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JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS, Brazil
Esperamos com este Blog dividir um pouco das inúmeras histórias que acumulamos na nossa profissão. São relatos engraçados, tristes, surpreendentes...

sábado, 26 de setembro de 2009

I Workshop de Jornalismo da TV Alterosa Zona da Mata e Vertentes

Por Michele Pacheco

A Editora Responsável pelo Jornal da Alterosa Edição Reginonal, Elisângela Baptista, tem dado bons motivos para comemorarmos.
O primeiro foi a mudança na linha do nosso jornal.
Antes dela, estávamos nos distanciando cada vez mais do estilo que tanto sucesso fez na TV Alterosa: um jornalismo de prestação de serviços, de preocupação social e voltado para os assuntos que preocupam diretamente o nosso público.
O resultado veio em números.
Como ela divulgou nesta semana à equipe, uma pesquisa feita no início do ano mostrou que nossa audiência dobrou em poucos meses de mudança.

Ela conseguiu também outro feito importante.
Uniu o departamento em torno de um objetivo comum: fazer um jornal ágil e que desperte discussões em torno de temas polêmicos.
Nossa motivação para trabalhar aumentou bastante.
E, para completar, a Lili ainda encontrou tempo para mobilizar os funcionários da empresa em torno de aprender mais sobre assuntos com os quais lidamos diariamente.
O I Workshop de Jornalismo é um exemplo.

O tema escolhido para esse primeiro encontro foi o Direito.
Afinal, vivemos numa época em que tudo é motivo para se pedir indenizações.
A empresa veicula uma imagem de um flagrante de crime, o suspeito é preso e ainda assim processa a imprensa.
O jornalista que estiver bem informado sobre o que pode e o que não pode gerar perdas em processos por indenizações, pode se resguardar e evitar prejuízos para a empresa onde trabalha.

O convidado para o Workshop foi o advogado Valério Ribeiro, da OAB de Juiz de Fora.
Ele lembrou a história do Direito Civil e foi traçando as mudanças até hoje.
Foi muito interessante.
O Valério é professor e tem um jeito especial de prender a atenção do grupo.

Quando ele acabou a apresentação dele, começaram as perguntas.
E foram muitas!
Quais as complicações legais de usar a câmera escondida?
Como funciona o direito de imagem?
Podemos usar imagens flagrantes, quando a pessoa flagrada não autorizar?
Em que tipo de casos a empresa pode perder um processo por indenização?
O tempo verbal no condicional para evitar acusar no texto funciona?

Enfim, as dúvidas são muitas e aproveitamos para perguntar bastante.
Foram convidados jornalistas de empresas parceiras da TV Alterosa na região.
Ficamos muito felizes com a presença dos colegas da TV Atividade, de Muriaé.
O grupo veio animado e participou ativamente do debate.

Foram duas horas de workshop, mas pareceram apenas dois minutos.
Todo mundo ficou com aquele gostinho de quero mais. e queremos mesmo. estamos esperando ansiosos pelo próximo evento.
Tomara que a Lili consiga transformar esse evento em rotina na TV Alterosa e que cada vez mais nossos parceiros da região venham dividir conosco as informações importantes para a nossa profissão.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Soterramento em Juiz de Fora

Por Michele Pacheco

Hoje, por volta de nove e meia da manhã, os moradores do bairro Nossa Senhora Aparecida, zona leste de Juiz de Fora levaram um susto e chamaram os bombeiros.
Uma garagem estava sendo construída em frente a uma casa.
Mas, a escavação terminou mal.
O barranco cedeu e a terra cobriu duas pessoas.
Um pedreiro, de 41 anos, e o filho, de 15, estavam bem abaixo do ponto do deslizamento.
O pai ficou soterrado até a cintura.
Os bombeiros tiveram que cavar ao redor dele para liberar as pernas que estavam presas.

O trabalho exigiu muito cuidado.
O barranco estava instável e os bombeiros tiveram que usar madeiras para escorar as partes mais perigosas.
Quatro viaturas foram empenhadas nessa ocorrência.
O Tenente Coronel Rodney de Magalhães comandou o resgate das vítimas.

Quando chegamos ao local, ele já tinha saído de lá.
Nós não ficamos surpresos.
O comandante do 4o Batalhão de Bombeiros Militar está sempre nas ocorrências mais complexas.
Um chefe operacional é sempre um exemplo a seguir.

