheiros das emissoras de TV de Belo Horizonte participaram.
Do jornalismo era só eu.

O treinamento foi aplicado pelo engenheiro Enio Arruda, profissional da Sony.
Ele é de Recife e é uma figura.
Conseguiu ser divertido e didático ao mesmo tempo.
O cara é tão bom pra explicar que até eu, cinegrafista, consegui entender como fazer até a manutenção do equipamento.

Foi apresentada a parte operacional, técnica e os softwares dos equipamentos, mas o que me interessava eram as câmeras.
A PMW-EX1 Camcorder, uma câmera que trabalha com cartões, tem uma qualidade de imagens muito boa, mas não é robusta o suficiente para trabalhar com jornalismo.
Além disso, o menu de operação não é fácil de operar durante uma gravação.

Ele mostrou as várias possibilidades de transferência de arquivos para diferentes máquinas e também ouviu as dúvidas dos engenheiros e mostrou as soluções.
Também explicou o funcionamento da PDW-F335 e da PDW-F355 Camcorders da linha XDCAM.
Ele demonstrou os parâmetros ópticos do equipamento.
Qual o tipo de laser e discos usados.
Como são lidos e gravados os discos single layer e dual layer.

Nas câmeras ele só não explicou a parte de lentes, mas do CCD ou do CMOS até a saída do sinal da câmera, ele explicou tudo e com uma linguagem tranqüila para ser entendida.
O Thiago, que é técnico da TV Alterosa aqui em Juiz de Fora, ficou impressionado com o curso.

Além de tudo, foi legal encontrar profissionais que foram para outras emissoras e há muito tempo não via.
Foi o caso do Godson que está trabalhando na Record em Belo Horizonte.
No final, a galera se reuniu para tirar uma foto.

Fora isso, ainda tivemos tempo para discutir se o homem foi mesmo à lua.
O William, engenheiro da TV Globo, além de saber muito de câmera, quase nos matou de tanto rir com seus casos e causos sobre o homem ter ido à lua.
Ele garante que diante das imagens e fotos isso seria impossível.
Mas, a discussão não chegou a um consenso.

A única coisa complicada era ir da Savassi, onde acontecia o evento, até o hotel em que eu e o Thiago estávamos hospedados, na rua Espírito Santo.
Não pela distância, mas pelo tempo que a gente gastava.
O Trânsito em Belo Horizonte entre seis e sete horas está um caos.
O jeito era ter paciência e não estressar.

Por fim, quando estava no hotel, depois de um bom banho, era hora de ler o material do curso que é muito bom.
São quase 5 giga de informações sobre os equipamentos.
Depois de três dias, voltamos e agora tenho muita coisa para estudar sobre os equipamentos que realmente impressionam pela qualidade e agilidade da captação até a edição das imagens.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Semana de Comunicação no CES

Por Michele Pacheco

Fui convidada pelo Ricardo Bedendo, um profissional que admiro muito, para dar uma oficina-palestra de Jornalismo Policial no CES, Centro de Ensino Superior.
Amei o convite.
Como já disse em outros textos, adoro o contato com estudantes de comunicação.
Eles sempre têm uma curiosidade natural sobre a profissão e os desafios dela.

Hoje foi o primeiro dia. O Robson preparou um DVD com matérias policiais que tínhamos guardado no nosso arquivo pessoal.
O tipo de reportagem que tem um significado especial por algum motivo e que nos marcou.
Pois elas serviram direitinho ao meu propósito.
Mostrei os vídeos e fui explicando os bastidores de cada matéria, de cada informação exclusiva, de cada levantamento feito junto às fontes.

No início, achei que ninguém estava prestando muita atenção.
Afinal, ficar numa segunda-feira cedo numa sala escura vendo vídeos é suficiente para dar um sono daqueles.
Mas, aos poucos fui notando o interesse dos estudantes a cada história.
Eles estavam meio tímidos, parecendo sem jeito de expressar a própria opinião.

Depois de um intervalo, pedi que cada um apontasse a reportagem que mais tinha gostado ou que gostaria de ter feito ou que não gostou.
E fiquei surpresa com o resultado.
As colocações e explicações foram inteligentes e mostraram que todos tinham absorvido a mensagem passada.
Cada um se interessou mais por uma ou outra cobertura policial.
E as razões apresentadas para a escolha foram coerentes.

