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Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

segunda-feira, 5 de março de 2012

Calouro passa mal em trote depois de beber cachaça

Por Robson Rocha

Que os trotes com os alunos das faculdades já passaram do limite, não é novidade.
Eu não gostaria de ver minha filha com as roupas rasgadas, descalça, pisando em um asfalto quente, sendo humilhada a ponto de ficar pedindo dinheiro pelas ruas da cidade, disputando as esquinas com os mendigos.
Mas, a cena que vimos hoje ultrapassou tudo isso.
Se fosse meu filho, minha reação não seria "a politicamente correta".

Vínhamos de uma matéria na Zona Sul, quando vimos um garoto caído na calçada da avenida Itamar Franco, vomitando muito e duas garotas tentando ajudá-lo.
Deixei a Michele na TV, fechando texto de duas matérias e fui para o local com uma câmera pequena para ver o que estava acontecendo.

Cheguei já gravando e perguntei se elas sabiam o que tinha acontecido.
As duas garotas disseram que durante o trote, alguém do grupo de alunos tinha levado uma garrafa de cachaça e o garoto,de 17 anos, teria tomado tudo.
Um litro de pinga!
E que, quando o jovem começou a passar mal, o grupo seguiu e o largou ali.

O calouro caído tinha no pescoço uma "placa de identificação" do curso de Arquitetura e Urbanismo.
Mas, nenhum responsável pelo trote ou veterano do curso apareceu no local, nem para entregar os pertences do garoto.

Por medo, elas pediram para não serem identificadas.
Mas, ainda segundo as meninas, o garoto não estava no grupo delas, mas ficaram assustadas com a cena e pararam para ajudar.
O garoto vomitou muito e parecia estar tendo convulsões.
Também, com o calor que estava fazendo, caminhar alguns quilômetros sob o sol depois de tomar um litro de cachaça!

Liguei para os Bombeiros e expliquei a situação.
Não me lembro do nome de quem me atendeu.
Mas, prontamente enviaram o Resgate.
Enquanto isso, o garoto continuava deitado na calçada quente e parecia estar entrando em coma alcoólico, ele não reagia mais aos estímulos de quem tentava ajudar.

Uma tia do garoto foi localizada pelas duas estudantes e foi para o local.
Um aluno do curso de odontologia parou para ajudar, mas o melhor era esperar o resgate.
Alguns veteranos passaram pelo local e nem tentaram ajudar.
Quando chegou e viu a cena, a tia do garoto ficou apavorada.

O Resgate dos Bombeiros chegou e sob o comandando do 2ºsargento Denilton Dias os militares prestaram os primeiros socorros e encaminharam o rapaz para o Pronto-Socorro.
Sem documentos, a tia teve que seguir com os Bombeiros para o hospital.

As pessoas que passavam pela avenida estavam revoltadas com a cena e apontavam a Universidade como culpada.
Isso, porque nenhuma atitude definitiva é tomada para evitar as cenas de humilhação a que os calouros são submetidos.
Em São João del Rei, deu a maior polêmica o fato da UFSJ ter proibido os trotes dentro e fora do campus. Alunos flagrados na prática proibida serão punidos.

Aqui, só é proibido aplicar trote dentro da UFJF.
Não adianta, já que os veteranos cercam os calouros na saída.
Uma mulher que viu o garoto passando mal chegou a dizer que a família deveria processar a Universidade pelo fato.
Uma pergunta: se ele tivesse ido em direção aos carros e sido atropelado, quem assumiria o ônus?

Minha conclusão é a seguinte: acho que ao invés de ficarem recolhendo dinheiro para beber, eles deveriam dedicar esse tempo às inúmeras instituições que precisam de voluntários para ajudar em seus trabalhos.
E a Câmara Municipal poderia criar mecanismos para proibir esse tipo de mendicância pelas ruas de Juiz de Fora.

7 comentários:

Anônimo disse...

Absurdo... Como terminou essa história? Ele está passando bem?

Anônimo disse...

Também acho um abursudo o que acontece com esses alunos. Hoje conversie com uma garota do curso de jornalismo que estava na rua nessas condições (só não estava bêbada). Ela estava toda suja, disse que haviam colocado ovo dentro da sua roupa, maionese embaixo do braço,ela estava toda rasgada. Eu ofereci água, ela agradeceu e me disse: "nem posso te dar um abraço, moça, veja o meu estado". Eles se sentem obrigados a recolher o dinheiro, nesse caso eles precisavam recolher R$ 120,00 cada um. Há muitas possibilidades de se receber um calouro na universidade, buscando acolhê-los, apresentando a instituição e até estimulando-os a fazer algum trabalho social. Mas o que presenciamos nesse momento é uma tortura e humilhação que marca a vida desses jovens, mas da maneira mais bizarra que conheço. lamentável!

Tiago Gandra disse...

Os trotes são totalmentes voluntários. Essa história de que os veteranos cercam os alunos na saida é a maior mentira do mundo. não sou a favor de trotes, acho ridiculo e imaturo, para um hambiente academico. Enfim, bem feito e tomara que ele aprenda a lição.

Leandro disse...

Ainda bem que temos pessoas assim no mundo, vulgo jornalistas, registrar as fotos mais importante que oferecer auxílio/conforto. Afinal, o ato de divulgar o ocorrido também é uma forma de ajuda.

Parabéns!

Ps. E o artigo ainda termina com uma lição de moral... Fantástico!

Anônimo disse...

Deveras sensacionalista, pouco passível de comentários.

Anônimo disse...

Os trotes são totalmentes voluntários. Os calouros não são obrigados a beber.. eu participei de trote no eu ano. e o q não queria fazer eu não fazia. A grana quem quiser recolher fica a vontade também não são obrigados a ficar na rua pedindo dinheiro não. Ninguém e forcado a nada no trote. Pelo menos no meu foi assim.Se vocês esta no trote esta pra se diverti não pra ficar fazendo vontade de veterano retardado não. Um não não vai matar ninguém

Anônimo disse...

Ao invez desses guardinhas municipais que acham que são policiais...ficarem preocupados com a arrecadação descarada de dinheiro da população e se preocupassem realmente em manter a ordem... coisas assim seriam realmente evitadas...