O pedreiro foi socorrido pelo SAMU e levado para o Hospital de Pronto Socorro.
Apesar de ferido e assustado, ele passa bem.
O filho dele foi levado pelo Resgate para o mesmo local.
O adolescente teve escoriações.
Os dois foram examinados e passam bem.

A Defesa Civil vistoriou a obra e interditou a casa que fica na parte de cima do barranco.
Ela está cheia de rachaduras e a construção da garagem logo abaixo comprometeu ainda mais a estrutura.
Os bombeiros atenderam ao pedido da engenheira da Defesa Civil e demoliram um muro irregular na lateral do terreno, bem ao lado do ponto onde houve o soterramento.

Incêndio destrói parte da Câmara Municipal de Ewbank da Câmara

Por Geraldo Possante on Line

Na madrugada de hoje 25/09, incêndio destruiu um setor da Câmara Municipal da cidade de Ewbank da Câmara - MG.
Segundo informações, o motivo do incêndio até o momento (02:24) ainda não é conhecido. Viaturas do Corpo de Bombeiros de Juiz de Fora estão no local na tentativa de controlar o incêndio para que não cause danos de maiores proporções.
Os Policiais Militares de Santos Dumont controlam o trânsito e dão proteção para evitar acidentes com curiosos que se aglomeram no local.
O local do incêndio foi isolado pelos Bombeiros e pela Policia Militar.
Já acionada a equipe de peritos da Policia Civil de Barbacena, que estará vistoriando periciando as dependências atingidas pelo fogo, ainda na manhã desta sexta feira.
Fotos enviadas por um leitor, via celular.

domingo, 20 de setembro de 2009

Incêndio em Juiz de Fora destrói patrimônio ambiental

Por Michele Pacheco

Hoje, nossa primeira pauta era às 12h.
Coloquei o relógio para despetar às nove.
Teria tempo suficiente de preparar o almoço, acordar o Robson, almoçar e ir ao trabalho.
Estava tendo um sonho agradável, quando um barulho estranho invadiu a história.
Custei para entender o que aquela sirene escandalosa tinha a ver com a linda paisagem imaginária onde eu estava.
Custei, mas entendi que era o telefone.
A Carla, produtora, avisou que um homem tinha sido assassinado na porta de um Buffet no Alto dos Passos, bairro nobre de Juiz de Fora.
No fim, descobri que o rapaz de 24 anos morreu de ataque cardíaco ao tentar separar uma briga.

Depois de fechar o texto dessa reportagem, fomos almoçar.
Por volta de onze e meia, saíamos de casa quando notamos muita fumaça no Morro do Imperador.
Pela intensidade das nuvens que subiam do paredão de pedra, imaginamos que fosse grave a situação.
Fizemos vários caminhos pelo centro da cidade tentando calcular onde seria melhor para fazer imagens.

As chamas altas eram vistas de longe e a fumaça encobria boa parte da encosta.
O fogo começou no meio do morro e foi se espalhando rumo à mata que é uma área de preservação ambiental.
Dava pena ver tantas árvores ardendo e a vegetação rasteira reduzida a cinzas.
Fora o perigo do incêndio atingir as casas no entorno do Morro do Imperador.

Chegamos numa trilha que passa pela parte turística do mais conhecido cartão postal de Juiz de Fora.
Levamos um susto ao ver o tamanho do estrago.
De baixo, já dava uma noção do problema.
Mas, de cima dava para imaginar melhor a dificuldade dos bombeiros naquela ocorrência.

A velocidade do vento e a força das chamas destruíam tudo pelo caminho.
Um acero largo separa a vegetação da encosta e as plataformas com torres de transmissão da Embratel e de outras empresas de comunicação, incluindo TVs e Rádios da cidade.
O fogo não respeitou a área de terra normalmente usada para impedir que queimadas se espalhem muito.
Nesse caso, não funcionou bem.
O fogo passou das árvores de um lado para as do outro.

Havia cinzas e carvão por todo lado.
Os bombeiros terminaram o combate ao incêndio nesse ponto e seguiram o rastro das chamas.
Elas se alastraram por terrenos particulares.
Um clube de luxo no Morro do Imperador teve uma área grande destruída.
A direção foi muito gentil em permitir que entrássemos no clube lotado para acompanhar o trabalho dos bombeiros.