Notei também uma preocupação grande com conceitos básicos do jornalismo e as dúvidas típicas de estudantes de comunicação. Foi ética a cobertura do caso Eloá? É certo a imprensa colocar um seqüestrador ao vivo por telefone? Isso não piorou a situação? Como vocês fazem ao chegar no local de uma ocorrência? Como são recebidos pela polícia em casos complicados? Vocês já sofreram ameaças?
As perguntas mostraram que o grupo está sendo bem orientado pelos professores do CES.
São futuros profissionais que começaram cedo a colocar em discussão os valores e os erros da profissão.

Ninguém tem uma lei que determine o que é certo ou errado no jornalismo. Mas, o bom-senso é imprescindível!
Fiquei tão impressionada com o grau de profundidade dos questionamentos, que fui fazer uma pesquisa sobre as dúvidas dos estudantes. Acho que vai ser legal levar mais detalhes para discutirmos nesta terça-feira, último dia da oficina-palestra.
Achei um texto muito bom no Portal Imprensa, justamente sobre o caso do uso da entrevista por telefone no programa da Sônia Abrão. O autor do artigo discorda do que foi feito e alega que isso deu uma sensação maior de poder ao seqüestrador.

O Robson hoje comentou que, apesar da polêmica, não podemos esquecer o mérito do profissional que conseguiu localizar o número do telefone e fazer o contato.
Ele exerceu o papel de jornalista.
A discussão com os alunos foi empolgante a esse respeito e chegamos à conclusão de que nenhum de nós está realmente seguro para afirmar que foi certo ou errado.
Estou ansiosa para aprender mais com os estudantes amanhã. Esse é um intercâmbio de idéias e impressões que sempre traz benefícios.

Só posso agradecer ao Ricardo Bedendo e aos estudantes que sugeriram meu nome para a Semana de Comunicação do CES.
Na sexta-feira, vai ser a vez do Robson se divertir, dando um mini-curso de Noções Básicas de Câmera.
Tenho certeza de que todos vão gostar do que ele preparou.
Pena que vou estar trabalhando no horário e não vou poder tietar meu marido e mestre profissional.
O trabalho que ele teve montando o curso foi enorme.
Claro que em três horas só vai poder apresentar a versão super-reduzida. Mas, já vai ser um aprendizado e tanto.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Operação natalina do 4ºBBM

Por Assessoria de Comunicação Social - 4º BBM

Tendo em vista a proximidade do Natal e o grande risco de incêndio e pânico face à superlotação dos depósitos das lojas e do grande movimento de público no centro comercial de Juiz de Fora, o Corpo de Bombeiros Militar realizará, no período de 10 de novembro a 05 de dezembro de 2008, a Operação Natalina.

Desenvolvida anualmente pelo 4º BBM, essa iniciativa visa aproximar ainda mais o Corpo de Bombeiros da comunidade, disponibilizando orientações preventivas com o objetivo de diminuir os riscos e proporcionar maior segurança da população que freqüenta o centro comercial de Juiz de Fora nesta época de final.
Uma equipe composta por dez Bombeiros Militares realizará vistorias em 1000 estabelecimentos comerciais, onde serão levantados os riscos existentes como parte elétrica das edificações, saídas de emergência e a operacionalização dos sistemas de prevenção contra incêndios. É importante ressaltar que essas vistorias têm caráter educativo e orientador, principalmente quanto ao uso do extintor de incêndios.

O Corpo de Bombeiros distribuirá mais de 10.000 panfletos com orientações preventivas.
A Operação Natalina terá início na segunda-feira, dia 10 de novembro, às 09:00 horas na esquina da Rua Halfeld com Av. Rio Branco e contará com a presença do Foguinho, mascote do CBMMG.
Maiores informações através do telefone: 3228-9625

QUARTO BATALHÃO DE BOMBEIROS MILITAR
Av. Brasil 3405, Centro, Juiz de Fora – MG – 36.060.010
Telefone: 3228-9600 / 3228-9625


Em caso de acidente




BOMBEIRO: O AMIGO CERTO NAS HORAS INCERTAS

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Tupi e Vila Nova

Por Ricardo Wagner

Sábado, tem transmissão do Tupi x Villa Nova, pela Rádio Globo AM 910 KHz

e pelo Portal Acessa.com http://www.acessa.com/

Narração do Ivan Costa

Comentários de Ricardo Wagner

Reportagens de Marco Aurélio e Márcio Santos

No Plantão, Chico Cícero.