Eles estavam num estado...
Sujos, cansados e preocupados.
Por mais que combatessem as labaredas, elas retornavam alimentadas pelo vento forte e a vegetação muito seca.
A equipe de 8 homens se revezava entre as mangueiras e os abafadores.
Quando tudo parecia mais tranquilo, lá vinha o vento mudando de direção e trazendo de volta o fogo.

A queimada avançava rápido e a água foi ficando escassa.
A equipe pediu reforço e o caminhão-tanque vazio desceu para reabastecer.
Cada minuto parecia uma hora!
Enquanto o novo carregamento de água não chegava, as chamas foram tomando conta da área.
Destruíram folhas secas acumuladas no chão, árvores velhas, vegetação rasteira.

A todo momento os bombeiros lembravam que a previsão para hoje era de chuva.
Eu olhava para o céu azul e tinha sérias dúvidas.
Mas, não quis ser desmancha prazeres e lembrar que havia poucas nuvens no céu.
E nenhuma onde estávamos!
Só a fumaça encobria o horizonte, mostrando que outras queimadas estavam causando estragos pela cidade.

Quando o reforço chegou, os bombeiros correram para conectar as mangueiras.
Mais dois caminhões foram usados.
Era preciso puxar as mangueiras e emendá-las para chegar aos pontos onde era mais complicado trabalhar.
O pior era que eles acabavam de apagar o fogo num ponto, olhavam para trás e viam que estavam quase cercados pelas chamas de novo.

Exaustos, eles não perderam o profissionalismo e a paciência com os frequentadores do clube que pareciam deslumbrados com o espetáculo de destruição.
Realmente o fogo atrai olhares.
E o perigo tão perto mexe com as pessoas.
Apesar do medo, muitos com certeza espantaram o tédio do domingo vigiando o trabalho dos bombeiros.

O Robson acompanhou de perto a ação deles.
E ficou daquele jeito!
Se eu estava cheirando a queimado, ele parecia ter acabado de ser defumado.
Cabelos e roupas cheios de fuligem.
Suor escorrendo de tanto ficar perto do fogo.
Olhos vermelhos e irritados por conta da fumaça.
Nariz e boca secos.
O calor era tanto que já estávamos vendo miragens de garrafas de água geladinhas e gigantes dançando entre as chamas.
Se a fumaça não fosse tão intensa, teríamos pelo menos um pouquinho de saliva para matar a sede!

Depois de quase duas horas e meia naquela peleja, meu marido chutou o balde!
Ou melhor, largou a câmera e seguiu os bombeiros até o caminhão para aproveitar um pouco do jato de água...morna!
Nem o banho improvisado acabou com o calor dele.
Só não deu para tirar mais fotos, porque na correria ele ficou com dois palmos de "cofrinho" à mostra.
E eu não ia ficar divulgando a intimidade do meu marido, né?!

Saímos do Morro do Imperador para não perder as outras pautas, mas os valentes soldados do fogo continuaram naquela sauna ao ar livre por um bom tempo.
Pena que nem sempre a população reconheça o esforço dos bombeiros para garantir o nosso bem-estar.
Até agora há pouco, havia focos de incêndio se destacando na escuridão.
Era só olhar com atenção para o morro, para notar as chamas reaparecendo entre a vegetação.
Por sorte, começou a chover agora.
Aquela chuva que os bombeiros tanto pediram durante a tarde!
Antes tarde do que nunca!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Denúncia de cárcere privado e abuso sexual em Santos Dumont-MG

Por Michele Pacheco

Desde segunda-feira estamos acompanhando este caso.
Nossas produtoras receberam a denúncia de que um homem estaria mantendo a mulher, os três filhos e o irmão dele em cárcere privado e ainda estaria abusando sexualmente da filha de 16 anos.
A família mora na zona rural de Santos Dumont.

Na segunda, a polícia civil estava à espera da liberação do mandado de busca e apreensão que vem sendo pedido desde junho deste ano.
O Conselho Tutelar encaminhou a denúncia ao Ministério Público e a promotora enviou pedido à justiça para liberação.
O conselheiro não foi autorizado a gravar entrevista porque o caso segue em segredo de justiça.

O mesmo ocorreu com o delegado que investiga o caso.
Ele já esteve na casa e apreendeu duas sacolas cheias de medicamentos controlados e de venda proibida.
O material estaria sendo usado pelo suspeito para dopar a família.
O operário aposentado também estaria recebendo as pensões de aposentadoria por invalidez do irmão, do filho mais velho e da mulher.

Na terça-feira, passamos o dia por conta de esperar a ação das autoridades.
Fizemos plantão na porta da delegacia e depois no Fórum.
Ficamos até tontos com o entra e sai do conselheiro.
Mas, nada de solução.
A promotora não quis conversar e o juiz explicou que recebeu os documentos na segunda e não teve tempo de avaliar.

Enquanto esperávamos, fomos informados de que o suspeito tinha acabado de entrar no Fórum.
Esperávamos um valentão de dois metros de altura e foice na mão.
Mas, encontramos um homem idoso, maltrapilho, quase sem dentes na boca e fala enrolada.
Ele parecia assustado e repetia o tempo todo que tinham feito uma denúncia falsa.

Começamos a conversar e o aposentado foi explicando que pega remédios para toda a família com uma receita que o médico passou.
Perguntei se ele não leva o pessoal para ser examinado e a resposta foi que é muito complicado.
Ele pega os remédios e medica todos em casa.

Lembra das sacolas cheias de medicamentos controlados?
Pois é!
Será que uma pessoa sem preparo e orientação na área de saúde é capaz de encontrar o remédio certo para cada um dos cinco doentes e de ministrar a dose certa?
O livre acesso aos fármacos, confirmado por ele, não facilitaria que o suspeito dopasse a família para evitar que alguém fugisse do meio do mato e fosse pedir ajuda?

A cada minuto mais dúvidas surgiam e nenhuma resposta convincente.
Nosso amigo Valdir Silva, radialista de Santos Dumont, nos fez companhia.
Ele também já tinha recebido denúncias sobre o caso e não tinha conseguido respostas das autoridades.
O que todos nós comentávamos é que o caso pode seguir em segredo de justiça, mas não tem lógica tanta demora em buscar resolver a situação.
A justiça liberar um mandado de busca e apreensão não significa que o suspeito vai ser preso.
Mas, garantiria que as autoridades acompanhassem mais de perto o problema.
Se as denúncias fossem comprovadas, aí sim o aposentado seria preso.

Cansados de esperar e sem previsão da liberação do mandado, decidimos ir à zona rural.
Começamos a gravar com o aposentado no Fórum, pois ele pediu para contar a história dele.
O papel de todo jornalista é ouvir todos os lados.
Não seria correto nos negarmos a gravar a entrevista.
Mas, a promotora veio apressada e disse que não poderíamos gravar com ele.
O homem ficou chateado e perguntou por que não queríamos ouví-lo.
Foi embora sem conseguir um advogado e sem saber o que as autoridades pretendiam com ele.

Foi a gota d'água.
Decidimos ir à casa dele ver de perto a situação da família.
Fomos com o Valdir e o Geraldo, do Jornal O Possante.
O caminho foi complicado.
Tivemos que deixar o carro perto do curral de uma fazenda e seguir à pé por uma trilha de animais.
Passamos por pastos, matas e riachos.

Depois de muitas curvas nos morros, notamos um bananal e o telhado de uma das casas.
Chamamos pelo aposentado e ele veio meio desconfiado.
Conversamos e perguntamos se ele queria contar a história da família.
Ele ficou satisfeito e nos levou a três casas e três barracos de pau-a-pique.

A profissão de jornalista é privilegiada.
Temos a chance de viver e ver de perto situações que a maioria das pessoas só vê nos filmes.
Esse foi um caso.
Para quem tem um teto decente, comida na hora que quiser, roupas, sapatos, acesso a todo tipo de modernidade é difícil imaginar como essas pessoas vivem.
As imagens são chocantes.

Foi difícil segurar a expressão de surpresa.
No primeiro barraco que entramos, não dava para ver nada.
Eles não têm energia elétrica, água encanada, banheiro, saneamento básico.
O irmão da vítima estava deitado numa cama feita de galhos e coberta com o que restou de um colchão velho.
Ao lado dele, uma pilha de roupas que cheiravam a urina e algo podre.
Ele não fala, não anda direito e passa o dia deitado.