A partir das 15h.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Operação Metralha - 15 presos em Minas Gerais

Por Michele Pacheco

Hoje madrugamos!
Às 5h30 já estávamos na TV para cobrir uma operação conjunta das polícias Federal e Militar.
Fontes nos contaram dessa investigação há 4 meses.
Ficamos quietinhos, esperando o pessoal acabar o levantamento e finalmente vimos o sucesso do trabalho feito.

Às 4h, 240 policiais militares e federais se reuniram num depósito da Polícia Federal e ouviram explicações sobre a Operação Metralha.
O nome é uma alusão às histórias em quadrinhos da Disney, onde três irmãos criminosos infernizam a vida de todo mundo.
Nesse caso, os irmãos Metralha agiam no tráfico de drogas e na lavagem de dinheiro em Juiz de Fora e região.

Divididos em equipes, os policiais agiram em 24 alvos ao mesmo tempo.
No bairro São Benedito, zona leste da cidade, duas casas foram vistoriadas na Travessa São Lourenço.
Quando passamos por lá, bem cedo, o pessoal não tinha encontrado nada.
Mais tarde, as buscas revelaram que o local funcionava como ponto de venda de droga e laboratório para misturar cocaína.
No terraço, os policiais encontram um posto de observação.
De lá, os traficantes vigiavam toda a parte baixa do bairro e os acessos.
Quando notavam movimento policial, eles escondiam os entorpecentes e fugiam.

Nesta mansão no bairro Aeroporto, zona oeste de Juiz de Fora, foi preso um homem suspeito de liderar a quadrilha ao lado dos irmãos.
Ele é conhecido pelo apelido de Naninho e é apontado como um dos traficantes mais fortes da região.

Os vizinhos ficaram assustados com a movimentação policial.
Ninguém quis gravar entrevista, mas algumas pessoas contaram que a casa foi construída em poucos meses, o que chamou atenção.
O suspeito de tráfico morava no local há um ano.

O irmão dele, conhecido como Ge, foi preso no apartamento onde morava num prédio do bairro Alto dos Passos, outra área nobre de Juiz de Fora.
Os vizinhos também ficaram assustados.
Enquanto esperávamos a saída dos policiais com o preso, notamos que toda hora alguém abria uma janela, olhava para os carros das policiais militar e federal e para o nosso e perguntava o que estava acontecendo.

Uma mulher de pijama apareceu assustada, perguntando se era assalto no prédio.

A saída do suspeito foi acompanhada por alguns moradores desconfiados.
Segundo a polícia, Ge atuava no tráfico e na lavagem de dinheiro.
Ele era visto sempre com carros caríssimos e importados.
Chegou a atuar no ramo automobilístico, tendo uma agência de veículos, segundo as investigações.
Junto com ele os policiais apreenderam muitos documentos que podem ligar a família ao crime.

Ao todo, 15 pessoas foram presas. Todas foram levadas para a Delegacia da Polícia Federal, onde prestaram depoimentos. O último a chegar foi o terceiro “Irmão Metralha”, conhecido pelo apelido de Zói. Ele foi preso junto com a mulher. Um detalhe com relação a essa família de líderes de tráfico de drogas é que todos eram vistos sempre nos bairros onde comandavam a venda de drogas. E eram queridos por muitos moradores, já que conseguiam benefícios para a comunidade. Até parquinho para as crianças eles construíram.