No barraco seguinte, encontramos os restos de uma cadeira de rodas e uma corrente amarrada a um poste.
Prefiro nem imaginar o que é feito com aquela corrente.
O aposentado nos contou que na última chuva com ventos fortes, eles passaram aperto.
Por isso, quando começa a ventar, eles vão todos para aquele barraco que parece ser o mais seguro e ficam lá até o tempo melhorar.

Eu nem precisava ver o resto para ficar com um nó na garganta.
Mas, fomos em frente.
Noutro barraco fica a cozinha.
Se é que se pode chamar aquilo de cozinha.
Um fogão à lenha num canto, com três panelas com água.
Um banco rústico.
Uma prateleira com poucos potes pequenos, que são o que têm de mantimentos.

Na casa maior, há três cômodos.
No primeiro, roupas jogadas no chão de terra pareciam nunca ter sido lavadas.
Tudo escuro e úmido.
No segundo quarto, cena parecida.
No terceiro, dorme a adolescente.
Ela não queria sair no início, mas o pai a convenceu a conversar conosco.
Logo, ela já estava mais tranquila e falante.
Ficava o tempo todo dizendo que ninguém tinha "feito mal" para ela e que não estava grávida.

O que chamou a nossa atenção foi que, ao contrário do restante da família, ela não parecia sofrer as mesmas privações.
Havia restos de comida, garrafas de refrigerante e de iogurte, frutas e outros alimentos.
Isso nos lembrou que uma das denúncias feitas era de que apenas o pai e a filha tinham direito de comer a comida que era comprada em marmitex.
O restante se alimentava como animais, num cocho.
Não vimos nada parecido no local, mas as mordomias da filha são estranhas.

No quarto dela, várias bolsas e uma mochila de marca, sapatos e uma sandália de plástico que parece de uma marca famosa destoavam da pobreza em volta.
A cama tinha tanta roupa misturada que mal sobrava espaço para a garota deitar.
O tempo todo, ela ficava puxando a blusa para baixo e tentando esconder a barriga.
Se ela esquecia, o pai reclamava e mandava ela abaixar a blusa.
Ele contou que ela está com a mania de andar com a calça aberta e baixa, o que faz as pessoas pensarem que ela está grávida, mas não está.

Segundo o conselho tutelar, um exame da perícia foi feito na adolescente e confirmou que ela teve o hímen rompido.
O perito suspeitou que a barriga saliente e baixa poderia indicar uma gravidez e recomendou que se fizesse um exame específico.
Mas, a garota, que tinha sido levada para a cidade pelos policiais que estiveram nos barracos, já estava de volta à família e não compareceu à consulta agendada.

Além da garota, o aposentado vive com os dois filhos, um de 17 e outro de 19 anos, e a mulher.
Ela, tem problemas mentais críticos e mal consegue falar uma frase inteira com sentido.
Ficava o tempo todo dizendo que o filho estava armado e que tinham ameaçado ele com arma quando os "homens" chegaram lá.
Entendi que estava se referindo à visita dos policiais.
Eles nos contaram que tiveram que algemar um dos filhos, pois ele tentou agredí-los com um facão.

Moral da história, deixamos o local com mais dúvidas ainda.
O aposentado admitiu que recebe as pensões e que gasto com comida e outras coisas para a família.
Ele também confirmou que medica a todos, mas negou que mantenha alguém dopado.
Insistiu que as denúncias são mentirosas e inventadas por um parente.
Reclamou ainda que tem tido problemas com o empresário que é dono das terras onde ficam os barracos dele.
O pai do suspeito morava no local há uns 50 anos e ganhou do antigo proprietário permissão para continuar lá.
Mas, o homem morreu e as terras foram vendidas.
O novo dono estaria, segundo o aposentado, tentando retirar a família.

Enfim, tudo pode ser verdade.
O suspeito pode mesmo ser um dissimulado e ter ameaçado a família para que ninguém falasse nada sobre os maus-tratos, o cárcere privado e o abuso sexual.
Como também pode ser uma vítima de uma série de fatores.
Ser miserável e estar em terras cobiçadas.
Independentemente da verdade, o que importa é que aquelas pessoas não podem continuar vivendo de forma primitiva e desumana.
Se não for confirmada nenhuma irregularidade, pelo menos a prefeitura de Santos Dumont deveria enviar assistentes sociais para avaliar a situação da família e cobrar soluções.
O que já deveria estar sendo feito!