Os homens presos foram encaminhados ao Ceresp, Centro de Remanejamento e Segurança Pública, e as mulheres à Penitenciária Arioswaldo Campos Pires. Os policiais apreenderam material para refinar cocaína, drogas, uma metralhadora pronta para o uso e R$ 80 mil. Uma cobertura jornalística de um fato como esse é empolgante, mas tem algumas complicações. Por uma questão de segurança e de hierarquia, os policiais que vão às ruas fazer as prisões e apreensões não podem passar dados.
A imprensa tenta descobrir o que está acontecendo. Alguns se desesperam com o deadline estourando e nada de entrevista oficial.

Nesta foto, dá para se ter uma noção do que foi a nossa manhã.
Jornalistas grudados na tela da delegacia tentando ver o que chegava nos carros e quem eram os presos.
A cada veículo que entrava, e eram muitos, a gente se posicionava para ver melhor o que estava trazendo.
Numa hora dessas, por mais que você queira é difícil evitar fazer muitas imagens e fotos. Tudo pode ser importante. Todos podem ser líderes da quadrilha.

A coletiva foi às 11h30. Levando em conta que os telejornais vão ao ar por volta do meio-dia, dá para imaginar a nossa correria.
O Delegado da Polícia Federal, Cláudio Nogueira, e o comandante da 4ª Região de Polícia Militar, Coronel Gilmar Simões de Lima, conversaram com a imprensa e explicaram a importância da operação, que desbaratou uma das mais poderosas quadrilhas de tráfico e lavagem de dinheiro da Zona da Mata Mineira.

Eu e o Robson tivemos que gravar rapidamente para enviarmos as fitas para a tv, mas adoramos esse tipo de matéria.
É a oportunidade que temos para encontrar conhecidos do meio policial, ouvir as novas histórias e peripécias do pessoal, saber como vão os policiais que já saíram de Juiz de Fora...
Não paramos de falar um minuto sequer na porta da delegacia.
Toda hora aparecia alguém para bater papo. E assim, o tempo foi passando.

Depois da coletiva, ainda ficamos um bom tempo na delegacia, esperando a saída do comboio que levaria os presos ao Ceresp.
Já estávamos ficando meio moles: sol forte e barriga vazia são um problema!
Desistimos de esperar, pois os policiais conseguiram com alguns dos presos informações importantes que renderam um desdobramento da ação da manhã.
Vários veículos que seriam fruto de lavagem de dinheiro do tráfico foram apreendidos.

Os policiais federais e militares também agiram em duas cidades da Zona da Mata.
Em Bicas, o dono de uma concessionária de automóveis foi preso por suspeita de lavagem de dinheiro.
Ele já tem histórico policial, pois foi preso por tráfico de drogas.
Em Muriaé, a casa da mãe de alguns suspeitos foi vistoriada e ela foi presa.
Nos dois casos, os presos e o material apreendido foram encaminhados para a delegacia da Polícia Federal em Juiz de Fora.

Enquanto esperávamos, eu me lembrava de detalhes do trabalho de inteligência feito em parceria pelas polícias federal e militar. Por uma questão óbvia de segurança, não podemos citar o nome de alguns policiais que consideramos exemplos de dedicação no combate ao crime. Quando a gente vê nos noticiários operações como essa, presta atenção apenas aos dados e imagens.
Poucas pessoas sabem o quanto o trabalho é árduo, até o resultado final.

Nós sabemos o quanto nossos amigos enfrentaram sol e chuva para investigar os passos dos “Irmãos Metralha”.
Quantas noites passaram longe da família, sem conforto.
Quanto stress enfrentaram cada vez que achavam que conseguiriam estourar os locais de venda de droga e prender todo mundo e os planos tinham que mudar por conta de atraso na entrega da droga.
Quanto perigo correram ao investigar uma quadrilha com tanto poder na região.

Mesmo que esses homens não apareçam nas reportagens, mesmo que continuem despercebidos no meio da multidão de policiais em ação, eles têm nosso respeito e nosso mais sincero agradecimento. Quem cobre polícia com freqüência vê que o tráfico de drogas está se tornando a fonte mais garantida de trabalho para muitas comunidades carentes.
Crianças, adolescentes e jovens crescem aprendendo que o dinheiro da droga vem rápido.
A morte também. Mas, isso nenhum traficante avisa antes de aliciar novos “soldados” do tráfico.